Notas iniciais
AVISO: Aqui estamos, último capítulo desta temporada. Sim, como alguns pediram e me aconselharam, eu fiz uma segunda temporada que será mais focada no relacionamento deles a partir deste último capítulo. Antes de qualquer coisa, preciso agradecer tanto a tantas pessoas:: Kia Araujo, luara94, Tsubasa Watson e luamarianox ;), vocês foram responsáveis pelas quatro recomendações que essa fanfiction recebeu e eu nem sei como agradecer vocês ♥ Precisam saber que vocês foram absolutamente muito importantes para a continuação de I am the Target. Eu sei que demoro bastante para atualizar mas quando eu sentia que não podia mais, voltava aqui e relia as recomendações, então pensava: Ei, você não é completamente ruim, algumas pessoas gastaram tempo escrevendo isso aqui, o minimo que pode fazer para agradecer é voltar e terminar o que começou. Então, realmente, muito obrigada a cada uma de vocês ♥ ♥ ♥ E quanto aos comentários? Um agradecimento especial a Tsubasa Watson que, em 95% dos capítulos, foi a primeira a comentar kkk Agradeço também Alane Reddington (que sobrenome maravilho esse hein), Crisseddie, Sobek, Alice Marques, holmesandwatson, Ariane Araujo, Jisbon Joanlock, Kia Araujo, Jennifer BlackWolf, Jess, University Girl, Thatie, AnaAllenBeckett, Duda Melark, Alexandra Marques, Sam Snape, Rosa Hastings Grainger, Gabizinha, Alez marques, rafamim... essas pessoas comentaram algumas vezes e por algum motivo pararam ou diminuiram sua presença, talvez pela minha demora kkk, mas se algum dia lerem isso, quero que saiba que sou imensamente grata por vocês ao menos tentaram e me mostrarem que isso valia a pena ♥ ♥ ♥ Quantos aos outros como Senhorita Watsonia, Tsubasa e Luara, que comentaram até aqui e me enxeram o saco quando eu demorava (ne Tsubasa? kkk) a proxima tempora é pra vocês. Nada mais justo por me aguentarem tanto, principalmente você Luara que tem meu numero kkk P.S. Sim, eu sei que tem gente lá em cima que aguentou até o capítulo 27 pelo menos, pessoas, não esqueci de vocês. Eu anotei.

― Para o carro!

Capitão Gregson, pego de surpresa, imediatamente pisou no freio fazendo o carro derrapar breves e estridentes metros, logo em seguida batendo no volante e xingando Sherlock.

― O que foi isso Sherlock? ― perguntou virando a cabeça para olhá-lo, irritado.

― Kitty ― o detetive respondeu abrindo uma das portas de trás.

A garota correu até a viatura e entrou ofegante, fechando a porta em seguida.

― Mas de onde ela apareceu?! ― Detetive Bell exclamou surpreso.

― Onde? ― Sherlock perguntou a Kitty, ignorando-o.

― Duas ruas a frente, virando a direita há um campo com uma pequena fábrica abandonada ― ela respondeu com a voz entrecortada ― Lin já deve estar lá.

Gregson não precisou de mais para voltar a pisar no acelerador e ser seguida pelas outras viaturas que foram forçadas a parar, mas Sherlock não tirou os olhos da ex-aprendiz.

― Como Lin Wen soube do lugar?

― Isso não importa agora, perdemos tempo quando Joan estiver bem, okay?

Quando as viaturas pararam, sem muito alarde, o mais próximo possível do lugar, Sherlock se deixou analisar a situação. Agradeceu pela discrição da policia, mas sabia que poderia ser bem diferente dentro da fábrica. O lugar não era tão grande e não estava totalmente escuro, com certeza havia homens de Holloway por todo o lugar e o risco iminente de Andreia simplesmente atirar em Joan e Lin, porque agora ele sabia que isso era possibilidade válida demais para ignorar.

