I Wish You, Baby
1 Capítulo 1
Acordei de manhã com uma dor enorme, parecia que minha cabeça ia explodir. Depois de tomar um remédio, me arrumei e saí para o restaurante.
Eu faço meio estágio num restaurante da cidade, como garçonete, e a noite vou para a faculdade. Sou bolsista, mas o trabalho, e as gorgetas, ajudam a pagar meu apartamento.
Não moro sozinha. Minha melhor amiga, Rebecca, seu namorado e meu melhor amigo, David, dividem o lugar comigo. Todos se ajudam e cuidam um do outro, e é muito bom. Eu fico num quarto com Becca e os meninos no outro.
Hoje saí mais cedo por que meu chefe precisava de toda a ajuda possível, já que dois outros funcionários estavam doentes e tendo que ficar em casa.
Cheguei e fui até meu armário, guardando minha bolsa e amarrando o avental na cintura. Já haviam algumas pessoas chegando para o café da manhã, e eu me lembrei que sequer comera antes de vir. Ignorei o ronco da barriga e fui atender.
A maioria eram fregueses frequêntes, dos quais eu sabia o nome. Eles também me conheciam, e isso tornava o trabalho bem mais prazeroso.
Fui atender uma senhora e seus filhos fofos, quando Samanta puxou minha blusa de leve. Ela também é uma garçonete, e já me ajudou bastante com alguns fregueses abusados.
- Cas, você pode atender aquele cara pra mim? Ele me dá arrepios — falou, apontando para um homem estranho no canto do restaurante, sozinho numa mesa e apertando com força sua bolsa.
- Tudo bem, eu vou — disse, pegando um bloquinho e caminhando até lá. Perguntei o que ele desejava e anotei o pedido, não entendendo o que tinha nele que tivesse assustado minha amiga. Mas deixei pra lá.
Em alguns minutos seu pedido estava pronto, e eu levei até ele. Pus o copo com a bebida na mesa, mas, quando fui tirar a mão, ele agarrou meu pulso e ficou observando-o.
- Deseja mais alguma coisa, senhor? — perguntei, puxando meu braço do aperto, mas ele não soltava — Senhor, está me machucando — e realmente estava. Ele se mexeu, mas apenas para enfiar a mão na bolsa e pegar, de dentro dela, um anel prateado e com alguma coisa escrita na lateral.
Comecei a ficar assustada, e ele pôs o anel em meu dedo. Pareceu surpreso e afrouxou levemente o aperto em meu braço. Foi o suficiente. Puxei com força e saí dali rápido.
- Ei! Volte aqui! — ele gritou, vindo atrás de mim. Fui até o gerente, que estava conversanfo com o segurança do estacionamento, e pedi ajuda. Apontei para o homem que vinha em nossa direção e mostrei o hematoma que se formava em meu braço. Eles logo entenderam, e o tiraram dali com certa dificuldade.
- Senhor, devo pedir que se retire do estabelecimento — o segurança, John, forçava um sorriso enquanto o arrastava do lugar.
O acontecimento foi estranho e, eu não queria admitir, tinha mexido comigo. Não sei extamente o que era, mas eu não me sentia mais tão bem. Pedi para ir para casa e, depois de afirmar mil vezes que estava bem, saí.
Já estava quase no horário do almoço quando cheguei em casa. Como ainda Não tenho um carro, tive que ir a pé. Jake, namorado de Becca, também não pôde me buscar, pois estava atrasado pra faculdade.
Tomei um banho, mas, na hora de me trocar, notei que o anel estranho ainda estava no meu dedo. Tentei tirá-lo, mas parecia preso, não saía de jeito nenhum. Peguei sabão e comecei a esfregar, na esperança de que escorregasse ou eu pudesse puxar.
Não deu.
Continuei efregando, até que um tipo de fumaça azul começou a encher meu quarto. Tossi um pouco, mas em um piscar de olhos tudo tinha desaparecido.
- Só posso estar ficando louca.
- Não, você não está louca — me respondeu uma voz por trás de mim. Me virei bem devagar e encarei um cara parado no meu quarto. Era bronzeado e estava sem camisa, me deixando ver e contar os quadradinhos de seu tanquinho perfeito. Tinha cabelos pretos e olhos azuis, e usava somente uma calça preta e um lenço amarrado no braço.
