I Wish Love
7 Capítulo 6 - Hospital
Notas iniciais
Não esqueçam os looks ficam lá embaixo ;)
POV's Mayara
Um mês depois
Acordei gritando, pelo pesadelo de sempre, que acabara de ser interrompido. Ouvi passos apressados subindo as escadas, outros vindo do corredor. Suspirei. Nesse último mês, depois do funeral, eu havia me tornado como uma doente, sempre recebendo cuidados. Louis foi o primeiro a entrar no quarto.
— O mesmo pesadelo? – perguntou, tomando um gole de seu café.
Assenti com a cabeça. Toda noite eu tinha o mesmo pesadelo: a noite da morte dos meus pais.
Os outros entraram no quarto e abriram passagem para uma Alice cautelosa – hein? – entrar no quarto segurando uma bandeija com meu café da manhã.
— Obrigada – sorri; embora isso fosse errado – Vou ficar gorda desse jeito.
Eu me esfoçava para manter meu humor estável. Não queria ser um fardo para eles, mais do que já era.
Eles riram levemente e Ali segurou a bandeja em cima de meus joelhos. Eu sentei e ela pos a bandeja apoiada sobre meu colo.
— Podem ir – falei calma.
Eles sairam do quarto rapidamente, menos Lou.
— Não precisa bancar a forte comigo. – ele disse me olhando nos olhos enquanto sentava na beira da cama.
Parei de comer, não estava com fome. O olhei e desabei em seus braços, chorando. Nunca fora forte, sempre tão frágil.
A cada lágrima uma cena de meus pais comigo brotavam no meu cerébro. Quando fomos juntos na London Eye; quando quebrei a perna aos 13 anos e eles me cuidaram exatamente como meus amigos estavam fazendo; quando chorei nos braços de minha mãe pela primeira decepção amorosa. Tantas lembranças... De repente lembrei de nossas brigas, das coisas horrorosas que já disse a eles. Me senti péssima . Eu poderia ter sido uma filha melhor. Poderia ter respeitado mais eles, ouvido quando minha mãe dizia para por um casaco quando esfriava, falado mais com meu pai, abraçado mais eles. Deveria ter dito mais "eu te amo" ou "eu sinto sua falta" quando eles viajavam. Deveria ter ido dormir quando eles mandavam. Deveria ter mais paciencia quando nós brigavamos e assumido que eu errei. Deveria pedir desculpas quando estava errada. Deveria ter rido mais das piadas sem graça do meu pai ou elogiado mais minha mãe quando ela se arrumava; ter dito "você está linda" mesmo quando ela vestia apenas uma camisola. Deveria ter passado mais tempo com eles ao invés de trocá-los pelo meu notebook. Deveria ter mais fotos com eles, mais lembranças...
A cada novo pensamento masoquista novas lágrimas se formavam em meus olhos, e meu melhor amigo – já com a camiseta molhada – apertava mais o abraço.
— Obrigada. – disse depois de minutos de silencio.
— Pelo que?
— Por sempre estar comigo me fazendo sorrir, me dar força e fazer brincadeiras só para me ver rir. Obrigada por me ajudar a superar isso, você é meu melhor amigo – disse.
— Eu sempre estarei aqui – ele prometeu.
Fui ao banheiro e me despi rapidamente. Tomei um longo banho quente, relaxando meus ombros tensos. Minha vida estava de cabeça para baixo: meus pais estavam mortos e eu agora estava sem minha base, traçando um caminho as escuras. Olhei a lâmina da Gilette que brilhava na minha frente. Eu nunca havia feito isso. Peguei-a num movimento rápido sem pensar realmente.
— Minha mente está acabada e meu coração está em pó, se ter um corte no pulso é o preço para sair a dor... – murmurei para mim mesma.
Pressionei a lâmina contra a pele fina e exposta de meu pulso esquerdo, e num outro movimento rápido passei-a para o outro lado. Dor, fraqueza, remorso, repugnância; senti enquanto o sangue brotava sem parar do corte recente. Apesar disso, senti um alívio enorme, leveza. "O que eu estou fazendo?", pensei. Talvez fosse um preço alto e deixasse marcas, mas assim que o arrependimento vinha, o alívio tomava seu lugar com mais força. Repeti o movimento mais algumas vezes seguidamente e observei o sangue escorrer freneticamente das feridas.
De repente minha visão ficou opaca e o banheiro começou a rodar, a água ainda batendo na minha nuca. Num segundo só conseguia ver a escuridão, então tudo se dissipou e eu cai incapacitada no chão molhado.
Abri os olhos; as pálpebras pesando. Olhei ao redor. Estava deitada numa cama alta e vários aparelhos estranhos ao meu redor. Em meu nariz haviam tubos desconfortáveis. O ambiente era grande, pintado de branco. Havia uma televisão na minha frente – perto do teto – desligada e um sofá azul petróleo num canto, um pouco afastado da cama. Além das luzes presas ao teto, uma grande janela aberta iluminava o quarto. Estava dia, nublado e pouco chuvoso.
— Ah caramba May! – exclamou Cands entrando no quarto, surpresa. – Você acordou e eu não estava aqui? – era uma pergunta retórica – Desculpe! Eu fui comer na lanchonete.
— Tudo bem Cands. Você está linda!
— Obrigada May.
— Hã... O que aconteceu?
