I can´t stand you, love
14 Capítulo 14 - Não desista de mim
Notas iniciais
No capítulo anterior:
Abrandei na curva e quando dei por mim, Kate, havia me ultrapassado. O fumo que saiu do seu carro, impediu o meu campo de visão, obrigando-me a diminuir a velocidade. Assim que tudo ficou mais claro, aproveitei que a estrada era em linha reta e acelerei o máximo que pude. Passado uns segundos, o seu Audi TT preto era somente uma sombra na noite fria e escura. Ri sozinho ao ver Beckett ficar para trás e quando olhei de novo para a estrada, já era tarde de mais. Tudo ficou escuro.
Pov personagem
–Calma, meu amor. O papai está indo o mais rápido que pode. – Eu levava uma mão na barriga da minha filha, Jenny, que estava grávida e a minha outra mão apertava o volante do carro com força. Eu não estava preparado para assistir ao parto da minha própria filha.
–Não sei se tenho coragem, pai. – Jenny, falava com dificuldade, devido às contrações que estava tendo de minuto a minuto. A sua bolsa de água rompeu e agora estou correndo para o hospital.
–Claro que tem, meu amor. Daqui a pouco já vai ter o seu filhinho nos seus braços. Eu vou ser avô, nem posso acreditar! – Não podia segurar a minha felicidade.
–Vá rápido, papai! – Jenny, agarrava a sua barriga. A minha filha estava quase a entrar em trabalho de parto.
A minha condução não se mantinha estável, devido aos nervos e à ansiedade que eu estava sentindo. A rua estava escura e no momento em que estava secando as lágrimas de minha filha … Um embate. Tentei travar, mas o embate foi forte o suficiente para que o airbag abrisse. Não havia percebido como tudo tinha acontecido, olhei para o lado imediatamente e minha filha estava sangrando. Sangrando muito na testa. Sai do carro disparado e fui correndo abrir a porta do lado do passageiro. Percebi que a minha filha Jenny não tinha levado o cinto de segurança e com o impacto, seu corpo e sua cabeça bateram contra o vidro. O meu coração gelou. As lágrimas começaram a rolar pela minha cara. Olhei em frente e vi um carro com a frente desfeita. Dentro estava um rapaz inconsciente. Pensei acudi-lo, mas primeiro estava a minha filha. Peguei nela com cuidado e deitei-a sobre o meu casaco no chão. As minhas mãos tremiam. Eu não posso perder a minha filha e o meu neto. Não posso mesmo.
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Pov Kate
Assim que vi dois carros parados no fim da rua, decidi parar. O que mais me apavorou, foi o facto de um dos carros ser o do Castle. Como assim? O que ele está fazendo parado ali?
–Não! A minha filha não! – A voz de agonia de um homem, assustou-me. Corri até lá e fiquei em choque. O homem alto segurava uma garota loira que aparentava ter 20 anos. Ela estava inconsciente e o homem abraçava-a, chorando com muito sofrimento. A minha mente começou a estabelecer ligações e rapidamente desviei os meus olhos para o outro carro – o carro do Castle.
Corri rápido e abri a sua porta. O seu carro estava irreconhecível. Um sentimento de culpa apoderou-se de mim, quando o vi naquele estado. O seu airbag não havia disparado e agora sua cabeça estava sangrando.
–Castle! – Chamei-o, enquanto sustentava a sua cabeça junto do meu peito. Nada. Não obtive resposta. Levei os meus dedos ao seu pulso, para ver se ele ainda tinha pulsação. Fiquei mais descansada ao descobrir que ele ainda respirava e tinha pulsação. O que me estava assustando era ele estar desmaiado e com a cabeça estar sangrando daquela maneira.
O choro do homem estava me inquietando e perturbando.
–O que aconteceu? – Aproximei-me dele e da garota, que também estava sangrando. E grávida. Engoli em seco e uma lágrima desceu pelo meu rosto.
–Eu juro que não fiz por mal. Estava olhando para a minha filha… — O homem soluçava, aflito.
–Calma, vai tudo dar certo. Precisamos chamar a ambulância. – Tentei me acalmar. Mas a verdade é que quando eu perceber o que realmente aconteceu, irei desabar.
