Notas iniciais
Eu coloquei as datas, se vocês quiserem calcular a idade deles, só por curiosidade...XD

5 de novembro de 1981

-Gerard, meu filho, encosta direitinho no banco para a mamãe colocar o cinto.

A criança, um tanto gordinha, obedeceu.

-Mamãe, por que temos que viajar até lá? -pergunta ele quando a mulher se acomodou no banco do motorista.

-Eu vou ser madrinha do filho de uma grande amiga minha. Você vai se lembrar dela. Ela estava no batizado do Mikey.

-Mikey vai ficar com o papai? -perguntou Gerard enquanto o carro começava a andar.

-Vai sim, filho.

-Coitado do meu irmão! -exclamou ele fazendo Donna rir muito.

-Não diga isso na frente do seu pai -disse ela sorrindo e olhando o filho pelo retrovisor.

Não demorou muito para chegarem. Donna e Gerard saíram do carro. Ele estendeu a mão para a mãe segurar.

-Comporte-se, hein filho?

-Pode deixar mamãe.

Donna tocou a campanhia.

-Querida! Estávamos esperando por você! -disse a anfitriã- Nossa, Gerard está uma graça! -ela agachou e apertou as bochechas do menino -Venham, entrem -ela se levantou, deu espaço para os visitantes passarem e fechou a porta.

-Onde ele está? -perguntou Donna.

-Lá em cima, nós preparamos o quarto que era de visitas para ele. Venham conhecê-lo!

Gerard não se animou muito para ver o bebê. Bebês só choram, segundo seu ponto de vista.

-Oh, ele é tão lindo! E vai ser meu afilhado -disse Donna emocionada.

"Ele tem cara de joelho" -pensa Gerard.

-Você não gostou dele, filho?

-Gostei sim, mamãe. -mentiu ele.

-Estava pensando em me mudar para Newark -confidenciou a dona da casa.

-Seria ótimo! Assim as crianças poderiam ficar juntas sempre.

As duas ficaram conversando e Gerard olhava para dentro do berço, entediado.

"Eu vou ter que te aguentar pro resto da vida?"


12 de janeiro de 1984

Frank e Mikey brincavam de empilhar blocos de plástico.

Gerard observava, com uma ponta de inveja por ser Mikey e não ele junto com Frank.

Sem se dar conta do que estava fazendo, foi até lá e derrubou a pilha que eles tinham feito.

-Mamãe! Olha o Gerard! -gritou Mikey choramingando.

Frank ficou olhando para o Way mais velho sem entender.


27 de maio de 1989

-Frank, fecha os olhos.

-Por que?

-É legal, olha.

Frank obedeceu e Gerard encostou seus lábios nos dele rapidamente.

-Não é legal?

-É. A gente pode fazer isso de novo amanhã?


7 de junho de 1993

-Você vai morar em New York? -perguntou Frank incrédulo.

-Vou.

Gerard já havia se cansado daquela cidade, daquelas pessoas, e daquele pivete que não largava de seu pé.

-Eu vou sentir sua falta. -disse Frank com vontade de chorar.

Gerard olhou para ele sentindo uma coisa estranha.

-Eu também vou sentir sua falta, Frank.



25 de março de 2004

Gerard desenhava distraído. Pensava em voltar para Newark. Tinha saudades de sua família. Se correspondia regularmente com Mikey e falava sempre com Donna pelo telefone.

Recebera também cartas de Frank até 3 anos atrás.

"Deve ter se cansado de mim..." -pensa ele -"Não que eu me importe. Ele é jovem e tem que aproveitar a vida."

A campanhia tocou. Gerard estranhou, ninguém nunca ia até sua casa. Abriu a porta e ficou olhando a pessoa à sua frente.

"Esse rosto me é familiar"

A pessoa sorriu para ele.

O mesmo sorriso. Gerard lembrava daquela voz chamando seu nome constantemente.

-Frank?!

-Achei que você não ia me reconhecer -disse ele feliz.

-Impossível -respondeu Gerard surpreso.

"Merda. Ele ficou tão lindo." -pensa Way.

-Então eu sou inesquecível para você? -pergunta Frank arqueando a sobrancelha.

-De certa forma, sim. -responde Gerard depois de pensar um pouco.

-Não vai me deixar entrar?

-Ah, sim. -ele saiu da frente da porta. Frank entrou, olhando o apartamento.

-O que veio fazer aqui? -perguntou Gerard depois de fechar a porta.

-Te buscar.

-O que?!

-Gerard, acho que é do consenso geral que está na hora de você voltar.

-Eu estava mesmo pensando nisso...

Frank sorriu.

-Sentiu minha falta, afinal?

-Não -mentiu Gerard sem hesitar.

Iero deu uma risadinha e se aproximou dele.

-Tem certeza?

-Absoluta -respondeu Gerard sem a menor vontade de impedir que o outro chegasse mais perto.

-Seu mentiroso. -sussurou ele agora com seu rosto perigosamente perto do rosto de Gerard.

Se encararam por um momento e então se entregaram ás suas vontades. Se beijaram longamente, saboreando aquele gosto de saudade.

-Você vai ter que ficar aqui até eu colocar tudo em ordem e poder voltar. -disse Gerard abraçando Frank pela cintura.

-Eu não me importo -disse ele satisfeiro.

-Nem eu. Vou ter que te aguentar pelo resto da vida -suspirou ele. -E por que eu me sinto tão feliz por isso? -perguntou ele rindo.

Frank o calou com outro beijo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!