― Elas deveriam estar aqui fora... ― Kitty comentou com os fixos na fabrica ― Isso pode significar tanta coisa.

― Isso significa que vou entrar primeiro ― Sherlock anunciou chamando atenção para si.

― Não mesmo.

― É arriscado demais Holmes ― Bell interviu sensato.

― Pelo menos coloque um colete ― Gregson concordou os surpreendendo ― O que? É Joan lá dentro, sei que nada o manterá aqui, mas basta ela desprotegida.

― Eu agradeço Capitão ― Sherlock disse sincero ― Mas assim que eu entrar com um colete vão colocar a arma na minha cabeça e ordenar que eu retire.

O Capitão suspirou e permitiu sua passagem. Sherlock apenas lançou um último olhar a todos e prosseguiu pela rua deserta, até estar diante campo com o gramado gasto. Não havia nenhum plano sendo elaborado em sua mente, nenhuma dedução sobre o lugar ou sobre o que poderia acontecer, nada sobre as probabilidades de certo ou errado, Sherlock queria apenas entrar e tirar Joan daquele lugar. E se fosse possível, faria isso em completo silêncio.

Era muito mais do que ter vidas em jogo, eram vidas especificas. Era sua família.

Os primeiros passos no campo foram calmos e visualmente despreocupados, mas tinha consciência de que fora notado por alguém armado. Mas alguns passos rápidos — feitos em completo silêncio — e Sherlock se viu obrigado a parar quando uma arma surgiu em seu campo de visão e a mira surgiu em seu peito. O homem era desconhecido, mas suas palavras eram previsíveis.

― Parado, Sr. Holmes.

Sherlock obedeceu, automaticamente erguendo as mãos e deixando que mais três homens se aproximassem e o revistassem sem pudor. Então, ainda em silêncio, deixou-se ser arrastado pelos corredores úmidos e enferrujados da fábrica a muito abandonada. Havia tantos homens, armados, prontos para matar, que imediatamente se sentiu ridículo por pensar que poderia fazer qualquer coisa em silêncio.

Provavelmente nem teria o direito de morrer em silêncio.

Uma porta foi aberta e ele foi empurrado para dentro de um salão amplo, ainda havia alguns balcões e máquinas velhas no local. Viu armas sendo erguidas na sua direção e suspirou, resumindo-se a olhar em volta. A primeira pessoa que viu foi Joan, sentada em uma cadeira com os olhos arregalados e o rosto levemente sujo, não estava amarrada, mas Sherlock podia ver seus pulsos machucados e suas mãos trêmulas.

Em pé, ao seu lado, estava Holloway, dono da mão suja que tocara o rosto de Joan. Inesperadamente ele não sorria, como sempre se forçava a fazer, apenas mantinha os olhos fixos nele e a arma firme na mão. Bem próxima, estava Andreia. Essa sim sorria, como se estivesse diante de sua própria – e muito esperada – festa. Sherlock se questionava se a mulher realmente pensava assim, a possibilidade era bem grande.

― Posso perguntar como nos encontrou tão rápido? ― ela questionou quase divertida.

Não, Andreia estava mesmo se divertindo com tudo.

― Rastreamento pelo celular ― Sherlock respondeu impassível.

Andreia comprimiu os lábios, fingindo uma expressão de descontentamento e deu alguns passos a frente. A arma brilhando em sua mão direita.

― Que conveniente eu não ter deixado meu celular em casa... ou ter esquecido de pegar o celular da Joan ― o sorriso dela aumentou, astuto ― Amarrem-no.

― Não!

O grito de Joan foi ignorado enquanto dois homens se aproximavam de Sherlock para agarrá-lo com força desnecessária e amarrá-lo na cadeira pesada com cordas demais. O detetive-consultor ponderou a chance de conseguir dar conta de dois homens armados, mas teria que sair correndo e deixar Joan para trás, o que estava fora de questão. Então apenas se deixou ser preso.

