I Will Never Leave You Alone

15 You Said We'll Never Make My Parents Mistakes


Notas iniciais
Demorou mas chegou :)
Espero que compense a demora.

As lágrimas continuaram a cair dos olhos de Santana, ela se sentia da mesma forma em relação a Brittany, mas admitir aquilo neste momento era o mesmo que causar mais sofrimento a si mesma. Então ela continuou ali, apenas esperando que Brittany continuasse o que ela queria tanto dizer.

– Eu te amo, e eu não vou deixar que você se afaste ou até mesmo termine comigo na primeira briga. Eu sei que pode ser difícil, mas eu sei que você é forte, eu sei que você também não quer deixar isso que nós temos ir embora assim tão fácil.

– Você não pode me dizer o que eu quero. – Santana se pronunciou pela primeira vez desde que Brittany se aproximou mais.

– Então você vai me dizer que terminaria tudo sem nenhum problema, sem nenhum pesar ou arrependimento? Sem dor ou sofrimento?



– Eu não disse isso...

– Eu sei, por que é exatamente assim que eu me sinto, Santana.



– Brittany, eu só sinto que não posso continuar com isso, já está ultrapassando meus limites e...



– E o que, Santana? Que limites?



– Meus limites, eu sei quantos e quais são.



– Então que tipos de limites são esses que te impedem de ser feliz ou ao menos tentar? – Santana não respondeu então ela continuou. – Você nunca quis quebrar barreiras? Infringir regras? Essa é sua chance, Santana. Eu seria a pessoa mais feliz do mundo se eu fosse quem te ajudasse nisso.



–Eu não preciso de ajuda.

– Todo mundo precisa, todos precisam de alguém com quem contar, com quem dividir as alegrias e tristezas. Eu só estou te pedindo isso, Santana. Me deixa ser essa pessoa pra você, só isso que eu te peço.



– Eu não sei, acho que é melhor você ir, já está tarde, eu estou cansada e preciso de um tempo pra pensar.

– Eu ainda não terminei de falar.



– Mas eu já estou cansada de ouvir. – Santana falou mais alto do que pretendia, em um tom um pouco impaciente. – Desculpa, eu não queria gritar com você, mas parece que é só o que eu sei fazer.



– Tudo bem, eu te entendo.



– Então você também entende que é melhor pararmos por aqui? Pelo menos por hoje.



– Santana, e-



– Britt, por favor. – Santana implorou fechando os olhos.



– Okay... Mas me promete uma coisa? – Santana assentiu com a cabeça e ela continuou – Me promete que vai pensar direito e no quanto eu te amo?



– Prometo.



Brittany tirou uma das mãos do rosto da morena e a desceu em direção à mão da garota entrelaçando seus dedos juntos. Ela aproximou os lábios dos da morena em um beijo breve, logo ela se afastou e se direcionou ao ouvido onde falou:



– Eu amo você. – Deu um beijo na bochecha de Santana e saiu, sem olhar para trás.



Saindo do apartamento de Santana, Brittany foi direto para o apartamento de Quinn, ela sentia que precisava conversar com alguém sobre o que estava acontecendo, caso contrário explodiria.



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Sentada no sofá de seu apartamento folheando um livro que havia pegado na biblioteca, Quinn estava tentando aliviar a ansiedade que sentia por ter que ficar esperando o telefonema de Puck. “Ele não disse quando ligaria.” Era o pensamento que passava por sua cabeça. “Será que ele vai ligar mesmo?” E a cada questionamento que fazia a si mesma, ficava mais nervosa.



Era tarde da noite, e ela estava sozinha em casa. Rachel havia saído com uns amigos e mesmo tendo a convidado, Quinn não quis ir. Decidiu ficar esperando pelo tal telefonema que nem sabia ao certo se receberia. Ela sabia que Puck era um galanteador, não sabia porque confiara nele dessa vez. A campainha tocou e ela levantou em um pulo só, estava tão presa em seus devaneios, que acabou se assustando. Foi em direção a porta, e abriu.


– Puck? – falou assustada ao vê-lo ali.

– Ele mesmo! – soltou um sorriso que fez o corpo da garota tremer. – Sei que não é hora, mas eu não sabia como falar com você pelo telefone. – na verdade, ele só não queria esperar mais.

