I Write Sins, Not Tragedies
1 I Write Sins, Not Tragedies.
Notas iniciais
Enjoy~
PS: Aconselho de ler ouvindo A Thousand Years ~ Christina Perri
Desde o início, desde o primeiro encontro, ela sempre soubera o perigo de amá-lo, de confiar nele, porém nem todos os avisos conseguiram fazê-la mudar. Tê-lo próximo de si, sentir seu toque, nada poderia compensar, não conseguia pensar em nada melhor que aquilo. Ela o amou desde a primeira vez que o viu, e o amaria até após a morte. A vida os separara, de repente o ‘para sempre’ parecera se tornar mentira, porém, o destino não parecia disposto a permitir isso. E mais uma vez, eles puderam disfrutar desse amor proibido. Uma demônia e um exorcista. A morte não conseguiu os separar, o que poderia ser mais forte que isso? Do que a morte, a coisa mais imutável, dependendo da interpretação, pode vir a ser uma libertação, como para ele foi. De que adianta viver sem a pessoa que lhe fizera sentir vivo pela primeira vez? Sim, o que parece uma grande tragédia, uma história de amor proibido, que continuara mesmo após a morte. Porém, Eu Escrevo Pecados, Não Tragédias.
Era noite, o vento frio entrava pela janela mínima que havia no local, as paredes negras eram feitas de pedra. Turmalina. A pedra que mais fazia efeito contra demônios primitivos. Um pequeno ser se encontrava encolhido em um dos cantos do que parecia ser uma espécie de cela, seus cabelos negros caíam tomando o chão ao seu redor, sua pele pálida era marcada por marcas de sangue e ela trajava apenas um vestido branco simples e solto, que não definia, nem destacava seu corpo. Seus braços rodavam seus joelhos apertando-os, enquanto a mesma tremia mostrando o frio que sentia. Parecia inofensiva, delicada... como se não fosse uma das únicas demônias primitivas que sobraram no mundo, como se não tivesse assassinado milhares de humanos a cada ano.
Um barulho se fez presente. A porta era aberta e logo fechada seguida por passos, calmos e tranquilos, que logo pararam. Ela erguia o olhar para a figura parada no meio da cela, a porta desaparecera, sua única chance de escapar, e sua esperança desaparecera junto. Eles iriam mata-la, ela tinha certeza. Porém, quando seu olhar parou na figura, ela abria lentamente a boca, seus olhos se arregalaram minimamente e ela se abraçara ainda mais.
Era um rapaz, não devia ter mais do que quinze anos, sua expressão era calma, ele trajava um sobretudo preto com uma camisa branca simples por baixo, uma calça preta com uma enorme espada negra embainhada na mesma e botas negras até pouco abaixo do joelho, seus cabelos eram cinza com mechas pretas e brancas e seus olhos... eram uma verdadeira tempestade, podia-se ver de tudo neles. Raios. Trovões. Relâmpagos. Era ameaçador, mais ao mesmo tempo a fazia querer conhecer mais daquela tempestade, daqueles olhos tão ameaçadoramente atraentes. Ele se aproximava com cuidado, mas ao perceber o movimento, ela se encolhia ainda mais, o fazendo parar.
_ Não quero machuca-la, quero conhece-la. Sei está com medo, mas não é necessário ter medo de mim... eu nunca a machucaria._ Ele disse com sinceridade e o olhar da mesma caíra para a espada, logo voltando para ele.
Ele percebeu isso e logo, tirava a espada e a colocava no chão aos seus pés voltando a se aproximar calmamente. Ela ainda hesitava e ele entendia isso. Sabia como era não saber os próximos passos da pessoa diante de si e temer descobrir. Assim, o albino parava e sentava no chão a uma distância considerável da mesma.
