I Will Wait For You
1 I Will Wait For You (Único)
Notas iniciais
Bem, continuo me aventurando no fandom de Harry Potter com shippers improváveis e, dessa vez, trouxe uma AU de Helga / Rowena.
Já havia começado essa fanfic há bastante tempo, mas só consegui terminá-la hoje depois de um inexplicável surto de inspiração... Espero que gostem!
Boa leitura!
P.S.: Indico que ouçam "I Will Wait" da banda Mumford & Sons para acompanharem a história.
“Now, I’ll be bold as well as strong. Use my head alongside my heart. So, take my flesh and fix my eyes that tethered mind free of lies.”
Helga limpou a testa com as costas da mão direita. O ar quente da cozinha de seu café poderia até incomodá-la e fazê-la transpirar, como o fazia naquele momento, mas jamais deixaria de ser o mais próximo que ela possuía de casa. Ela passara muito tempo sozinha até se encontrar em meios aos aromas de cafés e bolos.
Não podia reclamar da sua vida, mesmo que, dentro de si, havia um clamor silencioso por algo mais que ela já desistira de descobrir o que era.
Soltando o ar dos pulmões com um suspiro cansado, a jovem empresária retirou a travessa com a torta de abóbora recém-assada e a colocou sobre o antigo balcão de mármore. O cheiro da massa assada, entremeado pelo doce aroma da abóbora, ocupou todo o espaço e Helga sorriu para si quando constatou que o aroma estava maravilhoso, exatamente da forma que deveria ser.
Helga orgulhava-se de seus talentos culinários e, por mais que não se orgulhasse tanto assim de seus progressos em sua vida, tinha a perseverança necessária para continuar lutando pelos seus objetivos, todos os dias.
E a luta diária começava com o abrir do “Hufflepuff’s” todos os dias, às sete da manhã. O expediente ia até as sete da noite ou enquanto ainda existissem clientes no pequeno café. Ao menos, na escolha do local, Helga tivera sorte, contava nos dedos de uma mão quantas vezes fechara no horário que estabelecera, sempre ia até mais tarde.
Helga, com o que conseguiu juntar de seus anos de trabalho em uma rede de confeitarias, comprou um antigo café próximo a uma universidade. Helga reformara o local e hoje, ele recebia uma quantidade bem grande de estudantes, professores e até mesmo, alguns passantes. Não podia reclamar dos lucros e, muito menos, do trabalho. Conseguia pagar as contas e permitia-se desfrutar de alguns luxos baratos e, por mais que trabalhasse sozinha, conseguia se virar da melhor forma possível.
Afinal, Helga amava cozinhar e acreditava que tudo que fazia com amor não exigia esforço, corporal ou emocional, algum de sua parte.
A jovem cortou a recém-tirada torta de abóbora em pequenos quadrados, posicionando-os de maneira ordenada sobre uma tábua de madeira, e os expôs na vitrine do lado de fora da cozinha, no salão do café. Em seguida, voltou à cozinha e terminou de confeitar o pequeno em formato circular, de chocolate preto, com um coração de chocolate branco em seu centro. Aquele era um dos exemplares especiais que ela preparava para a chegada do Dia dos Namorados.
Aliás, Helga adorava aquela época!
Adorava observar os olhares envergonhados, os suspiros apaixonados e os beijos delicados trocados no interior do seu café. Aliás, naquela época, Helga inocentemente sentia que o calor de seu estabelecimento aumentava discretamente... Ela, mesmo sozinha, conseguia embriagar-se com toda aquela energia bonita e sutil que tomava o local.
Talvez, o amor fosse aquele “não sei o quê” do qual ela sentia falta e o que ela buscava tão incansavelmente.
Mas Helga era diferente de qualquer outra mulher da região, que dirá, do mundo. A sinceridade que preenchia a sua alma a impedia de amar pela metade e, muito menos, de amar de forma intuitiva. Para Helga, o amor era atemporal e emocional. O amor era feito de irracionalidade e inconseqüência, mas também, de doação e de recebimento.
Helga era romântica e o seu amor ideal era justamente aquele amor romântico, aquele dos livros, dos filmes e das músicas... Aquele que ela, mesmo acreditando, sabia ser raro e, quem sabe, até impossível.