– Não tem problema. – ela ficou calada, admirando o garoto. Ele a fitava, ela estava com uma camisola, certamente já estava pronta para dormir. Pensou nela sem a camisola, se culpou pelo pensamento, era Quinn que estava ali e ele não queria estragar a amizade deles.

– Então, posso entrar? – falou rapidamente.

– Pode sim.

Ele passou por ela, olhou ao redor e sentou no sofá.

– Está sozinha?

– Estou sim, a Rachel saiu com uns amigos. – falou aproximando-se e sentando ao lado do garoto.

– Droga! – mais pensamentos invadiram a cabeça dele, estava sendo difícil, mesmo querendo, o seu instinto ainda era maior. – Acho melhor eu ir então. – falou se levantando. – Já tá tarde e...

Quinn se pôs a frente dele, impedindo que ele passasse. Ficaram bem próximo, sentiram o calor do corpo um do outro. A loira já estava fechando os olhos esperando pelo beijo, quando foi surpreendida.

– Eu preciso mesmo ir, nem deveria ter vindo aqui. – Puck tirou-a da sua frente e foi a caminho da porta.

– Mas... – decepção, era o que Quinn sentia com a reação do garoto. – O que você veio fazer aqui então?

O garoto parou na porta e olhou para Quinn, analisou cada parte do seu corpo, sentiu-se instigado e provocado.

– Eu só quero fazer do jeito certo. Boa noite, Quinn! – saiu fechando a porta e deixando a loira sem entender nada do que ele havia dito.


A campainha tocou outra vez e Quinn pensou que era Puck novamente, ela foi em direção a porta rapidamente e assim que abriu já perguntou:


– Você pode me explicar o que está acontecendo com você? – Mas desta vez não era Puck, e sim Brittany, como os olhos inchados, aparentando horas de choro.



– Explicar o que? Quem te contou? – Brittany perguntou confusa com o questionamento da amiga.



– Ah, é você. Desculpa, é que eu pensei que era outra pessoa.



– Quem você achou que seria?



– Ninguém. Mas espera, você estava chorando? Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?



– Muitas perguntas, Quinn. Mas eu te responderia todas se você me deixasse passar.



– Desculpa, entra. – Quinn saiu da frente dando passagem para Brittany. – Então, o que aconteceu? – Antes mesmo de Quinn terminar de falar, Brittany se lançou sobre ela a prendendo em um abraço forte pelo pescoço. – Hey, o que foi? – Quinn perguntou mais uma vez agora acariciando o cabelo da outra loira.



– Ela vai me deixar, Quinn. – Brittany respondeu entre soluços.



– Quem?



– Santana, Quinn.



– Mas por quê?



– A gente brigou, por que eu disse a minha mãe que estava namorando e ela queria a conhecer, então eu disse isso para Santana e ela praticamente surtou, disse que eu deveria ter falado com ela antes.



– Mas por quê? É só a sua mãe, Britt. Ela não deveria ter reagido assim.



– Eu sei, mas depois eu fui procurar ela pra pedir desculpas, ela não estava em casa, mas o Sam me deixou entrar e me explicou o porquê do surto dela.



– E por que foi então?

– Por que ela tem medo que os relacionamentos dela acabem como os dos pais dela.



– Mas isso não é motivo, se ela não quer que seja assim então ela tem que se esforçar pra garantir que não seja. – Quinn tirou os braços de Brittany e a puxou para se sentarem no sofá.



– Eu tentei falar com ela, mas ela me pediu um tempo sozinha para pensar. Eu não sei mais o que fazer, Q.



– Não chora, B. O que tiver que ser será, a única coisa que você pode fazer agora é esperar por ela, se ela realmente te ama, ela vai tentar superar essa barreira pra ficar com você. Mas pra isso acontecer você tem que atender ao pedido dela, certo?



– Eu sei, Q.



– Você quer dormir aqui hoje?



– Se você não se importar... Eu realmente não tenho condições de dirigir.



– Então você vai dormir aqui hoje. A Rach me abandonou aqui mesmo. Então você pode dormir na cama reserva que tem no quarto dela.



– Onde ela foi?



– Saiu com alguns amigos. Ela me chamou, mas eu quis ficar esperando a ligação do... Deixa pra lá.