_ Como se chama?_ Ele perguntava em um tom calmo e ela levava se olhar de volta aos olhos do mesmo, perdendo-se neles. Uma tempestade se encontrando com o azul do oceano que havia nos olhos dela. Uma boa combinação. Uma combinação perigosa._ Pretende não falar nada?_ Ele perguntava estreitando os olhos, com um sorriso de canto divertido, mas de certa forma compreensivo, e ela desviava o olhar dos olhos do mesmo abaixando-o indecisa acerca da situação em que se encontrava, deveria dizer? Tinha medo dele, contudo... sentia que essa era sua chance de conhecer aqueles olhos, aquela tempestade.
_ J-Jaquelyne, Jaquelyne H-Heiwa._ Ela dizia gaguejando, ela ainda sentia frio, só que a presença dele parecia aquecer a cela fazendo-a esquecer totalmente do frio por um momento._ C-Como se chama?_ Jaquelyne perguntara ainda gaguejando pelo frio, ele parecera perceber isso e descia o olhar para o que a mesma vestia, isso a fez corar, mesmo contra sua vontade. Ele tirava o sobretudo preto e se aproximava colocando-o ao redor da garota que arregalava os olhos e se encolhia ainda mais, mas logos erguia o olhar para o mesmo corando com a proximidade.
_ Connor. Chamo-me Connor Samer._ Ele sorrira para a mesma sem se afastar.
E assim, tudo começara. Algo inocente, sem futuro, algo que não deveria te acontecido. Dois destinos unidos de duas maneiras inusitadas. Ele não a queria, ele queria algo que a pertencia. Ela sempre o quis, desde a primeira vez que o viu. Ela o conquistou. Ela o tomou para si. Ele agora a pertencia. Ela sempre o pertenceu.
Seus corpos se moviam em uma sincronia perfeita, uma dança proibida, por deus e pelo destino. Tudo que os controlava naquele momento era o prazer que sentiam um pelo outro, não havia certo ou errado. O que acontecia era certo, errados eram os que tentavam impedir isso. Os sentimentos deles inundavam o ar da cela que deveria ser fria, contudo parecia mais quente que nunca. Ele não sabia o que era amor. Ela também não sabia. Eles aprenderam juntos. O que acontecia era uma prova disso.
_ Você me ama?_ A pergunta pairou no ar, saíra como um sussurro dos lábios dela, mas ele entendia todo o sentimento que havia por trás da simples pergunta. Seus lábios percorriam todo o corpo dela, marcando-a, tomando-a como sua. Naquela noite, era só isso que importava. Ele subia os beijos do pescoço dela até o queixo, logo chegando nos lábios, os lábios que tanto o atraíram, ele sorrira.
_ Sim... amo-te, Jaquelyne._ Ele falava em um tom rouco e cheio de desejo, logo seus lábios entravam em contanto com os dela com certa violência, percorrendo cada canto de sua boca, enquanto suas mãos passeavam pelo corpo dela. Ele novamente separava seus lábios dos dela e se erguia para encarar o corpo nu daquela que ele dissera amar. Uma demônia, ele fora treinado para destruir seres como ela... ela era sua perdição._ Linda._ Ele sussurrava beijando o pescoço da mesma e descendo os beijos.
Ela o corrompera, aquilo não deveria estar acontecendo, ele não deveria estar sentindo o que sentia. Ela não se sentia diferente. Seu corpo respondia aos toques dele, mas ela desistira, ela o amava. Ela o desejava. Ela o queria de uma forma que era impossível explicar, era mais que amor, era uma obsessão de ter aquele corpo para si. O coração dela estava adormecido, machucado. Ela a salvara. Ele a amara.
_ Eu te amo, Connor._ Ela dissera em um sussurro enroscando seus braços ao redor do corpo do exorcista que sorria e a beijava, um beijo calmo, tranquilo, mas cheio de sentimento, desejo, felicidade, prazer... amor.
Gemidos podiam ser escutados por todo o local, porém, ninguém nunca saberia o que acontecia ali. Mais um segredo. Mais uma recordação. Mais um pecado.
