I Want To Be Loved By You
5 Capítulo V
Notas iniciais
Harry’s POV
O clima estava meio tenso entre nós. Percebi que a Ju, o Liam, o Zayn e a Cath conversavam mortalmente sérios. O Louis ainda mexia em alguma coisa no celular, provavelmente conversando com algum amigo. O Niall estava cantando com a Mô, e nem parecia perceber o clima estranho que rolava entre nós. Olhei para o lado e vi que a Mand parecia pensar o mesmo que eu. Ela me encarou e eu recuei um pouco. Ela virou de repente, acho que até corei. Ela sinalizou para o grupinho sério e disse:
— O que você acha que está rolando ali?
— Não sei... Mas eles parecem bem concentrados em resolver um problema. – Eu disse, mirando o cabelo do Zayn.
— Acho que algo sobre a Cath. Todos estão olhando para ela... Devemos ir lá perguntar o que aconteceu? – Mand disse, com uma expressão de dúvida.
— Bom, acho melhor não. Não queremos estragar o clima divertido que tentamos produzir aqui. Além disso, o Niall vai ficar decepcionado com tanta tristeza assim. – Eu disse, sorrindo para ela.
— É, você está certo! Sem preocupações. – Ela disse, sorridente. Já disse a vocês que o sorriso dela é encantador? Pois é.
Ela me encarou por alguns segundos, sorriu novamente e gritou, depois que Niall largou o microfone.
— Pessoal, sinto dizer, mas... Meu estômago clama por comida. Será que poderíamos ir a algum restaurante?
— Vamos comer comida italiana! – Niall disse, provavelmente aproveitando a oportunidade.
— Tudo bem, então vamos com comida italiana. Todos de acordo? – Liam disse, pondo um fim na lista de comidas que o Niall fazia com a Mô.
— Sim! Mamma mia! – Cath falou, animada. Ela parecia ser extremamente idiota, observando bem as atitudes dela.
Saímos da sala e, para nossa ‘surpresa’, fomos bombardeados por câmeras em todos os ângulos. Tive que piscar quando um flash fez os meus olhos arderem como brasa. Simplesmente esquecemos que saímos com simples fãs e que somos extremamente famosos. Zayn e Liam sorriam sem graça, enquanto o Niall e o Louis tentavam desviar os fotógrafos para podermos sair pelo menos da porta do lugar. Reparamos que as meninas olhavam os fotógrafos e repórteres com apreensão. Claro, elas estavam com a grande e ilustre One Direction e ainda estavam sendo fotografadas com eles.
Elas tentavam desviar dos fotógrafos e infelizmente, foi em vão. Mas um bombardeio de flashes e conseguimos fugir de toda essa confusão. As meninas nos encaravam, assustadas, enquanto seguíamos o mais rápido possível para os carros. Na pressa, entramos sem pensar em como iríamos. Entrei num carro com o Liam, Ju, Mô e Niall e fomos direto para o meu apartamento e o do Louis. Liam nos encarou pelo retrovisor central e disse:
— É mais seguro que peçamos por lá mesmo, não é caras? – Confirmamos e liguei para o Louis, avisando para onde estávamos indo.
Tentamos chegar o mais rápido possível, já que não queríamos ser bombardeados quando chegássemos lá também. Liam estacionou o carro e entramos. O nosso porteiro perguntou se devia permitir a entrada das garotas e eu confirmei. Zayn estacionou assim que entramos e fomos todos juntos para dentro. Espalhamos-nos na sala e respiramos. Finalmente, seguros. Cath nos encarou e gargalhou. As meninas a encararam e começaram a rir também. No fim, estávamos todos rindo do acontecido. Mô acariciava a barriga e soube imediatamente o que significava. Perguntei antes que ela implorasse por comida.
— Então, vamos pedir a comida ou fazer uma comidinha caseira?
— Eu adoraria algo mais clássico! – Ju falou, sorridente.
— Então, vamos ver o que tem nessa cozinha. – Niall disse, levantando-se. Mô seguiu-o, com Ju e Liam.
Zayn e Lu começaram a conversar, animadamente. Cath cantarolava alguma música que eu julgava ser brasileira. Louis encarava o teto, entediado. Cath nos observou rapidamente e disse, com um ar etéreo:
— Vocês parecem bem acostumados com esse tipo de coisa. Como se sentem com tudo isso? Eu simplesmente enlouqueceria.
— Com o tempo você pega a manha. Bom, esse é o custo da fama, não é? – Zayn disse, sorrindo. Lu riu também e disse:
— Vocês podem me dar algo para beber? Meu corpo implora por algo que acalmasse os nervos. – Louis riu pelo nariz e pegou um refrigerante do frigobar. Agora sei por que diabos colocamos ele na sala.
Cath levantou-se e sentou ao lado da Lu. Elas dividiram o refrigerante. Cath falou alguma idiotice para a Lu que a fez cuspir um pouco de refrigerante. Ela falou alguma coisa que soou como ‘pourar’ e riu. É nesses momentos que eu queria saber falar português. Lu cutucou a barriga da Cath e ela caiu do sofá, rindo. Rimos todos juntos e até acho que o Louis esqueceu toda aquela grosseria. Ela se levantou e tirou o celular do bolso. Mensagem, talvez? Ela leu e ficou um pouco surpresa. Riu e gritou:
— LU, O RODRIGO ESTÁ EM LONDRES! – Lu riu e disse, com um tom de falso desdém:
— Ah, que menina desinformada. Estava conversando com ele pelo seu celular, anta!
Louis encarou as costas da Cath e fez um olhar apreensivo. Ciúmes? Provavelmente. Nunca vi o Lou tão mal-humorado assim por uma garota. Ri e fui para o lado dele. Ele me encarou e disse:
— Ah, o que você quer Hazza? – Ele fez um beicinho que me fez rir. Encarei-o e disse, calmamente:
— Vim saber como vai o seu coração, pequeno Louis.
Ele me encarou por alguns segundos e riu.
— Ele pertence a Eleanor, como sempre. – Ri e disse, caçoando:
— Eu acho que seus olhos não concordam com isso, eles estão mirando as costas de um certo alguém.
— Você também não pode falar nadinha, Sr. Styles, sei que está caidão pela garotinha do gato.
Rimos e me espreguicei. Levantei para dar uma espiada na cozinha. Ela exalava a uma comida que nunca havia sentido antes. Talvez seja comida brasileira! Adoraria experimentar. As garotas mexiam uma panela enorme e os caras cortavam alguns legumes. Restava esperar, parece que ia demorar. Voltei para a sala e vi um Zayn descontraído e duas garotas sorridentes. Louis estava lendo uma revista. Sentei num canto do sofá e espreguicei-me. Estava um tédio mortal entre nós, até que Cath pediu um refrigerante. Louis se levantou e passou para ela um refrigerante meio suspeito. Quando ela abriu... Uma rajada de soda foi bem no rosto dela. Ela gritou e Lu ria abertamente. Rimos bastante, até o refrigerante parar de jorrar. Cath olhou completamente furiosa para o Louis e disse:
— Nunca vi brincadeira mais infantil que essa. – Ela fez questão de por o maior desprezo no ‘infantil’ que falou. Louis riu pelo nariz e disse, descontraído.
— Eu nunca disse para você aceitar. Você foi idiota e pegou, oras. – Louis encarou-a e riu mais uma vez. Ela ficou vermelha e suspirou.
— Pelo menos você poderia emprestar um moletom seu, Lou. – Eu disse, apartando a briga.
— Por que eu? Por que você não empresta? – Louis disse, com uma voz indignada.
— Não coloque a culpa no Harry, Louis! Você fez a merda e você conserta. E é melhor que seja rápido, a Cath não é tão paciente. – Lu disse, com uma expressão severa.
Louis bufou e puxou a Cath toda molhada de refrigerante para o caminho do seu quarto. Assim que saíram da sala, rimos pra caramba. O ‘nosso’ plano é que eles acabassem juntos (e sozinhos) para ver se se resolviam. Zayn levantou e espreguiçou-se. Começou a falar, pausadamente:
— Bom, espero que o ‘casal’ se resolva lá dentro.
Ri. Tomara que eles desencanem logo dessa briga e fiquem um pouco amigos. É... Tomara.
Louis’s POV
Ela me irritava. Porra, você não sabe o quanto eu sentia raiva só de olhar pra ela. No começo, achei que eu estava me sentindo atraído por ela, mas... Não, coisa do momento. Ela pode ser bonita e afins, mas é extremamente irritante. Sempre feliz, sorridente, animada... Como isso me irritava. Descontei um terço da minha raiva naquele refrigerante, e foi bem satisfatório. A não ser pela parte em que ela vai vestir uma roupa minha. Peguei ela pela não e andei em direção ao meu quarto. Argh, agora minha mão estava totalmente melecada. Entrei no quarto e fiz menção de seguir direto para o closet. Peguei um moletom qualquer e joguei para ela. Ela me encarou, raivosa, e eu estremeci. Meu coração deu um pequeno pulinho.