– Deixa pra lá coisa nenhuma, esperando a ligação e quem?



– Ninguém, B. Agora vai dormir, você parece exausta.



– Eu vou deixar pra lá, mas só por hoje, por que pela manhã a senhorita vai me contar essa historia direito.



– Ok, ok. Você está ficando muito curiosa, Britt.



– Não me arrependo de nada, quer dizer... Quase nada.



– Britt, esquece isso pelo menos por um minuto, por favor, não vai te fazer bem.



– Desculpa, eu não consigo parar de pensar nisso.



– Eu te entendo. Mas agora vai dormir.



– Ok. Boa noite, Q.



– Boa noite, B.

Quinn apagou as luzes e foi para seu quarto.

Na manhã seguinte, Brittany acordou com a luz do sol batendo em seu rosto. Ao olhar para o lado se deparou com Rachel, totalmente apagada na cama ao lado. Brittany riu com a cena, mas assim que seu sorriso se abriu mais largo ele caiu, com as lembranças do dia anterior. Era como se sua memória quisesse julga-la por algo que ela não tinha culpa, como se quisesse que ela pagasse uma pena, uma pena dolorosa.

Brittany sacudiu a cabeça na esperança de que os pensamentos saíssem, não aconteceu então ela levantou e foi em direção a cozinha, onde Quinn estava preparando o café da manhã.



– Bom dia. – Quinn cumprimentou e Brittany apenas acenou com a cabeça. – Melhor?



– Se com melhor você quer dizer pior que nunca, sim, claro.



– B...



– Desculpa, Q. Eu só não consigo aceitar ainda. Que horas são?



– 11.



– Eu acho que vou pra casa, mas estou com medo de esbarrar com ela, e eu realmente não posso ver ela agora sem desmoronar, eu só... Não posso, Q.



– Sem querer parecer que quero te expulsar, mas uma hora você vai precisar ir pra casa.



– É... Verdade. Eu vou então.



– Vai lá,coloque pra fora essa heroína que você tem guardada dentro de você e enfrente esse super vilão. – Quinn falou em tom de deboche.



– Quinn, menos, por favor.



– Ok, eu apenas não pude segurar essa.



– Mas da próxima tente mais, foi terrivelmente ruim.



– Pareceu melhor na minha cabeça.



– É sempre parece, essa é sua desculpa.



– Okay, acabaram as piadinhas sem graça.



– Obrigada... Mas espera, acho que você tem que terminar de me contar uma coisa, certo?



– Coisa? Que coisa? Não estou lembrada disso. – Quinn tentou desconversar.



– Hey, vamos lá, Q. O que tem? Aposto que nem é nada demais.



– Acho que pra você não vai ser mesmo, já que você sempre tenta prever o futuro.



– Okay... Agora você pode começar a falar.



– Muito insistente quase insuportável.



– Quem? – Brittany perguntou pensando que Quinn já havia começado a historia.



– Você né, B?! Quem mais seria?!



– Q, por favor, todos sabem que você me ama mesmo eu sendo como você mesma disse “insistente quase insuportável”. – Brittany brincou.



– Menos, B. Bem menos. – Quinn respondeu.



– Ok, mas agora fala.



– Certo. É... O Puck.



– O que tem ele? – Brittany perguntou pegando uma xícara de café e sentando em uma cadeira da mesa.



– Eu estava na lanchonete estudando ontem, e ele chegou com uma garota.



– Me deixa adivinhar, você está com ciúmes.



– Não... B! Você vai me deixar falar ou não?!



– Desculpa, é que você não fala logo, eu pensei que quisesse ajuda para chegar ao ponto alto da conversa.



– Não, nesse caso eu dispenso sua ajuda.



– Desculpa então. Mas continua.



– Sem ser interrompida?



– Sem ser interrompida.



– Ok, como eu ia dizendo. Ele chegou com essa garota, e como eu os cumprimentei, sendo eu uma pessoa educada, então como já tinha terminado o que estava fazendo simplesmente fui embora. Ele veio atrás de mim, e como estamos falando do Puck, simplesmente inventou uma desculpa de que aquela garota era sua prima. Mas enfim, ele me convidou pra sair. – Quando Quinn terminou de falar a frase, Brittany se engasgou com o café. Quinn correu para socorrê-la. – Britt, respira, calma.