Permitiria qualquer coisa.

― O que... por que está fazendo isso? ― Joan balbuciou.

Andreia suspirou e revirou os olhos, fitando-a:

― Joan, minha cara, vamos combinar uma coisinha aqui, okay? Você vai manter a calma. Com tudo o que está acontecendo é questão de tempo até essa criança querer desistir, então você vai escutar sua médica e manter a calma.

Joan engoliu em seco e assentiu, mas Holloway parecia confuso:

― Não vai mata-la?

― Não agora ― Andreia respondeu indiferente ― Não mato crianças, mesmo quando elas ainda não nasceram.

― Então vai mantê-la presa até o bebê nascer?

― Claro e ela não vai se opor, não é Joan? E também vai se comportar porque posso mudar de ideia a qualquer minuto.

Joan fitou Sherlock com desespero, implorando para que ele pensasse em algo, qualquer coisa que os tirasse dali, vivos.

― Qual o motivo de tudo isso Andreia? ― ele chamou atenção ― Foram anos de amizade, por isso?

― Ora, é um jogo Holmes, não compreende? Eu adoro jogar, é uma diversão limitada, mas intensa, que me permite criar um cenário bem conclusivo. O que achou do cenário da vez?

― E qual o objetivo do jogo?

Andreia riu sonoramente e se aproximou dele em passos lentos:

― Nem todo jogo é como xadrez, Holmes. Nem todo jogo tem um objetivo direto e fatal, nem sempre se resume a acertar a cesta ou pegar o Rei, eu prefiro... roleta russa ― ela parou a frente dele, os dedos tamborilando na ponta da arma ― Já parou para pensar sobre as pessoas que jogam roleta russa por diversão? Elas existem, sabe? O objetivo não é morrer, mas sobreviver. Uma fuga do tédio. A adrenalina que não te deixa quieto, sua mente tentando calcular, inutilmente, as chances de a bala decidir estar no lugar certo quando chega a sua vez. Você acha que aquelas pessoas querem morrer? Não, Holmes. Elas simplesmente não se importam.

― Então não se importa em morrer? ― Sherlock questionou tentando ganhar algum tempo, precisava pensar em algo.

― Todos morrem, não? As chances são tão grandes que eu achei ridículo focar meu tempo em faculdade e emprego.

― Como escolhe suas vitimas?

Andreia riu novamente, debochada e isso fez Sherlock lhe lançar um olhar preocupado. Aparentemente, era pior do que esperava.

― Sabe qual é o seu erro, Sr. Holmes? ― perguntou retoricamente enquanto destravava a arma, fazendo Joan se remexer ― Você procura padrões, em tudo. Até a imprevisibilidade é um padrão nessa sua mente inquieta, é assim que enxerga o mundo, é isso o que sempre procura. Para você e muitos outros todos os assassinos possuem um motivo, uma infância conturbada, um gosto peculiar ou mesmo um desejo incontrolável de matar, e com o tempo, com a experiência, você acredita que eles criam seus próprios padrões.

Ela voltou a travar a arma e caminhou até uma das mesas, colocando-a em cima. Tão impassível e indiferente quanto Sherlock achava possível. Pegou uma faca e passou entre os dedos, como uma mera caneta. Com certeza era pior do que esperava.

― Eu faço isso desde a faculdade ― Andreia revelou voltando a se aproximar de Sherlock, pressionando a faca com certa força no braço coberto dele ― Eu não tive uma infância ruim, não sou traumatizada, não sou descontrolada. Eu olho para uma pessoa e vejo uma pessoa, não uma vitima. Coloco essa faca em seu braço e não tenho o desejo incontrolável de cortá-lo, ver seu sangue e sua dor. Eu simplesmente quero, porque é divertido vê-lo inútil.

Ela colocou mais força sobre a faca e a deslizou pelo antebraço do detetive, cortando os panos de suas roupas e a pele embaixo dela. Sherlock respirou fundo, sentindo a ardência seguindo a linha da faca, sabia que não era um corte fundo, mas também sabia que a médica não pararia por ali.

