Notas iniciais
Meus pais estão brigando na mesma época do ano que se separaram. Meu melhor amigo foi embora definitivamente. Estou voltando a ter minha mini depressão. Porem eu prometo TENTAR não abandonar a fanfic.

– Ashton, levante desse chão. Vamos na praia. Estou passando pouco tempo com você. – disse ajudando ele a levantar.

– claro, só que preciso de água antes. – ele disse. Pude observar que ele tinha um envelope na mão, mas nem dei atenção.

– entra ai. Vou lá em cima buscar minha câmera. – disse subindo as escadas, mas voltei antes de terminar de subir. – Ash?

– hm. – ele respondeu bebendo água.

– ele disse que me ama.

– hoje?

– sim.

– AAAAAH. Vem cá, minha pequena. Tenho que te dar um abraço. – e assim eu fui.

– é bom te ter aqui comigo, sabe, como antes.

– mas sem a paixão de criança.

– é. Sem ela. Acho que se eu acreditasse em Deus poderia dizer que sou uma tremenda pecadora.

– oxi. Por que? – ele me perguntou.

– você era como meu irmão, e eu era apaixonada por você. – disse me justificando.

– digo o mesmo. Eca. E pensar que meu primeiro beijo foi com você, que nojo. – ele disse fazendo cara de quem comeu bosta e não gostou.

– EI. Eu nem beijei tão mal assim. – disse dando um tapa no seu braço.

– beijou sim. – ele começou a rir.

– cala a boca, foi meu primeiro beijo, Ash. – disse cruzando os braços.

– é brincadeira, besta. Vai pegar tua câmera e o skate que eu não estou nem um pouco afim de ir andando.

– eu nem almocei, eu quero pelo menos um biscoito. – disse tentando roubar um do pacote que ele havia pegado no armário, mas ele não deixou. – viado.

– baleia.

– gordo.

– feia.

– idiota.

– besta.

– mongoloide.

– esfomeada.

– sou mesmo, agora me da um biscoito.

– era pra você continuar a brincadeira.

– mas eu to com fome. – disse fazendo manha.

***

Eu conversei bastante com o Ashton sobre o pai dele, e ele me contou que estava tentando ser forte pela mãe dele, que estava acabada. Ele me contou que não foi para a escola por causa que ele tinha ido no hospital fazer uns exames sobre aquela dor que ele sentia. Andamos pela praia e ele me jogou na água a um minuto atrás, e agora, bom, eu estou afogando ele, ou pelo menos tentando, afinal, como uma menina de 1,47 vai conseguir afogar um menino de 1,83 de altura?

– está bem. Eu não consigo te afogar. – disse cruzando os braços.

– você é muito baixinha.

– mas sou feliz.

– também sou feliz sendo alto. – disse ele provocando.

– idiota.

– vamos tirar uma foto, vem. – ele falou pegando minha câmera, que era a prova d’água.

***

Saímos da água e o Ashton vestiu a blusa dele e pegou o envelope que ele tanto carregava, desde a minha casa.

– eu tenho que abrir esse envelope, e acho que deveria abrir do seu lado. – ele falou se sentando na areia.

– o que é? – disse curiosa.

– é a carta de uma das faculdades que eu me inscrevi. – olhei para ele assustada, afinal, ele não tinha me falado nada de faculdade.

– por que não me disse que tinha se inscrito em faculdades?

– porque era pra ser uma surpresa.

– essa é de onde? Dallas? Los Angeles? Washington? Toronto? – todas essas cidades eram as que tinham faculdades para engenharia ou Futebol Americano, que era o que ele queria fazer.

– Natal-RN. – olhei para ele assustada.

Natal era a cidade que eu morava quando fui para o Brasil, e eu nunca ia imaginar que ele poderia ter feito inscrição lá.

– Co-como? – eu realmente estava confusa com tudo isso.

– eu só queria te ver de novo, isso foi a uns três meses atrás, nem mesmo você sabia que ia voltar. Eu fiz curso de português por toda minha adolescência, só pra te ver de novo.

– então você se inscreveu, porem não passou pela sua cabeça a ideia de que eu poderia voltar. E você passou?

