I Will Love You For Eternity
57 I miss you!
Estava voltando para casa, quando vi uma cena incomum. Incomum para mim. Um garoto estava sentado numa calçada do outro lado da rua. Ele estava com o cabelo bagunçado e todos os seus livros estavam espalhados pelo chão. Eu me aproximei e ele levantou a cabeça.
— O que aconteceu com você? – Perguntei enquanto o encarava
— Eu nem te conheço, então eu realmente não tenho a necessidade de contar. – Ele falou e eu ri
— Por que as pessoas são tão grosseiras aqui? – Perguntei e ele deu de ombros
— Convivência com idiotas. Bem, acho que dá nisso. – Ele falou enquanto se levantava
— Por que você está jogado numa calçada? – Perguntei e ele suspirou
— Pessoas idiotas gostam de irritar pessoas normais. – Ele falou e parou de falar por um tempo – Principalmente quando a pessoa normal sou eu.
— Por quê? – Perguntei e ele suspirou novamente, enquanto caminhávamos pelas ruas do Rio de Janeiro
— Porque são idiotas. Você não precisa entender os motivos deles, porque eles não tem. – Ele falou e eu assenti
— No caso, quem são as pessoas idiotas?
— Uns caras do colégio. – Ele falou indiferente e desviou o olhar
— Onde você estuda?
— Você é bem curiosa. – Ele falou e eu ri – No mesmo colégio que você. É, eu sei quem você é. “Tendo um professor como você, comecei com todo o azar possível”. Uau, poderia jurar que você ia se encolher e só entregar o celular.
— Eu já cansei de escutar isso. – Eu falei e ele riu
— Você não morava no Brasil, certo? – Ele perguntou e eu assenti – Você tinha que ver a cara da diretora quando foi anunciar que tinha uma britânica chegando. Nossa, ela parecia ter ganhado na loteria, só porque uma estrangeira estava vindo estudar no colégio dela.
— Eu não sou britânica. Nasci no Brasil, mas desde os doze que eu não paro num país só.
— Por que você voltou? Tipo, quem quer sair de Londres para vir para o Brasil? – Ele falou como se fosse algo absurdo e eu gargalhei
— Eu voltei porque eu tenho muita coisa por aqui. Bem, o Brasil não é tão ruim.
— Sim, o Brasil é ruim. Como era sua vida em Londres? Estou interessado nessa sua história confusa. – Ele falou e eu ri
— A mesma coisa que aqui. A diferença é que eu estudava em um internato. Lá era bem... – Parei por um instante e suspirei – Era bem legal.
— Deixa eu adivinhar. – Ele falou com a mão no queixo – Você tinha um namorado lá?
— Eu tenho um namorado lá. – Falei e ele fez uma careta
— Isso é horrível. Mas você gosta dele? – Ele perguntou e eu o olhei confusa
— Se eu namoro com ele, é porque gosto dele, certo?
— Não. Muitas pessoas namoram para não se sentirem só. Se você perguntar para uma dessas pessoas qual foi a primeira vez que eles se beijaram ou algo assim, por exemplo, elas não vão lembrar.
— Estávamos conversando no corredor sobre um garoto, alguns minutos depois de ter apresentado a minha melhor amiga para os meus outros amigos, e então ele me beijou. Isso quer dizer que o amo?
— Não necessariamente, mas já é alguma coisa.
— Eu contei metade da minha vida para você e nem sabemos os nomes um do outro. Sou a Karinna.
— Sou o Diego. – Ele falou e sorriu
[...]
Eu não estava acostumada a ter uma tarde e noite inteira para não fazer absolutamente nada. Era algo estranho para mim. Chloe estava no supermercado com Michelle, e eu estava sozinha. Já eram 17h, e eu já não sabia mais o que fazer. Liguei a televisão e um programa brasileiro estava passando. Eu entendia o que a apresentadora dizia, mas não sabia sobre nada do que ela explicava, então desliguei.
A noite foi chegando e eu resolvi ir até o quarto e tentar dormir, mesmo que parecesse impossível. Ouvi alguns barulhos na sala, mas ignorei. Encarei a janela, tentando imaginar o que estava acontecendo no outro lado do mundo naquele momento. Meus olhos não pesavam e eu não sentia o mínimo sono, mas resolvi ficar ali.
— KARINNA! – Ouvi um grito da Chloe e pulei da cama
Corri até o seu quarto e ela estava toda sorridente. Eu suspirei e me apoiei nos joelhos.
— Você está louca, garota? Eu achei que você estava tendo um infarto. – Ela riu e me chamou com a mão
Eu andei até a escrivaninha onde ela estava, e vi que ela estava no Skype.