— Por acaso você não percebe que um moletom não é suficiente? Preciso de um jeans e de uma toalha também, vou tomar banho. – Ela bufou, como se isso fosse óbvio. O que ela queria, o meu armário inteiro? Bufei com raiva e entreguei uma calça da Eleanor que encontrei e uma toalha.
— O banheiro é ali. – Apontei e sentei na cama. Ela me encarou mais uma vez e perguntou, desconfiada:
— Vai ficar aí? – Eu a encarei e gargalhei alto.
— Por que eu espiaria uma pessoa como você no banho? Faça-me um favor, termine isso logo. – Coloquei todo o meu desdém na frase, ocultando a real vontade de espiá-la no banho. O que posso fazer? Sou um homem, afinal.
Ela entrou no banheiro e ouvi o baque surdo das roupas molhadas caindo no chão. Em seguida, a porta do boxe se abrindo e o chuveiro abrindo. A água tinha um som abafado pelo corpo dela em contato com a água. Limpei a garganta e olhei para o teto. Por que meu cérebro fazia questão de gravar todos esses sons? Argh, grande merda. Ouvi o chuveiro fechar. Ela começou a se ensaboar, provavelmente. O chuveiro se abriu novamente e escutei a cascata de água cair sobre o corpo dela. Depois de uns 2 minutos, o chuveiro se fecha e ouço a porta se abrindo novamente. Sim, meu cérebro faz questão de prestar atenção em todos os movimentos dela. Um momentâneo silêncio... E ela sai do banheiro. A calça ficou bem ajustada no corpo dela, ao contrário do moletom, que ficou extremamente folgado. Estava com os seus sapatos na mão. Ela saiu da porta e veio em minha direção.
— Ahn, obrigada. Onde deixo a toalha? – Eu a encarei e, por um segundo, vi o rosto dela se avermelhar.
— Em qualquer lugar por aí. – Falei, sem motivação. – Que prejuízo enorme você me deu, hein? Que encosto.
— Não fui eu quem fez a idiotice aqui, Louis. Se você não tivesse causado a confusão toda, talvez eu não estaria aqui lhe incomodando.
— Idiotice? Que garota sem graça você é. – Eu disse, com firmeza.
— Como você pode dizer que eu sou sem graça? Só me conhece há dois dias, e por acaso, em um deles você foi extremamente grosso. Posso saber por quê? – Ela disse, com um tom indignado. Minha garganta apertou, perdi a voz por alguns segundos.
— Como você remói as coisas. Olha só, está a ponto de chorar. Que criançona. – Falei com o maior desprezo.
— Desisto de tentar conversar com uma pessoa como você. – Ela se virou e saiu.
Não me sinto arrependido. Por que sentiria? Ela simplesmente me irritava, não tem nada que eu possa fazer. Começou a nevar... Começa o inverno, tinha esquecido. Levantei-me da cama e fui fechar a porta do closet. Fui ao banheiro e piso num molho de roupas melecadas de refrigerante jogadas no chão. Acho que isso quis dizer “lave-as, você que sujou.” Não tem jeito, a ‘senhorita encosto’ as deixou aqui. Coloquei as roupas em um canto e usei o banheiro. Saí e senti o cheiro de uma comida peculiar. Segui o aroma delicioso e cheguei na cozinha, onde todos se reuniram.
— O que fizeram para nós? – Perguntei, esfomeado.
— Uma comida brasileira chamada feijoada. É realmente gostoso, principalmente nesse inverno que está começando. – A Juliana disse, satisfeita. – Então, sirvam-se!
Depois da breve discussão que eu tive, a fome voltou com toda a força. Que mal faz comer algo novo? Peguei um prato e me servi de um pouco da tal ‘feijoada’. Por que os brasileiros gostam de colocar nomes tão estranhos nas comidas? Argh, quente demais. Provei um pouco, devagar, e preciso dizer: é muito bom. Comi quase a panela inteira e me espreguicei. Olhei as horas, já eram 20h da noite. Olhei para os caras e disse, despreocupado:
— Está ficando tarde. Não é melhor levarmos as garotas para casa?
Liam olhou para o relógio no pulso e afirmou. Nos levantamos e as meninas reuniram as coisas delas (que não era muita coisa). Zayn e Liam disseram levar as garotas e saíram do complexo. Eu, Harry e Niall nos despedimos pela janela e nos jogamos no sofá. Niall bocejou e disse:
— Elas são garotas legais, não são? Gostei muito da Mônica. – Niall corou um pouco depois que percebeu o que falou. – Que-quer dizer, eu passei bastante tempo com ela na cozinha e no karaokê.
— Será que está rolando um clima? Oh, o Niall está gamado numa fã! – Harry disse, com uma voz extremamente sensual.
— Você não pode falar nada “sr. Ninho de Passarinhos”. Vi que você também está bem interessado na... Como era o nome dela mesmo...? Ah, Amanda. – Eu disse, rindo da expressão de pura vergonha dele.
Nossa conversa foi interrompida pelo barulhinho do celular no Niall. Mensagem, eu acho. Ele leu e olhou para nós, como se tivesse lido a pior notícia de todas. Depois ele falou com um ar preocupado:
— O Liam disse que já deixou as garotas em casa e que quer falar urgentemente conosco. Ele disse que era extremamente importante.
Tudo bem... Algo importante. Mas o que diabos poderia ser? Me levantei e fui pegar um refrigerante, esfriar a cabeça. Abri o frigobar e peguei a primeira lata que vi. Abri e a soda espumou de leve... Argh, lembrei daquela garota de novo. Será que fui rude demais? Quer dizer, ela não tinha feito nada pra mim e... Não. Decididamente, ela me odeia agora. Não foi bem o que eu tinha planejado, mas... Estremeci. Meu celular está tocando... Ah, é a Eleanor.
— Alô, Eleanor? – falei, desconcertado.
- Alô querido! Ahn, está ocupado agora? – Ela disse, com um tom de voz vacilante.
— Não, não, eu estava apenas concentrado no refrigerante. Voltou de viagem?
- Ah, então tudo bem. Sim, voltei de viagem! Quando poderíamos nos encontrar?
- Amanhã mesmo! Não marque nada até lá, ouviu bem?!
- Sim senhor, e você também! Passo por aí ou nos encontramos em algum lugar?
- Não, nos encontramos. Muitas saudades de você, mal posso esperar para amanhã! Beijos!
- Ahn, eu também! Temos muito o que conversar! Até!
Desliguei antes de qualquer surpresa. Na verdade, eu não estava tão ansioso para ver a Eleanor amanhã, mas também não queria magoá-la. Suspirei e voltei a admirar o refrigerante. Argh, porque a Catharina tinha que ser uma pessoa tão cativante? Eu apenas não posso com tudo isso. Ela mexe com os meus pensamentos e eu acho que isso deveria ser proibido. Voltei para onde os caras estavam e me sentei. Harry me olhou com o canto do olho [coisa que ele nunca foi discreto em fazer] e riu pelo nariz. Niall se correspondia com alguém pelo celular, e não tenho dúvidas que seja a Mônica. Bebi o líquido da lata o mais rápido que pude e senti o ardor na garganta. Isso me aliviou um pouco e me fez esquecer de alguns problemas.
— Hoje foi um bom dia, não acham? – Niall afirmou, sorrindo.
— É, não foi ruim. Será que tem mais daquela ‘feajouada’? – Harry disse, entrando na cozinha.
Devo admitir, me diverti hoje. Ficar na presença da Catharina e das amigas dela foi muito reconfortante, como se estivéssemos voltando no tempo. Hum, estou pensando nela de novo. É melhor eu me ocupar logo, assim não dá para continuar.
Juliana’s POV
Saímos do complexo em direção aos carros. Zayn levou as meninas no carro dele e eu... Hum, eu fui com o Liam. Ele é extremamente cavalheiro. Abriu a porta do carro para mim, e sinalizou para que eu entrasse. Tudo bem, acho que não foi uma das melhores ideias dele. Quer dizer, fomos todos fotografados saindo de um karaokê juntos e o que pensariam se tirassem uma foto de nós dois assim, juntinhos? Mas, é claro, que não pensei assim na hora. Entrei no carro e ele, logo atrás. Esperamos o Zayn sair com as meninas e o seguimos. Tentei puxar algum assunto e foi isso que saiu:
— Ahn, foi um b-bom dia, não? – Apreciem o meu nervosismo.