– Q, socorro. – Britt começou a rir do desespero no rosto da amiga.



– Britt, não brinca comigo, é sério. Você está bem?



– Bem não, mas muito feliz por você. – Brittany soltou a xícara e se levantou para abraçar a amiga.



– B, nunca mais faz isso. Você quase me mata do coração. Mas obrigada mesmo assim.



– Desculpa, mas é que você me pegou de surpresa com essa. Eu realmente engasguei, então você não pode me culpar em tudo. – Brittany riu.



– Ok, mas eu ainda não terminei.



– Tem mais?



– Sim, mas antes de te contar eu acho melhor você ficar longe da xicara.



– Ok, feito. – Brittany se sentou outra vez e empurrou a xícara para longe.



– Ele disse que me ligaria, por isso eu não saí com a Rach ontem. Eu estava esperando que ele ligasse ontem mesmo. Mas ao invés disso ele veio até aqui... Ele entrou, perguntou se a Rach estava em casa, eu disse que não, e ele simplesmente surtou, disse que deveria ir embora e que dessa vez queria fazer tudo direito, do jeito certo.



– Wow. Você tem certeza de que era o Puck?



– Eu também fiquei surpresa e intrigada, eu realmente não entendi a parte do “fazer do jeito certo”.



– Sério, Q?!



– Super sério, B. Vai me dizer que você entendeu?



– Não sei de nada. – Brittany respondeu retomando sua xícara de café.



– B...

– Q...

– Fala, você está me deixando aflita.



– Eu não posso, Quinn. Eu não quero me intrometer, eu quero que ele mesmo te explique, eu quero que vocês dois sigam essa historias, sem pessoas de fora pra dar palpite ou opinião.



– Então tudo bem. Eu vou falar com ele mais tarde.



– Faz isso, aposto que vai te esclarecer muitas duvidas.



– E o que você vai fazer?



– Dar a ela o que ela pediu, é o mínimo que eu posso fazer.

– Entendo.



– Mas agora eu vou embora. Estou muito feliz por você, Q. Realmente.



– Obrigada, B.



Brittany se despediu da Quinn e deu bom dia e ao mesmo tempo tchau a Rachel que estava entrando na cozinha com uma cara de sono.



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Chegando ao prédio, Brittany passou pela portaria quando o porteiro a chamou.



– Senhorita, Pierce?



– Ah, bom dia, Rob. Tudo bem?



– Bom dia, tudo bem sim, tem um recado para a senhora. O senhor do 322 falou que um dos moradores do 321 pediu para lhe avisar que estava precisando falar com a senhorita, já que não atendia o telefone, parecia ser um assunto urgente.



– Rob, você sabe me dizer se foi o rapaz ou a moça?



– Isso eu não vou saber lhe informar, ele apenas disse “um dos moradores”, não disse qual dos dois.



– Certo, obrigada, Rob.

– Por nada, Srta. Pierce, tenha um bom dia.



– Pra você também, Rob.

Brittany entrou no elevador, mil pensamentos passando por sua cabeça. Será que Santana já havia tomado uma decisão? Será que elas tentariam mais uma vez? Será que ela simplesmente terminaria tudo? Não havia como Brittany saber sem ir lá, então foi exatamente o que ela fez. Assim que saiu do elevador no 6º andar um frio tomou seu estomago, um frio que era explicado simplesmente pela incerteza que ela sentia.



Assim que chegou à frente da porta, parou e pensou se estaria preparada para o que poderia vir a seguir. Mas pensar no que viria só pioraria tudo, então apenas respirou fundo e apertou a campainha.



Os segundos que seguiram pareceram minutos, pareceram até horas, mas o que ela esperava que acontecesse apenas não aconteceu, quem atendeu aporta foi Sam.



– Bom dia, Britt.



– Bom dia, Sam. – Brittany não conseguia esconder a decepção em sua voz.



– Você recebeu o recado?



– É, por isso que eu vim, foi você quem me deixou o recado?



– Fui eu sim, eu preciso conversar com você sobre a San, ela simplesmente se trancou no quarto e não saiu até agora, chamei no quarto, mas ela não respondeu.



– Ok, o que você quer saber?



