I Will Be Your Protector
4 You Make My Heart Burn
Notas iniciais
"Ainda estava pensando o por que do Chris não ter ido hoje ao lago, ele parecia animado com a ideia de patinar. Ou talvez só eu estivesse tão animado. Tentei esquecer isso e dormir, amanhã teria trabalho a fazer."
-Alex POV-
Acordei as sete e meia com o meu despertador tocando, me sentei na cama e esfreguei os olhos, não havia dormido bem, pensei em Chris a noite toda, era surreal o efeito que aquele garoto tinha sobre mim. Me levantei e fui até o benheiro, fiz minha higiêne e voltei para o meu quarto. Quando ia começar a me vestir percebi uma coisa.
— Eu nem sei que tipo de pessoa vou fotografar... — Realmente, a mulher ao telefone não havia me dito nada sobre a pessoa. "Queria te contratar pra tirar fotos do meu filho pro aniversário dele". — Só sei que é um garoto porque ela disse ser seu filho.
Esqueci logo disso e voltei a me vestir, coloquei uma blusa azul marinho com listras pretas, calça jeans skinny preta, coturnos e casaco preto, peguei minha mochila e fui para a cozinha, como não estava com fome, tomei apenas uma xícara de café.
Abri minha agenda para rever o endereço que deveria ir, e quando vi o nome da rua fiquei surpreso.
— Essa rua fica praticamente atrás da minha, nem vou precisar pegar ônibus! — Falei enquanto pegava minhas chaves, celular e carteira pra sair de casa. Fui andando calmamente pela rua, pois ainda era bem cedo, agora eu ficava tentando imaginar que tipo de pessoa iria fotografar. Por algum motivo eu estava bem ansioso.
-Chris POV-
— Chris...filho...levante-se. O fotógrafo vem aqui hoje. — Disse minha mãe enquanto tocava levemente meu ombro.
— Ahn...ah é claro...eu já vou. — Respondi me sentando na cama.
Minha mãe me deu um beijo na testa e saiu do quarto cantarolando uma música que eu não identifiquei. Me levantei e fui até o banheiro que ficava no meu quarto. Tomei um banho rápido e fiz minha higiêne pessoal. Então tive que decidir o que vestir, coloquei uma camiseta do The Used, uma das minhas bandas preferidas, uma calça jeans preta, casaco preto e all star.
Desci as escadas e encontrei meus pais na mesa de jantar, me sentei para tomar café da manhã com eles.
— Awn filho, você está tão lindo. — Disse minha mãe com um grande sorriso.
— Puxa...obrigado mãe. — Respondi meio envergonhado, eu realmente não sabia receber elogios.
— O fotógrafo vai chegar em alguns minutos, então tome seu café. — Falou meu pai afagando meus cabelos.
Meus pais sempre trabalharam muito, tendo assim pouco tempo pra ficar comigo, mas eu não podia reclamar, eles sempre foram muito compreensivos e carinhosos comigo.
Depois de tomar café, subi pro meu quarto pra terminar de me arrumar.
-Alex POV-
Quando cheguei no endereço que a mulher havia me passado, fiquei observando a fachada da casa. Ela tinha dois andares, havia um pequeno jardim a frente da casa e um carro parado lá. Bati na porta e uma mulher com cabelos castanhos na altura dos obros veio atender.
— Olá! Você deve ser o fotógrafo não é? — Ela perguntou animada.
— Sim, sou eu mesmo. Então quando posso começar?
— Meu filho está lá em cima, ele está acabando de se arrumar. — Nessa hora ela olhou para o relógio do celular. — Aw eu e meu marido estamos meio atrazados para o trabalho. Você se importa de entrar e esperar sozinho pelo meu filho.
— Não, sem problemas. — Respondi sorrindo. A moça me deixou entrar e foi pro segundo andar, voltou alguns minutos depois com uma bolsa e chaves do carro em mãos. Ela já ia saindo quando seu marido se virou pra dizer algo para mim.
