Haviam se passados três meses. Três meses desde que tinha o visto pela última vez. Três meses desde que tinha olhado seus olhos verdes que eu tanto amava. Três meses sem alguém tão essencial.

O tempo havia passado tão lentamente, e eu finalmente tinha terminado o ano letivo. Tinha conhecido pessoas do meu passado que eu nem lembrava direito. Tinha sorrido para todas elas numa forma de mostrar que eu estava bem, que estava feliz.

Mas não, eu não estava. Às vezes eu estava me sentindo melhor, e então recebia uma ligação. E tudo aquilo parecia uma mentira. Eu não queria estar onde estava. Eu só suportava tudo aquilo, porque no fundo, não era tão ruim. Eu tinha o melhor amigo que alguém poderia ter, a minha melhor amiga estava ali, e isso era bom.

Eu mantinha contato com todos os britânicos, e eu agradecia por isso. Eram ligações diárias, mas eram as dele que eu esperava o dia inteiro. E o dia parecia incompleto se eu não escutasse o seu “boa noite”.

Nós poderíamos ter nos afastado. Ter nos afastado como a velha senhora e o seu namorado. Mas não. Ainda éramos os mesmos. Os mesmos jovens apaixonados. E eu agradecia muito por isso.

Eu estava escrevendo coisas sem sentido no caderno, quando ouvi o aleatório acertou a música.

I used to wanna be

Living like there's only me

But now I spend my time

Thinking 'bout a way to get you off my mind

(Yeah, you)

Eu cantarolei os primeiros versos da música que eu mais escutava durante as semanas anteriores. Ela deveria ser a música para me deixar para baixo, mas ela só me trazia as lembranças de bons momentos.

I used to be so tough

Never really gave enough

And then you caught my eye

Giving me the feeling of a lightning strike

(Yeah, you)

E faria sentido se tudo aquilo tivesse sido só um teste. Se todo aquele tempo separado fosse só o destino. Talvez tentando provar o que sentíamos um pelo outro. E agora eu não tinha uma única dúvida.

Look at me now, I'm falling

I can't even talk, still stuttering

This ground of mine keeps shaking

Oh, oh, oh, now

All I wanna be

Yeah, all I ever wanna be, yeah, yeah

Is somebody to you

All I wanna be

Yeah, all I ever wanna be, yeah, yeah

Is somebody to you

Aquilo era tão surreal. De uma hora para a outra, meu melhor amigo virou meu namorado. Eu não tinha a mínima ideia de que isso chegaria a tão longe, mas eu estava ali, pedindo para que tivessemos mais uma chance de nos olhar novamente e ver como nada havia mudado.

Everybody's tryna be a billionaire

But every time I look at you I just don't care

'Cause all I wanna be

Yeah, all I ever wanna be, yeah, yeah

Is somebody to you

(Yeah, you)

Ouvi alguém batendo na porta do quarto e desliguei a música.

— Está aberta. – Falei e minha tia entrou com um sorriso no rosto

— Está tudo bem? – Ela perguntou e eu assenti – Você vai lá?

Eu a olhei confusa e ela apontou para o meu caderno, onde eu havia desenhado a bandeira da Inglaterra, mesmo sem perceber.

— Eu não sei. Não quero ir lá e me sentir pior do que já estou quando voltar.

— Você sabe que não recebeu um presente de natal, certo? – Ela perguntou reprimindo um sorriso

— Ahn...acho que não. – Falei e ela sorriu

Quando ela estendeu um papel para mim, eu não sabia exatamente o que sentir.

— Quem disse que você precisa voltar, querida? – Ela perguntou e deu uma piscadela

Eu paralisei no mesmo momento e me enrolei com minhas próprias palavras.

— O quê? – Eu falei depois de um tempo e ela assentiu

— Só não esqueça de me visitar durante as férias! – Ela falou e eu a abracei

— Eu... – Comecei a falar, mas ela me interrompeu

— Não precisa dizer nada, só vá lá e dê as boas notícias.

[...]

Já haviam se passado duas horas desde que havia recebido a notícia e não conseguia acreditar que era verdade. Ouvi meu celular tocando e olhei para a sua tela. Atendi com uma pontada de culpa.

Ligação ON

— Não diz nada, eu só estou avisando que estou indo aí.

— Diego, você...

— Não diz nada, garota, eu quase desmaiei umas três vezes, estou indo.

— Diego...