— Sim... Foi realmente muito bom. Adorei aquela comida, ahn, “feijouada” certo? – Ele riu pelo nariz. Já contei a vocês? Ele é lindo rindo.
— Hahahahahaha! Não Liam, a pronúncia certa é ‘feijoada’. E foi o que tentamos desenvolver, eu e as meninas não temos tantos dotes culinários quanto a Mô.
— É, devo confirmar isso. Ela é como um ‘Nialler em versão feminina’ e acho que os dois combinam perfeitamente.
— Sim, concordo com você! – Eu disse, um pouco eufórica demais.
Depois desse belo comentário, entramos em um silêncio um pouco constrangedor. Quer dizer, o assunto tinha acabado e eu estava ao lado de Liam Payne da One Direction. Ele me espreitava pelo canto dos olhos, ou pelo menos foi o que eu percebi. Eu olhava nervosamente a paisagem da janela, tentando não gritar “LIAM, EU TE AMO PRA CARALHO!” no meio do trânsito londrino. Além disso, tudo isso acontecendo ultimamente é algo inimaginável pra mim. Você consegue imaginar você e suas melhores amigas em momentos íntimos com os meninos da 1D? É eu também não. E olha que essa é a minha realidade atual.
— Juliana, sinto que posso confiar em você. – Sabe quando os seu coração dá uns saltos de emoção e ânsia? Parecia que o meu estava praticando equilibrismo numa corda bamba sobre um mar de tubarões.
— Ahn, s-sério?! M-me sinto lisonjeada... – Eu disse, demonstrando toda confiança que pude recolher.
— Sim! Eu quero lhe confiar um segredo muito íntimo. Prometa, não conta à ninguém? Preciso dessa promessa. – Ele disse, sério. Me senti tensa e afirmei.
— Eu... Eu... Eu terminei o meu namoro com a Danielle.
— Ahn... O quê? O quê...? O QUÊ? – Como você pode ver, fiquei surpresa o suficiente para ele dar continuidade a história.
— Bom, na verdade, foi ela quem terminou tudo comigo. Disse ter encontrado alguém que a completasse, entende? Mas, por mais que isso tenha cicatrizado em mim, sinto um enorme vazio. Penso nela em todo segundo...
Percebi o quanto que ele estava triste. A Danielle, a pessoa a quem eu mais confiei para cuidar do meu bebê, se separou dele. Tudo bem, respira. Preciso consolá-lo. É a necessidade que tenho agora. Não posso escutar isso e apenas aceitar. Não quero ver o meu ídolo triste. Afaguei os cabelos dele na minha mão, eram extremamente macios. Ele sorriu e eu retirei minha mão. Comecei a falar, vacilante:
— Liam, não se preocupe demais com isso. Se... Se ela não permaneceu com você, quer dizer que ela não era a garota perfeita! Tenho certeza que você vai encontrar a garota que lhe complete, que reconheça que você não é o Liam Payne da One Direction, apenas o Liam. Você vai encontrá-la, sinto isso.
Ele ficou calado por alguns instantes e eu fiquei preocupada. Será que fiz algo errado? Me perdi em pensamentos até que vi um vestígio de sorriso surgindo no rosto dele. Posso dizer, fiquei aliviada. Ele se virou para mim e eu corei. Senti a sua mão acariciando o meu cabelo, deixando um tufinho arrepiado do meu rabo de cavalo. Dei um sorriso singelo e ele voltou a sua atenção para o trânsito. Por um momento, todas as palavras fugiram de mim. Um sentimento quente surgiu no meu coração... Eu queria ser amada por ele. Eu queria ser a Danielle, saber que ele me ama. Esse sentimento é tão... Impossível. Mas eu apenas queria que fosse verdade. Perdida em pensamentos, ouvi a voz mansa dele sussurrar para mim:
— Você é uma ótima amiga, obrigado Ju. – Liam diz, sorrindo.
Amiga. É, eu sou apenas uma amiga para ele, claro. Nos conhecemos há 3 dias, criamos uma certa intimidade, e agora... Somos amigos. É, o que mais eu poderia querer? Que ele me amasse? Não, impossível. Depois que ele falou isso, perdi o meu nervosismo. O que eu mais queria era me afastar dele. Me senti... Como posso dizer... Traída. Não conseguia nem olhar no rosto dele, admirar o seu sorriso, ouvir suas palavras reconfortantes... Nada. Estava tão concentrada em rejeitar toda essa beleza que vinha dele que nem percebi quando havia chegado na república. Luise nos esperava à porta, com uma expressão que dizia vocês estão ferradas. Desci do carro o mais rápido que pude e, como nada dá certo comigo, tropecei. Infelizmente, Liam não me deixou cair e segurou minha mão. Corei (contra minha vontade) e agradeci, baixinho.
Me despedi dele rapidamente, o que fez aparecer uma cara de preocupação na expressão dele. Fui de encontro com as meninas, antes que eu voltasse todo esse caminho e abraçasse o Liam e nunca mais quisesse largar. A Mand e a Cath perceberam logo a tensão à minha volta e sinalizamos uma conversa séria para quando entrarmos. A Lu se despediu do Zayn com um abraço e ele sussurrou alguma coisa no ouvido dela. Eu e as meninas demos ‘tchaus ambulantes’ e entramos. Luise esperou que nós entrássemos e perguntou:
— Então... Como foi a tarde de vocês com a ONE DIRECTION?!
Fiz uma expressão assustada. Esqueci das fotos de hoje à tarde. Esqueci que saímos com uns dos CARAS MAIS CONHECIDOS DE LONDRES. Corri em direção à TV e, pelo jeito, as meninas captaram a mensagem. Procurei em todos os canais vestígios de alguma daquelas fotos, até que achei o canal da MTV UK. Tinha a nossa foto, com expressões surpresas e assustadas, tentando desviar a atenção das câmeras, enquanto os meninos tentavam nos esconder. A expressão chocada da Mô e da Mand me fez aumentar o volume da TV:
- Os gatos da One Direction foram vistos saindo de um karaokê bem conhecido por todos os londrinos com 5 lindas garotas: serão elas amigas? Fãs? Tem algo rolando entre esse grupinho? É isso que as fãs estão loucas para descobrir! Depois dos comerciais... – Baixei o volume. Como nenhuma de nós estava conseguindo dizer uma palavra, a Cath se deu conta em fazer uma piada.
— Ok, estamos na TV londrina com os meninos da 1D e fomos chamadas de gatas. – Ela nos encarou. – Há algo mais que eu possa querer?
— Estamos profundamente encrencadas, se eu estiver certa. Rumo ao computador! – A Mand disse, já subindo as escadas.
Subimos atrás dela e demos de cara com ela já no computador. É, pensei, pra isso ela sabe agilizar. Ignorei esse fato e fiquei atrás dela, enquanto ela entrava nas redes sociais dela. A Cath e eu ganhamos milhares (literalmente) de seguidores, enquanto a Lu e a Mand tinham trilhões de solicitações no Facebook. Já a Mô, nem se fala. O tanto de perguntas que tinham no Ask.fm dela, era incrível. Fiquei impressionada com a capacidade que essas garotas tinham para encontrar qualquer um que ficava perto deles. Estremeci.
— Agora temos a prova viva: temos que ter cuidado quando sairmos. – A Mô disse, lendo a pergunta de uma menina totalmente desconhecida para nós.
Tudo bem, respira. Eu deveria estar estudando... Amanhã vamos ver que nível seremos no nosso curso. Mas, infelizmente, minha mente não está preparada pra isso. Simplesmente, não posso com tudo isso. Eu quero desaparecer... Argh. As fãs devem estar loucas, principalmente as brasileiras. Me sentei na cama. A Mand e a Cath sentaram-se à minha volta, a Lu e a Mô vieram atrás.
— Percebi o sinal de vocês lá embaixo... O que aconteceu? – Lu disse, me encarando.
Contei tudo. O que eu tinha ouvido, o que eu tinha sentido, a reação do Liam. Me senti aliviada, afinal, estava desabafando com as minhas melhores amigas. Depois que contei tudo, me senti vazia. Vi a preocupação das meninas, senti isso. Comecei a chorar baixinho, e a Lu me puxou para o colo dela. Deitei-me e a Mô me fazia uma massagem nos pés. A Cath desceu e a Mand acariciava minha barriga. É, essas são minhas amigas. Nem se preocupavam em me consolar, apenas cuidavam de mim. Estremeci pelo frio e vi a neve cair pela janela. Pensei no Liam novamente, aquele sorriso lindo... Acho que estou começando a gostar dele. Digo, amar ele. Antes eu o conhecia apenas como ídolo, agora o conheço como pessoa. Sinto que estou me apaixonando pelo os dois, ídolo e pessoa. A Cath entra no quarto novamente com uma bandeja de chocolate quente para nós.