A jovem empresária abandonou seus devaneios com um chacoalhar de sua cabeleira loira, da cor do trigo e enrolada, terminou de ajeitar as tortas na vitrine, também colocou a chaleira para ferver e ligou a antiga máquina de café, o barulho desengonçado a fez rir sonoramente. Em seguida, foi até as portas duplas de vidro do café e colocou a plaquinha de “Aberto” à vista.
Depois, voltou ao seu balcão e esperou.
Seus olhos claros, em um tom verde quase em tom mel, inevitavelmente foram para o enorme relógio, na parede ao lado da porta. Eram exatamente sete horas da manhã como todos os dias em que ela abria o café.
E faltavam, exatamente, como em todos os dias, oito horas para que ela chegasse.
Ela era o pronome dado a mulher morena, de intensos olhos azuis que chegava às quinze horas e ficava no café até o horário do fechamento. Helga não sabia o nome dela, mas sempre a observava enquanto transitava entre as mesas. Ela só pedia café preto e nunca tirava os olhos do notebook ou dos papéis que espalhava sobre a mesa. Sempre estava sozinha e nunca erguia o olhar, porém, Helga sempre sabia quando era o momento de repor o café porque cuidava a xícara dela com extrema e exclusiva cautela.
Aquela mulher era uma das poucas constâncias em sua vida atrapalhada e Helga sequer sabia o seu nome, a jovem empresária era curiosa e queria estabelecer algo mais além daquela estranha relação de ausência de palavras.
Helga queria conhecê-la, mas tinha medo de se aproximar. Aquela mulher chamava demais sua atenção para ser ignorada e Helga não sabia quanto tempo mais agüentaria até fazer alguma besteira da qual se envergonharia depois.
* * * * *
Exatamente às quinze horas, ela chegou.
Naquele dia, os longos cabelos negros estavam presos em um coque bagunçado. Helga soube que ela chegara porque seus olhos já cuidavam a porta desde às quatorze horas, mas aquela morena era pontual e estava ali exatamente no mesmo horário de sempre de todos os dias.
Helga a observou depositar a pesada bolsa carteiro de couro em uma cadeira, depois, ela retirou os papéis e o notebook. Esperou até que tudo estivesse em seu devido local para levar a xícara até ela, como sempre, ela não agradeceu e sequer ergueu os olhos. Helga suspirou inquieta e decepcionada, mas virou-se para as outras mesas.
Às dezessete horas, a segunda xícara de café foi finalizada.
Helga levava a terceira quando teve uma ideia. Apanhou um prato e colocou um dos poucos bolinhos remanescentes de sua edição especial de Dia dos Namorados, depois, escreveu no guardanapo:
“Cortesia da casa. Já que nunca experimentou um bolo sequer do meu café.”
E o levou até a mesa.
Não ficou para ver a reação da outra mulher e correu para dentro da cozinha. Chegou até a negligenciar o atendimento daquela mesa, mantendo-se focada em seus afazeres. Sempre que podia, Helga tentava visualizar alguma coisa e, até onde conseguiu notar, a morena ainda não terminara a terceira xícara de café. O bolo permanecia intocado no prato, em cima de seus papéis e ela o ignorava, assim como parecia ter ignorado o bilhete.
Às dezoito horas, as duas ficaram sozinhas no café.
Helga despediu-se do último acadêmico do grupo que fazia leituras de poesia britânica em seu café. Quando fechou as portas do estabelecimento, as bateu com uma força além do necessário. O barulho do vidro batendo contra a madeira soou alto no interior do café e ela virou-se rapidamente, para ver se a morena havia perdido a concentração. Só que ela continuava imóvel e uma das poucas coisas que se moviam com naturalidade eram seus dedos teclando em seu notebook.
Helga tremia da cabeça aos pés e se amaldiçoava mentalmente por ser tão ingênua. Não importa o que fizesse, jamais chegaria próxima daquela morena, por mais que ficasse parada do lado dela por horas. Ela recolhia os pratos enquanto observava, por cima dos ombros, a reação da outra. Mas esta permanecia imóvel e estóica, como uma pedra de gelo humana.