― Pode até estar certo com esses pensamentos padronizados, Sr. Holmes, mas precisa aprender que as vezes a resposta pode ser mais simples do que espera. Talvez o motivo seja apenas o querer, talvez seja apenas divertido matar.

― Você é louca! ― Sherlock acusou entre dentes.

― Possivelmente, mas devo ser muito boa. Afinal, ninguém nunca reparou.

― Lin!

A voz de Joan o despertou para o canto do salão onde um homem apareceu trazendo Lin Wen consigo, de mãos amarradas. Sherlock tinha que se livrar logo das cordas, até lá precisava de tempo.

― Por que nós? Se não possui um padrão, por que nos escolheu?

― Não pude negar a chance ― Andreia deu de ombros ― Logo notei as intenções de Hector quando encontrou Joan, mas estranhei quando começaram um relacionamento. Ele realmente se apaixonou por ela, o problema é que seu desejo de matar é equivalente. Quer mata-la, mas não consegue. Eu o ajudei por anos, apontando vitimas, então certo dia ele me apontou Joan, com um novo homem ao seu lado e uma nova casa. Imaginei que seria divertido bagunçar um pouco com as emoções de vocês antes de mata-los, parecia fácil. Bom, eu não errei.

― Tudo por diversão?

― Obviamente.

― E gosta de facilidade? Sempre pensei que a dificuldade te excitaria mais.

― Quase sempre você está errado.

― Isso é mentira.

― Andreia ― Michael Morstan a chamou em tom urgente ― Eles estão aqui.

― Oh, demoraram ― ela franziu o cenho ― Supondo que eles são responsáveis pela segurança de Joan, posso dizer que estão fazendo um péssimo trabalho.

Andreia destravou a arma novamente e dessa vez Joan reagiu subitamente, erguendo-se e se aproximando rapidamente. Completamente indiferente, Andreia apenas ergueu o cano da arma em sua direção e a fez parar.

― Por favor, Andreia... não os machuque.

Sherlock se remexeu, por dois motivos. Não estava nem um pouco à vontade com a arma tão certa em Joan e alguém estava cortando suas cordas, sentiu-as estremecer.

― Estamos por perto, não seja idiota ― sussurrou uma voz que ele reconheceu como sendo de Albert Forllet.

Voltou a observar Andreia que ainda tinha um maldito sorriso no rosto. A mão que erguia a arma estava firme, o olhar não era insano ou descontrolado, era pior. Indiferente e consciente. A mulher sabia bem o que estava fazendo e as consequências, mesmo que não aparentasse estar planejando cada ato.

― Lembra o que eu disse Joan? Antes de coloca-la naquela cadeira? ― ela questionou ainda imóvel, Sherlock não se iludia mais com a ideia de ela ter uma péssima mira.

― Que era um jogo? ― Joan debochou de cenho franzido.

― Não... Que a próxima jogada é minha.

Então houve um ultimo sorriso de canto, um brilho determinado no olhar de Andreia e menos de um segundo, que pareceu rápido demais para uma reação de Sherlock e lento demais para seus olhos. Menos de um segundo onde Andreia virou o corpo e atirou. Menos de um segundo ou quase isso, para Lin Wen estar livre das mãos do homem e desabar no chão, as mãos se movendo debilmente, os olhos piscando com dificuldade, o sangue ensopando sua roupa.

Alguém o segurou quando Sherlock se viu livre das cordas e se ergueu da cadeira, mas ninguém se preocupou em segurar Joan. E com os olhos úmidos pelas lagrimas que já corriam por suas bochechas, Joan se agachou ao lado da irmã e imediatamente tentou estancar o único ferimento.

― Lin! Ah meu Deus... Lin... ― balbuciou enquanto se inclinava sobre o rosto da irmã ― Lin, por favor, não desista.