Ligação OFF

Ele desligou na minha cara. Ok, eu estava ficando nervosa. Eu estava preparada para contá-lo, mas isso havia estragado todos os meus planos. Ouvi alguém batendo na porta da casa e corri para atender. Um garoto loiro eufórico entrou na casa e eu o olhei confusa.

— Você está bem? – Eu perguntei e ele respirou fundo

— Não, acho que não.

— Olha, eu também tenho algo para te contar, mas você pode me contar antes. – Falei e ele assentiu

— Espera, vamos falar ao mesmo tempo, eu sempre quis fazer isso. – Ele falou e eu ri – Tudo bem, no três...

Ele contou até três e eu suspirei.

— EU VOU MORAR EM MANCHESTER!

— Eu vou morar em Londres!

Nós falamos juntos e arregalamos os olhos.

— Londres?

— Manchester?

Nós perguntamos juntos novamente, e isso só tornava o momento mais estranho.

— Como assim você vai morar em Manchester? – Perguntei e ele sorriu

— Eu passei na prova de uma faculdade! Caraca, eu vou morar na Inglaterra! – Ele falou e começou a respirar e inspirar – Mas, como assim você vai morar em Londres?

— Minha tia chegou e me deu uma passagem para Londres, simples assim. – Eu falei e ele arregalou os olhos

— Então isso quer dizer que não vamos nos separar? – Ele falou e eu assenti – Que droga!

Ele falou e escondeu o rosto nas mãos, em forma de frustração. Eu o abracei e ouvi sua risada.

— Quando você vai? – Perguntei e ele sorriu

— Depois de amanhã, e você? – Ele perguntou

— Dia 31.

— Você vai viajar no dia de ano novo? – Ele perguntou e eu assenti – Isso deve ser terrível.

— Eu não me importo, eu só quero ver aqueles olhos...

— Ah, não, cansei desse papo do Henrique, eu já sei que ele é lindo, legal, gentil e etc. – Ele falou e eu ri

Alguns dias depois...

Eu estava sentada naquelas cadeiras gélidas, e o nervosismo estava tomando o meu corpo. Não conseguia parar quieta por dois segundos. Ouvi uma chamada nos auto-falantes e suspirei

— ÚLTIMA CHAMADA PARA O VOO 650, COM DESTINO: LONDRES!

Eu olhei para Chloe, que havia decidido nos dias anteriores que iria voltar as terras europeias, e ela parecia tão nervosa quanto eu. Olhei para a Michelle, e ela parecia feliz em nos ver assim. Ela sabia que era isso o que queríamos. Nos despedimos e ouvi alguém gritando o meu nome. Olhei para trás, e um garoto ruivo estava lá, com um sorriso no rosto. Por um momento, eu não acreditei, mas então ele me abraçou, e eu me senti bem com aquilo.

— Me desculpa. – Ele sussurrou e eu simplemente não sabia o que dizer – Me desculpa por ter te tratado tão mal, só quando me disseram que você ia embora, eu percebi o quanto me fez falta. E agora eu estou aqui, desesperado, como da última vez.

Eu o soltei e sorri. Pela primeira vez em tanto tempo, eu estava falando com o Caio. Mas não o Caio rebelde, e sim o Caio, meu melhor amigo.

— Eu te amo, muito. – Falei e ele sorriu, logo depois sussurrando um “também”

Ele acenou e nós entramos no avião. Sentei em uma das poltronas que ficavam ao lado da janela.

— Uau, isso foi a coisa mais estranha que eu já vi. – Chloe falou e eu sorriu

— Não foi para mim. – Falei e suspirei – Eu posso ter sido uma idiota ao dizer que não o conhecia bem.

Peguei o celular, botei os fones e pus uma música calma. Enviei uma mensagem para Harry, que respondeu alguns segundos depois.

“Onde vai passar o Ano Novo? Xx Karinna”

“Numa praia aqui perto, todos vão lá. Por quê? Xx Harry”

“Nada. Xx Karinna”

Desliguei o celular e tentei dormir, e, para a minha surpresa, consegui.

[...]

— Ei, ei, ei, ei,ei – Alguém me cutucava e repetia a mesma palavra

Abri os olhos devagar e vi que Chloe me encarava eufórica. Ela começou a dar pulinhos discretos e eu a segurei pelos os ombros.