Helga levou os pratos pela cozinha e ajeitou algumas coisas no local antes de voltar ao salão do café e ter uma surpresa. A mulher olhava para ela, pela primeira vez e Helga começou a tremer como se jamais tivesse sido encarada antes. Os pelos de seu braço também se arrepiaram e ela não conseguiu tirar os olhos da outra, por mais que estivesse vermelha da cabeça aos pés.
Ela fez sinal para que Helga se aproximasse e Helga se aproximou, o coração batendo acelerado em seu peito e sequer deixando-a pensar direito. Assim que chegou à mesa, Helga respirou fundo e nervosa, desculpou-se:
- Eu sei que não deveria ter deixado o bolo aqui, perdão.
- Não tem problema, eu até comeria o bolo se soubesse por que você o deixou aqui... — A mulher respondeu com o tom de voz ligeiramente rouco e um sorriso brincando no canto dos lábios. Helga ficou instantaneamente hipnotizada por aquele discreto erguer de lábios, também podia sentir sua pele esquentar rapidamente na mesma medida que o sorriso da outra aumentava. — Existe alguma possibilidade do coração estar relacionado ao motivo?
Helga ficou ainda mais vermelha e não conseguiu responder. Agitou a cabeça de forma negativa, sentindo seu interior reclamar porque, afinal, aquela mulher era bonita e talvez, só talvez, Helga realmente soubesse por que escolhera justamente aquele bolo. O sorriso desapareceu do rosto da morena e ela olhou para baixo... Decepcionada?
Helga sentiu-se subitamente mal ao mesmo tempo em que sentia falta do sorriso. A morena tomou o que restava do conteúdo do café e digitou algo no notebook antes de fechá-lo, Helga observava tudo sem saber o que fazer até que, enfim, conseguiu falar:
- Me desculpe, eu ahm... Achei que gostaria de experimentar um dos meus bolos, você sempre vem aqui e só toma café. Digamos que a minha fama vem dos bolos e não do café.
- Eu não venho aqui pelo café que, honestamente, não é o melhor. — A morena respondeu de forma desdenhosa, terminando de guardar os papéis em uma pasta, exceto por aqueles embaixo do prato. Helga franziu a testa para a súbita ofensa aos seus dotes culinários. A morena olhou de lado para ela, impassível.
- E, tampouco, gosto de doces, por isso ainda não comi um de seus bolos.
- E eu me pergunto o que você faz aqui, isso é um café e uma confeitaria, por Deus! — Helga finalmente explodiu, sem jeito, jogando o pano que segurava sobre a mesa em que a morena estava. Esta lhe sorriu sarcástica, surpresa com seu comportamento. Helga ficou na ponta dos pés para encará-la e colocou as mãos na cintura, furiosa. — A porta também é cortesia da casa!
- Sobre sua pergunta, eu venho aqui pelo mesmo motivo que me faria comer o bolo. — A morena respondeu misteriosa, apanhando a colher e cortando um pequeno pedaço antes de levá-lo à boca. Mastigou por alguns segundos e o sorriso voltou aos seus lábios, Helga bufou impaciente pelo comportamento desafiador e, ao mesmo tempo, misterioso da mulher. Ela mastigou com prazer e sorria com malícia, olhando-a com divertimento. — Aliás, poderia continuar a comê-los pelo mesmo motivo.
Helga desistiu de tentar conversar com aquela mulher e concluiu que seu dia poderia ter terminado bem, como os outros, se ela simplesmente não tivesse levado aquele bolo até ela. A jovem deu às costas a outra, mas seu pulso foi delicadamente segurado. Helga engoliu em seco e soltou-se, bruscamente, virando-se agressiva para a outra.
A morena a observava de perto, os olhos azuis estudando-a com afinco. Naquele momento, Helga encontrou, no fundo dos olhos azuis, algo tão confuso quanto o que procurava dentro de si durante todos aqueles anos. Sentiu um discreto afago em sua mão, viu um sorriso de natureza gentil brotar nos lábios bem desenhados, desaparecendo com os resquícios da ironia e do desafio, e ela, delicada, dizer:
- Meu nome é Rowena.
