I Wont See You Tonight.
6 Do you saw a duck running around here?
Notas iniciais
Embora quisesse ir até a casa dele e se declarar, como sempre quis, tinha medo. Medo da rejeição, (ou de algo como: SAIA DA MINHA CASA SUA LOUCA, QUAL O SEU PROBLEMA? NUNCA MAIS QUERO TE VER NA FRENTE.) e, também, esse não era o tipo de declaração que gostaria de fazer. Queria se declarar todos os dias, assim que ele acordasse, enchê-lo de beijos até que o fôlego faltasse. Até que a morte os separasse. Maldita morte. Sempre estragando tudo. Tirando o sorriso de um homem novo, da família de um homem novo, dos que amavam o homem novo, tirando o sorriso do mundo ao redor de cada uma dessas pessoas. Andou até a praia, sentou-se na areia fina e observou as crianças que ali brincavam. Ficou um certo tempo encarando os próprios pés, perdida em pensamentos, quando ouviu uma voz conhecida soar entre arfadas.
– Com licença. – Começou pelos pés. Chinelos brancos de tiras largas tentavam se manter no pé, mas deslizavam por conta das...meias roxas? Uma bermuda larga caía, só ela. Ela e as meias quase na altura do joelho. O tronco exposto revelava tatuagens, entre elas, uma mais conhecida que qualquer outra. Uma que ela sonhava em contornar com os dedos finos após uma noite de amor. O homem esguio agora apoiava as mãos nos joelhos e olhava pros lados como se estivesse procurando por algo enquanto esperava uma resposta da menina que agora encarava seu rosto assustada como se ele fosse um fantasma – Te assustei?
–N-Não i-i-m-agine, tudo bem. Tudo bem. – as duas últimas saíram quase como um sussurro, pra ela mesma. Como uma ordem imediata.
–Eu... olha, pode parecer estranho, mas...- ele agora a olhava nos olhos, fazendo com que seu corpo estremecesse. Os olhos azuis a fitavam de uma maneira carinhosa, o que a fez pensar que o maldito agia assim com qualquer uma que aparecesse na frente. — você viu algum pato louco correndo por aí?
SANTO DEUS.
UMA CELEBRIDADE ACABARA DE PASSAR POR MIM E EU NEM TINHA PERCEBIDO.
COME HERE YOU FUCKIN’ STALLION DUCK!
– Não… mas, mas se ele voltar do passeio, eu juro que agarro ele e vou atrás de você. Tenho experiência com galinhas. Fácil, fácil.
– Mas ele é um pato..
– Esquece... esquece. Desculpa. Eu estava concentrada em alguns pensamentos, e...
– James. — estendeu a mão sem ao menos esperar ela acabar de se desculpar.
– Aurea.-sorriu, apertando a mão à sua frente.
– Aurea. – assentiu devagar, repetindo baixinho, como se estivesse processando o que acabara de ouvir.
– Muito estranho?
– Não, não...é legal. Mas, ei ,eu tenho que ir. Sabe como é, patos ficam assustados quando são perseguidos, e, bom... você vem à praia com frequência?
Hesitou. E agora? Por ele, passaria o resto da vida suja de areia esperando o pato sair correndo, pra ele vir correndo, pro sangue dela correr tão rápido pelos fortes batimentos cardíacos que a presença dele causava. Pra vida dela valer a pena.
– Sim, sim, quase todos os dias.
Ele assentiu, pensativo.
– Nos veremos frequentemente então.
– Espero que sim, -sorriu, sem graça.
– Tchau, Aurea.
– Tchau James.
E o observou enquanto corria como uma gazela atrás de um pato. Vai entender.
Deu um pulo que chegou a voar areia pra tudo quanto foi lado. Ela estava com Jimmy até um tempo atrás. Jimmy. O ídolo. O amor. A razão de tudo.Ainda sem acreditar, foi pra casa, tomou um banho, abriu as portas do grande guarda-roupa e analisou as roupas. Ia precisar de algo...sexy. Iria sair à noite.
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