Notas iniciais
Eu tenho uma dificuldade imensa em escrever sobre o Haruka. É complicado, porque no mangá ele é de um jeito, nos vídeos é de outro, e no anime é mais diferente ainda.
Estou tentando criar um Haruka só meu que siga todos esses três u.u, mas ainda estou trabalhando nisso.
Bem, boa leitura o/

No espaçoso quarto azul, a garota de cabelos castanhos dormia tranquilamente em sua cama. Todos na casa já levantaram, porém ela permanecia ali. Ignorava a luz do sol que recheava o quarto de brilho.

Apesar de Takane dividir o quarto com Hiyori, quase tão preguiçosa quanto ela, todos os dias Mary ajeitava as coisas para as duas.

Takane deu um chute em ninguém, depois respirou fundo.

- Ha... – murmurava. – Ha... ru... ka...

Abraçou o travesseiro fortemente.

- Nee, Takane. – chamou o garoto que assistia Takane dormir. – Vamos comprar doces.

- AHHH! – gritou.

Takane rolou e caiu da cama. O que aquele idiota estava fazendo ali?

- O que está fazendo aqui? – perguntou, ficando cada vez mais vermelha. Uma vez disseram que ela falava enquanto dormia. Será que falou alguma coisa? O quê? E se tivesse chamado Haruka? Não, ela não seria tão patética a ponto de chamá-lo.

- Takane, você se machucou? – Haruka lhe estendeu a mão. Ele já estava pronto para sair, com jeans folgados e uma blusa verde. O cabelo penteado ainda tinha ar de bagunçado. Takane empurrou a mão de Haruka, corando ainda mais. Estava de pijama. Poderia ficar mais vergonhoso?

- Não. – murmurou, desviando o olhar.

- Então vamos comprar doces. – Haruka estendeu os braços de maneira animada. Takane bufou.

- Primeiro eu preciso – A garota fora interrompida pelo barulho da porta sendo aberta.

- Achei você, Haruka. – disse Shintaro, enfiando a cabeça para procurar o outro e então avistou Takane jogada no chão. Segurou uma risada. – Pff!

- Cale a boca, Shintaro! – berrou Takane, levantando-se e jogando um travesseiro em Shintaro. Ele desviou. Furiosa, encarou Haruka. – Se quiser que eu vá com você, pelo menos deixe eu me arrumar.

Então o empurrou para fora.

Seu rosto estava quente, ela não sabia identificar se era de vergonha ou de raiva.

Apressada, tomou um banho e começou a vasculhar seu armário. As roupas que Momo lhe dera eram tão... Momo. Ainda bem que depois de tudo se ajeitar, Ayano fez todas elas, inclusive Kido e Mary, que queriam sumir das lojas, comprarem roupas.

Vestiu um moletom folgado branco, uma leg preta e uma saia xadrez por cima da leg. Calçou seus tênis. Haruka ficava insuportável quando decidia comer doces. “Doces! Doces! Doces!” conseguia ouvi-lo dizer de seu jeito meigo, e vê-lo levantar os braços. Sentiu o rosto ficar um pouco vermelho. Droga, não podia nem pensar nele.

Abriu a porta, e deu de cara com Kido, Ayano, Hiyori, Momo e Mary.

- O que é isso? – perguntou, assustada.

Ayano sorria.

- Vai se declarar pra ele? – interrogou Momo.

- Momo! – exclamou Takane.

- Bem, alguém tinha que perguntar. – Hiyori deu de ombros.

- Todas querem saber disso? – Takane queria ter o poder de Kido para sumir dali.

- Sim. – responderam ambas Mary e Kido.

- Por que são tão sinceras??! – Era o fim para Takane. Se todas elas já sabiam de seus sentimentos, então Haruka deveria saber também.

- É melhor dizer logo. – Ayano finalmente falou.

Takane ficou quieta. “Ou vai se arrepender de novo” quase conseguia ouvir Ayano completar a frase.

- Onde ele está?

- Foi com Shintaro na padaria. – respoderam.

Takane correu até a porta. Certo. É preciso fazer isso hoje!

Abriu a porta e foi atrás dele.

***

- O que faz aqui, Takane? – perguntou Haruka, segurando vários pacotes de pão.

- Ela veio ver o mestre favorito dela. – intrometeu-se Shintaro.

- Sério? – Haruka olhou para Shintaro.

- Sim. – afirmou Shintaro.

- Ohh! – Haruka estava acreditando.

Takane olhou em volta. Viu vários tipos de pães e queria fazer com que Shintaro morresse engasgado com um.

- Não acredite nesse idiota, Haruka. – alertou.

- Não é verdade? – O garoto pareceu triste.