Era lindo, mas também era um estranho e eu estava somente com uma toalha me cobrindo. Andei lentamente para trás e fechei a porta do banheiro, me isolando do moreno tentador em pé do outro lado.
- Quem é você? — perguntei, encostando o rosto na porta para ouvir a resposta.
- Meu nome é Noah, e eu sou um gênio. E você tem direito a 3 desejos. Mas, devo avisar, não pôde não pôde desejar se apaixonar, ressucitar alguém ou mais desejos. — falou, mas ele não estava atrás da porta, estava do meu lado.
Meu Deus, eu havia entrado em um filme da Disney e não sabia?!
Ou era só um doido. E, se era doido, poderia ser perigoso. Resolvi entrar no jogo dele, fingir que acreditaa e pedir uma prova de seus "poderes".
Segurei com força a toalha, não me sentindo confortável e desejando ter me vestido mais cedo. O chamei para o quarto, sempre de olho em todos os movimentos que fazia. Ele sentou e eu também, mas bem na ponta, para poder sair correndo se precisar.
- Está desconfortável? — perguntou e eu assenti, arrumando a toalha no corpo. Ele então estalou os dedos e eu realmente não entendi quando olhei pra baixo e estava usando a roupa que tinha separado antes.
- Como...?
- Eu disse, um gênio.
- Mas, se você é um gênio mesmo, — lembrei-me do filme Aladin — por que está aqui? Não esfreguei nenhuma lâmpada. — ele riu. Foi engraçado?
- Sempre pensam isso — disse, pegando minha mão e me mostrando o anel em meu dedo. — Não precisa ser necessariamente uma lâmpada, qualquer coisa, se encantada, pode abrigar um gênio.
Fazia sentido, afinal. Por que encantar uma lâmpada se pode ser algo mais prático, como um anel?
Pensei um pouco na situação, e em tudo que eu poderia fazer para melhorar a minha vida com aqueles desejos. Mudar totalmente, realizar o meu sonho de conhecer o mundo, viajar para todos os lugares possíveis.
Mas seria um desejo egoísta sumir quando a melhor oportunidade surgisse e deixar meus amigos aqui, na lama. Jake, Becca e David eram a minha família agora, eu não conseguiria simplesmente partir.
Noah continuava me olhando de um jeito estranho, como se me avaliasse. O medo voltou. Por que eu estava deixando-o ficar aqui? Nem o conhecia! Tudo bem, se ele quisesse já poderia ter me machucado, ou sei lá o que, mas isso não me impediria de ser cautelosa.
Levantei e ele também, mas ele vinha em minha direção, e com um sorriso estranho. Ah, que ótimo, tem um doido no meu quarto.
Quanto mai eu ia para trás, mais ele ia pra frente, ainda com o sorriso idiota no rosto. Bati as costas na parede e tateei, procurando alguma coisa que fizesse algum estrago. Finalmente, segurei o taco de baseball do Jake.
Ele já estava bem perto, então usei toda a força que eu tinha no momento e acertei-lhe um golpe bem dado na cabeça. Ficou atordoado, e eu saí correndo.
- Isso foi extremamente desnescessário. Você bate em todos os caras que tentam tirar uma folha do seu cabelo? — perguntou, aparecendo do meu lado. Fiquei encarando, com cara de idiota, quando ele realmente puxou uma folha de meu cabelo.
A vergonha foi grande, e só piorou quando ele fez surgir do nada um saco de gelo e pôs na testa, onde um avermelhado começava a aparecer.
- Desculpe, eu só... — não sabia o que dizer.
- Só ficou assustada por um cara aparecer na sua casa logo depois que tomou banho? — resumiu bastante a história, fazendo um riso nervoso sair pela minha garganta — Normal, não sabe quantas vezes já passei por isso.
Eu quis mudar de assunto, então o fiz se sentar no sofá e ficamos conversando. No início eu ainda estava meio tensa, como se a qualquer instante ele fosse pular e começar a atirar em tudo, mas depois de algumas perguntas me soltei mais. Noah era divertido, e me agradeceu mil vezes por tirá-lo do "anel estúpido", como ele mesmo disse.