- Prazer. — Helga gaguejou enquanto se afastava. Rowena ainda sorria quando a viu esbarrar em uma das mesas e fechar os olhos, procurando respirar fundo. A jovem empresária sentia um calor desconhecido e aconchegante envolvê-la e ela tentava enxergar um pouco da racionalidade no meio da bagunça que se instalara desde que aquela desconhecida tocara seu pulso. Quando Helga pareceu recuperar-se, Rowena disse brincalhona:
- Eu esperei por esse momento e achei que ele seria menos embaraçoso.
- Momento? — Helga murmurou débil, olhando de Rowena para o teto de seu café em busca de uma luz para seus pensamentos. A morena tornou-se séria e apanhou o prato, cortou outro pedaço enquanto caminhava e, próxima a Helga, ofereceu a ela. A empresária aceitou o pedaço e, enquanto mastigava, viu Rowena, corada, dizer:
- Godric e Salazar costumam dizer que eu sou uma aberração quando se trata de estabelecer ligações com aqueles que me atraem. Por isso, peço perdão se, de alguma forma, ofendi você.
- Bem... Tirando as críticas ao meu café... — Helga murmurou com um sorriso genuíno que chegou e ocupou seus olhos, lançando um brilho diferente neles. Rowena sorriu para o que provocara e voltou a cortar um pedaço do bolo, levanto-o aos lábios. Helga olhava os lábios cheios e rosados deliciarem-se com seu bolo com divertimento. — Acho que você se saiu bem, pode dizer aos seus amigos que você não foi, de total, uma aberração.
Ambas riram diante do comentário de Helga e um silêncio confortável e apaziguador se instalou entre elas. Helga olhava ansiosa enquanto observava Rowena terminar os últimos pedaços do seu bolo, assim que a morena terminou, depositou o prato e a colher sobre a mesa atrás de Helga e manteve ambas as mãos apoiadas ali.
Helga observou quando aqueles membros pálidos encurralaram seu corpo que, naquele momento, estava ocupado por um calor tão reconfortante quanto aquele que a envolvia em sua cozinha. Sentiu um delicado toque frio em seu queixo e seu rosto foi recepcionado por olhos azuis que brilhavam de forma tão bela que ela mordeu seu lábio inferior. Rowena se aproximou e ela cheirava a menta e flores secas, diferentemente dos cheiros doces com os quais se aproximava, a morena suspirou com a proximidade entre elas e disse baixinho:
- Eu gostaria de receber outra cortesia da casa, especialmente, da dona.
A intensidade dos acontecimentos seguintes fez Helga perder-se nas sensações que a invadiram. Os lábios que, até anteriormente, desfrutavam seu bolo, envolveram seus próprios lábios de forma delicada e carinhosa. Helga, inconscientemente, deslizou suas mãos calejadas e queimadas pela cintura delgada e sentiu Rowena relaxar em seus braços, uma das mãos frias envolveu seu rosto, aprofundando o beijo.
As duas se afastaram quando o oxigênio fez falta, Rowena manteve suas testas juntas e sorriu para o rubor nas bochechas cheias de Helga. A jovem empresária suspirou e, realizada, murmurou:
- Acho que a espera valeu a pena e também acho que meus bolos são afrodisíacos.
Rowena riu roucamente do comentário e abraçou Helga apertado, a confeiteira suspirou naquele corpo alto e esguio, diferente do seu, suspirando sonhadora. Naquele momento, ela encontrou exatamente o que procurava.
Exatamente às dezenove horas, Helga sentiu-se inteira, preenchida e total. Era estranho encontrar-se em outra pessoa tão diferente de si, mas, talvez, era exatamente aquilo que o amor definia... Ele era o encontro de duas almas que, separadas eram tão divergentes e que juntas, convergiam para momentos como aquele... De encontros, completudes e de... Compreensão.
FIM
Notas finais
Eu, modéstia à parte, adorei escrever sobre essas duas e, quem sabe, venha mais coisa Hahahahahahaha E também achei super fofa :X
Mas aguardo os comentários de vocês... Continuem acompanhando as outras fanfics de HP em aberto, "La Petite Mort" e "You Belong With Me" ambas Fleurmione.
Beijos e até a próxima,
FerRedfield.
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