I can´t stand you, love

27 Capítulo 27 - Promessa


Notas iniciais
Olá leitores(as) :) ! Este capítulo também ficou um pouco diferente, mas espero que gostem. Eu estou aguardando o primeiro "te amo" do nosso casal para um momento especial da fic, só por isso é que ainda não aconteceu. Quero agradecer os comentários e por todas as pessoas que acompanham :) ! Boa leitura.

No capítulo anterior:

Sai dali enquanto a brisa morna de final de tarde enxugavam as minhas lágrimas.

Como é que Kate foi capaz? Depois de tudo o que eu lhe contei?

Eu precisava de conversar com ela. Agora.

Pov Kate

Cheguei a casa e para minha surpresa, Castle não estava.

Procurei por toda a casa e nada.

Decidi ligar para o seu celular, mas estava desligado. Uma pontada de preocupação invadiu o meu peito.

Onde será que ele está? O céu está ameaçando chuva e eu só queria puder aninhar-me nos seus braços.

Pov Castle

Parei na porta de casa e decidi voltar para trás. Da maneira que eu estava não iria ouvir a Kate. Estava muito nervoso para ter alguma conversa neste momento. Desliguei o celular e fui andar sem rumo. Sem direção.

As primeiras gotas de chuvas refrescaram a minha cara, misturando-se com as lágrimas, que insistiam em cair.

Vê-lo só me trouxe lembranças. Lembranças que eu não queria que fossem lembradas.

E Kate… Como é que ela foi capaz de me esconder isto? Ela sabia a dor que o meu pai me causava. Ela era a única que sabia e ainda assim escondeu-me isto. Porquê?

Pensei ligar para a minha mãe, mas ela também nunca me falou dele. Eu conseguia perceber que era uma ferida que ainda não estava bem sarada e por isso nunca falava no assunto.

Flashback on

–Você não pode sumir assim! – A minha mãe gritava. Eu era apenas um garoto de 3 anos, espreitando atrás da porta.

–Tem de ser, será que você não entende?! Eu tenho uma família!

–E o seu filho? – Ela chorava, revoltada.

–Eu disse-lhe que não queria ter nenhum filho! Você estragou tudo! – Hunt gritava, nervoso.

–EU NÃO TIVE CULPA!

Um barulho.

A porta abriu-se bruscamente e alguém me pegou com força.

–O que você está fazendo, garoto?! – Ele me olhava com fúria.

–Largue o meu filho! – Martha correu até Hunt e tentou me tirar dos seus braços. Com o esforço cai e acabei sangrando da cabeça. Chorei, mas o meu choro parecia não ser ouvido.

–Olha só o que você fez! – A minha mãe se aproximou de mim e abrigou-me junto do seu peito.

–Ele que estava onde não devia!

–DESAPAREÇA DAQUI!

A porta bateu com força. Ele sumiu. Para sempre.

Flashback off

As lembranças me atormentavam. Como ele podia ter um motivo para aquilo? Como ele se atreveu a voltar agora? Ao fim de tantos anos?

As lágrimas transformavam-se em soluços. Em dor. Mágoa.

Estava sentando num banquinho de jardim. Sozinho. Acompanhado pelo som da porta batendo. Pelo choro da minha mãe.

–Rick… — Aquela voz doce me fez esquecer de tudo.

Pousou a sua mão sobre o meu ombro.

Não queria discutir agora. Só queria desabafar, alguém em quem pudesse confiar. E ela estava aqui. Alguma coisa era reconfortante no meio de tudo isto.

–Eu vi vocês… — Fechei os olhos ao sentir que ela se estava sentando ao meu lado.

–Eu calculei. Eu ia te contar, mas quando cheguei em casa, você não estava mais lá.

–Eu precisei de ficar sozinho. — Expliquei.

Silêncio

Ela se encostou a mim como se não fosse preciso pedir ou dizer nada.

Pousei a minha cabeça sobre a dela e aspirei o seu cheiro a cerejas. Sorri fracamente.

Entrelacei as nossas mãos e suspirei.

–Porquê que mentiu, Kate?

–Eu não menti, eu só não queria te perder… — Admitiu, cedendo às lágrimas.

–Não me ia perder, eu só não precisava de descobrir daquele jeito. Vê-lo com aquele cretino me deixou furioso. Há quanto tempo vocês falam?

–Desde que ele te visitou no hospital. A gente falou uma vez e depois ele me entregou um cartão. Eu decidi ligar. Eu gostava de saber o porquê de ele vos ter abandonado. – Explicou, levantando a cabeça e me olhando.

–Isso não têm haver consigo. — Disse, friamente.

–Claro que têm. Eu gosto de você. Importo-me com você.

Beijei-a. Beijei-a ao sabor da chuva de verão. Ao sabor daquele momento.

–Rick… O que isto quer dizer? – Olhou para mim, o cabelo molhado pela chuva.

–Quer dizer que eu gosto de você. Kate, só eu sei o que vivi quando o meu pai nos abandonou. Só eu sei o que a minha mãe passou. Eu sei que não devia ter ido atrás de você, mas a curiosidade falou mais alto. Desculpe.

–Eu também tenho que pedir desculpa. Eu não devia ter mentido durante todo este tempo. Desculpe. – Olhou nos meus olhos com honestidade.

–Então faremos um acordo… — Sugeri.

–Qual a sua ideia? — Perguntou, trincando o lábio, curiosa.

–A partir deste dia, Katherine Houghton Beckett, eu prometo que te direi sempre a verdade por mais que ela possa doer. – Segurei as suas mãos.

–Richard Alexander Castle eu prometo te dizer sempre a verdade por mais dura que ela possa ser.

Ficamos nos olhando em silêncio e depois selamos a nossa promessa com um beijo. Um beijo calmo.

Depois de um duche eu e Kate comemos qualquer coisa. Como estava chuva, decidimos ficar assistindo uma maratona de filmes.

O assunto de Hunt estava martelando na minha cabeça.

–Kate? – Chamei-a, apertando-a mais com os meus braços.

–Sim. – Falou com a voz sonolenta.

–Qual foi o motivo do Hunt?

–Ele tem um motivo forte. Por isso eu acho que lhe devia dar uma oportunidade. – Ela explicou, aninhando-se mais junto de mim.

–Eu já percebi que você está cheia de sono. – Ri, levemente. – Falamos amanhã.

Beijei a sua testa. Kate murmurou alguma coisa e caiu no sono.

Eu fiquei pensando naquilo por mais um tempo. Será que eu devia dar uma oportunidade ao meu pai? Talvez Kate tenha razão.

Pov Martha

Estava assistindo uma série nova na TV até que o meu celular começou a tocar. Não conhecia o número, mas atendi.

Ouvia a chuva cair. A respiração pesada.

Mar…Martha? – A ligação era má.

O meu coração gelou. Era ele. Como eu poderia me esquecer desta voz?

–Hunt? – Perguntei com a voz trémula. Eu precisava de ter a certeza.

–Me desculpe Martha, eu fui um idiota todos estes anos. Eu nunca te dei uma explicação. Eu fugi de si, fugi de mim… – A voz era confundida pelo choro. Eu não conseguia falar. – Só hoje eu percebi o mal que eu vos causei. Só hoje eu percebi o cretino que eu sou. Me desculpe, se eu pudesse voltar atrás, eu teria ficado consigo. Teria me divorciado. Teria lutado por si. Por nós. Desculpe.

Um tiro.

–Hunt? – Foi a única coisa que consegui falar, mas já era tarde de mais. A chamada tinha caído.

Notas finais
Deixo o destino de Hunt nas vossas mãos! O que vocês querem que aconteça com ele?