Porque naquela noite, era só isso que importava. Eram apenas o desejo e o prazer que tomava conta daquela noite, como muitas outras noites que viriam e as que já foram e que servem para lembrar o motivo do desejo ser considerado um pecado. Mas, eles não se importavam. Onde mais se pode pecar quando se nasce demônio? Ou quando se apaixona por um? Não havia salvação. E eles adoravam isso.
Gritos inundavam a sala, sua origem vinha da garota que se encontrava no meio do local. Ela estava acorrentada a uma enorme cruz feita de pedra. Novamente Turmalina. Seu corpo queimava, ao seu redor vários homens seguravam cruzes e proferiam versos em outra língua. Latim. Seu corpo queimava e sua pele era rasgada e rapidamente se regenerava, tornando a tortura continua. Ela gritava sem conseguir conter a dor que sentia e a sua frente, um rapaz se encontrava acorrentado contra o chão. Ele tentava se soltar desesperadamente, queria salvá-la, queria acabar com sua dor. Atrás dele, um homem chicoteava suas costas fazendo uma poça de sangue debaixo de si, contudo, ele não se importava, ele tinha que ajuda-la, sua própria dor não importava.
_ JAQUELYNE!_ Ele gritava tentando se soltar, o homem atrás de si ria sadicamente como se se divertisse com a dor do jovem.
Os gritos continuavam, Connor ainda tentava se soltar das correntes quando algo aconteceu. Um brilho atingiu o local e logo, o corpo da demônia antes torturada por versos antigos, queimava realmente em chamas... chamas negras. Connor tentava se soltar ainda mais, os gritos dela aumentavam, porém, antes que pudesse fazer qualquer coisa, as cinzas caíam no chão do local, o corpo dela não estava mais ali, havia apenas cinzas. Cinzas negras que antes eram a garota que ele amara... que ele jurara proteger... a única pessoa com quem ele se importava. Ela estava morta. Ele não queria aceitar, não queria acreditar... acontecera novamente. Ele a amara... ele a matara. Sua maldição a matara.
Por que ainda tentava lutar? A pessoa com que mais se importava morrera, por que estava ali, tentando se soltar daquelas correntes? Nem a dor do chicote se comparava ao que ele sentia por dentro. Fora dilacerado. Acabaram consigo literalmente, não havia mais motivo para lutar. Ele sabia que aquilo aconteceria. Ela sabia que isso aconteceria. Por que ele tivera a esperança que não acontecesse? Ele fora enganado. Conseguiram o que queriam, se livraram dela e ele fora estúpido por não perceber que não existia ‘para sempre’, nada durava para sempre, ele agora entendia isso.
_ Ora ora, Samer, sofrendo por uma demônia? Engraçado, não? Pensei que fosse mais que isso... bem, não importa mais. Você nos traiu, pagará por isso... com sua vida._ Um homem de longos cabelos loiros que uma roupa de padre se aproximou do rapaz sorrindo de canto e estendendo uma de suas mãos onde aparecera uma enorme espada. Ele chutara Connor que caíra deitado com facilidade, estava cansado de lutar, não havia motivo. O homem se ajoelhava ao lado do jovem e erguia a espada colocando-a em direção a barriga do rapaz sorrindo.
_ Você não disse que me mataria?_ Connor perguntou fracamente cuspindo sangue.
_ Sim, sim... matarei, porém, você precisa sofrer primeiro._ O loiro dissera e enfiara a espada com toda força no abdômen de Connor que não pôde conter um grito de dor.
Após isso, tudo se tornou o mais próximo do inferno possível, assim, quando bateu meia-noite... Connor morreu.
Sua morte. Sua libertação. Tirando toda a dor que sentia do peito, dormindo eternamente, mas as coisas nãos eram tão simples. Ele acordara novamente, encarando o mundo que ele tanto odiava, as mesmas pessoas, mesmas ordens. Ele não a teria novamente... era o que pensava. Mas, não era no que queria acreditar. Ele se matara. Não podia viver sem ela, se tornara dependente e admitia isso, sem medo, sem vergonha. Porém, essa história de amor não acabou com a morte, porque no caso deles, não existia “Até que a morte os separe.”. Nem a morte tinha esse poder, ele sabia disso.