— Diga oi, pessoa sumida! – Ela falou e me puxou para a frente da tela
Els, Mack, Zayn, Liam, Louis e Niall estavam disputando um lugar em frente a câmera. Eu ri e acenei para eles.
— Olá! – Falei e eles responderam em uníssono – Ok, pode me soltar, Chloe.
Ela me soltou e eu sentei ao seu lado.
— Como está no Brasil? Aí tem comida gostosa? – Niall perguntou e eu ri
— Você só pensa nisso, garoto? – Mack falou depois de dar um tapa leve na sua cabeça
— Você consegue pensar em outra coisa? – Ele perguntou como se fosse algo absurdo
— Sim, Niall, as comidas são bem gostosas. – Falei e ele sorriu
— Ai, que saudade, me abraça! – Els falou e abraçou a tela do computador, e eu ri, enquanto fazia o mesmo
— Cadê o Harry? – Perguntei e Louis rolou os olhos
— Ele ficou todo nervoso e correu para o banheiro. Acho que ele está vomitando. – Ele falou e eu comecei a rir
— Você não precisava contar isso! O garoto só está nervoso e com saudades. – Els falou para Louis e ele deu de ombros
— Niall, eu adorei aquela mensagem do peixinho! – Chloe falou e ele arregalou os olhos
— Você entendeu? Não acredito! – Niall falou e ela concordou
— Aquilo é genial!
— Não é? – Ele falou e eles riram
Olhei para o resto do pessoal e eles estavam com expressões confusas.
— Ignorem, apenas ignorem. – Falei e Mack olhou para o lado
— Aê! Ele apareceu! – Ela falou e meu coração acelerou
Ah, não me julgue por isso, nos dois dias em que havia estado no Brasil, eu não tinha trocado nem vinte palavras com ele. Harry sentou ao lado de Louis e acenou para nós. Nossa, porque meu coração estava na boca?
— Oi, Chloe. – Ele falou e sorriu – Oi, Ka!
Ka. Ka. Ka. Há quanto tempo ninguém me chamava assim?
— Oi, Harry. – Chloe falou e me cutucou com o cotovelo
— Oi, cachinhos. – Falei e ele sorriu
— Ai, que romântico, estou chorando. – Louis falou e pegou o rosto do Harry – Olha como ele está coradinho!
— Mas você está demais hoje, Louis! – Els falou e o beliscou
— Tudo bem, tudo bem. – Ele falou e ergueu as mãos
— ZAYN! – Gritei e ele levantou as mãos
— KARINNA! – Ele gritou e eu ri – Eu achei que você não ia falar comigo.
Nós continuamos conversando, mas eu não consegui parar de pensar em como o rostinho do Harry estava abatido. Aquilo era horrível.
[...]
Já era tarde da noite e eu ainda não conseguia dormir, mesmo sabendo que tinha que acordar cedo no dia seguinte. Talvez meu pai estivesse certo. Talvez a minha vida estivesse ligada ao Reino Unido. Depois da bomba de realidade que foi rever o Caio daquele jeito, eu já não sabia se havia sido uma boa ideia.
Flashback ON
— Caio? – Perguntei e ele assentiu
— Achei que você gostasse de Londres, sua tia dizia que sua vida era ótima lá. Melhor que aqui, pelo menos. – Ele falou e desviou o olhar, algo que sempre foi uma das suas manias
— Eu amo Londres. Mas eu senti falta de muita coisa do Brasil. – Falei e ele riu
— Sabe o que é estranho? – Ele falou irônico – Você diz ter sentido falta, mas nunca veio aqui nenhuma vez. Não é incrível?
— Eu só tenho quinze anos. Você acha que eu ia poder cruzar o mundo só para vir até aqui? – Falei e senti uma ponta de arrependimento no mesmo minuto
— Realmente, não vale a pena. Não valeria a pena cruzar o mundo para ver quem estava com você durante grande parte da sua vida. – Ele falou e eu senti a mágoa na sua voz
— O quê? Não, não é isso. – Falei e ele riu
— Beleza, para mim não faz a mínima importância. – Ele falou e se levantou – Posso ir embora?
A senhora assentiu e ele saiu em direção a porta.
Flashback OFF
Aquilo foi realmente uma bomba de realidade. Nunca havia passado pela minha cabeça voltar ao Brasil, nem para uma visita. Eu só me importava em me sair bem nos estudos, mudar de país e continuar sem amigos. Era a rotina. Me senti mal por tudo que havia feito nos últimos três anos, no egoísmo que havia passado despercebido.
Ouvi umas batidas na porta do quarto e minha tia entrou.
