I Will Protect You
10 Capítulo 10 - Killer
Notas iniciais
– Luce, abre a porta! – Ouvi Adam gritar e bater na porta pela décima vez. Depois do noticiário eu havia saído correndo e me trancado no quarto onde passei a noite toda chorando e agora só estava parada, com as costas encostadas na porta ouvindo Adam me chamar. Eu o estava fazendo sofrer, eu sei, mas eu não sabia o que fazer.
– Luce, por favor. – Adam sussurrou e o ouvi suspirar – Eu sei que é horrível, mas o pior é passar por essa dor sozinha. Eu perdi minha mãe Luce, há muito tempo, mas ainda sinto a falta dela e eu sei o quanto é ruim não ter ninguém para te ajudar. Meu pai caçou o assassino dela e Luke saiu de casa e só voltou uma semana depois e eu fiquei sozinho. Eu não quero isso pra você. Então, por favor, abra a porta.
Eu respirei fundo. Adam não havia me contado isso. Levantei-me rapidamente e abri a porta. Ele me encarou e eu o abracei com força deixando as lagrimas caírem. Ele me rodeou com os braços e apoiou a o queixo no topo da minha cabeça, isso me acalmou e logo eu estava dando apenas alguns soluços.
– Nós precisamos ir. Eles estão nos esperando – ele se afastou para me olhar e eu abaixei a cabeça. – Se não quiser ir eu entendo.
– Não, tudo bem. Eu só preciso me arrumar. – Eu disse me soltando do abraço e passando a mão no rosto. Adam assentiu e foi para a sala. Eu entrei no quarto e fui tomar um banho. Assim que sai vesti um vestido preto e me olhei no espelho. Eu estava horrível. Abaixo dos meus olhos haviam duas manchas roxas, sinais das noites mal dormidas e do choro. Respirei fundo, era hora de encarar.
. . .
Eu estava parada em frente ao mausoléu da minha família. O enterro de Eric tinha sido repleto de pessoas que diziam coisas sobre meu irmão, coisas que eram a maioria mentira. Eu havia ficado um bom tempo ao lado do caixão, olhando para ele, esperando que ele abrisse os olhos e sorrisse para mim dizendo que era mais uma de suas brincadeiras infantis e que ficaria tudo bem. Mas não ficaria. Nada estava bem.
O cemitério estava vazio. Meus pais haviam ido para casa, já que minha mãe mal se agüentava em pé e eu estava surpresa por não ter desabado ainda. O fato é que eu estava caindo aos pedaços. Senti braços me rodearem e me virei dando de cara com os olhos azuis de Adam.
– Isso é minha culpa, não é? – eu perguntei entrelaçando nossas mãos.
– É claro que não Luce – Adam disse levantando meu queixo. – A culpa é daquele... Eu prometo que vou achá-lo, tudo bem?
Assenti e Adam me abraçou. Eu me sentia tão protegida quando ele me abraçava que me permiti fechar os olhos e aproveitar. Por que segundo o assassino do meu irmão eu não teria muito tempo perto dele.
. . .
– Nós não devíamos estar na escola? – Eu perguntei ao Adam, que estava sentado ao meu lado no sofá. É claro que eu não queria ir para a escola, mas eu precisava me distrair, precisava da alegria da Kath, das loucuras da Anne e da Lisa, das nerdices do Carter e até das provocações da Raquel. Por que isso me distraia e era isso que eu precisava agora.
– Sua mãe conversou com o diretor e explicou tudo a ele. – Adam disse acariciando minhas costas. Depois que havíamos voltado do enterro eu não havia feito mais nada alem de ficar sentada no sofá olhando pra Tv. Adam havia saído algumas vezes, mas sempre voltava logo. Ele estava com medo de me deixar sozinha. Eu estava com medo de ficar sozinha.
– Isso passa? – eu perguntei e Adam me olhou confuso. – Essa dor? Essa sensação de que eu poderia ter feito alguma coisa?
– Passa. – Adam suspirou fitando um ponto qualquer. – Mas demora. Você vai se culpar, vai achar que deveria ter ido no lugar da pessoa e essas coisas. Mas depois de um tempo, você acaba esquecendo, não da pessoa é claro, mas da dor. E tudo o que fica são as lembranças boas.
– Por que não me disse sobre sua mãe?
– Por que não me faz bem, eu ainda sinto falta dela.
– Faz pouco tempo? – perguntei me virando para ele.
– Alguns anos.
Eu sorri fraco e acariciei seu rosto. Adam sofreu, assim como eu estou sofrendo e tudo o que nós queremos é acabar com isso.
. . .
Adam dirigia rápido, passando por faróis vermelhos e infringindo leis. Ele havia recebido um telefonema do irmão dizendo o nome do assassino e agora nós dois estávamos indo para a casa dos meus pais.
– Luce? – Minha mãe perguntou quando eu entrei correndo na sala de estar, onde ela e meu pai estavam.
– Luke descobriu o assassino do Eric.
– Como? – meu pai perguntou se levantando, assim como minha mãe.
– Digamos que ele seja bom em encontrar pessoas. – Adam respondeu.
– Como é o nome daquele canalha? Onde ele esta? – minha mãe perguntou com uma expressão de raiva, eu nunca tinha a visto assim.
– O nome dele é Daniel Brien. Nos não sabemos onde ele esta, mas vamos descobrir. – Eu disse e minha mãe arregalou os olhos ao ouvir o nome de Daniel. – Mãe? Ta tudo bem?
– Não é possível. – ela sussurrou andando de um lado para o outro.
– Mãe, você o conhece? Mãe? – Eu me irritei e andei até ela, agarrando seus braços e fazendo-a me olhar. – Mãe, quem é ele?
– Ele é seu pai.
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