- Não. – Takane pegou os vários pacotes de pão e os entregou para Shintaro. Agarrou a mão de Haruka e disse: – Venha, vamos pegar seus doces.

Enquanto corriam para longe da padaria, e consequentemente de todos os outros que a atrapalhariam, Takane começou a formar vários planos para se declarar, ou pelo menos mostrar que gosta de Haruka.

Pararam em frente da doceria favorita de Haruka.

- Posso escolher os doces? – perguntou ela. O garoto assentiu. – Certo, me espere aqui.

Ela pediu uma caixinha de pocky de morango, pagou e saiu. Aquilo era extremamente vergonhoso. Haruka a esperava em uma das mesinhas. Ela sentou e jogou a caixinha na mesa.

Os olhos dele brilharam.

- Pocky! – murmurava sem acreditar. A menina queria rir. Estava tentando fazer ele enxergar algo e Haruka queria só saber de doces.

- Sim. Você sabe como se come pocky? – perguntou ela.

Ele balançou a cabeça negativamente.

Ela abriu a caixinha e pegou um.

- Você coloca um palitinho na boca – “e a pessoa que você gosta morde ele também”. Sim, precisava falar isso. Colocou um na boca, e avistou Kano observando a cena. Ela engasgou com o palitinho. Haruka a ajudou.

- Ei ei ei, olhe o que temos aqui. – Kano disse, puxando uma cadeira e sentando também.

- Ninguém te chamou. – Takane falou. Por que justo Kano apareceu enquanto ela estava fazendo algo bem vergonhoso?

- Ehh, cruel! – seus olhos astutos de gato percorriam os rotos de Takane e Haruka. O loiro era o mais mortal de todos eles. Takane seria zombada pelo resto de seus dias. – Esse pocky é pra quê?

- É perigoso, não é, Takane? – perguntou Haruka.

Takane sentiu seu corpo encolher. Ela encarava Kano. A qualquer momento ele diria algo comprometedor.

Levantou e puxou Haruka.

- Pode ficar com o pocky. Por que você e a Kido não provam? – disse Takane.

O loiro apenas riu enquanto os dois se afastavam dali.

Plano um: fracassado.

Takane avistou um barco no lago central da cidade. Sim, um barco! Ideal para momentos românticos.

- Vamos ali? – chamou.

Ela tentou entrar e quase caiu. Haruka a segurou.

- Hoje não é o meu dia. – murmurou, desistindo do barco.

Plano dois: fracassado.

Levou-o até uma floricultura. Ele perguntou se ela queria uma flor, e quando ela ia dizer sim, uma abelha a picou.

Plano três: fracassado.

Foram até o shopping e viram um evento de hallowen. Uma casa mal assombrada. Takane pagou os dois ingressos e entraram. Fingiria medo e abraçaria Haruka. Depois diria que gostava dele.

O que ela não imaginou, é claro, foi que Haruka começou a falar com os atores pedindo se algum deles tinha comida.

Ela o puxou para fora e comprou um grande hamburger para ele.

Plano quatro: fracassado.

Estava quase desistindo e indo embora quando Haruka a parou.

- Takane, podemos ir ao parque? – pediu.

Takane se sentia cansada. O tênis a irritava tanto que dava a impressão de ela estar com um dos vários saltos de Momo. A orelha onde a abelha picou doía e sua cabeça latejava. Estava com frio, e queria chegar em casa, entrar em seu quarto e nunca mais abrir a porta.

Ela olhou Haruka, que assistia vidrado o parque.

Respirou fundo.

- Tudo bem. – disse, por fim. – Mas está escurecendo, por isso não podemos demorar.

Haruka sorriu, e comemorou.

Foram em várias barraquinhas, a maioria delas de comida. Haruka tentou pegar um bichinho de pelúcia na barraca de tiro para Takane. Como era muito ruim, Takane pagou também e conseguiu o maior prêmio. Entregou o ursinho gigante de pelúcia para ele.

Quis ir à montanha russa com Haruka. Ele negou, assustado.

- Só dá tempo de um brinquedo, Haruka. Precisa se decidir. – avisou.

Haruka apontou a roda gigante. Takane deu de ombros e entraram. Já havia anoitecido e eles olhavam as estrelas.

De repente se lembrou que ainda precisava achar um jeito de se declarar. Olhou Haruka. Ele sorria para as estrelas. Ela corou e sorriu também. Percebeu que suas mãos estavam juntas na roda gigante, e se deu conta que andaram o dia todo de mãos dadas, correndo de um lado para o outro. Ficou mais vermelha ainda.

Percebeu que não tinha pressa para dizer que gostava dele. Estava tudo bem com os dois agora.

Plano cinco: em andamento.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!