Notas iniciais
Oieee!!! Chegando com mais um capítulo! Boa leitura!

Se eu não tivesse visto o que vi naquele milharal, se eu não tivesse visto Mia ser quase... Abduzida por um tipo de espaçonave, diria que a menina apenas imaginou ter visto algo assustador em meio à plantação.

Sim, se eu não tivesse visto o que eu vi, com os meus próprios olhos, diria que Mia é apenas uma criança com imaginação fértil, influenciada pelas crenças do próprio pai.

Todavia, como eu vi o que eu vi, posso afirmar com todas as letras que Mia tem motivos de sobra para estar neste estado de choque. Alguma coisa aconteceu com ela naquele milharal. Por mais que ela não tenha sido... Levada, alguma coisa aconteceu com ela. É um fato.

Mas o que aconteceu a ponto de fazê-la falar sobre colonização e invasão? O que ela quis dizer quando mencionou que eles estão vindo? Quem são eles?

Como se estivesse se fazendo as mesmas perguntas, Mulder se aproxima do sofá onde a menina está sentada, se agacha diante dela e de Mary e Christopher — posicionados ao lado da filha e tentando acalmá-la —, e demonstrando certo cuidado e uma preocupação palpável, ele questiona:

— Mia, o que aconteceu lá fora? O que você viu antes da Srta. Scully aparecer?

Inquieta, Mia olha para os pais visivelmente assustada e incomodada com o assunto, e recebe um afago da mãe enquanto o pai tenta tranquilizá-la:

— Está tudo bem, meu amor. Pode contar o que você viu, o tio Mulder pode ajudar.

Mary faz mais um afago na filha, lhe dá um beijo na testa e lhe lança um olhar reconfortante. Com certeza está preocupada com a menina, mas ao mesmo tempo quer entender o que está acontecendo a nossa volta, assim como Christopher, Mulder e... Eu.

Sim porque, pela primeira vez em toda a minha vida, eu não sei o que pensar sobre um caso e algumas pistas viriam muito a calhar. Pela primeira vez na minha vida, acredito piamente nas crenças de Fox Mulder sobre a existência de seres inteligentes e... Extraterrestres, mas isso é tudo o que sei por ora. Que ele estava certo desde o começo, que a humanidade não está sozinha no universo, mas apenas isso. Preciso de mais detalhes, preciso entender o que exatamente aconteceu naquele milharal, o que são aqueles símbolos e círculos, o que significam e, principalmente, o que está por vir agora.

Finalmente um pouco mais estável, Mia olha para cada um de nós e começa a explicar com a voz um tanto embargada:

— O Toby não parava de latir, então eu fui atrás dele. Eu corri quando ele sumiu no milharal e parei quando ele parou. Então eu senti um vento muito forte e era como se tivesse algo bem em cima de nós, no meio do círculo. Eu olhei para cima e... Uma luz branca e bem forte me atingiu em cheio. Eu lembro que gritei, mas não ouvi a minha voz. Eu lembro que fiquei com muito medo, mas não conseguia me mexer. E de repente... Foi como se o chão tivesse sumido e... Algo entrou na minha cabeça e começou a falar comigo. Eles falavam uma língua estranha, mas... Mas eu entendia tudo em inglês. Eu acho que eles queriam que eu entendesse.

Dou um passo à frente, na direção do sofá, e faço a pergunta que certamente estava prestes a sair da boca de Mulder:

— O que eles disseram, Mia?

A menina hesita enquanto nós olhamos para ela com apreensão e curiosidade, mas, por fim e ainda mais assustada, ela responde:

— Eles disseram que fariam... Testes em mim e que... Se o resultado fosse satisfatório, eles poderiam dar mais um passo rumo à... Colonização da Terra.

Por um momento, não sei o que pensar e sou dominada pela incredulidade. Porém, sei que isso é apenas uma forma de defesa, já que é mais fácil me recusar a acreditar no que ouvi, do que cogitar que o que Mia disse pode ser verdade.

Não sei o que pretendo com essa negação, já que eu sei o que vi. Eu vi uma espaçonave e uma menina quase ser levada para dentro dela. Então por que não acreditar que há mais coisas por trás disso? Por que não acreditar que tudo faz parte de um plano maior para dominar a Terra? Por que uma parte de mim ainda acha tudo isso absurdo e fantasioso? Por que é tão difícil de acreditar, sendo que eu quero acreditar?

— O que mais eles disseram, Mia? — Mulder pergunta, me despertando de tais pensamentos e questionamentos.

Mary passa um braço em torno da filha, a acalmando mais uma vez, e a menina hesita um pouco, antes de conseguir articular:

— Eles não falaram mais comigo, mas conversaram entre si e eu ouvi. Eles disseram que precisavam dar sequência ao... Ao mapeamento, para que os outros pudessem... Vir.

Eles estão vindo. A frase que Mia disse quando estava naquele estado catatônico ecoa em minha mente e tudo começa a fazer sentido. É loucura e parece um filme de ficção científica sobre invasão alienígena, mas faz sentido.