– Eu acho que aqui não é o lugar mais apropriado pra gente conversar sobre isso... Vamos tomar um café.



– Como quiser.



Eles desceram e foram até a cafeteria do outro lado rua, chegando lá sentaram-se em uma mesa e fizeram seus pedidos.



– Então...?



– O que aconteceu?Eu preciso saber pra ajudar ela.



– Ela me pediu um tempo pra pensar.



– E você vai dar esse tempo pra ela?



– Claro, Sam. O que mais eu poderia fazer?! Obriga-la a ficar comigo?! – Brittany falou em um tom um pouco rude pois não aguentava mais ficar se martirizando com esse assunto, naquele momento tudo o que ela queria era apenas esquecer, mas parece que o que todos ao seu redor faziam era lhe lembrar.



– Você não pode desistir, ela é outra pessoa depois que te conheceu.

– Quem disse que eu desisti? Eu só vou acatar o que ela me pediu.



– Mas é sempre assim, Brittany. Ela pede esse tempo e logo depois termina. Você é a melhor pessoa que já passou pela vida dela, e eu falo isso como observador e amigo. Não deixa ela ir.



– Eu também não quero isso, Sam. Mas é como eu te disse, não posso obriga-la a ficar comigo.

– Okay, mas se precisar de ajuda em algo, qualquer coisa mesmo, pode contar comigo.



– Obrigada, Sam. É muito bom saber que eu posso contar com mais uma pessoa.



– Você é sempre bem vinda.



Terminando a conversa Brittany pagou sua conta e saiu de despedindo de Sam. Sam ainda ficou lá, pensando em como poderia ajudar não somente Brittany, como também Santana. Não demorou muito tempo, pois queria estar em casa quando Santana decidisse sair de dentro do quarto.



Quando chegou ao apartamento o silencio era predominante, como se não houvesse ninguém ali além dele. Sam, chamou mais uma vez para ver se Santana dava algum sinal de vida, mas de nada adiantou, então ele decidiu apenas esperar, uma hora ela teria que sair de lá.



Já eram nove horas da noite quando finalmente Santana saiu do quarto. Sam estava na sala assistindo a um programa humorístico na televisão e se espantou ao ver a figura de Santana encostada na entrada da sala.



– Nossa, Santana. Você me assustou.



– Desculpa. – Santana falou e foi em direção a cozinha, Sam foi atrás dela.



– Sem problemas... Você está bem? – Quando Santana acendeu a luz, Sam percebeu os olhos inchados e o rosto abatido de Santana. Ela respondeu a pergunta do garoto com apenas um olhar. – Que pergunta mais idiota a minha. Claro que você não está bem.



– E ele acertou a pergunta de um milhão de dólares.



– Pega leve, Santana. Só quero ajudar.

– Obrigada, mas não precisa.

– Você sabe que não pode fazer isso com ela, você sabe que não pode fazer isso com ninguém, mas sua consciência deveria pesar mais em relação a ela. Ela te ama, Santana.



– Você acha que eu não sei?! Você acha que eu não passei o dia inteiro pensando nisso?! Você acha mesmo que eu estaria assim se eu não sentisse o mesmo por ela?!



– Então qual é a dificuldade? Hein, Santana? Você ama ela, ela te ama, isso é mais que certeza. Então pra que dificultar tanto as coisas?



– Exatamente por isso, Sam. Por eu amar tanto ela e só querer o bem dela, só querer que ela não tenha a vida que minha mãe e meu pai levaram, pra garantir que se tivéssemos filhos no futuro eles não crescessem traumatizados. Eu quero dar fim a esse circulo vicioso, não deveria ter deixado as coisas irem tão longe.

– Por que você não tenta? Só uma tentativa. Da uma chance pra ela te mostrar que pode ser diferente.



– Eu não posso.



– Claro que pode, tanto pode quanto eu sei que quer.

Eles ficaram parados em silencio, até que Santana retomou o rumo de seu quarto.



– O que você vai fazer? – Sam indagou sem saber se a amiga havia mudado de ideia.



– Fazer do jeito certo. – Ela respondeu.



No dia seguinte Santana saiu de casa cedo para evitar encontrar com Brittany nas dependências do prédio, ainda mais no elevador.



Mas parece que Brittany havia tido o mesmo pensamento que ela.



