Você só pode estar brincando! – Falei levantando e o encarando

– Eu tentei, de verdade. Eu tenho que cumprir ordens, é o meu trabalho. – Ele falou com pena

– E a minha felicidade? E a sua felicidade? – Perguntei indignada

– Eu estou bem, e você vai fazer novos amigos.

– Você sabe que não vou. Eu nunca faço, e agora que dei sorte, você vai estragar. De novo! E os meus amigos? E o meu namorado?

– Você consegue outro.

– Você está se ouvindo? Eu o amo, não posso simplesmente conseguir outro! Você não disse que ia casar? Como?

– Ela também foi transferida. Quero começar uma vida nova, nós três.

– Mas eu não quero. Minha vida está ótima agora, e eu não quero estragar. – Falei desabando no sofá

– Você precisa me entender.

– Não, você precisa me entender! Eu não quero deixar meus amigos, não quero deixar meu namorado, não quero deixar o internato, não quero deixar Londres! – Falei triste

– Eu vou tentar resolver isso, eu prometo. – Ele me abraçou

– Eu tenho que ir. – Falei levantando e enxugando o rosto, que já estava encharcado

Ele sorriu triste, e eu o abracei. Sai da casa, sabendo que estava o magoando, mas eu também estava magoada.

[...]

Faziam algumas horas que eu havia chegado em casa, e estava sozinha. A casa estava vazia, e o clima combinava com o meu: triste, angustiado. Harry me ligou algumas vezes, mas eu rejeitava as ligações. Ouvi alguém batendo na porta, e eu sabia quem era. Desci desanimada e atendi a porta. Ele estava com o celular na mão, e todo coberto, pois o dia estava frio. Eu o abracei forte, e ele retribuiu. Eu o soltei e ele me encarou triste.

– Você não tem boas notícias, né?

– Não. – Falei baixo

Ele me abraçou e eu senti meu coração quebrando em milhões de pedaços. Eu sentei no sofá e ele fez o mesmo.

– O que aconteceu? – Ele perguntou

Contei tudo o que tinha acontecido, e ele estava de cabeça baixa.

– Ele disse que tentaria dar um jeito, vamos esperar. – Ele falou me encarando

– Não conte a ninguém, nem mesmo a Els.

– Por que não?

– Eles não precisam saber disso agora, ele pode dar um jeito. Eu tenho que confiar.

– Tudo bem. Eu amo você. – Ele me beijou

– Eu te amo.

[...]

Acordei com o meu celular tocando, e vi que era uma ligação do meu pai. Atendi ainda sonolenta, e não prestei muita atenção no que ele disse, só sabia que ele tinha me pedido para ir até a sua casa. Tomei um banho curto e vesti uma roupa (1). Sai antes que Julie e Laura notassem, pois nenhuma delas ainda sabia sobre a mudança.

A porta da casa estava aberta, e eu vi meu pai com uma mulher, a tal Caroline. Bati na porta, e eles me olharam. Meu pai sorriu e Caroline fez o mesmo. Eu entrei devagar, sem tirar os olhos da mulher.

– Karinna, quero que conheça minha noiva, Caroline. – Ele falou a apresentando

– É um prazer conhecê-la! – Ela falou simpática.

– O prazer é todo meu. – Falei sorrindo

O tempo foi passando, e Caroline teve que ir embora. Ficamos eu e meu pai dentro da casa, encarando um ao outro.

– A quem você contou sobre Portugal? – Ele perguntou quebrando o silêncio

– Harry. – Falei seca, mas logo vi que ele não sabia quem era Harry – Meu namorado.

– Que bom, seria horrível ter que desmentir a história várias e várias vezes.

Eu o olhei confusa e ele continuou.

– Sabe, a Caroline tem dois filhos, um garoto da sua idade, e uma menina de dezoito. Também não querem sair de Londres, então a minha noiva comprou um apartamento para os dois. Ela ficou preocupada quando soube que você não tinha aceitado a proposta muito bem, e perguntou se não queria dividir o apartamento.

– Você está brincando? – Falei sorrindo

– Não, não mesmo. O que você acha?

– O que eu acho? Meu Deus, eu não acredito! – Falei o abraçando

– Ok, agora vai lá, e dê as boas notícias ao Harold.

– Harry, pai. – Falei rolando os olhos e rindo

– Tanto faz.

[...]

– Você vai dividir o apartamento com um garoto? – Harry perguntou desconfiado

– Você prefere que eu vá para Portugal?

– NÃO! Está ótimo assim. – Ele falou me abraçando – Você sabe, pelo menos, o nome deles?

– Só o da menina, Jenna. Meu pai disse que o garoto estuda no nosso internato, mas não conhecia pessoalmente. Isso não ajudou muito, aquele internato tem uns 600 alunos.

– Por falar em internato, nossas aulas começam daqui há quatro dias. Não estou nada ansioso. – Falou bufando

– Nem eu. Vai ser tudo tão corrido. Eu vou me mudar amanhã, meu pai vai sair do país depois de amanhã, e dois dias depois eu já vou voltar para o internato.

– O que importa é que você não vai embora, isso já é ótimo. – Ele falou sorrindo

– Com certeza.

Notas finais
(1) : http://www.polyvore.com/divulgador/set?id=185367181