Mulder se levanta e olha para mim. Ele não precisa me dizer nada, já que apenas pelo seu olhar, sei exatamente que ele está pensando o mesmo que eu. Que nós precisamos conversar a sós sobre tudo isso e decidir o que fazer agora.

Então, enquanto Mary e Chris reconfortam a filha, eu sigo rumo ao andar superior e o meu parceiro me acompanha em silêncio, mas, com certeza, com o pensamento fervilhando tanto quanto o meu.

Assim que adentro o quarto, Mulder fecha a porta atrás de mim. E assim que consigo ordenar um pouco os pensamentos sobre tudo o que vi no milharal e sobre o que ouvi na sala, paro de andar em círculos pelo recinto, me volto para ele, solto o ar devagar e anuncio:

— Mulder, eu sei que você vai detestar isso, mas nós realmente precisamos de ajuda. Desculpe, mas nós temos que avisar o FBI sobre o que está acontecendo neste lugar o quanto antes.

— Nós não podemos fazer isso, Scully. Não agora, não depois de tudo o que vimos e ouvimos aqui — meu parceiro discorda resoluto. — Nós precisamos de mais tempo, para entender melhor com que tipo de... Poder alienígena estamos lidando. Envolver o FBI agora seria um risco que eu não estou disposto a correr. Envolvê-los agora seria pedir para morrer na praia, como nós sempre acabamos morrendo com as investigações dos Arquivos X. Desculpe, mas eu não posso ligar para o Skinner agora. Ainda não.

— Eu disse que você não ia gostar da ideia — falo simplesmente, me dando por vencida por alguns instantes, antes de recomeçar, expondo os melhores argumentos em que consigo pensar: — Mulder, me escuta, nós não sabemos ao que exatamente a Mia foi exposta. Seja lá o que for, eu também fui. Eu fui atingida por um tipo de corrente elétrica e apaguei. Nós duas e todos que tiveram contato conosco deveriam iniciar uma quarentena imediatamente. Além disso, se o que Mia ouviu for mesmo verdade, se não foi imaginação ou fruto do trauma, não é só o FBI que deve ser informado sobre o que está acontecendo aqui, mas o governo americano também.

— Você acha que o governo não sabe? — meu parceiro rebate prontamente, me deixando boquiaberta por um segundo, impressionada com a sua paranoia.

Então, respiro fundo, ordeno os pensamentos de novo e peço:

— Mulder, vai com calma — e sentindo que tenho a sua atenção, tento chamá-lo de volta à realidade, articulando pausadamente: — Olha, eu acredito no que eu vi e, por mais que pareça insano, eu não posso ignorar o que aquela menina disse lá embaixo. Mas, supor que o governo esteja de conluio com... Seres... — com certa dificuldade, resolvo dizer a palavra que jamais pensei que diria em um contexto assim: — Alienígenas — me sinto ridícula por um instante, mas respiro fundo e prossigo: — e que esteja os ajudando em um plano de invasão e colonização da Terra é um pouco demais, você não acha?

Prontamente, meu parceiro retruca mais uma vez:

— Não se nós estamos falando do mesmo governo que ignora os casos de abduções há décadas.

Solto um suspiro, achando essa parte um pouco de exagero de Mulder, e ele tenta me convencer, gesticulando com uma convicção palpável:

— Eles sabem, Scully. Com certeza, o governo tem algum interesse nisso. Talvez eles terão algum tipo de regalia por estarem colaborando, mas eles sabem. Eu tenho certeza, o governo sabe. E nós não podemos confiar nesse governo que joga contra a própria população e que fecha os olhos enquanto meninas como Mia ou... Como Samantha servem de cobaias em um plano de dominação planetária.

Penso em replicar, mas só então me dou conta de que Mia pode ter dado a resposta que meu parceiro sempre buscou sobre o desaparecimento de Samantha. Sim, porque se o que Mia relatou for mesmo verdade, então é provável que a irmã de Mulder tenha sido... Abduzida para ser submetida a testes por uma raça alienígena. Talvez essa raça queira estudar nossas fraquezas... Ou nossas forças, a fim de se adaptarem melhor ao nosso planeta, eu não sei.

Seja como for, tudo o que consigo fazer é lamentar pelo possível desfecho deste mistério, dizendo:

— Mulder, eu sinto muito.

Não preciso dizer mais nada. Sei que ele entendeu. E sei que ele também lamenta profundamente, mais do que qualquer pessoa. Sei que Mulder sempre se culpou pelo que aconteceu a irmã, já que ele não pôde fazer nada para impedir que ela fosse levada. E imagino como deve ser difícil para ele perceber que mesmo agora... Não há muito o que possa ser feito. Temos uma ideia do que aconteceu com a sua irmã, mas não há qualquer esperança de localizarmos o seu paradeiro.