— Bem, sexta-feira você foi tomar banho e Louis desceu para tomar o café dele. Já fazia quase uma hora que você estava tomando banho, então eu e Ali subimos para ver o que estava acontecendo. Te chamamos mas você não respondeu, então pedimos para Liam arrombar a porta. Ele arrombou e nós entramos. Você estava caida incosciente no box com seus pulsos sangrando muito. Ele te carregou para fora do quarto e nós te secamos e colocamos uma roupa qualquer. Te trouxemos o mais rápido para cá.
— Ele me viu... Nua? – perguntei constrangida.
— Sim, e os outros também. – respondeu ela olhando para baixo – Nos desculpe, mas não iamos conseguir te carregar, eu e Ali.
— Tudo bem, só é meio vergonhoso. – a tranquilizei – Mas o que eu tive?
— Você perdeu muito sangue devido aos... Cortes – ela me olhou compreensiva, mas magoada – E como estava fraca por que não comia direito há algum tempo, desmaiou. Na queda você bateu fortemente sua cabeça e quebrou seu pé direito.
— Me desculpe – disse olhando os curativos no pulso – Eu fui fraca, minha vida está sendo um pesadelo.
Sem perceber, algumas lágrimas escaparam de meus olhos.
— Eu sei Mayara, eu sei. Sou a que mais entendo e estou magoada comigo por ter deixado isso acontecer. Eu e Ali conversamos, nós duas nos sentimos assim. Não estamos sendo atenciosas. É só q....
— Não, eu entendo. Eu fui fraca e me arrependo. Não se culpem. – eu a interrompi.
Cands me olhou grata.
— Então, você está dormindo aqui? Quando eu vou ter alta?
— Sim, eu a Alice. Na verdade ela já deve estar voltando; foi pegar alguma roupas para nós e descansar melhor. Você vai ser liberada hoje.
— Espera – eu parei – Quanto tempo estou aqui?
— Hum... – ela pensou – Hoje é segunda, então está aqui há três dias.
— Meu Deus! Mas não foi tão grave, foi? – perguntei incrédula.
— Na verdade nem tanto, mas o Dr. Lima a deixou aqui mais tempo em observação pelo seu estado emocional. – ela pigarreou.
— Ah, sim. Ele é médico da nossa família, amigo dos meus p... – parei suspirando e olhei o horizonte, pela janela.
Candice se aproximou e me abraçou com cautela.
— Posso te falar uma coisa? – ela perguntou me soltando devagar.
— Sim.
— Você sempre foi frágil e entendo que esteja assim, mas já faz um mês que você não sorri sem culpa. Eu entendo que é uma perda impensávelmente dolorosa, mas você está sendo fraca. Eu também entendo por que você se cortou e isso é fraqueza. Eu era fraca, assim como você foi e está sendo. Seus pais se foram, para um lugar melhor que esse. Eles sempre estarão com você, no coração e na mente. E onde quer que estejam, eles te protegem. Mas você está destruindo a si mesma e a memória deles. Isso é totalmente clichê, mas se Julie e Richard estão vendo isso, eles estão mal. Está se ferindo e a nós, seus amigos. Pensa que eu, Ali e eles não percebemos que quando você sorri acha isso errado? Isso não é errado, é o certo. Quando você chora está só tornando isso tudo mais difícil; a superação da perda. Eu te amo Mayara Luporinni, assim como Alice, Louis, Liam, Zayn, Harry e Niall. Por isso estou te dizendo isso. Pense bem. – Candice falou tudo claramente, olhando nos meus olhos, e saiu lentamente pela porta.
Ela estava certa. Há um mês eu estou chorando e lamentando. Já está na hora de superar, era o que eles gostariam. Eu sorri do modo com eles se importam comigo. Um sorriso verdadeiro e sem culpa.
Depois de algumas horas assistindo TV – que uma enfermeira bondosa ligou – o Dr. Lima entrou e me deu alta, depois de conversarmos um pouco. Me troquei com as roupas que Alice deveria ter deixado enquando dormi de tarde e fui para a lanchonete. Pedi um x-burguer e me sentei.
— Parece que alguém está mais animada – disse uma voz masculina linda e conhecida, atrás de mim.
— E com fome – sorri ainda olhando para frente – E você? Não está com fome, Liam?
— Não – ele se sentou na cadeira vaga na minha frente – Bom saber que você reconhece a minha voz.
— Sempre.
— Acho que a Cads te contou sobre quando te encontramos no banheiro – ele disse tímido olhando as mãos na mesa – Me desculpe.
— Você me salvou! Confesso que fiquei constrangida quando a fadinha me contou, mas tudo bem.
— Que bom – disse ele aliviado agora olhando nos meus olhos. Admito que isso foi estranhamente bom, mas não para o meu coração, que acelerou. Que porra é essa que tá acontecendo? Eu já não estava mais com Diego – achamos melhor ser apenas amigos –, mas Liam nunca passou de um melhor amigo, como Harry, Zayn, Niall e Louis.
Conversamos por um bom tempo, então ele pareceu se lembrar de algo.
— Ei, você sabe que daqui três semanas voltamos para Londres, não? – ele perguntou.
— Sim – respondi tristemente.
— Mas você sabia que vocês vão conosco?
— Não! – abri um largo sorriso.
— Na verdade seremos vizinhos, já está tudo acertado. E você poderão fazer faculdade lá...
— Vai se maravilhoso!
Liam começou a me contar onde ficariamos, como era o condomínio e outros detalhes importantes. Mas eu só conseguia pensar "Eu vou morar em Londres!".
Notas finais
Look de quando a May é liberada: http://images.bymk.com.br/Sets/Set-2200155-500.jpg?v=634755522000000000
Look da Cands: http://images.bymk.com.br/Sets/Set-2200179-500.jpg?v=634755535800000000
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