Sherlock se aproximou em passos rápidos. Não conhecia Lin Wen tão bem e realmente não se importava com ela, pelo menos não tanto quanto era esperado, mas a preocupação por Joan queimava sob sua pele. Era demais, aquilo era demais para qualquer um.

Agachou-se ao lado dela e a abraçou suavemente, discretamente tentando afastá-la dali. Notou que não tinham muito tempo quando Andreia processou sua presença ali e fitou a cadeira vazia, onde ele deveria estar amarrado. A sinalização dela para Holloway e a movimentação consequente de seus homens mais próximos o alertou e de repente ele quis ser insensível ao extremo.

― Joan, precisamos ir.

Joan o olhou como se tivesse ouvido a maior loucura e o ignorou, voltando sua atenção para Lin quase inconsciente.

Lin balbuciou algo incompreensível e afastou as mãos tremulas que tentavam estancar seu ferimento. Sherlock entendeu o incentivo e puxou o rosto de Joan para si, selando seus lábios brevemente.

― Eu sei que quer ficar aqui, compreendo. Mas precisamos ir embora, agora.

A detetive acenou sem conter as lagrimas e se levantou quando os primeiros tiros surgiram.

― Pegue Joan! ― Andreia gritou para Holloway antes de se virar ― Morstan, cuide de Sherlock Holmes.

Joan, por algum motivo insano que Sherlock estava ansioso para repreender, avançou na direção de Morstan que apenas sorriu.

― Não podemos contra duas armas ― ele a impediu indicando Holloway.

― Mas ela vai fugir ― ela rebateu entre dentes.

Sherlock concordou, observando Andreia lhes dar as costas sem qualquer hesitação.

― Eu sei, mas prefiro procurar ela depois a ter que arriscar você agora.

― Sem essa de sentimento agora, Sr. Holmes ― Holloway debochou maneando a cabeça.

Joan explodiu ao seu lado. Morstan seguiu a ordem de não feri-la, mas Holloway não teve alguma chance quando ela avançou sobre ele e ambos caíram no chão. Sherlock foi parado pela mira da arma de Morstan antes mesmo de se mover e só respirou aliviado quando viu a arma do outro escorregar para longe de Joan, mesmo sabendo que Holloway jamais atiraria nela.

― Isso tudo é culpa sua. Eu nunca, nunca, vou perdoá-lo ― ouviu ela rosnar enfurecida contra o rosto dele ― E agora eu quero que você vá para o inferno, Hector Holloway.

Sherlock estranhou aquelas palavras, naquele tom, que pareciam tão erradas na voz de sua parceira. No entanto, começou a fazer algum sentido quando ela ergueu o tronco e revelou uma faca cravada no peito imóvel de Holloway. Ele morrera, pelas mãos delicadas e firmes de Joan Watson.

Onde você arranjou essa faca?

― Levante-se ― Morstan ordenou pouco afetado pela morte do outro ― Vamos, Watson, levanta!

Joan obedeceu trôpega e voltou a ficar lado a lado com Sherlock, sem encará-lo. E com um aceno de cabeça de Morstan, saíram do salão sendo seguidos pelo mesmo. O corredor estava calmo e pelo barulho dos tiros Sherlock podia saber que estavam se distanciando do caos, não que estivesse reclamando, mas sabia que a ajuda estava se distanciando também.

― Para onde vamos?

Sem conseguir uma resposta, Sherlock teve que se contentar em segurar a mão gélida de Joan e mantê-la ao seu lado, não queria mais nenhum ato espontâneo da parte dela. Ela suspirou agradecida pelo toque e entrelaçou seus dedos nos dele.

― Ei, Morstan!

Os três se viraram a tempo de ver Moriarty disparando um tiro certeiro contra Morstan, que desabou imediatamente.

― Ótimo, eu precisava fazer isso com alguém ― ela se orgulhou abaixando a arma e se aproximando.