Juntamos todas as cinco camas e ficamos esparramadas, tomando chocolate quente e ouvindo Birdy. Conversávamos como crianças, tentando esquecer o acontecido. Percebi o olhar cansado e triste da Cath e fui até ela. Me aprumei ao lado dela e repousei a xícara quente na mesinha de cabeceira. Sorri singelamente e ela me devolveu um sorriso amargo. O que teria acontecido? Ela parecia tão feliz a momentos atrás, e agora... Fiquei preocupada. Me encostei na parte amadeirada da cama e ela deitou no meu colo. Comecei a alisar os cabelos dela, um emaranhado vermelho mesclado de cabelos castanhos. Admirei o olhar preocupado dela e perguntei:
— Você vai pintar os cabelos de azul, certo? Mais uma renovação...
— É... – E começou a chorar. Admirei as lágrimas dela escorrerem e borrarem o resto de maquiagem que sobrou no rosto dela. – Ju, eu... Eu estou tão confusa. U-uma hora ele é divertido e sorri... Mas em outra hora eu estou brigando com ele... Eu... E-eu não gosto disso.
— Tudo bem, você pode desabafar comigo. De quem você fala, o Louis?
— S-sim... Ele é incrível, Ju, incrível... Ele é tão maravilhoso como jamais imaginei... Mas, depois de ouvir tudo que você disse, eu acho que... Estou me apaixonando por ele... M-mas, acima de tudo, ele é meu ídolo e nunca deixou de ser... Não gosto de brigar com ele Ju, não gosto...
Afaguei os cabelos dela. De pouco em pouco, a Cath foi relaxando e parando de chorar. Ela se levantou e sentou de frente para mim, dizendo:
— Ju, por favor, me diga o que fazer.
— Primeiro, tome um banho quente, vista um pijama. Depois, sonhe com coisas boas e lindas. Por fim, aja como você mesma e não deixe que o amor ou até mesmo seu ídolo mude sua personalidade feliz. Somos irmãs, esqueceu? Se ninguém nesse mundo te quiser, você tem a nós.
Beijei a testa dela e a Cath sorriu. Enxugou as lágrimas e disse, sorridente:
— Que tal você vir comprar minha tinta de cabelo comigo? Eu adoraria uma companhia.
— Claro que vou. Agora, para o banho mocinha!
Luísa’s POV
Depois do momento emoções que tivemos ontem, a Ju e a Cath voltaram ao normal. Quer dizer, o normal delas. A Cath pareceu voltar no tempo e acordou a gente com uma chuva de travesseiros. A Ju acordou super cedo e se encarregou de arrumar nossas bolsas (ainda bem). A neve caía densa na beira da porta da frente e nas janelas. Separamos casacos bem aquecidos e calças confortáveis. Devo dizer que a Mand e a Cath estavam incrivelmente fofinhas! A Mô (como sempre) já acordou comendo. Abriu uma barra de cereal e foi devorando enquanto dava uma revisada no conteúdo da bolsa. Me dei conta de maquiar todas nós, amo fazer isso. Depois dos nossos minutos de beleza, descemos e fomos orientadas de todo o processo.
— Vocês podem usar o meu carro. Dirijam em direção a primeira praça à esquerda e vão até o fim da via, dobrando na rua à direita. O curso de vocês é no último prédio da rua, quando chegarem digam que eu sou a mentora de vocês e peçam informação sobre o local da avaliação. Como ainda está um pouco cedo, vocês podem parar no Starbucks no caminho. O café espresso de lá é ótimo. – A Luise disse, olhando para nossas roupas. – Tem certeza de que estão bem aquecidas?
— Tive o cuidado de revisar tudo, pode deixar Luise! – Ju disse, com orgulho de si mesma.
— Então está certo. Tenham certeza de passarem pro avançado, não quero burras na minha república. Até mais!
Nos despedimos da Luise e fomos em direção do carro dela. Sinceramente, nunca vi carro tão desproporcionalmente grande na minha vida. Tinha sete espaçosos lugares, e olha que só ocupamos cinco. Eu fui dirigindo, já que tinha mais experiência com carros mais que todas nós. Saí da garagem com um pequeno aperto, porque fiquei com medo de quebrar a traseira do carro. As meninas entraram e fomos direto para o Starbucks. Encalhei um pouco no caminho, já que eu nunca havia dirigido na neve. Ainda bem que a Luise tinha trocado as rodas por algumas mais adaptadas para o tempo... Senão eu teria feito um estrago.
Mesmo dentro do carro, o frio era enorme. Como somos brasileiras, tanto frio assim é incomum. As avenidas estavam transbordando neve, e isso era incrivelmente lindo. O vidro do carro estava embaçado e a Mô fazia desenhos nele (bebêzona). Eu tentava dirigir prestando atenção apenas no trânsito, e não nos caras lindos que passavam na rua. Um mais lindo que o outro, acredite. Homens enrolados em cachecóis são lindos também. Enfim, a Ju me avisou onde era o Starbucks, porque senão eu nunca pararia. Homens. Descemos do carro com cautela (neve desgraçada) e entramos no calorzinho do café.
Era meio incômodo ficar em lugares com muita gente, na nossa situação. Agora éramos classificadas como famosas, e aonde íamos, olhares de garotas raivosas nos seguiam. A Cath experimentou mandar um tweet caloroso de bom dia para o mundo virtual e foi abordada por fã-clubes perguntando tudo sobre os garotos: cor e comida predileta e afins. Babaquices. A Mô respondeu umas 5 perguntas no Ask dela e a inbox foi lotada por mais 500 perguntas. Nem eu e a Ju tentávamos entrar nas nossas contas do Facebook, sabendo o tanto de pessoas querendo nos adicionar como amigas. Isso é realmente assustador.
Enfim, depois desse breve momento de fama do dia, pedi um café fervoroso e a Ju me acompanhou. A Mô pediu um chocolate quente grande e a Cath e a Mand pediram um cappuccino médio. Fomos atendidas com um sorriso singelo do garçom (coisa que eu amei) e saímos de lá antes que qualquer coisa pudesse acontecer. Voltamos para o carro, tremendamente frio, e repousei o meu café no porta-copos do carona. A Mô cortou o silêncio com uma frase achocolatada:
— Acho que deveríamos falar menos com os meninos, sabe. – Sim, sabíamos de quem ela falava. – Eles estão nos trazendo alguns problemas...
— Reconheço a sua preocupação, Mô – Ju disse – Mas não adianta. Imagine, se nós estamos sendo abordadas desse jeito, imagine os garotos?!
— Meninas, conversamos sobre isso depois. Chegamos no curso! – Mand disse, apontando para o enorme (sim, enorme) prédio à direita do carro.
Descemos do carro ainda com nossos cafés na mão e fomos pedir informação na atendente.
— Ahn, olá. – Mô disse, já se adiantando. – Nossa mentora é a Luise, reconhece o nome?
A atendente nos avaliou e pegou uma lista com os nossos nomes e fotos inscritos. Marcou nossa presença para o teste e nos indicou o andar para qual devíamos ir. Fomos rapidamente ao elevador e apertamos o andar em que deveríamos ir. Estávamos revisando rapidamente tudo que aprendemos até sermos surpreendidas pelo grito estridente da Cath no elevador apertado:
— RODRIGO?! QUANTO TEMPO!
Bom: pequenas apresentações. Rodrigo é um velho amigo da Mand e da Cath, estudaram juntos antes de nos conhecermos. Ele se mudou para Londres quando tinha 10 anos, para morar com os tios. Era um cara lindo, se me permitem dizer. Tinha um cabelo longo e desalinhado, preto. Olhos azuis bem marcantes e a pele bem branca. Usava coturnos parecidos com os da Cath e um casaco militar bem pesado. Lindo.
— Catharina! Nossa, você está, hum, diferente! – Ele disse, mirando o (fofo) corpo da Cath. Achei isso meio, hum, na cara... Mas deixei passar. – E Amanda! Nossa, vocês ainda são amigas? E essas são... Hum...
— Ah, não se acanhe. Me chamo Luísa. Essa é a Ju e a Mô, também somos amigas de longa data dessas duas. Acho que nos conhecemos pouco tempo depois de você ter vindo para cá. – Eu disse, avaliando o corpo dele. O que eu posso fazer? É automático.
— Então vocês estão fazendo intercâmbio aqui? Que maravilha! Trabalho aqui como um dos instrutores brasileiros, acho que sou do andar de vocês. Que coincidência, não? Estávamos nos correspondendo um dia desses! – Rodrigo disse, mostrando um sorriso lindo. Posso dizer, não sou discreta quando vejo caras bonitos.
