I Will Love You For Eternity
59 Don't let him go!
Notas iniciais

Ainda eram três da tarde e eu não tinha a menor ideia do que fazer. Um internato deixa alguém hiperativo? Eu acho que sim. Eu estava assistindo Adventure Time e não sabia se ria ou chorava. Harry gostava de Adventure Time. Eu não deveria pensar nisso, mas sempre que o Finn aparecia, eu só queria abraçar o travesseiro e chorar. Tanto pelo meu namorado quanto pelo meu gato. Ele era um bom gato. Por que ele foi embora? Eu queria o meu gato de volta. Meu celular tocou do outro lado do sofá, eu o peguei e atendi.
Ligação ON
— Olá, sra. Gato.
— Por que você sempre adivinha no que eu estou pensando? Eu não sei se quero ser a sra. Gato. – Falei e ele riu
— O que deu em você? Você adorava ser a sra. Gato!
— Eu estava pensando em você e no meu gato. Adventure Time me lembra você e o meu gato! Eu quero você e o meu gato de volta!
— “Você e o meu gato” está ecoando na minha cabeça. Tem certeza que você está bem? – Ele perguntou e soltou uma risadinha
— Não, eu estou com saudades.
— O seu gato está com saudades também, acredite. – Ele falou e riu novamente
— Mas eu não estou falando do gato.
— Do que você está com saudades?
— De você, Hazza. De tudo. Você complica a minha vida.
— Eu? Não tenho culpa se você não me esquece e não para de me ligar toda hora, até quando está no meio da aula de espanhol, cujo idioma você não sabe dizer nem os pronomes.
— Acho que você não está falando de mim.
— Não, não estou.
— Você acha que estamos certos? – Perguntei depois de um tempo
— Sobre?
— Sobre nós. Sobre ainda estarmos juntos. Sobre passar noites pensando em como seria acordar e ver o outro e dizer um “bom dia”. Sobre isso.
— Não sei. Eu realmente não acho que deveríamos continuar com isso, mas eu sou fora de lei e estou aqui, conversando com a minha namorada que está no fim do mundo.
[...]
Eu estava dando uma volta ao redor da cidade, e pensando em como lidar com o fato de que estar perdida na Cidade Maravilhosa era uma droga. Algumas pessoas me olhavam estranho e eu não entendia o porquê. Os brasileiros simplesmente não eram tão acolhedores como antes, ou talvez era o estresse e a preocupação que rolavam no ar. Eu me sentei perto de uma senhora de, mais ou menos, 60 anos e ela sorriu. Eu retribuí e peguei meu celular. Eu o liguei e fiquei observando a tela dele por uns minutos. Era uma foto que tínhamos tirado juntos no último dia em Londres. Eu, Niall, Louis, Zayn, Harry, Liam, Mack, Chloe e Els.
— Eles são seus amigos? – A senhora perguntou e eu assenti – Eles estão longe agora.
Eu a olhei confusa e ela assentiu
— Como sabe? – Perguntei e ela respirou fundo
— Bem, você estava com um olhar tão triste, e eles estão com tantas roupas. Só podem ser gringos ou algo assim.
Eu ri e ela deu de ombros
— Eles estão longe. Bem, bem longe.
— Quem é esse? – Ela falou e apontou para o Harry, que estava me beijando na bochecha
— É o meu namorado. – Ela assentiu sorrindo
— E por que você está tão triste?
— Porque eu sinto que não deveria prendê-lo assim. Ele está na Inglaterra, e eu aqui.
Sim, eu estava abrindo a minha vida para uma desconhecida.
— Eu posso contar algo a você? – Ela perguntou e eu assenti – Sabe, eu tinha um namorado. Ele era tão bonito, bonito como esse rapaz. Ele era carinhoso e muito gentil. Mas nos conhecemos num verão, na Califórnia. Eu estava de viagem, e ele morava lá. Nós vivemos os melhores dias da minha vida, mas o verão acabou. Eu prometi que nos veríamos novamente, mas eu desisti. Desisti como você está querendo desistir. Um ano depois, eu me formei. Eu estava pronta para procurá-lo e viver o meu final feliz. E quando o achei, ele estava noivo. Eu me arrependo tanto disso. Eu só quero dizer que eu estraguei tudo, então não faça isso.