Vazio. Seus sentimentos e seus pensamentos se resumiam a isso. Ao vazio. Ele desistira de viver, porque morrer era mais fácil, não havia nada com que se preocupar. Não havia dor, nem raiva, nem culpa, apenas o vazio. Ele gostava disso, já estava acostumado. Mesmo que ainda pudesse lembrar da sensação de ser tocado por ela... seus beijos... sua pele... seu cheiro... estava tudo gravado em sua mente. Era tudo real demais, ele até podia sentir... a sensação começara a tomar conta de si, mas ele sabia que estava morto, nada mudaria isso.
Não sentia mais nada, apenas uma brisa em seu rosto... abriu o olhos estreitando os olhos quando sentiu a claridade, era quente onde estava. Olhou para cima, vira árvores, diversas árvores que se erguiam quase como se tocassem o céu, a brisa novamente tacava sua pele, ele reconhecia aquele lugar de alguma forma... sua casa. Onde crescera. Sua floresta. Por que estava ali? Um riso o tirou de sua linha de raciocínio, ele reconhecia aquele riso.
_ Connor?_ Uma voz se fez presente e ele arregalava virando-se para ver quem o chamara.
Seus cabelos negros caíam em seus pés bem tratados, sua pele antes pálida, agora mostrava um tom saudável, trajava um vestido branco que ia até seu joelho e destacava seu corpo esbelto com babados da cintura para baixo, estava descalça. E seus olhos... o oceano indomável que já lhe pertencera. Ela estava linda. Perfeita, como Connor pensava.
Ela dava passos calmos até Connor e ao chegar nele, ela estendia tranquilamente sua mão em direção ao rosto do mesmo que estava em choque. Quando a mão dela o tocou, ele compreendeu que era real, ela estava ali realmente. Ela sorriu e ele tocou a mão da mesma pegando-a e dando um passo em sua direção sem soltá-la.
Aos poucos, ele acabava com a distância entre seus lábios, que se tocavam levemente ainda hesitantes, porém logo, Jaquelyne passava seus braços por trás de seu pescoço trazendo-o para mais perto de si e beijando-o sendo prontamente correspondida. O mesmo abraçava-a correspondendo ao beijo que mostrava todo o amor que um sentia pelo outro, toda a dor que sentiram, toda a saudade. O beijo foi cortado pela necessidade de respirar, porém os mesmos permaneciam com as testas coladas.
_ Eu te amo._ Ele afirmou beijando-a rapidamente e a abraçando.
_ Eu também te amo, muito mesmo._ Ela sorriu com a cabeça no ombro do exorcista que se separou levemente dela beijando-a novamente.
E assim foi o reencontro deles, como os muitos outros que teriam, pois nem mesmo a morte tinha o poder suficiente para separa-los. Ao contrário, ela os unira uma vez mais, pois ele sabia que logo acordaria e esperaria para um novo reencontro. Naquele momento, a morte era a única coisa que os unia. E ele esperaria outra oportunidade para revê-la e relembrar das noites em que tudo se resumia ao certo. Eles dois juntos, afinal, agora ele acreditava no ‘para sempre’.
Este não foi o último encontro deles, mas então já seria outra história. Muitos buracos da vida desse casal não foram revelados, porém, são detalhes que nem mesmo eles querem que sejam revelados. Tudo começou com algo inocente, que virou um pecado, mas do que importa para eles? Ele era um amaldiçoado. Ela era uma assassina. Ele não sabia o que era amor. Ela o corrompeu e o mostrou o que significa o desejo. Ele se apaixonou por ela. Ela sempre o amou. Ele já a tinha. Como um amor pode virar uma obsessão? Um amor proibido não deveria ter um final feliz, porém, como eu já disse...
Eu Escrevo Pecados, Não Tragédias.
Notas finais
Seja para jogar rosas e dizer que ficou bom ou para jogar pedras e falar o quanto ficou horrível *-*
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