I am Tom Riddle

1 Capítulo 1: Família Gaunt


Notas iniciais
✍ Olá bruxos e trouxas, por favor, embarquem com cuidado comigo nesse trem repleto de sombras e mistérios, vamos conhecer a família do nosso Lord das Trevas? Esse capítulo se passa dois anos antes de seu nascimento. Boa leitura!

Little Hangleton, 1924

Em Little Hangleton, havia uma casa peculiar. Coisas estranhas costumavam acontecer por ali. Corujas negras que rodeavam dia e noite, estalos e sons esquisitos; ás vezes dava-se para ouvir gritos e risos horríveis além de luzes coloridas á qualquer momento da noite. Cada dia era uma surpresa para a vizinhança mais atenta.

Os Gaunt eram os proprietários dessa residência esquisita e suja, empoeirada e numa ladeira coberta por árvores que cobriam toda a visão da residência, bloqueando toda a luz e a visão do vale rochoso. As paredes eram cobertas de musgo e com muitas telhas caídas. Esta casa mais parecia inabitável, havia uma cobra pregada à porta da casa o que era suficientemente um alerta para que ninguém ousasse espiar por ali, dentro dela três cômodos muito pequenos, e imundos. O quarto principal era ainda imundo e miserável.

Os Gaunt já foram uma família rica e poderosa; e eram conhecidos por sua índole instável e violenta transmitida através de gerações devido ao hábito de casarem entre primos. No mundo bruxo isso pode causar falhas irreparáveis, magias semelhantes se unindo.

Marvolo Gaunt era o patriarca, e descendia do co-fundador de Hogwarts Salazar Slytherin, fundador da casa Sonserina. Tinha proporções estranhas, seus ombros largos e braços compridos demais.

Seus olhos era vivos e castanhos, cabelo espesso e curto, e um rosto enrugado que lhe dava a aparência de um macaco idoso e forte. Marvolo usava um anel de ouro com o brasão dos Peverell (linhagem bruxa antiga, qual sangue corria nas veias dos Gaunt) esculpido numa pedra preta.

Viveu em condições sórdidas e miseráveis, era dono de um péssimo gênio e uma arrogância e um orgulho desmedidos. Possuía um sentimento extremo de ódio por sua filha Mérope por considerá-la um aborto e por ela ter se apaixonado por Trouxa. Amava mais seu passado e linhagem puro-sangue do que seus dois filhos. Porém gostava bastante de seu filho homem, Morfino.

Morfino era visto vestido em trapos e sempre sujo. Tinha cabelos espessos tão entremeados de sujeira que não dava pra distinguir sua cor. Faltavam-lhe vários dentes na boca. Os seus olhos eram pequenos e escuros e olhavam em direções opostas. Apesar dos traços que poderiam gerar certo constrangimento cômico eles produziam um efeito assustador. Seu maior lazer era importunar a pobre Mérope, sua irmã.

O cabelo da jovem Mérope Gaunt de dezesseis anos era escorrido e sem vida, combinando com seu rosto comum, pálido e feioso. Seus olhos eram divergentes, como seu irmão, Morfino que olhava para lados opostos. Sentia-se muito mal por não possuir beleza, nem dons. Era excluída por seu pai, além dele a considerar um aborto e por vezes mencionar que ela era apenas uma simples trouxa. Mérope queria mostrar que tinha talento, e sim tinha, para fazer Poções.

Tudo ia bem, viviam suas vidas miseráveis, cometendo ataques aos trouxas aqui e acolá, Mérope sempre manteve-se neutra, não odiava nem amava os trouxas, só queria descobrir uma poção permanente que a deixasse linda e digna de carregar o sangue do imponente Slytherin. Todavia, ela conheceu Thomas Riddle, o único trouxa que a fez amar e odiar na mesma proporção.

Thomas Riddle era um trouxa muito bonito de cabelos negros, de família rica e prendada, era apaixonado por uma jovem chamada Cecília, porém nada o impedia de seduzir outras jovens. Não era lá de família nobre mas encheu os olhos da jovem Mérope.

Ela passou a tentar se arrumar mais, se limpava e banhava com mais frequência, roubava flores de cheiro para se perfumar, e sentava-se numa parte inteira do telhado de sua casa e observava o jovem trouxa de longe, com suas vestes limpas e boas. Passou longos meses naquela rotina. Até que um belo dia, ele apareceu...

“Estava mais do que na hora de seguir adiante, mas ela estava perdida de amores por ele. Oh, o que meu pai diria?!, pensava ela enquanto via que o jovem se aproximava de sua casa, encantando com as flores que agora brotavam atrás de sua residência imunda.

Seu pai pela influência dos seus antepassados, achava que bruxos só deveriam se casar com bruxos, um casamento entre bruxo e trouxa era inconcebível. E deveria ter uma concepção ainda pior de sua filha aparentemente desprovida de magia com um trouxa arrogante.

— Oh, vá embora! — ela pediu quando ele estava prestes a bater. Era nítido que ele gostou da flores e até pensava em comprá-las para presentear Cecília. Mérope respirou fundo, tentando focalizar os dois olhos no rosto de Thomas, seria vergonhoso se ele notasse a divergência neles.

— Ôh, olá senhora. Me chamo Tom Riddle, gostaria de vender-me essas lindas flores? — O moço era ainda mais lindo de perto e como era educado. Mérope olhou para si, estava maltrapilha apesar de limpa. Passou as mãos nos cabelos ligeiramente, tentava se ocultar pela porta de trás á qualquer custo. Por mais que quisesse apreciar a beleza do rapaz mais de perto, a coragem lhe faltava. — Senhora?