— Estamos em Londres, Karinna! – Ela falou e eu sorri

— Eu não acredito! – Falei e me levantei o mais rápido possível

Nós pegamos nossas malas e pedimos um táxi no portão de desembarque. Nós estávamos totalmente nervosas e eu sentia várias borboletas furiosas voando pelo meu estômago. Chloe apertou minha mão e eu sorri.

— Eu sabia, sabia que isso iria acontecer. – Ela falou e eu a olhei confusa

— O quê?

— Nós, aqui. Sabe, talvez fosse só um desfecho para a sua história brasileira. – Ela falou e apontou para as ruas de Londres – E um começo para a sua história britânica. Você é uma brasitânica!

Eu gargalhei e ela me acompanhou, e eu sabia que estava no lugar certo.

O táxi estacionou e eu senti as borboletas atacando novamente. Descemos do carro e eu passei pela entrada do prédio. O recepcionista me olhava com uma expressão de espanto, e eu só sorri. Pegamos o elevador e saímos no nono andar.

— Você sabe que eu mal conheço esse garoto, né? – Chloe falou e eu assenti

Nós entramos no último apartamento e vi uma garota loira sentada no sofá.

— Que irresponsabilidade! Não viram que a porta estava aberta? Alguém poderia assaltar o apartamento! – Falei e ela me olhou surpresa

Eu sorri e ela correu em minha direção. Jenna estava completamente igual a última vez em que a vi. Ela me abraçou e eu soltei a mochila que estava nas costas.

— O que você está fazendo aqui? – Ela perguntou incrédula

— Eu estou de volta, Nena. – Enfatizei o apelido e ela sorriu

Ouvi o som de uma porta sendo batida. Um garoto moreno saiu do último quarto, arrumando sua camiseta branca e resmungando. Típico.

— Quem é que... – Ele começou, mas se calou quando me viu

Eu o olhei por alguns segundos e o abracei. Ele poderia ser o cara mais chato do universo, mas sabia ser legal quando queria, e eu sentia a sua falta.

— Você está de volta, good girl. – Ele falou e eu sorri – Isso foi previsível.

[...]

Nós estávamos no carro da Jenna, conversando sobre como estávamos atrasados. Faltavam dez minutos para a meia-noite, e eu não poderia perder a contagem regressiva. Nós chegamos na praia que Harry havia falado. Ela estava totalmente iluminada e decorada. Avsitei um grupo de pessoas num canto e fui até lá. Eles não notaram minha presença, até que bati palmas.

— Oi, tem espaço aqui? – Perguntei e eles me olharam com os olhos arregalados

Todos começarama gritar e me abraçar, e eu só ria daquilo.

— Catarina, que saudade de você! – Louis falou e eu ri

Eu o abracei por segundos, ou até minutos. Eu sentia falta daquele garoto irritante. Todos nos cumprimentamos (a)normalmente. Faltavam dois minutos. Olhei para Els e ela sorriu

— Ele está ali. – Ela falou e apontou para um lugar deserto da praia

Agradeci e corri o mais rápido que pude com aqueles saltos infernais. Vi o garoto de cabelo cacheado olhando para o mar, sozinho, como se aquilo não fosse tão legal para ele como era para os outro, e o meu coração acelerou. A contagem regressiva estava começando.

10...

9...

8...

7...

6...

5...

4...

3...

2...

1!

A cada segundo, eu havia dado uma passo e ficado mais próxima do que eu mais sentia falta. Tapei seus olhos e sussurrei algo em seu ouvido.

Feliz ano novo, amor.

Notas finais
Entãooooooo, esse é o último capítulo da fanfic! Sério, eu queria muito agradecer a todos que leram, favoritaram e comentaram a história, isso foi muito legal mesmo, e eu amoooooooo vocês! Eu não sei bem se esse final foi fofo ou destruidor, eu mesma estou na dúvida. Eu vou sentir muitaaaa falta da fic e dos personagens, e do casalzinho que marcou minha life de fanfics, mas tudo bem, eles terminaram juntos, entãooo...Acho que eu me empolgo muito com essa história porque eu me apaixonei por ela, e eu nem imaginava que isso ia acontecer, mas o mundo dá voltas (créditos: indiretas do facebook). Eu lembro de que quando comecei a escrever alguns rascunhos, eu não tinha a mínima intenção de postar ou algo assim, mas graças a minha miga Letícia (vulgo Cupcake Azul), eu criei coragem e não me arrependo. Enfim, isso tá parecendo aqueles agradecimentos daqueles livros de 928402944 páginas, mas eu precisava mesmo fazer isso, então: OBRIGADA!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.