Mas, se era um anel, como ele não foi liberto antes? Afinal, um anel se esfrega bastante no dedo quando é colocado. Expus minha dúvida, e, após um tempo calado, ele repondeu-me:
- Este anel é muito antigo. Foi feito sob medida para uma antiga princesa, feito para me abrigar. Mas, como você mesmo observou, um anel é algo de fácil ascesso, e quem o encantou não queria que soubessem da minha existência, então o fizeram do tamanho exato dos dedos da princesa, para que somente ela pudesse usar.
- Mas então como ele veio parar aqui? — perguntei, maravilhada com a história.
- Bem, a princesa um dia morreu e eu, tendo atendido aos seus três desejos, voltei ao anel. Ao longo dos anos, sempre que alguém conseguia colocá-lo, eu aparecia para lhe conceder três desejos — enquanto ele falava, não pude deixar de pensar: anos?
- Quantos anos você tem? — pela aparência eu daria no máximo 22, mas ele usou o termo princesa, e não haviam princesas nos Estados Unidos.
- Eu tenho algo entre 0 e 1000 anos. Quando se tem a minha idade, fica depressivo contar.
Eu juro, se estivesse com líquido na boca, teria cuspido tudo na parede agora mesmo. Como assim, algo entre 0 e 1000? Eu tinha que dizer alguma coisa inteligente para que ele não notasse que fiquei espantada de mais.
- Você é bem conservado, ein?
Pronto, lá se foi a minha chance. Conservado? Conservado?! O que eu tinha na cabeça?
- Digamos que sim — ele riu. Riu! Ótimo, pelo menos ele acha que foi uma piada, não algum tipo de curto-circuito no meu sistema. Eu sou uma idiota mesmo.
Bem quando vou falar alguma coisa, a porta se abre e Becca, falando ao telefone, entra. Ela, de alguma forma, conseguia equilibrar numa mão os livros da faculdade, uma bolsa e dois copos grandes de capuccino. Me virei para pedir para o Noah se esconder, mas foi somente em tempo de ver uma fumaça azul entrar no anel.
Balancei a cabeça e fui ajudar minha amiga e seu malabarismo doido: aquilo tudo ia cair. Peguei os dois copos da pilha, os pus na mesa e depois pendurei a bolsa num gancho atrás da porta.
Depois de nos abraçarmos e ela quase surtar com o hematoma no meu braço, bebemos juntas o que ela havia trazido. Becca me contou que só não chegou mais cedo porque um idiota de bicicleta quase a atropelou.
- O mané ficou assustado e pediu muitas desculpas, mas ele já havia derrubado meu capuccino, então eu o fiz pagar outro. — disse, enrolando distraidamente uma mecha do cabelo no dedo. Rebecca é linda: tem cabelos negros encaracolados e olhos verdes. É provavelmente minha melhor amiga em todo o mundo, a única pessoa que me entende de verdade e o suficiente para saber o que estou sentindo com um olhar.
Ela continuou contando algo sobre esse tal coitado que a atropelou ser um idiota. Repetiu isso muitas e muitas vezes, usando a apalavra idiota muitas e muitas vezes.
Ficamos conversando banalidades até o Jake chegar de carro com David para nos levar pra faculdade. Eu até estava achando que era sábado, mas deve ser só por que não trabalhei no período da tarde.
Peguei minhas coisas, dei um abraço nos dois, e fomos. Sentei no banco de trás com David e, durante todo o percurso, sentia que ele me olhava. Sempre que eu o pegava ele rapidamente desviava o olhar, mas eu sabia que ele estava olhando.
Será que tinha alguma coisa na minha cara? Olhei diacretamente pela tela do celular, mas não tinha nada. Ou... eu estava fedendo? Cheirei a blusa e, não, não era o cheiro. Então por qual motivo ele tanto me olhava?
Virei para ele, em tempo de vê-lo virar o rosto de novo. Droga, David! Diz logo o que é! Será que vou ter que adivinhar?
Quando finalmente chegamos à faculdade puxei Becca em um canto e contei o que estava acontecendo e o que achava que era. Ela caiuna gargalhada. Sério, ria tanto que teve que segurar a própria barriga.