– eu não sei, mas eu já recebi resposta de Dallas, só que eu também não abri o envelope.

– e onde ele está?

– em casa. Eu provavelmente não passei.

– como assim? – eu estava confusa.

– o envelope é pequeno, esse também é, mas aquele é menor.

– para com isso. Talvez você passou em Dallas e em Natal não. Ou então passou nos dois.

– ou não passei em nenhum.

– deixe desse pensamentos negativos, Ash. E se não tiver passado não tem problema, você ainda tem que esperar a resposta de outras faculdades, vem, vamos pra sua casa pegar o envelope de Dallas.

***

– “caro Ashton.” – comecei a ler em alto e bom som. — “gostaríamos de informar que está aprovado para nossa faculdade. Suas aulas começaram dia 15 de fevereiro, porem precisamos que esteja aqui dia 10 para que possa fazer sua matricula e se acomode em um de seus apartamentos bla bla bla bla, sentimos a honra de ter um estudante como você cursando em algo que é realmente bom, bla bla bla bla bla.” – joguei o envelope no ar e o abracei.

– eu passei. – ele disse sem corresponder o meu abraço.

– passou. Não acredito. Você passou na melhor faculdade de Dallas. – falei mas ele ainda estava em choque.

– e na melhor de Natal. – wow. Agora quem está em choque sou eu.

Peguei o papel que estava na mão dele e comecei a ler. ELE PASSOU NA FACULDADE QUE EU SOU DOIDA PARA PASSAR. SEM OR (n/a: foi literalmente a faculdade a faculdade que eu sou doida para passar.)

– eu não acredito. Você vai para qual? – disse, e nesse momento veio a hipótese de que podemos nos separar de novo.

– eu n-não sei. Vou esperar a resposta das outras faculdades. Mas eu quero ir pra melhor que tem.

– estamos aqui abrindo os seus envelopes e eu ate hoje não recebi nenhuma resposta, só de Harvard. – assim que eu terminei de falar ele me olhou assustado.

– e você passou? Como assim não me disse nada?

– eu ia te falar ontem, mas ai rolou um acidente, que eu não estou muito afim de lembrar, e acabou que eu não falei para ninguém que eu recebi a carta, nem mesmo para o meu pai. – disse e pude ver que o Ashton abaixou o olhar.

– você deveria falar do envelope hoje, no jantar.

– é. Eu vou. Falando nele, sua namorada vai?

– não. Briguei com ela hoje.

– aaah. – antes que qualquer um dos dois pudéssemos falar algo meu telefone começa a tocar.

Ligação on

– Chris?

– amor, você não acredita no que eu tenho nas minhas mãos.

– você não foi pro treino não?

– fui não, rolou um incidente com minha mãe, mas isso não importa, foca no que ta acontecendo agora.

– tudo bem, conte-me.

– cartas. Eu fui aceito.

– aceito onde? – disse me assustando.

– FACULDADE, AMOR. FACULDADE.

– O QUE? – gritei, o que fez Ashton me olhar assustado.

– isso mesmo. Mas eu estou sozinho em casa, então você é a primeira a saber, tem como contar pro Ashton?

– conto sim. Mas me fala, quais são as faculdades.

– Columbia, e...

– VOCÊ FOI ACEITO NA COLUMBIA? TA BRINCANDO COMIGO NE?

– não, to quase morrendo aqui também. Mas me deixa falar qual foi a outra. Harvard, amor. Eu passei pra minha faculdade dos sonhos.

– Harvard? – repeti em choque. Será que eu conto? Mas e se não tiver passado?

– sim.

– nossa, amor. Parabéns. Bom, eu vou me arrumar para ir pro jantar.

– eu vou te buscar?

– não, nos encontramos lá, pode ser?

– pode

Ligação off

– o que foi? – Ash perguntou assim que eu desliguei o telefone.

– Chris passou em duas faculdades.

– quais?

– Columbia e Harvard. – assim que falei Harvard um sorriso se formou no rosto do meu querido amigo.

– ele e você vão para Harvard.

– não é certeza que eu vá.

– pensamentos positivos, Katherine.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Só pra avisar, minha fic não vai mais ter o final que era pra ter.