Notas iniciais
Éééé, eu demorei sim. É que vocÊs não comentaram meu ¬¬'. Mais agora ta ai, vocÊs vãão descobrir o que eele tam. Ta acabando, mais um ou dois capitulos o/
Frank sumiu. Literalmente, sumiu. Nem na escola ele ia.

Eu estava preocupado, realmente preocupado. Havia ido a sua casa muitas vezes, mais sua mãe sempre me evitava, ou inventava alguma desculpa para me mandar embora.

Talvez Frank houvesse pedido pra ela não contar, ou coisa pior que eu estava prestes a descobrir. Iria a sua casa depois da escola, e dessa vez a faria falar, nem que fosse a força.

Olhei-me no espelho, não muito interessado com a minha aparência. Talvez porque eu estivesse preocupado demais, ou não olhava pra mais ninguém. No caso mulheres. E sim, isso me dá medo. Gay? Não, acho que não. Eu ainda me interesso por mulheres, pelo menos eu acho que me interesso, pelo menos por peitos eu ainda continuo me interessando.

Mais isso não vem ao caso.

Mikey já me apressava, mas nós não estávamos atrasados, isso me irrita. Então eu me encarei uma ultima vez, e sai com ele na minha frente. Resolvemos ir a pé, minha mãe queria levar, mais nós não aceitamos. E sim, era raro eu aceitar carona. Queria aproveitar pra contar pra ele sobre o Frank.

- Mikey? –eu disse, não sabendo exatamente o que dizer.

- Sim, Gee. –ele se virou pra mim, sorrindo. Tanto tempo que eu não o via sorrindo daquele jeito.

- Sabe, eu queria te contar, sobre o Frank. –ele apenas confirmou com a cabeça, provavelmente querendo que eu continuasse e eu o fiz. –Eu estava com ele, digamos que em um momento um tanto romântico, até que ele começou a passar mal. Saiu correndo de lá, e dês de então eu não o vi mais. Eu fui a sua casa, mais sua mãe vive me evitando e inventando desculpas e... Bem, eu estou com medo do que pode ter acontecido com ele.

O sorriso dele desapareceu, mudando para uma expressão completamente preocupada, talvez até chateada.

- Você deve procurar ele de novo Gee. –ele disse tentando parecer calmo.

- Eu vou, e eu sei que você sabe o que é mais deixa. Vamos entrar logo porque eu sinal já tocou.

Mikey não respondeu, entramos no colégio, e eu fui pra minha sala.

A aula passou tão devagar, que eu pensei que talvez morreria de tédio e... Ansiedade. Pois é, ansiedade.

O sinal da saída tocou, anunciando que a escravidão havia terminado, pelo menos por hoje. Levantei-me, andando mais devagar do que o normal.

Então eu cheguei lá, na casa dele. Toquei a campainha e quase que imediatamente sua mãe saiu de lá de dentro.

- A senhora vai me dizer o que esta acontecendo, não vai? Por favor, eu preciso saber onde o Frank esta.

- Venha comigo Gerard, que eu te conto no caminho. Mas o Frank esta me esperando no hospital, e eu já estou atrasada pra ouvir o que o médico tem a dizer, creio que não seja uma coisa boa, mais eu já esperava.

Não, eu não estendi. Mentira, eu entendi sim. Eu não sou tão burro a ingênuo assim. Sim, eu sou ingênuo e não venha dizer que eu não sou.

Ele estava doente, muito doente. Até que eu ouvisse o médico dizer o que ele tinha, não ia me desesperar, mas mesmo assim, não deixava de estar quase morrendo de preocupação.

- Então a senhora vai me dizer o que ele tem? –perguntei, cortando o silencio desconfortável.

- Eu acho melhor esperarmos, prefiro que você ouça do médico, eu não sei explicar muito bem.

Assenti com a cabeça. Sem muita vontade de protestar pelo falo de ela não querer me falar.

Não demorou muito até chegarmos lá, ela estacionou o carro, e logo depois nós descemos. Sentei em uma espécie de sala de espera, enquanto ela foi falar com a mulher da recepção, alguns minutos depois, ela me chamou dizendo para irmos à sala do médico.

Sabe quando você conhece alguém, e vai ao seu primeiro encontro, você age como uma adolescente apaixonada, seu estomago dói e tudo o mais? Então, meu estomago doía assim, de ansiedade talvez.

O médico nos recebeu com o habitual jaleco branco que todos os médicos usam. Ele sorria, e eu não sei por que ele sorria, convenhamos que a situação não era muito propicia para sorrisos.

Ele apontou para as cadeiras na frente de sua mesa, e nós sentamos, ele continuava sorrindo.

- Então Srª. Iero, ele é parente ou algo do tipo? –ele perguntou, referindo-se á mim.

- Namorado. –ela sorriu pra mim, e eu retribui um pouco desajeitado pela falta de vontade de sorrir. Ele ficou um tanto quanto sem graça, e logo depois continuou.

- Bom, vamos ao que interessa, não? –assentimos com a cabeça. –O que Frank tem, vem evoluindo, e a quantidade de glóbulos brancos vem aumentando muito dês de que ele contraiu a doença.

- Que doença?

- Então você não sabe? Creio que vai ser um choque pra você ficar sabendo, mas assim é melhor. Há alguns anos, Frank contraiu leucemia.

Choque. Sim, aquilo foi mais que um choque. Um choque tão grande que eu levantei de lá e sai correndo, como se eu pudesse fugir do fato de ele estar doente.