–Eu já chamei. Eles estão chegando. Eu só não quero perder a minha filha e o meu neto. Eles são tudo o que eu tenho. – Aconchegou a filha junto do seu peito, chorando alto. Aquilo mexeu comigo e não consegui segurar o choro também.
Fui para junto de Castle que continuava desmaiado.
–Castle, por favor. Acorde… — Acariciei o seu rosto, mas ele não acordava. Lentamente comecei a perceber a gravidade da situação. Ele tinha tido um acidente de carro. Está sangrando. Estávamos com os carros de nossos pais. Havia uma garota que estava grávida e desmaiada. Nós os dois podemos ter destruído a vida de duas pessoas. O pânico instalou-se. O meu peito começou a doer. Levei as mãos à cabeça, segurando os meus cabelos. As lágrimas começaram a cair insistentemente e o meu chão caiu. Peguei no celular e liguei para o número da minha mãe.
–Quem fala? – A sua voz de sono, ainda me deu mais vontade de chorar.
–Mãe eu juro… Eu não que..queria. – Soluçava à medida que tentava explicar. Mas como explicar para uma mãe que tinha roubado o seu carro e feito uma corrida? E nesse espaço de tempo podia ter destruído vidas? Inclusive a de Castle?
–Kate? Onde você está, querida? Porque está chorando? O que aconteceu?
–Eu não queria que isto fosse assim, mamãe. Me desculpa, por favor. Por favor, me desculpa. – O meu corpo deslizou pelo carro e eu me sentei chorando.
–Kate, filha, onde você está? O que aconteceu? Eu te desculpo, meu amor. Me conta o que aconteceu, por favor. – Percebia a inquietação da minha mãe. Ouvi também o meu pai falar.
–Houve um acidente… O Castle está… ele está sangrando. Não sei como isto aconteceu. – Tentava falar, mas o choro impedia-me.
–Um acidente? Como assim? Você está bem? – Perguntava sobressaltada.
–Nós estamos indo na urgência para o hospital. Vão lá ter. Avise a mãe do Rick. Eu vos amo.
–Ok, estaremos lá o mais rápido que conseguirmos. Te amo, meu amor. Se acalma. Vai dar tudo certo.
A ambulância chegou e foi socorrer a garota e Castle. Ligaram eles ao oxigênio e depois eu fui com Castle numa ambulância e a garota com o seu pai na outra.
–Ele vai ficar bem? – Eu perguntava ao enfermeiro que o estava acompanhando.
–Eu não sei. É provável que ele tenha sofrido um traumatismo craniano. Agora só os médicos poderão dizer qual o grau e se é grave ou não. Você precisa ter calma. – O homem loiro de olhos castanhos, sorriu, tentando me acalmar. A verdade é que Castle continuava desmaiado e eu não estava tendo bons pressentimentos.
Chegamos no hospital e eles levaram Castle e a garota para as urgências. Mandaram-nos aguardar, até o médico nos dizer alguma coisa.
–Kate! – O meu pai correu até mim, abraçando-me. – O que aconteceu?
–O Castle teve um acidente… — Encostei-me ao seu peito. Eu sabia que ele já devia ter dado falta do carro, mas não suspeitava de mim. Isso ainda me fazer sentir mais culpada.
–O pior é que nós estávamos fazendo uma corrida, uma aposta. – Tentei explicar. O meu pai separou-nos e me olhou nos olhos.
–Vocês perderam a cabeça? – A minha mãe me olhava incrédula e chocada.
–Eu sei, nós fomos uns irresponsáveis. Me desculpem.
–Katherine! Onde está o meu carro? – O meu pai alteou a voz e encarou-me, franzindo as sobrancelhas.
–Eu peço desculpa, pai. Eu não queria…
Senti a minha cara quente e depois me apercebi. O meu pai me bateu. O meu pai me deu uma bofetada.
–JIM! O que é que você fez?! – A minha mãe correu para mim e olhou para o meu pai, estática.