- É claro que não é isso, sua bobinha — eu já estava começando a me irritar. O que tem de tão engraçado numa menina fedida e seu cabelo de vassoura? — O que está acontecendo, minha amiga, é que ele gosta de você.
O David? Gostar de mim? Era mais fácil porcos voarem.
- Ele é como um irmão pra mim — disse, como se fosse óbvio.
- Parece que ele não vê assim, não é? — eu não sabia o que responder, então só bufei e fui para a minha aula.
+++ +++ +++
Eu não conseguia me concentrar de jeito nenhum. Ficava só girando o anel de prata no dedo, pensando no Noah e em tudo o que conversamos. Pelo que ele me dissera, havia pertencido a uma antiga princesa... mas qual?
Girei novamente o anel e percebi a frase escrita nele. Eu já havia visto antes, mas não tinha prestado muita atenção. A escrita era estranha, e definitivamente não era inglês, parecia mais antigo. Com um estalo, lembrei-me de meu professor de línguas: ele, sim, poderia me ajudar.
Olhei para o lado e vi que quase todos os alunos haviam saído de sala de aula. Juntei meu material e também fui, encontrando com David na saída. De tão distraída que estava, procurando meu celular na bolsa, esbarrei com alguém, levando-nos ao chão.
- Me desculpa, eu... — minha boca abriu e também foi ao chão. O motivo? Noah estava parado na minha frente, usando o uniforme da faculdade, segurando livros da faculdade e sorrindo para mim, como se fosse perfeitamente normal ele estar ali.
Eu ia falar alguma coisa, provavelmente brm idiota, mas ele só pôs o indicador nos lábios, pedindo silêncio, e me ajudou a levantar.
- Tudo bem, eu também devia ter olhado por onde ando — ele disse, me entregando meu nome que havia caído. — Meu nome é Noah — estendeu a mão.
- Cassandra... prazer. — apertei sua mão, me dando conta que era a primeira vez que dizia meu nome a ele.
- O prazer é todo meu — puxou um pouco minha mão, se abaixou levemente e a beijou. Um sorriso inconsientemente, surgiu em meu rosto.
A cena não durou muito, pois David logo me puxou pra lonje dele, dizendo que Noah era um cafageste e que não gostou nem um pouco dele. Olhei para trás e Noah também me olhava, com um sorriso fofo no rosto, deixando aparecer as covinha.
Quando vimos Jake e Becca os dois estavam quase se engolindo durante o beijo. Sério, acho que a Becca acabou de arrancar um pedaço. Ri alto com o pensamento, e foi o suficiente para eles se separarem. Ele estava com o cabelo desarrumado e ela tinha batom em tudo, menos na boca.
- Se os dois pombinhos não se importam, queremos ir pra casa. — eu disse, rindo quando Jake limpou uma mancha de batom da bochecha.
Quando estávamos indo alguém segurou meu braço: era Noah, parado do meu lado e me estendendo um livro.
- Você não desiste não, cara? — David falou, contrariado, antes que um de nós pudesse dizer algo.
- Cassandra, você esqueceu seu livro de Ciências Humanas — ele me entregou, mas eu tinha absoluta certeza que já estava com ele. Olhei para os outros em meu braço e ele realmente não estava lá. Ah, é mesmo, os poderes dele.
- Obrigada — agradeci, olhando-o no fundo dos olhos e tentando entender o motivo de tudo isso.
- Quer uma carona até sua casa? — perguntou, deixando obvio que tínhamos que conversar.
- Não, ela não...
- Eu aceito, muito obrigada — cortei a fala de David, o encarando — Até mais Becca, David e Jake — disse, sendo ignorada pelo casal, que já se beijava de novo. Ri e fui com Noah.
Chegamos o estacionamento e entramo numa BMW branca linda, que me deixou babando até pelas rodas.
- Como você tem um carro? Por que estava lá? Como sabia onde eu estudava? Onde... — ele me calou com sua risada, e eu fiquei com vergonha da enxurrada de perguntas.
- Uma de cada vez, ok? — assenti — Eu tenho um carro por que simplesmente posso fazer um aparecer — ele disse, estalando os dedos e mudando a BMW por um fusquinha 1958, logo depois voltando. — E eu estava lá por que você me chamou.