A porta se abriu e lá estava ela, com uma aparência abatida e cansada, aparentemente checando algo em seu celular, mas quando a porta se abriu ela levantou a cabeça e viu Santana. Parecia que seu coração havia parado de bater, ela sentiu um tipo de vazio no peito e na barriga.



– Eu espero o próximo. – Santana falou baixo sem olhar para Brittany.



– Santana,pra que isso? Não é como e fossemos inimigas mortais. Muito pelo contrário... – Esta ultima parte foi dita quase que em um sussurro.



– Eu não... Eu n-



– Vamos lá. Você na pode me evitar para sempre. Moramos no mesmo prédio, estudamos na mesma faculdade, e acho que ainda temos assuntos pendentes a tratar. Se não dividirmos o elevador hoje, será qualquer outro dia.



– Ok... – Santana concordou entrando e ficando de lado da loira. – Como você está?



– Eu deveria ignorar essa pergunta e simplesmente não responder já que você sabe a resposta. – O elevador parou no 5° andar.



– Eu não sei a resposta, e é por isso que eu estou te perguntando.



– Ok, então ai vai sua resposta. – Brittany se virou para encarar Santana – Arrasada, despedaçada, triste, inconsolável, parece que a cada minuto meu coração se desfaz em pedaços e depois volta pro lugar pra se desfazer outra vez, e isso não acontece uma nem duas vezes. Acontece toda vez que eu vejo alguma coisa me lembra de você, acontece toda vez que eu ouço teu nome. Respondi?!



Santana apenas observou a aflição de Brittany e as lágrimas surgirem em seus olhos azuis. Antes que ela pudesse se conter, ela se jogou contra Britt, atingindo seus lábios, elas se beijaram como se estivessem longe uma da outra há meses, há anos.



Quando se separaram tinham a respiração descompassada e corações batendo mais forte do que elas poderia se lembrar agora. Elas ficaram ali, apenas respirando o mesmo ar, até que Santana falou:



– Eu não sei o que fazer...



– Fica comigo.



– Eu te amo demais pra te fazer correr o risco de repetir tudo outra vez.



– Me deixa correr esse risco, eu preciso de você.



– Eu também preciso de você, mas eu não posso.



– Você não pode me proteger se isso é o que eu quero. Você não pode simplesmente me deixar.



– E- Eu não sei o que fazer, tudo isso esta me deixando louca.



– Me deixa te ajudar, o Sam me contou o porquê de tudo isso... Nós nunca vamos cometer os mesmo erros dos seus pais, mas pra que isso aconteça você tem que dar uma chance pra gente.



Parecia que o destino queria que elas se encontrassem no elevador e que ninguém, ninguém mesmo atrapalhasse este momento, tanto é que nesse espaço de tempo nenhuma pessoa entrou no elevador. Mas o elevador finalmente chegara ao térreo e elas tinham que sair, afinal elas tinham suas obrigações e deveres a serem cumpridos.



– A gente tem muito o que conversar. – Santana falou se afastando um pouco para olhar para Brittany.



– Muito mesmo. – Brittany respondeu acariciando a bochecha da morena.



– A gente se vê mais tarde então?



– Claro, onde?

– Seu apartamento? Pode ser?



– Eu vou te esperar então.

Brittany terminou de falar e ia se virar para sair, mas sentiu um puxão em seu braço e se voltou novamente para Santana. A morena ficou na ponta dos pés para compensar a diferença na altura e juntou os lábios aos de Brittany, foi um beijo lento, lento o bastante para que deixasse bem claro o amor que ela sentia pela loira. Quando se separaram Santana passou os braços ao redor do pescoço de Brittany e a segurou firme, Brittany por sua vez passou os braços na cintura da morena e a puxou mais para perto.

– Eu te amo muito. – Santana disse no ouvido de Brittany.

– Eu também te amo, muito, muito mesmo. Mas acho que a gente precisa ir agora.

– Só mais um pouco, eu senti sua falta.



– Eu também.

Ficaram ali por mais cinco minutos até que Santana decidiu que finalmente era hora de ir, elas se despediram com leves sorrisos e com a esperança de que o que viria mais tarde teria um sentido bom, e que tudo se acertaria.



Notas finais
Então?