–ELE PODE TER MORRIDO! O que vos passou pela cabeça? – O meu pai andava de um lado para o outro nervoso. No momento em que ele falou que Castle podia ter morrido, quis bater em mim mesma. Eu merecia. Merecia todas as bofetadas do mundo.
–Nós não pensamos que isto ia acontecer! – Falei, chorando. Senti-me dececionada, magoada comigo mesma. Estava a pagar pelos meus erros e infantilidades.
–Nunca pensei que você, minha filha, você capaz de fazer tamanha estupidez! Não sabem medir as consequências?!
–JIM! Chega! – A minha mãe tentava acalmar a situação. O soluço do pai da garota, nos chamou à atenção. Ele estava em silêncio. Apoiando os cotovelos nas pernas. Escondendo o rosto entre as mãos. Estava segurando uma pulseira, que devia ser da garota.
–Porquê a minha filha? Porquê? Eu nunca mais me irei perdoar… — Chorava, inconsolável.
–A culpa não foi sua. – Aproximei-me dele.
–Foi sim, eu que ia em excesso de velocidade. Eu que ia em contramão. Num segundo estávamos felizes, ela tinha entrado em trabalho de parto e no outro, dou por mim destruindo a vida da minha filha, de meu neto e a de um garoto. Me desculpe.
–Não é culpa de ninguém, ok?
–Você está me dizendo que está uma garota grávida envolvida nisto?! – Desta vez o tom de voz da minha mãe modificou-se.
–Sim, mas a sua filha não teve culpa. Eu que ia em contramão. O garoto nem me viu. – O homem tentou explicar. Parecia mais calmo. – Espero que eles consigam salvar a minha filha e o bebé. – Assim que falou, as lágrimas desceram pela sua face.
–ONDE ESTÁ O MEU FILHO? – Martha entrou nervosa nas urgências do hospital.
–Martha, foi um acidente. – A minha mãe impediu-me de falar e explicou a situação para Martha. Como é natural, sentou-se, abalada e começou a chorar.
Martha deu os seus dados e os de Castle ao hospital e o homem fez a mesma coisa em relação a ele e à sua filha.
…
Passado uma hora Lanie, Esposito e Ryan estavam junto de nós. Ainda não sabíamos nada.
–Nós podíamos fazer uma oração. – Lanie, sugeriu, sempre esperançosa.
–Acho boa ideia. – O pai de Jenny concordou.
Ninguém disse nada. Formamos um círculo e todos demos as mãos. No silêncio, cada um rezou. Fechei os olhos e esperei que tudo corresse bem.
…
–Senhor Taylor? – O pai de Jenny levantou-se e aproximou-se rapidamente do médico.
–Diga.
–A sua filha está estável. O seu netinho, é lindo. Conseguimos salvar o bebé. Ambos tiveram muita sorte. – O médico sorriu.
–Mesmo? – O rosto do homem onde antes havia desespero era iluminado agora por um largo e grande sorriso.
–Sim, ela agora está dormindo. Se quiser, pode ir vê-la.
–Obrigada. – O médico deu-lhe o número do quarto de Jenny e o homem saiu correndo alegre.
–E o meu filho? Como ele está? – Martha aproximou-se e todos fizemos o mesmo.
–O seu filho sofreu um traumatismo craniano leve, ou seja, deveria ficar aqui 24 horas sobre observação e se tudo estivesse bem ele poderia voltar para casa. O problema é que ele está em coma. – O médico avisou e todos ficamos petrificados. Não tínhamos palavras.
–Por quanto tempo? – Eu perguntei, preocupada. Lanie apertou a minha mão, dando-me força.
–Não temos maneira de saber. Pode ser uns dias, meses… Temos de ter esperança.
–Eu posso vê-lo? – Martha, perguntou, segurando o choro.
–Claro que sim. – O médico indicou-lhe o quarto.
–Eu nunca me irei perdoar por isto, Lanie… — Sentei-me na cadeira, derrotada.
–Ei girlfriend, não pode desistir assim. Não pode desistir dele. Tenho a certeza que ele vai ficar bem dentro de poucos dias. – Agarrou as minhas mãos e sorriu.
Lanie tinha razão. Tudo ia ficar bem. Tudo precisa de ficar bem.
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