- Eu te chamei? Não, eu não te... — mas então me lembrei de ter ficado girando o anel no dedo e ficar pensando no nome dele — Eu te chamei — concluí, e ele sorriu, concordando.
- E eu também sabia onde você estava por que o anel só vai sair de você quando fizer os 3 desejos. — riu, e eu senti vontade de me bater. Que idiota! É claro que ele sabia onde a jóia estava, era quase parte dele!
Tentei esconder meu constrangimento quando ele deu a partida e saímos dali. Uma música animada tocava no rádio, mas ela logo foi abafada por uma conversa leve.
Falamos de tudo um pouco, e ele logo me contava algumas das situações constrangedoras que tinha passado.
- O anel tinha servido perfeitamente numa garotinha de seis anos. Ela vivia tentando tirar o anel, por isso eu sepre aparecia. O pai dela achava que eu era algum tipo de sequestrador — eu ria tanto que estava com medo de assustá-lo.
- Mas, e então, mais algum caso inusitado?
- Houve a vez e que eu tive que atender um menino.
- Um menino? — perguntei, incrédula.
- Sim, um menino. Magro, por sinal. E eu já estava acostumado a lidar com mulheres, então antes mesmo de vê-lo eu disse: "Eu sou Noah, o que a senhora deseja?" — ele próprio riu, provavelmente se lembrando — A raiva do menino foi tão grande que ele desejou que eu sumisse. Desperdício.
A conversa estava tão boa que nem percebi quando o carro parou, só quando a música foi desligada e ele abriu a porta para mim. Mas não estávamos na minha casa, estávamo numa sorveteria.
- Porque paramos aqui?
- Você conhece outra finalidade para uma sorveteria? — eu ri, e entramos. Não estava muito cheio, e logo fomos atendidos por um rapaz muito simpático: eu pedi de morango q Noah de coco.
Ele não parecia muito animado depois que o garçom levou nossos pedidos.
- O que foi? Ficou calado de repente.
- Não é nada. — falou, mas não me conformei, e continuei perguntando várias e várias vezes, até que ele pareceu irritado o suficiente — Está bem, está bem! É por que aquele anorexo estava dando em cima de você.
Ele estava com ciúmes? Que fofo!
- Ciúmes, Noah? — ele ia responder, mas o garçom voltou com nossos sorvetes. Mas o meu vinha com um brinde: um papel com um número escrito. Ri quando Noah o amaçou e jogou bem no rosto do cara, que saiu indignado.
- Abusado. — resmungou, pondo uma colher do sorvete de coco na boca. Ignorei o que ele disse e começamos a conversar normalmente, até que fiquei com muito sono e pedi para ele me levar em casa.
Quando estávamos saindo alguém deixou um pote enorme de sorvete cair nele. Olhei e vi que era o "Abusado".
Puxei Noah dali antes que ele transformasse o cara num sapo e tentei limpar um pouco da meleca que estava na blusa dele.
Não pude fazer muito, pois ele tirou minha mão de lá. Depois de entrarmos num beco qualquer, ele mexeu um pouco as mãos e elas começaram a brilhar em azul e roxo. Ele passou-as na frente do corpo e logo estava limpo. Menos no rosto.
Aproximei meu rosto do dele e limpei o pouco de chocolate que ainda havia no canto da boca.
- Tem um... no canto... boca... — gaguejei quando ele pôs as mãos na minha cintura e me puxou para perto, bem perto.
- Aham. E você vai limpar pra mim? — perguntou, e eu sentia seu hálito de coco em meu rosto.
- Eu... vou — respondi, aproximando mais meu rosto. Meu estômago estava embrulhado, as mãos suando, pernas tremendo e, quando estávamos a milímetros da boca um do outro, sentia que ia desmaiar.
Eu ia beijar o Noah.
Nossas bocas quase se encostaram quando um barulho alto nos assustou. Noah se separou de mim e se virou para o som, vendo um gato preto sair de dentro de uma lata de lixo.
- Maldito. — falou, e antes que o gato pudesse escapar, o fez explodir em milhões de serpentinas coloridas. Eu tirei uma delas de seu cabelo e puxei-o até o carro.
Não falei nada por ele ter feito o gato explodir, eu também teria feito isso, se pudesse.
É, pelo visto não vou ganhar um beijo dele tão cedo.
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