— Ei, como foi o seu primeiro dia? – Ela perguntou e eu suspirei
Eu pensei em contar sobre tudo, sobre o Caio, sobre a mensagem do Harry, sobre a chamada no Skype, sobre o Diego.
— Normal, eu acho. – Falei por fim e ele sorriu
— Você está com saudades, né? – Ela perguntou e eu assenti – Tudo bem, querida, você pode me contar.
— Eu sinto falta de tudo lá. Até mesmo de ter aula o dia inteiro. Os meus amigos, minha rotina, minhas aulas, por mais que isso seja estranho, e o Harry. Eu sinto a falta dele.
— Você já falou com ele? – Ela perguntou e eu concordei
— Está um clima estranho. É difícil saber que ele está tão longe de mim. – Falei e abracei uma almofada
— Sinto muito, querida. Se apaixonar é uma droga. – Ela falou e eu assenti – Mas deixe a maré baixar, você já pensou pelo lado dele? Você simplesmente chegou e disse que ia embora. Ele nem teve tempo para assimilar a ideia.
Eu a encarei por um tempo e ela sorriu acolhedora.
— Não é fácil para mim. Eu nunca passei mais que um dia longe desde que o conheci. – Falei e ela suspirou
— Esse garoto, como ele é? – Ela perguntou interessada, tentando amenizar o clima triste
— Ele é tão... – Falei e abracei a almofada mais apertado – Carinhoso e compreensivo. Eu nem sei como consegui...
Fui interrompida por um rio de lágrimas que estavam presas a muito tempo. Ela me abraçou e eu não conseguia me sentir melhor.
— Eu odeio dizer isso, mas você tem que se acostumar. Ele está há milhares de quilômetros, e só tem o quê? Dezesseis anos? – Ela perguntou e eu assenti – Bem, só é o segundo dia longe e você já está tão mal. Eu não queria ter que dizer isso, mas você não irá vê-lo por muito tempo. Precisa começar a aceitar a ideia. Sinto muito.
Ela me deu um beijo na testa e saiu do quarto. Senti o meu celular tocando ao meu lado e o peguei, atendendo mesmo sem saber quem era.
Ligação ON
— Olá. – Falei com a voz embargada
— Você está chorando? Está tudo bem? – Uma voz conhecida falou, e foi como se meu corpo se aquecesse ao ouvir aquilo
Tirei o celular do ouvido e olhei para a tela. Exatamente que eu imaginei.
— Sim, eu estou bem. – Falei com a voz firme
— Eu sei que você não está bem.
— Eu não quero. Não quero estar aqui, não quero estar tão longe, não quero sentir tanta falta assim. – Falei de uma vez e o ouvi suspirar
— Eu não quero me acostumar com isso. Você poderia estar aqui amanhã. Ou depois. Mas não vai.
— Poderia ser mais fácil. – Eu falei e ele riu fraco
— Você parecia bem, mais cedo. Isso até me surpreendeu.
— Por fora eu estou a mesma. Só continuo desmoronando por dentro. A cada minuto.
— Eu sinto tanto a sua falta, e ainda estamos no segundo dia. Eu ainda não acredito.
Eu abracei a almofada e fiquei calada por algum tempo.
— Eu sinto falta da sua voz, do seu sorriso, do seu abraço. Eu te amo tanto que estou dizendo algo que não diria a ninguém.
— Pela tradição, você deveria ser a sentimental, mas sou eu que estou chorando aqui. — Ele falou e eu ri fraco
— Eu definitivamente não estou diferente.
— Como foi o seu dia? — Ele perguntou tentando mudar de assunto
— Mais surpreendente do que imaginei. Como assim nós acordamos às seis da manhã? – Perguntei e ele soltou uma risada
— Isso é errado. Você nunca está pronto para ouvir tantas teorias antes das oito da manhã!
— Mas isso é exatamente o que eu pensei! – Eu falei, e ele riu
— Só não me diga que você brigou com um cara no meio da aula, foi expulsa da aula e descobriu que ia ter que suportá-lo o dia inteiro!
— Quase isso... Eu encontrei aquele garoto. Sabe, aquele dos sonhos. Ele meio que é um delinquente juvenil agora.
— Eu percebi que você tem amizades estranhas. – Ele falou e eu ri – Mais alguma coisa sobre o seu primeiro dia surpreendente no Brasil?
— Conheci um garoto legal quando estava voltando para casa.
— Qual o seu problema em fazer amizades femininas? — Ele perguntou e eu gargalhei
— Eu não sei. Tenho que desligar, aqui já é bem tarde.
— Tudo bem. Eu te amo. Demais.
— Eu também te amo. Demais.
Ligação OFF
Continuei encarando a janela, como antes, até que senti meus olhos pesando.
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