— Realmente...! Ah, chegamos. – Mand disse.
Era um lugar enorme, cheio de pessoas (provavelmente) esperando para fazer a avaliação. Eu e as meninas ficamos que nem idiotas no canto da sala, tentando buscar uma orientação com o Rodrigo (que também não sabia de porra nenhuma) e achar um lugar para encaixar. Saímos de lá e nos direcionamos para a fila, onde nós pegaríamos a etiqueta de identificação. A fila estava pequena, então chegou nossa vez rapidinho. Colei o adesivo no busto e fui logo entrando na sala da avaliação, à esquerda. Rodrigo se despediu de nós, orientando duas garotinhas de uns 12 anos para a sala de avaliação delas. Eu e as garotas tentamos sentar o mais próximo possível entre aquele mundo de gente. Sentei numa cadeira atrás da Mand e fui revistar a minha bolsa pra ver o que diabos a Ju tinha colocado nela. Livro, maquiagem extra, estojo, carteira e chaves. Ótimo, nenhuma fila. Que garota inocente.
Minha avaliação foi bem tranquila, devo dizer. Era bem complexa e extensa, mas deu tudo certo no tempo exigido. Acho que a Mô e a Ju se garantiram nesse teste também, porque elas exalavam felicidade. A Cath estava com uma expressão satisfeita e a Mand, despreocupada (como sempre). Saímos da sala e fomos direto para o elevador, depois de todo o processo de recolhimento de provas e afins. Nunca tive que confirmar tanta papelada na minha vida, se querem saber. Descemos e agradecemos a atendente que nos indicou o elevador. Quando íamos saindo, ela nos chamou.
— Ahn, vocês são as garotas que apareceram na foto com os One Direction, certo? Posso tirar uma foto de vocês? Minha filha iria adorar... – Nos encaramos e ela continuou. – Por favor meninas, só uma foto!
— Ahn, temos que ir, desculpe-nos... – Ju começou e levou uma cortada totalmente indelicada.
— Ah, mais é só uma foto! Não leva nem 5 segundos, por favor! É para minha filha...
Bom, diante a essa insistência irritante dessa atendente (que já estava na minha lista negra) eu quase cedi uma porcaria de uma foto. Caralho, essa mulher já estava me dando dor de cabeça! Mas eu não queria ser rude, vai que inventem mais uma fofoca ridícula sobre “uma das queridinhas da One Direction é uma bruta desgarrada” e eu seja ignorada em todos os lugares? Não. Quando eu estava pensando em me virar e ir embora, a Mand me alarmou com um granido surpreso.
— Que tal se você tirar uma foto nossa? – Uma voz amaciada e sedutora invadiu os meus ouvidos.
Senti uma mão no meu ombro. Me virei e dei de cara com um topete enorme e loiro de um rapaz (lindo e sedutor) moreno: Zayn Malik. Se eu pirei? Comecei a gaguejar loucamente, como se eu nunca tivesse o visto de perto. Na verdade, nunca o vi tão perto assim. Meu coração dava pulos de felicidade e nervosismo, por ter apenas 3 centímetros de vácuo me separando do peito dele. Sim, isso é constrangedor mesmo pra mim. Você já ficou assim, cara a cara com o seu ídolo? Se tivesse ia pirar como eu. A Mand ainda estava chocada e a Cath ficou nos admirando como se nunca os tivesse visto. Tudo bem, não vou entrar em detalhes. A atendente calou a boca (ainda bem) e tirou a droga da foto que queria. Zayn sorriu pra mim enquanto saímos do prédio e perguntou:
— Fez um bom teste? – Nossa, que comum, Zayn Malik perguntando se eu fiz uma boa avaliação.
Se você esteve em Londres e viu uma garota babando e rindo aos montes: bom, era eu. Eu fui em direção ao carro da Luise, mas ele me puxou para o carro dele. Ok, super normal o seu ídolo te convidar pra ir pra casa no carro dele. Deixei a chave com a pessoa mais confiante na direção (Cath) e fui para o carro com ele. Me sentei no banco e fiquei admirando a janela, buscando não ficar babando pela beleza dele. Vi o carro das meninas saírem na frente e o Zayn as seguiu. Talvez ele quisesse conversar comigo? Mas, sei lá... O que ele queria falar? Argh, minha cabeça está a mil. Tentei cortar o silêncio com uma frase extremamente idiota:
— Ahn, então... O que faz por aqui?
Ele olhou para mim de relance e sorriu. Ok, respira. Ele só sorriu, não te deu um anel de diamantes. Zayn começou a falar, calmamente, como se soprasse as palavras:
— Pensei em convidar você e suas amigas para um lugar legal. – Ele ficou me admirando, como se contasse cada poro do meu rosto. Tossi e tentei falar (sim, tentei):
— Hum, s-sair com você? Hoje? – Ele afirmou. – Hum, p-por mim tudo bem... Para onde nós iríamos?
— Poderíamos radicalizar um pouco... Uma boate talvez? – Ele ficou me mirando, como se já soubesse a resposta. Na verdade, ele já sabia. Como eu iria recusar com aqueles lábios carnudos apontando pra mim?
— Tudo bem então... Vou ligar para as meninas.
Liguei para a Mô, que seria a mais possível de me atender. As meninas fofocavam no carro, tenho certeza. A barulheira era enorme e quase não entendi o que a Mô disse.
- HAHAHAHAHAHAHA! Ahn, oi Lu...
- Pergunta aí para as meninas, que tal uma baladinha hoje?
- Asdljdlslfjsç tudo bem asçdkasdjasçljd Zayn kdshfsdsldfji HAHAHAHAHA! Elas concordaram também! Ahn, vou desligar porque a Ju está nervosa demais com a Cath no volante.
Nota mental: nunca mais deixar a Cath tocar num carro. Suspirei e desliguei o telefone. O Zayn me olhou de relance e perguntou sobre a resposta delas, rindo. Ótimo, eu deveria estar vermelha que nem um tomate quando assenti, vergonha no nível máximo. Chegamos na república depois de muitas curvas e ruas. Desci do carro rapidamente, antes que me desse vontade de pular no colo do Zayn e beijar aquela boca linda. Quando ia falar com as meninas, ele me puxou pelo braço e sussurrou:
— Daqui a pouco volto para buscar você, não se atrase.
Ele me abraçou e se virou para o carro. Fiquei parada na frente dele como se fosse uma estátua, porque eu acabei de ser abraçada pelo meu ídolo. Eu não sei quantas vezes eu já falei ídolo, mas... Enfim, era como se todos os meus sonhos estivessem se realizando enquanto o mundo acabava. Sem palavras. Me juntei as meninas, que riam como crianças (menos a Cath, ela sempre foi babaca). Quando elas me viram chegar, perguntaram com tom meloso:
— Então... O que vamos vestir? – Você não sabe como é estranho 4 garotas falarem isso em uníssono.
Rimos e fomos direto para o quarto, o único lugar onde poderíamos ter crises de fangirl sem ninguém saber (além da república inteira). A Mô foi direto para o banheiro e eu liguei o aquecedor. Como a neve caía linda em Londres. A Mand entrou no Twitter para dar uma mera atualizada por lá e deu de cara com Harry Styles nos seguidores. Surpreendente.
Acabamos de chegar dos testes e daqui a pouco vamos curtir uma boate londrina! Alguém quer vir também? ;]
Entrei no meu Facebook só para ver as desgraças que tinham postado sobre mim nas páginas fã-clubes. Ainda bem que não tinham conseguido uma foto de mim e do Zayn hoje, as fãs simplesmente pirariam. É, os fã-clubes estão em ordem, tirando o fato que metade deles estão perguntando o que diabos fazíamos com os bebês delas. Fui nas minhas fotos e a bomba: alguma idiota teve a ideia de postar fotos antigas minhas. Argh, virei sub-celebridade agora? Não quero isso.
— Você estava linda nesse baile mas... Quem é esse zé-mané com você? – A Cath perguntou, como sempre, singelamente.
— Não reconhece? É o Fábio. A Lu foi com ele no baile de formatura com ele quando éramos da 4ª série. – A Ju disse. – Observe como o seu ex-namorado era lindo, observe.
— Nunca vi fotos mais lindas, Lu. Sinceramente, você deveria de fechar o seu Facebook para sempre. – A Mand disse, também vendo o perfil dela.
A Mô sai do banheiro nessa hora, enrolada numa toalha e completamente molhada, com o celular na mão. Veio correndo até nós e quase (um grande quase) escorregou. Mostrou o visor do celular para mim, dizendo:
— Meninas, vão se arrumando! Eles vêm nos buscar daqui à duas horas!