— Meu filho já vai descer, ele costuma demorar pra se arrumar. — Ele deu um risinho e prosseguiu. — Fique avontade, e não tenha pressa pra tirar essas fotos. Até mais tarde.
— Tudo bem, até mais. — Falei rindo um pouco. Depois os dois sairam e pude analizar o primeiro piso da casa. Logo na entrada havia a sala de visitas do lado direito, e do lado esquerdo uma porta que deveria ser do banheiro e as escadas. Na frente da sala de visitas havia a sala de jantar sem parede alguma separando esses dois comodos, e ao lado desta havia a cozinha e a área de serviço.
De repente ouvi um barulho vindo das escadas, deveria ser o garoto. Me levantei para espera-lo descer, mas tive uma enorme surpresa assim que o vi.
— Alex!? Você é o f-fotógrafo? — Ele disse surpreso e um pouco corado.
Eu nunca imaginei que o tal aniversáriante era o Chris! E puxa...ele estáva muito bonito, mais ainda do que eu me lembrava.
— Eu não sei o que dizer. — Falei corando um pouco também. — Achei que nunca mais fosse te ver.
— É eu t-também não. — Ele falou se aproximando de mim. — Você ainda...ainda vai me ensinar a patinar, não vai?
— É claro que vou, como eu poderia não te ajudar?. — Falei afagando seus cabelos, o fazendo corar mais.
— Que ótimo...bom...vamos tirar logo essas fotos?. — Ele disse enquanto pegava as chaves da casa na mesinha da sala.
— Vamos, é claro que vamos. — Peguei minha mochila que estava no sofá e o segui até o lado de fora da casa. — Sua mãe disse que eu poderia tirar as fotos no parque...tudo bem pra você?
— Claro! Sem problemas. — Respondeu trancando a casa.
Como o parque era perto da casa, nós fomos andando até lá. Estávamos na metade do caminho quando Chris finalmente falou alguma coisa.
— Eu achei que não fosse mais te ver...achei que estava bravo comigo por não ter ido no lago aquele dia.
— Eu também pensei que não fosse mais te ver, e eu nunca ficaria bravo com você por isso, acho que você teve seus motivos pra não ir certo? — Falei olhando em seus olhos.
— Sim, a minha mãe quis sair comigo, eu não queria deixa-la triste. A propósito, ela me deu um par de patins ontem! — Ele disse todo sorridente.
— Isso é ótimo, vou poder te ensinar a patinar o mais rápido possível. — Falei animado.
— Mal posso esperar pra aprender.
— E eu mal posso esperar pra te ensinar. — Me arrependi na hora por dizer isso. Mas acho que ele não se importou pois continuou o caminho alegremente.
Depois de alguns minutos chegamos ao parque. Como estávamos no inverno todas as árvores estavam sem folhas, e o chão todo coberto de neve, andamos mais um pouco e encontramos um banco de praça coberto com neve e entre duas árvores.
— Acho que podemos tirar algumas fotos aqui. — Falei colocando a mochila no chão.
— Tudo bem. — Ele parecia nervoso. — Olha...eu corro o risco de parecer bobo, mas o que eu devo fazer exatamente?
— Relaxa, e não tem problema você me perguntar isso. — Ri um pouco do seu comentário. — Por que não se senta no encosto desse banco e tiramos umas fotos?
— Ah, certo. — E foi o que ele fez se sentou no encosto do banco com os pés no assento, e me olhou sorrindo. — Assim?
— S-sim, está ótimo. — Tirei algumas fotos ali e mostrei pra ele.
— Você é um bom fotógrafo. O que acha de tirar mais fotos em outro lugar? — Ele me perguntou depois.
— Claro. O que acha do parquinho? — Sugeri, e ele aceitou sem problemas.
Andamos até o parquinho que estava vazio, e Chris foi logo se sentando em um dos balanços. Aquilo era adorável.
— Continue sorrindo ok? — Disse pra ele que começava a se balançar um pouco.
— Tudo bem.
Tirei mais várias fotos dele em vários brinquedos do parquinho. Depois ele voltou a se sentar no balanço.