Como se tivesse lido os meus pensamentos — às vezes, acho que Mulder tem essa capacidade, aliás —, ele expõe com tristeza, mas também com determinação:

— Mesmo que Samantha não esteja mais viva ou mesmo que eu não consiga trazê-la de volta algum dia, a sua abdução não será em vão. Eu vou parar tudo isso, Scully.

Fox Mulder é só um homem. Um homem só contra um plano de colonização da Terra, mas mesmo assim, tudo o que consigo fazer é me juntar a ele neste propósito:

— Nós vamos. Eu te dou a minha palavra, Mulder. Eu não sei como, mas eu vou te ajudar no que for preciso. Você não está mais sozinho.

Um discreto sorriso se forma em seu rosto e então ele me corrige:

— Eu nunca estive sozinho.

Envergonhada por ter duvidado dele tantas vezes, não lhe dando o crédito que merecia, e por ainda assim ele ter tanta consideração por mim, desvio do seu olhar e digo:

— Você sabe o que eu quero dizer.

Sim, Mulder sabe. Não só sabe, como faz questão de sorrir novamente e questionar:

— Por falar nisso, como é finalmente acreditar nos homenzinhos verdes, sua lunática?

Penso por um bom tempo sobre a sua pergunta, relembro todos os casos que investigamos e que agora sei que tinham mesmo ligações com seres extraterrestres, penso em Samantha também, na irmã de Christopher, em tantas outras pessoas que tiveram um destino como o delas, analiso tudo o que está acontecendo nesta fazenda e o que poderia ter acontecido com Mia, relembro tudo o que a garotinha nos contou há pouco e tudo o que eu vi com os meus próprios olhos.

Então, sentindo uma espécie de calafrio percorrer o meu corpo, finalmente me pronuncio:

— Honestamente? É assustador, Mulder. — Engulo em seco e decido admitir de uma vez: — Eu estou... Com medo. Com muito medo.

Mulder não diz nada, mas o sorriso de alguns instantes não está mais em seu rosto. Ele pode ser muito determinado e ter boa vontade, mas eu sei que também está com medo. Duvido que Mulder tenha imaginado algo assim. Invasão alienígena? Nem nas suas teorias mais mirabolantes.

Ainda em silêncio, ele dá um passo à frente e me abraça. E eu simplesmente aceito o seu abraço de bom grado porque preciso dele. Porque nunca senti tanto medo. Não só por mim, por Mulder ou pela família Barden, mas pelo mundo inteiro. Se estamos mesmo à beira de uma invasão alienígena, então nós temos muito o que temer.

No entanto, apesar de Mulder afirmar que nós não podemos confiar no FBI — em ninguém, aliás —, sei que precisaremos de ajuda. Por isso, e sem me desvencilhar do seu abraço, decido insistir mais um pouco:

— Eu ainda acho que nós devíamos acionar o Diretor Skinner. Não só pela magnitude do que pode estar por vir, mas porque... — Sinto uma leve tontura, mas me obrigo a prosseguir: — Eu e Mia fomos... Expostas... A algo e...

A tontura evolui e sinto um suor frio percorrer todo o meu corpo, me causando um estremecimento desconfortável.

Não sei se Mulder percebeu que estou me sentindo indisposta, mas não tenho tempo de lhe dizer, já que alguém abre a porta abruptamente e entra no quarto, dizendo angustiado:

— Mulder, eu preciso de ajuda! A Mia... Ela desmaiou... A Srta. Scully é médica, certo?!

Com a visão meio desfocada, reconheço a figura de Christopher Barden quando Mulder se afasta um pouco de mim, mas não tenho tempo de dizer uma palavra sequer. Antes disso, a tontura e a visão turva evoluem rapidamente e, quando dou por mim, estou caindo em direção ao chão.

Meu parceiro me segura antes que eu atinja o assoalho e, apesar de não vê-lo em meio à escuridão absoluta que parece ter tomado conta de mim, ouço-o me chamando aflito:

— Scully?! Scully! Ei! Acorde! Scully?

De repente, não ouço mais a sua voz.

Notas finais
Eita! E agora? Por que Scullynha desmaiou de novo? E a Mia também? E como assim colonização da Terra? Corram para as colinas!!! Os homenzinhos verdes estão vindo!!! Well, em breve tem mais um capítulo. E por falar nisso, a fic está acabando... Eu queria escrever muito mais e desenvolver melhor o enredo, mas estou meio bloqueada, sabe? kkkkk Apesar disso, espero que a fic esteja aceitável. Sobre o "desfecho" do mistério envolvendo Samantha Mulder, eu quis fazer algo parecido com a série e insinuar que o mesmo aconteceu com a irmã do Christopher. Todas as pessoas que foram abduzidas passaram por testes e tudo isso está diretamente ligado ao plano de invasão/colonização da Terra. Mulder não conseguiu provar isso, mas com o relato da Mia, eu quis deixar as coisas subentendidas. Enfim, por hoje é só! Bjs e inté o próximo! PS: No próximo capítulo, pretendo explicar a questão do "mapeamento" que os homenzinhos verdes mencionaram.