Momento loucura do dia. Depois de alguns minutos de muita correria, organizamos todas as ideias perfeitamente bem. Ah, contei a vocês? A Cath pintou o cabelo totalmente de azul e ficou mais fofa do que já é. Hipsta please. Todas nós tomamos um banho rápido e fomos para as malas, o grande dilema das roupas. A Mô escolheu um vestido floral com um cardigã de paetês, meias longas e pretas com uma botinha preta. Fofa. A Ju também foi toda romântica, argh. É balada gente, momento de arrasar! Ela escolheu um vestido de babados nude e um salto vinho super lindo. A Mand optou por uma jaqueta de couro, uma blusa larga e saia preta. Eu escolhi um vestido com estampa animal e uma jaqueta super quente, já que o inverno não dava tréguas. A Cath escolheu um vestido de rendas preto. Todas fofas, bem aquecidas e arrumadas, hora da maquiagem.
Tentamos fazer a maquiagem mais natural possível, porque eu mesma não queria acordar como um panda no outro dia. Maquiagem pronta, bolsas organizadas, beleza à mostra, hora de descer. Saímos do quarto e corremos pelas escadas. Foi extremamente desagradável descer correndo com o salto que eu estava. A Luise nos mirou e fez um olhar aprovador. Amo isso nela, simplesmente amo. Nos reunímos na sala e eu perguntei:
- Então, como estamos? – A Luise sorriu e disse, quase orgulhosa:
- Vejo que estão aproveitando muito bem Londres. Só tenho uma pergunta: voltam hoje? – Rimos. Algo como minha mãe falando, exatamente. Ah mãe, sinto sua falta. – Vão logo, eles estão aí na frente.
Fizemos expressões surpresas. Nos arrumamos à tempo! Saí correndo pela porta e senti a brisa gelada no meu rosto. Havia cinco belos carros na frente da república, todos acompanhados por belos rapazes.
- Bom, cada uma com seu príncipe. – Ju disse, hesitando um pouco. Jurávamos que seriam apenas 2 carros, não isso. A Cath ficou tensa. Ok, respira.
Niall’s POV
A Mô estava linda. Q-quer dizer, todas estavam. Mas, hum, eu tenho minhas preferências. Senti meu estômago grunhir, e eu tenho certeza de que não era fome. A Mô vinha em minha direção, sorrindo. Sorri para ela também, quase involuntariamente. Apontei para a porta aberta do carro e ela sentou. Entrei logo atrás dela, já ligando o carro. Ela olhou as amigas e fez uma expressão preocupada, dizendo:
- Espero que dê tudo certo entre esses dois. – E apontou para o Louis e a Catharina.
- Sinceramente? Eu também. O Zayn e o Harry tiveram a ideia da boate para ver se tudo se resolvia entre eles... E, hum, você está linda.
Ela corou um pouco e senti que eu também. Ainda bem que o carro estava escuro. Vi que os caras já tinham saído na frente, e fui logo atrás deles. A Mô digitava algo no celular, provavelmente uma mensagem. Tentei prestar atenção apenas no trânsito à minha frente, mas os meus olhos insistiam em perseguir a garota ao meu lado. A Mô virou-se para mim e perguntou, meigamente:
- Niall, para onde estamos indo? – Sorri para ela.
- Para a melhor boate de Londres, aprovada por Zayn Malik e Harry Styles.
Rimos um pouco e o clima pesado prostrado entre nós foi sumindo aos poucos. Conversamos no caminho inteiro e descobri muito sobre ela. Simplesmente uma garota incrível. Tinha um sorriso lindo e totalmente viciante. Minha boca teve o momentâneo desejo de encostar na boca dela, aquela linda e carnuda boca. Tentei desviar meu olhar, que estava parado no rosto dela, fazendo-a corar. Senti como se a conhecesse a séculos. Meu coração acelerou e fiz a pergunta mais estranha de toda a minha vida:
- Posso te mandar mensagens todos os dias? – Vi a expressão de dúvida dela e entendi: ela é lerda como eu. – Quer dizer, como amigos fariam.
- Ah, claro que pode! Eu adoraria, Niall! Hum, se não for incômodo para você, posso lhe mandar mensagens também...?
- Claro, eu adoraria. Ah! Chegamos. – Estacionei o carro perto do carro do Zayn (que não era nada chamativo).
Descemos e encontramos com as meninas e os caras já na entrada da boate, que pelo visto estava á toda essa noite. Colocamos as fitas de entrada e fomos direto para o bar, que era mais perto. O Zayn e a Lu foram para a pista e o Harry ficou com a Mand nas mesas acima. Não encontrei o Louis com a Cath em canto nenhum, fiquei preocupado. Já presenciei brigas daqueles dois, com certeza poderia ter acontecido algo.
- Você acha que eles estão bem? – Já sabia a quem ela se referia.
- Devem estar. Louis tem a cabeça no lugar, por mais que não pareça.
Assentimos um para o outro e nos sentamos nas cadeiras à frente do bar. Pedi um suco de morango bem gelado, já que eu não poderia beber realmente. Segurança da minha dama primeiro, certo? A Mô admirava as delícias do cardápio e resolveu pedir um coquetel de frutas, que era realmente ótimo. O barman colocou nossas bebidas na mesa e se retirou, levando consigo o cardápio. Dei uma grande golada de suco e senti o gelo descendo pela minha garganta. Agradável. A Mô bebericou o coquetel e fez uma expressão de aprovação. Sorri para ela e perguntei:
- O que acha do lugar?
- Bem diferente das boates brasileiras, tenha certeza! E esse coquetel é maravilhoso! Posso provar o seu suco? Parece ótimo também... – Ofereci o meu copo e ela sugou uma boa quantidade de suco, deliciando cada gota. – Maravilhoso.
- Quer dançar um pouco? É uma boate, afinal. – Perguntei, mirando o copo (já vazio) de coquetel à minha frente.
- Vamos! YAY!
Puxei-a pela mão e fomos para a pista. Rihanna cantava nos nossos ouvidos alucinadamente, enquanto ela improvisava alguns passos. Ri e comecei a imitá-la, imaginando o quão ridículo isso deveria ser para os outros.
Feel the adrenaline
Moving under my skin
It's and addiction
Such an eruption
Identifiquei o Harry e a Mand no meio da multidão. Seguimos até eles e me choquei com a ninhada de cabelos cacheados do Harry na minha cara. Desagradável. Ele se virou e riu, como sempre. A Mand sussurrava algo para a Mô, que assentia firmemente. Não entendi bulhufas, elas falavam em português, acho. Ignorei a conversa delas e me referi ao Harry:
- Como acha que vai o casal “briguento”? – Ele bufou e riu pelo nariz.
- Tudo como o esperado, Nialler. Agora vamos dançar!
Ele puxou a mão da Mand e foi mais fundo na multidão, dançando loucamente.
Sound is my remedy
Feeding me energy
Music is all I need
Segurei a mão da Mô e começamos a dançar. Espero que realmente esteja tudo certo entre aqueles dois.
Louis’s POV
Bom... O que eu posso dizer em minha defesa? Nada, é verdade. A realidade é que a Catharina estava incrivelmente linda e eu fiquei com raiva disso. Por que ela não poderia ter errado dessa vez, só pra variar? Argh. O meu carro foi infectado pelo cheiro viciante daquele perfume doce que ainda visita minhas narinas. Assim que entrei na boate, tentei fugir dela (o que foi impossível). Ela agarrou minha camisa e não queria largar.
- Você pode me largar, por favor? – Eu disse, dando tapas na mão dela. – Isso é bem desagradável.
- Não vou! Você vai me deixar sozinha e... Eu vou me perder de você. – Ela me olhou com os olhos um pouco lacrimosos. – N-não é como se eu quisesse ficar com você, sabe?!
Bufei. Ela não tem o direito de mexer com o meu coração desse jeito. Ele dava pulos de tanta alegria, o que meu cérebro não aprovou nem um tiquinho. Puxei ela pela mão e vi o rosto dela rosar um pouco. Mulheres. Paramos numa mesa bem distante, onde eu não pudesse ser visto com essa figura destrambelhada. As pessoas dançavam loucamente e, bem, ficava difícil de passar pelos molhos de gente. Ouvi um gemido baixo vindo da “Azulona”. Sim, esse é o apelido que eu adotei para aquela menina de cabelos extremamente azuis. Ela bufava enquanto lia uma mensagem no celular. Uma parte do meu cérebro se interessou muito pelo movimento que os dedos dela faziam na tela do iPhone. Olhei para o cardápio à minha frente, tentando desviar do assunto “mensagem de celular”, e pedi um refrigerante. A Catharina jogou o celular na bolsa e olhou para mim. Repentinamente fiquei tenso.