— Sou a dona desta casa e peço que vá embora o mais rápido possível, meu pai não gosta de gente como você — ela soltou com a voz trêmula, já tremendo por vontade de chorar. Sabe se lá por Merlin, o que Marvolo faria com ela ou com ele, ou com ambos.

— Gente como eu? — Thomas ficou confuso. Geralmente as pessoas o adorava por ele ter posses e ser bem afeiçoado. — Desculpe-me se não agrado sua família, quero apenas comprar flores para minha amada. — continuou mostrando-se ofendido. Todos deveriam venerá-lo, afinal todas as mulheres com filhas o queriam como genro, e os pais compartilhavam do mesmo sentimento.

— Oras, elas não estão a venda. Suma já! — ela berrou descontrolada, seu coração estava diminuindo. Ele falou na tal que ele amava, isso era demais para a moça que era apaixonada por ele há meses, afinal era sua primeira e única paixão. A respiração de Mérope ficou mais pesada, imaginou mil cenas onde estuporava a tal amada desconhecida.

— Por favor, apenas uma. Nunca vi flores mais lindas! — ele insistiu, sorrindo. Thomas sabia o efeito que seu sorriso causava nas mulheres, e usou isso sem dó na pobre garota que ele mal conseguia ver. Mesmo já imaginando que ela não deve ser grande coisa já que se escondia tanto.

Mérope piscou aturdida, o sorriso dele era esplendoroso. Ela respirou fundo, apesar de tudo ela queria que ele sorrisse de novo e para que isso acontecesse, ela tivesse que dar uma flor para ele presentear outra mulher, ela o faria. Abaixou a cabeça, ocultando seu rosto nos cabelos quase cinza e se curvou, indo pegar a flor. O alicate de poda estava no bolso de seu avental, cortou o caule e beijou a flor.

Estendeu a mão ossuda e pálida com a flor para ele. Thomas a pegou, dando outro sorriso, esse foi seu pagamento a Mérope. Ignorou a repulsa que sentiu ao ver cabelos tão sem vida, e essa pele translúcida que a fazia parecer uma assombração. Curioso estava para ver seu rosto, mas ela recusava-se a levantar o olhar.

— Obrigado, senhora. Fico feliz, eu pago o quanto quiser. — Thomas já procurava sua saca de moedas, um homem como ele jamais andava desprovido. Mérope balançou as mãos, o dinheiro dos trouxas de nada lhe valia.

— Não, pode ir agora. — ela falou, já dando as costas. Thomas a segurou no braço, e ela estremeceu. Thomas ignorou a sensação esquisita por estar tocando essa jovem tão estranha e misteriosa, com seus braços tão finos que podiam se partir caso ele apertasse um pouco mais, ele iria lhe dar quantas moedas fosse preciso.

Apesar da má fama que a residência carregava na boca da vizinhança, ela o tratou bem. Mérope ainda estava estarrecida, ela jamais imaginou que algo assim fosse acontecer. Por Merlin, ele a tocara!

O momento doce para ela foi cortado quando Morfino passou por ela como um furacão. Com sua velha varinha que mais parecia um graveto torto, ele estuporou o pobre rapaz que caiu urrando de dor.

— Morfino, pare agora! — ela gritou se avultando sobre Thomas, chorando. Tom já estava tomado por erupções vermelhas na pele, chorava pela ardência. Mérope temeu que ele a visse, mas ele chorava copiosamente e apertava as pálpebras.

— Trouxa... Deve morrer... Ele tocou você! — Morfino agora batia as mãos na cabeça.

Ouviram sons de passos pesados, eles tinham acordado o velho Marvolo. Péssima hora para Mérope estar jogada protegendo um trouxa. Ela tentou levantá-lo, mas ele era demasiado pesado para ela uma jovem desnutrida. Ignorando o medo que lhe assaltava o corpo inteiro, olhou com fúria para seu irmão.

— Ande sua besta, ajude-me a tirá-lo daqui. — ela murmurou para Morfino, que olhou-a, ultrajado. Mérope bufou com impaciência. — O que papai dirá se ver o trouxa aqui em nosso jardim?

— Eu estuporei ele! — Morfino disse como se fosse óbvio.

— Sim, mas você estava o torturando antes disso. Vou dizer a papai que você o trouxe pra casa, estava se associando aos trouxas, sendo amigo dele e o estuporou apenas para que papai não descobrisse — ela sentiu que venceu apenas com o olhar dúbio e frio que recebeu do seu irmão.

— Morfino! — a voz fria e cortante de Marvolo bradou não muito distante. Com desespero, Mérope tentou levantá-lo novamente e não obteve sucesso, Morfino com as narinas infladas se aproximou.

— Trouxa idiota... Fraco — Morfino murmurou, quando o puxou de qualquer jeito para seus braços e Thomas gemeu de dor. Rapidamente e com Mérope em seus flancos, eles saíram da propriedade e o deixou mais perto da cidade, alguém o acharia e o ajudaria, com certeza.

Morfino o deitou no chão e saiu em passadas largas. Mérope ficou com ele mais alguns minutos. Tocou-lhe o rosto, o afagando. E antes de sair, deixou a linda flor sobre o tronco dele. Apesar do que aconteceu, era o dia mais feliz de sua vida.

E ela sabia que não ia demorar até alguma ideia lhe tomar para que ela tivesse mais dias felizes como este.”

Notas finais
✍ E então, gostaram? Até a próxima estação, guardem as varinhas. Nox.