I Wont See You Tonight.
3 Where am I?
Notas iniciais
10:17
Acordou.
Olhou para o teto.
Gesso decorado.
Achou que estava sonhando, onde diabos ela estava? Sentou-se na cama king size e tentou se lembrar da noite anterior.
Espera, espera. Elena, sorvete. Meu sofá. Minha casa. Dormi no ombro dela. Acordei numa cama que não é minha. Definitivamente não é a casa dela. Fui sequestrada? AH MEU DEUS EU FUI SEQUESTRADA.
Para por um momento, olha pros lados. Um criado mudo. Branco, meio século XV, com um porta-retratos. Ela. Ela e...
e...
JIMMY? SANTO DEUS, JIMMY.
Não. É um sonho não é? Claro que é.
Levanta-se. Abre o monstruoso guarda-roupa que ocupa toda a parede e se depara com milhares de peças de roupas. Abaixo, uma fileira de calçados, calçados de todos os tipos. Praticamente um closet. Mas todas as roupas e calçados não a prenderam tanto quanto um local reservado apenas para pijamas de ursinhos. De diversos modelos, tamanhos, e cores. Ficou maravilhada. Deu mais alguns passos e olhou para uma direção na qual haviam duas portas iguais. Brancas, cheias de relevos, com as maçanetas douradas. Abriu a da direita. Um enorme banheiro branco, rodeado de espelhos, e uma banheira gigante num canto qualquer. Fechou a porta. Deu mais uma observada no quarto. Fotos dela e de amigos. Em especial, fotos com Elena, a inseparável. Com ele só havia uma, a do criado mudo mesmo. Mas ela não se importava. Sentou na cama e ficou observando a foto. Quando aquela foto foi tirada?Porque até agora, ela nunca havia o visto pessoalmente. Ficou imaginando todas as possibilidades do dia daquela foto, quando lembrou de que não sabia onde estava.
Saiu do quarto e se deparou com uma escada de mansão que levava a um cômodo espaçoso e requintado. Grandes sofás de couro branco pareciam não ter efeito nenhum,de tão grande a sala.Passou por uma cozinha moderna,e nas portas do fundo encontrou uma piscina grande e limpa.
Ouviu um barulho de telefone tocando e correu pra dentro atender. Viu no visor: MOM
Mom? Não deveria ser Mãe?
–GOOD MORNING BABY!
–Hi mom.
Ela estava falando ingles, um inglês perfeito, fluente, e nem havia percebido.
–Venha almoçar aqui hoje meu amor.
–Mãe,eu... eu não tô bem, pode vir me buscar? – disse caminhando até a beira da piscina.
–Já estreou o carro novo meu amor?
Olhou pra garagem, viu uma captiva preta. Aparentemente, sua captiva preta.
–Ah,mãe... depois a gente conversa. Que horas passa aqui?
–11:30 está bom?
–Claro.
–Até logo.
–Até.
Desligou o telefone olhando o fundo da piscina. O apertou com o máximo de força que pôde. Suspirou.
Entrou na casa, subiu as escadas e parou na frente da porta do banheiro. Pegou uma toalha, deixou que as roupas deslizassem sob a pele levemente bronzeada, entrou no chuveiro e deixou que a água corresse sob o corpo nu. Desligou o chuveiro, se enrolou na toalha e andou até a frente do guarda-roupa, abrindo as portas e observando o tanto de roupas que haviam nele. Achou um vestidinho branco rendado pouco rodado na saia, um oxford vazado cor madeira, prendeu algumas mechas de cabelo atrás da cabeça, e deixou alguns cachos caírem sobre os ombros. Estava linda. Não sabia o que estava havendo, mas sabia que era algo bom.
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