I Would Bring You The Stars To See You Smile
37 36. Fred's Secret
Notas iniciais

No capítulo anterior...
“ –Sempre soube que James escondia alguma coisa. Todos escondemos. Mas algo assim não passava pela minha cabeça. Se bem que o segredo dele... É horrível, mas... Talvez não.”
“ – O que você esconde, Lucy?”
“ – Depois. Agora não. Mas e você, o que você esconde?”
“ – Para quê adiar isso, afinal.”
POV – LUCY WEASLEY
Eu não tinha mais nenhuma dúvida de que ninguém ali é santo e de que todos ali fizeram coisas horríveis no passado. Tinha certeza absoluta de que o que eu fiz foi a pior, porém eu estava “louca” para saber o que Fred tinha feito, apesar das aspas em “louca” não indicarem sarcasmo.
– Lembra quando estudávamos na escola trouxa e James e eu praticávamos futebol? Que aquele cara, o Anthony Beauregard, era o técnico?
Como esquecer? Fred e James não paravam de chutar tudo o que viam pela frente. Saiam quebrando as coisas sem dó nem piedade. E Beauregard, bem, digamos que não dava para esquecê-lo porque... Tony Beauregard era um gato. Tipo, daqueles gatos idiotas, que se acham “top das baladas” por ter garotas chovendo em seus pés. O problema era que Fred, James e Beuregard davam um ótimo trio quando o assunto era quebrar os corações das garotas.
‘Tá certo, eu confesso. Tony e eu tivemos um rápido affair. E muito estranho, considerando que eu tinha dez e ele quinze. Era quase que pedofilia.
Mas isso não muda o fato de que Anthony era um gato.
Porque ele era um gato.
– É... Lembro sim. – respondi da forma mais simples que pude.
– Lembra quando os treinos foram suspensos porque... Bem, você sabe...?
Hum, eu sabia sim. Reparam que descrevi Anthony no passado? Bem... Ele está morto. Encontraram o corpo dele no verão de 2016, cercado de abutres no meio do campo. Foi pouco antes de irmos para Hogwarts, e até hoje me pergunto se a razão dos meninos terem parado de jogar foi a ida a Hogwarts ou a morte do técnico/treinador/gatinho.
– Sim.
– Eu matei Anthony Beauregard, Lucy.
Pisquei e me distanciei alguns centímetros. Fred matou alguém. Cometeu um homicídio. Culposo ou doloso, era um homicídio. E isso não era assim tão impactante para mim, pelo simples fato de meu segredo não ser tão bom assim.
– Como? – perguntei.
– Lembra quando Beauregard anunciou aquele campeonato estadual?
Outra coisa que os móveis da casa de Fred jamais vão esquecer. Aquele campeonato. Era horrível, nem gosto de lembrar.
– Presumo que não haja como esquecer.
– Bem, pedi uma reunião na diretoria da escola para treinar depois da aula com Beauregard.
– Disso eu já sei. E foi só um affair. – acrescentei.
Foi aí que eu conheci Beauregard. Sem mais detalhes sobre o nosso affair, porque, tipo, foi só um affair.
– Sei.
– Calado.
– Continuando, bem, em um desses dias de treino, Anthony me mostrou o porão da escola e todas as tralhas que tinham lá dentro. Encontramos coisas bem estranhas. Tinha até duas serras de gigli, que são...
– Serra de gigli ou fio de gigli é um fio flexível usados por cirurgiões com a função de cortar ossos. Geralmente é usada em cirurgias de amputação, onde os ossos devem ser suavemente cortados com o intuito de...
– É, isso aí mesmo.
Só não matei Fred porque não estava com vontade de matar alguém. Odeio ser interrompida. Não me interrompa.
– Encontramos essas duas serras de gigli no porão e as tiramos de lá. Quer dizer, ninguém jamais daria por falta...
– Você roubou uma serra de gigli de um porão de uma escola. Claro que ninguém daria por falta.
– Continuando. Tiramos as serras dali e fomos para o campo. Tony começou a me explicar as táticas de jogo, brincando com a serra de gigli...
– Como?! Ele era louco?!
– Não sei... Bem, ele estava brincando com a serra de gigli. Usava-a para coçar a parte detrás do pescoço...
Balancei a cabeça, retirando aquela imagem dela.
– Já sei o resto!
– Não sabe não. Deixe-me continuar! Bem, Anthony era um cara popular. Sortudo com as garotas. E se ele podia brincar com a serra de gigli, por que eu não poderia? Segurei-a nas duas pontas e fiquei esticando. Como um chicote. Estava divertido. Beauregard e eu brincávamos e discutíamos estratégias. Até que ele enfim se levantou, ainda com a serra no pescoço. Disse que estava na hora de jogar. Mas eu estava tão relaxado ali, sentado na grama... Neguei o convite. Tony começou a protestar enquanto eu esticava as minhas pernas, relaxadamente...
– Eu já sei o resto! – repeti, quase que implorando. A imagem me transmitia uma horrível sensação de nostalgia.
– Deixe-me contar! Tony correu em direção a bola, no outro extremo do campo enquanto eu esticava novamente a serra de gigli. Ele tropeçou em meus pés e...
As palavras de Fred foram ficando no ar. Eu podia ver a serra no pescoço de Tony cortando. Podia ver Tony caindo e a serra de Fred cortando. Eu podia ver as duas serras se encontrando. Eu podia ver a cabeça e Tony rolando solta, separada do corpo e, acima de tudo, eu podia ver os abutres se aglomerando ao redor do corpo, comendo tudo. Era uma visão horrível. Mas eu não queria parecer abalada com aquilo.
Não agora.
– Nossa. – falei.
– E é isso.
– Não estou chocada.
E era verdade. “Choque” não descrevia a minha situação. Hum... Extrema nostalgia? Não dava para saber.
– Não?! – exclamou.
– Não. – franzi uns lábios, lembrando de um pensamento que, secretamente, me atormentava. – Você se arrepende?
– Claro.
– Eu não. O seu segredo é horrível, mas não tanto quanto o meu. – admiti.
– O que você... – ele iria perguntar de novo, mas eu o interrompi.
– Hoje é aniversário de James.
– Eu sei. – disse ele, sem expressão, mas com um brilho no olhar que dizia que a conversa sobre meu segredo não estava, nem de longe, encerrada.
– E, daqui a uma semana... Vem o seu.
Ele franziu os lábios.
– Você vai dar uma festa, não vai? – a resposta era óbvia.
No próximo capítulo...
“ – Isso... Está contra os meus planos.”
“ – Você esperava mesmo que nós...”
“ – É. Estou com medo, Fred.”
“ – De?”
“ – De que esse lance entre James e Angie acabe mudando a nossa vida também.”
“ – Mas já mudou.”
“ – Eu sei. Tenho medo que mude para sempre e que nos transforme. E eu não estou falando de virarmos super-heróis.”
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