— Eu sinto muito pelo seu namorado. – Falei com cautela e ela sorriu
— Mas isso faz mais de trinta anos, querida. Eu perdi minha chance. Não perca a sua, tudo bem? É um conselho. Você o ama?
— É uma das únicas certezas que eu tenho na vida.
— Então não seja tola. Você vai ver como vai valer a pena.
Eu sorri para ela e suas palavras faziam eco na minha cabeça.
[...]
— Isso foi extremamente estranho, mas ela está certa. Você não pode deixar alguém como o Harry ir embora. Qual é? O garoto poderia subir a Torre Eiffel três vezes só para ver você abrir um sorrisinho. – Chloe falou e eu ri
— Que tipo de comparação é essa? – Perguntei e ela deu de ombros
— Não sei, foi a primeira coisa que veio na minha cabeça. Karinna, você está terminando o ensino médio, pode voltar para sua Londres e viver uma história super romântica. Só não estrague tudo.
— Eu não vou. Eu só não sei se é legal estar o prendendo assim. Ele poderia estar feliz, com uma namorada nova, que morasse perto dele.
— Isso é besteira. Ele está feliz. Quer dizer, claro, não totalmente, mas ele gosta de você, então não dê uma de Niall e faça isso com o seu namoradinho apaixonado.
— Talvez eu tenha cometido um erro. – Falei e ela ergueu as sobrancelhas – Eu estou pensando em voltar, sabe? Talvez hoje, talvez amanhã ou ainda nessa semana. Eu não consigo mais, esse não é o meu lugar.
— NÃO! Agora não. Você tem falado com o Harry? – Ela perguntou com um olhar suspeito
— Sim. – Falei e suspirei – É tão ruim não poder abraçá-lo. Há tantas desvantagens em se apaixonar por alguém.
— Não, isso depende de você.
— Não, não depende. É ruim saber que se algo de ruim acontecer comigo, ele não vai vir correndo e dizer que está comigo, e que está tudo bem. E eu não tenho como fazer isso também. Eu gostava de ouvir a risada dele, e não é a mesma coisa pelo celular. É tão diferente e ruim.
— É o máximo. Você sabe... ele tem dezesseis anos, não pode cruzar o mundo assim, do nada. – Ela falou e segurou uma risadinha
— O que você está aprontando? – Perguntei e ela deu de ombros
— Seu aniversário é amanhã, certo? – Ela perguntou e eu assenti – Você deve querer passar o seu aniversário com o seu namorado. Isso deve ser terrível.
— Muito, muito, muito. – Falei repetidamente e ela me abraçou
— Nada é impossível. Um milagre de aniversário, que tal?
— Quê? – Perguntei me interessando
— Nada, foi só um pensamento. Eu te vejo amanhã, já está tarde.
Eu acenei e ela saiu do quarto. Aquilo era estranho, eu nunca tinha a visto tão animada com algo. Um turbilhão de pensamentos, e eu não queria me iludir com nenhum. Peguei o celular e Louis havia mandado um vídeo por mensagem. Olhei para o canto superior direito da tela e vi que já eram 0h. Eu tinha oficialmente dezesseis anos. No que isso influenciava? Isso mesmo, em nada.
Abri a mensagem e sorri instantaneamente
— HAPPY BIRTHDAY TO YOU, HAPPY BIRTHDAY TO YOU, HAPPY BIRTHDAY DEAR KARINNA, HAPPY BIRTHDAY TO YOU! – Els e Mack cantaram enquanto Louis, Niall e Liam batiam palmas
— FELIZ ANIVERSÁRIO, YAY! – Eles gritaram juntos e o vídeo acabou
Eu não sabia por quanto tempo havia assistido aquele vídeo, mas não era pouco. Algumas lágrimas escorriam pelo meu rosto. Eu deixei o celular ao meu lado e tentei dormir, mas parecia impossível.
Milagre de aniversário?
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