Senti lagrimas escorrerem pelo meu rosto, tanto tempo que eu não chorava daquele jeito. Não corri até muito longe, sentei em uma das cadeiras da sala de espera, apoiei minha cabeça em minhas mãos.

Incrível como eu não fazia força nenhuma para chorar.

Nem esperei o médico dizer se havia algum tipo de cura, não queria ouvi-lo mais falar, seu cinismo e felicidade diante de uma tragédia me irritavam. Mais claro que ele não choraria e se desesperaria por todos os casos graves que ele tinha que cuidar.

Fiquei sentado por mais um tempo, não tendo coragem de pedir para vê-lo, talvez fosse melhor se eu o visse amanha. Mentira, eu era uma bicha covarde e não queria conversar com ele por falta do que falar. Triste isso.

Sua mãe apareceu depois de horas depois, não parecendo muito bem, mais resolvi não perguntar o porquê, ela se sentou do meu lado, e eu automaticamente me virei para ela.

- Não fique assim Gerard, ainda há esperanças de ele melhorar, não é certo que ele morrerá, alias, é muito difícil isso acontecer. Apenas fique do lado dele agora, ele vai precisar. –ela disse, sorrindo gentilmente, mais eu não sorri de volta.

- Eu tenho medo, porque ele foi à única pessoa que eu gostei e... Não seria fácil perde-lo, mais eu prometo que vou ficar ao lado dele até o fim. Alias, eu posso ver ele? –eu tentei sorrir.

- Hoje não, ele tomou um remédio que vai o fazer dormir até amanha, acho melhor você ir pra casa.

- Não, eu prefiro ficar aqui mesmo.

- Mais você precisa dormir, não tem como você dormir aqui. Alias, amanha você tem aula, e com certeza sua mãe não vai deixar você faltar amanha e eu nem quero isso. –ela disse, com seu costumeiro tom gentil.

- Não tem problema, eu ligo pra ela e conto o que esta acontecendo, tenho certeza que ela vai entender.

- Mais Gerard, ela sabe sobre você e o Frank?

Sim, eu tinha me esquecido que ela não sabia sobre o fato de eu estar com o Frank e ser gay. E eu me confortava em pensar que eu era bissexual. E eu era preconceituoso comigo mesmo.

A mãe de Frank ficou conversando comigo por mais um tempo, ela era bem legal com Frank. Queria que minha mãe fosse que nem ela. Creio que se ela ficar sabendo sobre o Frank, ela vai me espancar e me por pra fora de casa, sem contar que eu perderia completamente minha fama na escola, não que eu me importasse muito com isso.

Liguei para a minha mãe, e ela aceitou bem, deixou até eu faltar à aula sem dizer nada, coisa rara de se acontecer. E eu prometo a mim mesmo que eu vou contar logo sobre o Frank.

Já era bem tarde, e eu estava cansando pelas noticias anteriores, foi um dia bem exaustivo. Me acomodei no sofá duro da sala de esperas, sabendo que no outro dia acordaria dolorido porem disposto á falar com Frank.

Acordei. Sentindo a ausência do incomodo barulho dos passarinhos cantando, é... Eu sinto falta do tempo [i]calmo[/i] da minha vida. Percebi que provavelmente não havia dormindo muito, e o pior... Ainda estava escuro.

Olhei para o relógio de ponteiro do outro lado da sala: Quatro e meia da manha.

Senti-me completamente deprimido de pensar em ter que ficar mais algumas horas sem fazer absolutamente nada, apenas encarando o relógio, torcendo pra que o tempo passe rápido. Acomodei-me de novo no sofá duro e pequeno, onde mal cabia o meu corpo, na esperança de dormir de novo. Com um grande esforço, eu acabei dormindo. E acordei percebendo que havia dormido demais. Mas continuei na posição anterior, deitado, esperando alguém passar.

E assim aconteceu, a mãe de Frank parou na porta da sala, sorrindo. Não entendia como ela conseguia ficar tão calma e sorridente.

- Dormiu bem? –ela se aproximou, ainda sorrindo.

- Claro. Lugar para se dormir mais confortável que esse na há. –ela riu, e eu consegui rir pela primeira vez. Não que aquilo tivesse muita graça.

- E você quer ver o Frank?

- Posso ir agora? –eu perguntei, sentindo meu estomago afundar.

- Pode, ele acabou de acordar.

- E qual é o quarto? –me levantei, a encarando.

- Numero 43, no fim do corredor.

Agradeci, andando em passos lentos até o fim do corredor até o quarto indicado. Encarei a porta branca, imaginando que talvez estivesse da mesma cor, ou até mais branco.

Bati levemente na porta, não obtendo resposta, respirei fundo e girei a maçaneta, conseguindo ver Frank deitado na cama, olhando aparentemente interessado para a janela. Ele se virou a me ver, sorrindo exageradamente. Nossos olhos se encontraram, nos mantemos em silencio.

- Oi Frankie boneca. –eu disse, quebrando o silencio completamente confortável. Ele continuou sorrindo.

- Oi Gee. Então finalmente você descobriu o meu segredo, huh? –ele me encarou, parando de sorrir, apresentando uma expressão completamente serena no rosto.

- Você poderia ter me dito antes.

- Não poderia não, eu queria aproveitar. Não queria que você me tratasse com pena, como se eu fosse um invalido. –sua expressão mudou de serena, para seria, parecendo até que tinha pena de si mesmo.

- Eu não tenho pena de você, e você não é um invalido. E agora que eu sei, continua não sendo.

Aproximei-me dele, colocando uma mão de cada lado de seu rosto, o beijando delicadamente e logo depois me sentando na cadeira ao lado de sua cama.