- Está olhando o que? – Eu disse, secamente.
- O quanto eu fui idiota por vir com você nessa boate. Vou dançar, com licença. – E saiu apressada, largando a bolsa e fazendo um movimento esvoaçante com a barra do vestido rendado.
Persegui aquele ponto azul com os olhos. Ouvi o baque surdo do copo repousado na mesa. Olhei para ele e bebi um grande gole, que desceu ardendo por toda a minha garganta. Fiquei admirando o vai-e-vem de pessoas dançando, rindo... Até que a música mudou, uma batida lenta. Catharina olhou para todos os casais formados e deu um muxoxo de tristeza. Ri da cara dela, até perceber que ela vinha em minha direção. Desviei o olhar, não dando atenção ao olhar de súplica na cara dela. Parou na minha frente e encostou o busto na mesa, fazendo com que o decote apontasse para mim. Tentador.
- Pode dançar comigo? – Olhei para ela com descrença. – Por favor! Não quero ficar no meio da pista como uma idiota. E, aliás, você é minha companhia.
Olhei bem nos olhos dela e bufei mais uma vez. Percebi que ela não desiste fácil, infelizmente. Aceitei de má vontade, até que um cara alto tocou nos ombros dela, chamando-a atenção. Ela virou-se, assustada, e abraçou o cara. Hum, não vou mentir, senti uma pontada de ciúmes. Eles começaram a conversar rapidamente em português, eu não entendi porra nenhuma. Fiquei com uma raiva repentina. Ela era minha companhia e conversava com outro cara? Não aceito isso. Me levantei e fiquei ao lado dela, fazendo com que o menino fizesse uma expressão de dúvida.
- Ahn... – Ele olhou para ela e quase babou. Sim, eu digo que ele quase babou. – Você é o Louis Tom-alguma-coisa, certo? Ouvi sobre você pela minha prima.
- É, sou eu. Agora, com licença. Você, vem aqui. – Puxei Catharina pelo pulso e parei de repente, sentindo as mãos dela pararem nas minhas costas.
Me virei e a encarei com raiva. Ela foi um pouco para trás, com receio. Tínhamos parado em frente a um banheiro feminino, e ela fugiu para dentro dele. Fui atrás dela, sem ter noção de onde eu estava entrando. Vi ela entrando um boxe e corri atrás. Senti a raiva subir em mim. Por que ela estava fugindo de mim? Entrei no boxe em que ela estava e encostei-a na parede. Senti o calor da raiva por todo o meu corpo, e perguntei grosseiramente:
- Por que diabos você estava fugindo de mim, sua babaca? EU SÓ IA CONVERSAR COM VOCÊ!
- Nós NUNCA conversamos, só brigamos! E outra, você está extremamente assustador assim, DESGRUDA DE MIM! NÃO DESCONTE A SUA RAIVA EM MIM, CARALHO!
- Ah é, eu estou assustador? – Perguntei, com ironia. Vi ela corar e isso me satisfez.
- S-sim! Você está mais rude que o norm... Humpf!
Eu colei os meus lábios nos dela, abafando o que ela pretendia falar. Senti o gosto do batom cereja e o hálito quente de menta invadiu a minha boca. Ela sentou na privada fechada e me agarrou. Meu coração bateu mais forte e senti o dela acelerar também. Passamos alguns segundos sem fôlego nesse demorado beijo, até que ela nos separou. Senti como se tivesse me separado do meu brinquedo preferido. Ela me encarou e pude enxergar bem os seus olhos castanhos que brilhavam de vergonha e felicidade. Soltei as mãos macias e pequenas na qual eu segurava e encostei-me na parede oposta. Suspiramos e voltamos a nos encarar.
- O... Que... Você... FEZ? – Ela me perguntou, chorando. Fiquei petrificado.
- Me deixei levar, me desculpe.
Ela colocou as mãos no rosto e chorou ainda mais.
- Não... Não faça mais isso! – Falou, esganiçada. – Eu... A Eleanor te ama muito e... E eu não quero que vocês se separem e... N-não faça isso outra vez. Eu... Não quero que coisas ruins aconteçam e-entre você e a Eleanor. V-vocês formam um casal lindo e...
- Ah, cale a boca. – Eu a interrompi. Nunca pensei que a Azulona pudesse ser tão chorona. – Eu já entendi, e já disse que me deixei levar pelo momento. Agora, pode parar de chorar?
Não deu certo e ela chorou mais alto. Puxei a mão dela e saímos do boxe (sorte que o banheiro estava vazio). Peguei um papel e comecei a enxugar as lágrimas que ainda corriam pelo rosto dela. Soluçou mais uma vez e segurou minha mão, puxando o papel.
- Não faça essas coisas ridículas comigo, por favor. – É, ela voltou ao normal. – E saia daqui, é um banheiro feminino!
Bufei e me virei, em direção à porta. Mas aí me lembrei porque tudo isso havia acontecido. Eu apenas queria perguntar quem era aquele cara, e a raiva me deixou levar pelo momento. Como eu pude ser tão burro? Saí do banheiro e ignorei as baixas reclamações que ela dizia sobre mim. Voltei à mesa de onde eu estava, passando por agitadas e felizes pessoas. Que esperançoso. Ah, não consigo me entender. Por que diabos eu a beijei? Eu posso ter dito que fui levado pelo momento, sim, mas isso é simplesmente surreal! Eu tenho a Eleanor, a garota que eu amo e que ama reciprocamente. Como eu posso ter sentido ciúmes de um cara, amigo, ou o que fosse daquela garota azul? Era da conta dela, podia fazer amizades com quem bem intendesse. Mas, ainda assim... Não consigo entender. Meus devaneios foram cortados pelo ninho de pássaros que era o cabelo do Harry. Ele vinha acompanhado da Amanda, que lia algo no celular.
- Harry, vou aqui no banheiro rapidinho. Urgência feminina. Já volto... – Ela disse e foi à caminho do lugar de onde eu havia acabado de sair.
- Então, caro Louis, como está lidando com a Srta. Catharina? – Harry me perguntou, sentando na minha frente.
- O que você quis dizer com “lidando”? Estamos na mesma situação de sempre.
Ele me encarou por alguns segundos com aqueles intensos olhos verdes e riu pelo nariz. Chamou o garçom e pediu um conhaque. E eu ainda me pergunto como ele ainda não foi multado por dirigir alcoolizado. O garçom repousou o copo na mesa e o Harry encostou os lábios, bebericando. Ele pôs o copo na mesa e falou, me encarando novamente:
- E a “mesma situação” – ele fez aspas no ar – significa estar com a boca borrada de batom vermelho que, por acaso, é o mesmo que a Catharina está usando?
- Cuide da sua vida, Ninho de Pássaros. – E bufei. Peguei um guardanapo e me aprontei a limpar a minha boca.
Amanda’s POV
Eu atravessava o molho de pessoas, tentando encontrar um banheiro feminino por perto. Assim que achei, vi a Cath na porta, com uma expressão preocupada e triste. Fiquei logo preocupada. Ela é sempre tão animada, não importa o que aconteça. Entramos juntas no banheiro, que estava vazio. Ela me encarou, chorosa, e me abraçou. Senti o cheiro de dois perfumes diferentes grudado no corpo dela. Fiz uma careta e a abracei de volta. Ela me largou e as lágrimas escorriam pelo rosto, borrando a bela maquiagem que a Lu tinha feito.
- Cath, você está me preocupando ainda mais. O que diabos aconteceu com você? – Encarei-a, nervosa, e me encostei na pia ao meu lado.
- M-Mand, eu acho que fiz algo totalmente errado. Eu... O Louis me beijou.
- Hum, ok. Espera... O... Quê... O... QUÊ... O QUÊÊÊÊÊÊÊ?!
E ela me explicou toda a confusão. Contou os meros detalhes, desde que chegou aqui. Tudo bem, ele fez algo impensável. Quer dizer, ele tem uma namorada linda, é lindo, simpático, bem-humorado, gentil... Mas como assim eles se beijaram? Até onde eu sei, eles se odiavam. E agora recebo a notícia de que eles se beijaram.
- Tudo bem, eu sei o que você está pensando. Mas a Eleanor não é o Fábio, Cath. Ela não vai largar ele por conta de um deslize comum, coisa de homem. E olha, ela nem viu isso acontecer! Então se acalma, eu estou aqui... Tá tudo bem, estamos em Londres... A nossa semana apenas começou, não arranje motivos para ficar triste, amor.