― Como conseguiu entrar? ― Joan questionou com a voz falha.

― Faço parte da cavalaria ― Moriarty deu de ombros ― Vamos, estão esperando por vocês logo adiante.

― E Andreia?

― Em fuga, mas não deve ir muito longe.

Ambos trocaram um olhar significativo, é claro, não a deixariam ir muito longe. Era pessoal agora.

No lado de fora, no campo, havia um jogo de luzes urgentes. Ambulâncias e viaturas policiais se juntaram ao redor, aguardando seus ocupantes. Sherlock não sabia dizer se as pessoas no chão estavam, de forma unanime, mortos ou simplesmente feridos demais para se moverem, porque não se importava com aquela informação no momento. Só conseguia agradecer por Joan não ter participado diretamente daquele evento especifico.

E suas mãos tremeram com antecipação.

E enquanto observava Joan entrar na ambulância, soube que não queria deixa-la tão cedo, que seria cruel deixa-la sozinha depois de tudo o que acontecera, de tudo o que ela sofrera. Soube que a única coisa que deveria fazer era ficar ao lado dela, em silencio ou não, pelo tempo que fosse necessário.

Mas nada disso importava, não com a maldita loira em fuga.

― Tem certeza de que vai conseguir Sherlock? ― Moriarty perguntou parando ao seu lado.

― Eu preciso conseguir.

***

Joan olhou para a porta pálida e tediosa do seu quarto de hospital por dois dias. Sempre que era aberta, olhava mais uma vez, esperando ver Sherlock e recebendo mais um enfermeiro qualquer no lugar. Estava internada por pura obrigação, porque seus amigos estavam com medo. Medo do que ela poderia fazer, medo das consequências de tudo o que ela passara, medo dela perder mais alguém e nem notar isso a tempo. E com sinceridade, Joan podia dizer que era medos apenas deles.

Poderiam chama-la de insana, ou qualquer outro adjetivo ruim que servisse para atingir uma futura mãe, mas Joan não conseguia reagir a nada. Desde a noite na fábrica abandonada, as horas passavam lenta e superficialmente aos seus olhos. Pareciam-lhe uma eternidade e um filme borrado no qual ela não participava. Soube, logo no primeiro dia, que seu bebê milagrosamente estava bem. Kitty erguera o ultrassom ressaltando as palavras “milagre” e “graças a Deus”.

Joan não notou se sorrira ou não quando recebeu a noticia.

Capitão Gregson, Detetive Bell, Kitty, Joshua, Forllet, sua mãe... todos faziam perguntas e tentavam iniciar uma conversa, mas Joan sempre os olhava como se fossem insanamente insensíveis. Queria ficar sozinha, mesmo que isso significasse fechar os olhos e reviver a noite na fabrica. Queria ficar em silencio, mesmo que os tiros sempre surgissem em sua mente. Queria rever Lin, mesmo que agora precisasse ir ao cemitério para tanto.

Então, no quarto dia, foi Sherlock Holmes que atravessou a porta pálida e tediosa.

E ironicamente Joan quis manda-lo embora no segundo seguinte. Em vez disso, observou-o se rastejar até ficar ao lado da cama.

― Como você se sente? ― ele perguntou sem fita-la.

Joan notou as olheiras e os olhos cansados, a insegurança na voz e nas mãos que quase sempre se movimentavam enquanto ele falava. E com um pensamento precipitado, porém forte, soube que ele não estava ali por mera preocupação. Engoliu em seco.

― Você vai embora ― concluiu com a voz rouca pelo desuso.

Ele ergueu os olhos, surpreso, para logo em seguida voltar a desviá-los. Aparentemente estava mesmo incapaz de olhá-la por mais que um segundo.

― Em algumas horas. Só vim me despedir.

― Vai procurar por ela, não é? Andreia.

Sherlock suspirou, fechando os olhos com força antes de responder:

― Mas é claro, vou lhe dar alguma paz Joan. Eu prometo. Não deixarei Andreia ter a chance de voltar.