— Hey, sente-se. — Ele disse apontando para o balanço ao seu lado. Me sentei e ele me olhou sorrindo.
— Queria te perguntar umas coisas, se você não se importar.
— Pergunte o que quiser. — Falei sorrindo de volta.
— Quantos anos você tem? Porque você parece tão jovem pra trabalhar. Ah e quem te ensinou a patinar? Porque você faz isso tão bem. — Suas palávras saíram de uma vez só. Chris realmente parecia uma criança. E eu adorava aquilo.
— Hey! Uma coisa de cada vez. — Ri um pouco do bico que ele fez. — Eu tenho desessete anos, e obrigado por dizer que pareço jovem. E bem...quem me ensinou a patinar...foi...um amigo meu...que eu não vejo a muito tempo. — Direcionei meu olhar pro outro lado, não queria que ele me visse triste.
— Um amigo? Qual era o nome dele. — Chris perguntou curioso.
— Scot. — Pronunciar aquele nome me fazia lembrar de coisas ruins e boas ao mesmo tempo.
— E por que você não o vê mais? Brigaram?
— Antes fosse. — Ri amargamente. — Na verdade é uma longa e dolorosa história. Eu não gosto de lembrar dela.
— Aw tudo bem, me desculpe, eu não sabia. — Disse Chris arrependido.
— Não tem problema, você só estava curioso. O que acha de voltarmos? Estou ficando com frio.
Ele fez que sim com a cabeça e nos direcionamos até a saída do parque. Fizemos o caminho da casa dele em silêncio. Quando já estávamos chegando ele se pronunciou.
— Bem, você vem amanhã tirar fotos do meu aniversário. Mas...o que acha de ficar até o fim da festa?.
— Eu...eu adoraria, seus pais não vão se importar? — Falei temendo chatear os pais dele.
— Claro que não, ele queriam mesmo que eu fizesse mais amigos mesmo. — Nessa hora ele deu um risinho. — Então você fica?
— Sim, claro que fico. — Respondi olhando em seus olhos. Já estávamos na frente da casa dele, seus pais não haviam chegado.
— Você quer entrar? — Ele peguntou abrindo mais a porta.
— Não posso, tenho que ir pra casa, mas obrigado mesmo assim.
Eu já estava me virando pra ir quando Chris me puxou pelo pulso e me abraçou. Aquela sensação era indescritível. Me senti quente por dentro, me senti vivo, algo que não sentia a um bom tempo.
— Até amanhã Alex. — Ele falou corado e com um lindo sorriso.
— Até amanhã Chris. — Falei meio enveronhado.
Enquanto andava de volta pra casa, não conseguia parar de pensar no que acontecera minutos atrás. Sei que foi só um abraço, mas fez meu coração queimar.
-Chris POV-
Aquele tinha sido um dos melhores dias da minha vida. Conheci Alex um pouco mais, vi que ele era inteligente, gentil, e tímido, mas também vi aquela costumeira tristeza em seus olhos verdes, principalmente quando ele falou daquele garoto Scot, fico imaginando o que houve entre os dois pra não se verem mais, sendo que esse Scot até ensinou Alex a patinar.
Quando ele disse que teria de ir embora, eu me senti tão triste, queria que ele ficasse mais um pouco, mas não teria jeito. Entrei em desespero e fiz algo totalmente inesperado, segurei seu pulso e quando Alex se virou eu o abracei, talvez eu não devesse ter feito isso, mas foi uma sensação única, senti seus braços me envolvendo e apoiei a cabeça em seu peito, agora já estava feito, só o que eu podia fazer era aproveitar.
Quando nos separamos senti meu rosto queimar, ele pareceu não se importar e apenas sorriu. Nos despedimos e eu entrei em casa. Aquela noite passou bem rápido, jantei, falei com meus pais sobre o dia de hoje, pelo menos sobre parte dele, tomei um banho quente e fui dormir. Me deitei e adormeci pensando naquelas orbes verdes e sempre com um brilho tão triste, minha vontade agora era fazer aquela tristeza desaparecer.
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