― E quanto a nós?

Houve silêncio, segundos ou minutos, o suficiente para Joan sentir vontade de refazer a pergunta enquanto o estapeava.

― Quero que fique com o Sobrado ― Sherlock respondeu num folego ― Já lhe dei acesso no banco, sinta-se livre para usufruir de uma das contas da família Holmes para qualquer, absolutamente qualquer situação e gasto que envolva você e a criança. Meu pai também ficará a disposição e qualquer reforma no Sobrado será aceita.

Joan o escutou tagarelar e sorriu sem humor, deixando uma lagrima escapar e enxugando-a rapidamente. Isso o calou.

― E quanto a nós Sherlock? ― repetiu com mais ênfase.

― Nós... ― a voz dele falhou, incerto e Joan fechou os olhos, lamentando o que estava por vir ― Eu não posso Joan... sinto muito. Não posso lidar com isso agora, não-

― Ótimo ― ela o cortou irritada ― E quando pode? Quando voltar? Ao menos sabe se vai voltar Sherlock?

― Tenho uma prioridade agora e-

― Nosso filho é uma prioridade! ― Joan exclamou e imediatamente o aparelho informou a desordem em seus batimentos cardíacos. Respirou com força e tentou retomar o controle sobre si, apertando os olhos com força ― Você pode cuidar disso aqui e sabe disso Sherlock, sabe que não precisa segui-la até o inferno para pegá-la. Eu preciso de você.

Sherlock se adiantou para se aproximar dela, mas se conteve. Ela notou, assim como notou que ele ainda não conseguia olhá-la nos olhos.

― E eu preciso ir embora ― ele insistiu piscando repetidas vezes, engolindo em seco ― Cuide-se Joan, por favor, cuide-se.

Joan tentou impedi-lo, segurando sua mão, mas ele desviou e fugiu de seu toque. O ato a magoou, mas do que poderia imaginar e com isso, finalmente cedeu, trazendo sua mão de volta para o seu colo.

― Adeus, Holmes.

― Adeus, Joan.

Quando ele lhe deu as costas e saiu, Joan não precisou pensar no que aconteceria depois. Já sabia que quando voltasse ao Sobrado a maior parte – senão todas – as roupas do detetive não estariam mais lá, sabia que ficaria sem vê-lo por meses ou possivelmente anos, sabia que ir era uma necessidade dele. Sherlock era assim, quando algo surgia, como um sentimento novo, e o envolvia em uma realidade desconfortante, ele foge, desvia-se como uma defesa.

Dessa vez não era só um sentimento, era literalmente uma nova vida. Uma mulher e uma criança que o envolveria no desconhecido. O que Sherlock não sabia é que Joan jamais o obrigaria a isso, tornar-se quem ele não queria ser e lhe entregar uma carga indesejada sem questionar antes. Não compreendia que ela sabia que era um caso perdido, sabia desde o momento em que revelou sua gravidez e ele recuou.

Sabia que nada poderia ser feito.

Joan só conseguia pensar que ali, naquele momento, não importava quem era o alvo ou não, quem Andreia e Holloway queriam afetar. Houve consequências, como sempre há. Houve o que chamam de efeitos colaterais, como a destruição de um prédio que pode sufocar quem está ao redor. Era inevitável e desastroso, cruel e indiferente.

E Joan não precisou ser Sherlock Holmes para saber que absolutamente nada seria como antes. Andreia e Holloway haviam ganhado aquele jogo.

Notas finais
Foram 4 recomendações e mais de 160 comentários. Muito obrigada a todos, de coração ♥ ♥ ♥ Ninguém é obrigado a ler a segunda temporada, então... Adeus pra quem fica aqui e nos vemos em breve para quem ainda tem paciência comigo kkk Aqui está o link: https://fanfiction.com.br/historia/723562/You_are_the_Bullet/
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