Conheço bem a minha amiga, sei o quanto ela ainda sobre por causa daquele filho da puta. É algo inevitável. Mas a Eleanor é famosa, o Louis é famoso, ela deve saber muito bem que qualquer mudança de atitude repercute no mundo inteiro, em todas as fãs. Ela não pode simplesmente largá-lo. Tudo bem, me colocando no lugar da Els, eu simplesmente não perdoaria, mas... Sabe, eles se amam. Abracei a Cath e ela deitou no meu busto. Passamos longos minutos assim, unidas. Fiz a mesma coisa quando ela terminou com aquele lixo do Fábio, o que foi a melhor coisa que ela fez na vida. Nos separamos e ela me olhou, decidida.
- Não vou me deixar abalar por causa disso. Eu não gosto dele, e ele não gosta de mim. Fim.
- Isso mesmo, não se abale por uma coisa dessas. Agora me deixa arrumar a sua maquiagem, você está parecendo um panda.
Depois de alguns minutos retocando a maquiagem, arrumando o vestido e caprichando mais no cabelo, saímos lindas e poderosas do banheiro. É, lindas e poderosas. Íamos começar a enfrentar a multidão animada até que a Cath teve uma ideia bem a cara dela.
- Vamos tirar uma foto e postar no meu Instagram! Quero gravar esse momento inesquecível. – Paramos no lugar um pouco próximo da entrada do banheiro e tiramos a foto.
Tentei ler o que ela tinha escrito e apenas captei algo como “Aproveitando o que Londres pode nos fornecer! ♥” e a nossa foto com alguns efeitos bem legais. Ela postou e sorriu. Aposto como ela está se divertindo muito com tudo isso. Voltamos para a concentração de pessoas dançando e entramos no ritmo. O que poderíamos fazer? Dançar é muito bom. Principalmente quando você teve a oportunidade de ver o Harry dançar. Tudo bem, ele não dança tão bem assim, mas não posso negar que ele tem um rebolado digno de aprovação brasileira. Atravessamos a multidão e chegamos na mesa, onde Louis e Harry simplesmente estavam SENDO FOTOGRAFADOS. A Cath gemeu baixinho e mudamos a direção do nosso caminho. Não entrei no computador hoje e não sei se tem mais fotos nossas ou algo assim. Mas, nada como prevenir.
Já contei a vocês que tudo que eu planejo dá errado? Pois é. Não tinha apenas dois fotógrafos na boate, e sim uns sete. Mal me virei e um flash super forte me segou completamente. Tiraram consecutivas fotos nossas até que demos em conta de fugir dali. Demos as mãos e fomos em direção ao bar, ou procurar uma das meninas... Na verdade, eu queria mesmo era fugir dali. Quando chegamos ao bar, todo sacrifício foi em vão. Tinha mais dois fotógrafos por lá. De onde saem tantos fotógrafos? Os meninos não são tão famosos assim... Pelo menos é o que eu acho.
Enfim. Tentei correr, mas não pude porque a Cath gemia a cada passo (salto miserável). A nossa salvação foi ter encontrado a Ju conversando com o Liam, na área vip do lugar. Entramos, apressadas, e o segurança nos barrou. Tentei dizer algo, mas foi impossível:
- Huh, pode nos deixar entrar? Nossa amiga está lá, conhecemos o Liam Payne!
- Todas dizem isso. Agora, se retirem por favor. – O segurança me empurrou de leve.
- AH, SEU IDIOTA! – A Cath cuspiu a frase, em português. – JU! JUUUUUUUUUUUUUUUU! VEM LOGO, É URGENTE SUA IDIOTA!
A Ju se virou e apontou para nós, falando algo para o Liam. Ele assentiu e veio até o segurança, permitindo que nós entrássemos. Agradecemos ao segurança (bom, pelo menos eu agradeci) e fomos direto ao sofá do lugar. Era extremamente grande e confortável, e tinha um vidro fosco em volta do lugar, que escondia nossa presença. Me sentei ao lado da Ju e comecei a contar o que tínhamos passado até chegar lá.
- Então acho melhor todos nós sairmos daqui. – Liam disse, decidido. – O que falta saber é como, sem que os fotógrafos vejam vocês...
- Podemos fazer assim... Vocês, meninos, saem e pegam os seus carros. Enquanto eu e as meninas saímos por trás da boate. Nós nos encontramos um pouco mais na frente... – A Ju disse, ainda pensando no plano. – O que acham?
Pensei um pouco. Não tínhamos outra alternativa, na verdade. Liguei para a Mô explicando toda a situação e ela assentiu, dizendo que Niall a levaria até outra entrada. A Cath ligou para a Lu, que já foi saindo de lá. Liam ligou para os meninos e tentamos seguir o plano, até onde dava. Cambaleei um pouco, o álcool estava fazendo efeito. Caminhamos até uma pequena porta de emergência guardada por dois enormes seguranças. Explicamos nossa situação e saímos, encontrando a Mô e a Lu por lá.
- Os fotógrafos acabaram com o clima da noite, não acham? – A Lu disse, olhando de mim para a Ju. Nos encaramos, tristes.
Fomos juntas em direção à saída principal da boate, que estava rodeada de pessoas, provavelmente, entrando no lugar. Passamos por uma pequena saída discreta ao lado do estacionamento e ficamos esperando pelo sinal dos meninos. Vi o “discreto” Audi R8 Coupe do Harry chegando, sendo escondido pelo breu da noite. As meninas rumaram cada um para seus carros rapidamente, e vi a Cath hesitar. Esquecemos totalmente desse pequeno rolo entre os dois. Tentei falar com ela, hesitante:
- Cath, se você quiser, eu...
- Não – ela me cortou. – Vou com ele. Não posso ignorá-lo e, além disso, não quero cortar o clima dos pombinhos.
E saiu correndo em direção do carro do Louis. Tudo bem, não tentei impedi-la por um simples motivo: eu tinha gostado de ter formado um “par” com o Hazza. Corei um pouco e abri a porta do carro, com receio. Vi o brilho dos olhos verdes direcionados a mim. Entrei silenciosamente e me sentei. Observei os cachos desalinhados pelo canto do olho, e devaneei como nunca. Sei que ele é meu ídolo e sei (ou pelo menos acho que sei) muito sobre ele. É apegado a mulheres mais velhas, e eu sou mais nova que ele. Gosta de babana e mexericas, e eu não sou chegada a frutas. Ele tem uma pequena atração por gatos, e eu prefiro mil vezes pássaros. Sou um pouco mais caseira, enquanto ele é mais extrovertido, gosta de sair. Basicamente, sou completamente o oposto dele. Meus “felizes” pensamentos foram esquecidos quando ouvi a voz fofa e dosada com masculinidade dele, ao meu lado:
- Que tal fazermos uma festa do pijama? Podemos ir para a nossa casa antiga. – Ele me encarou e sorriu. Corei e pensei um pouco. Festa do pijama? Não parecia ruim.
- Tudo bem, pode até substituir o furo de hoje. Vou ligar para as meninas, você se incomoda?
- Não, claro que não! – Ele sorriu. Senti o meu coração derreter. – Você pode avisar pros caras também, Mand? Nós já vamos pra lá direto... Temos algumas roupas por lá e dá pra passar uma noite boa.
Sorri para ele e liguei para as meninas. Elas concordaram muito bem, até a Cath que estava num clima meio chato com o Louis. Quando eu disse isso para o Harry, ele sorriu e mudou a direção do carro, seguindo para o sul. Vi o carro dos meninos seguindo o Harry e eu dei um sorriso enviesado. Vou vestir as roupas deles, porque não tenho roupas comigo. Vou dormir no mesmo lugar que ele. Quer dizer, se nós formos dormir. Ah, estou ficando ansiosa demais... Suspirei e tentei acalmar o coração. Senti o Harry olhar para mim e meu sangue gelou. Ele falou, com uma foz graciosa:
- Não tive a oportunidade de falar, mas você está linda hoje. Quero dizer, você é linda.
Eu o encarei e respondi, sorrindo de orelha a orelha:
- Vou aceitar isso como uma cantada, Harry. – Nós rimos e seguimos o caminho todo assim, felizes.
Depois de mais ou menos uma hora de “viagem”, chegamos ao que parecia ser uma mansão. Ele e os meninos estacionaram e logo desci para ver o lugar de perto. Era extremamente enorme. Tinha um jardim lindo e parecia ser bem luxuoso por dentro. Eu me pergunto, por que eles abandonaram esse castelo? Entramos todos juntos, assim que desceram do carro. A Cath veio logo para o meu lado, e segurou minha mão. Meu nervosismo foi substituído por alguns minutos de piadas sem graça. Entramos num hall enorme, com um lustre maravilhosamente lindo. A Mô ficou paralisada e disse, devagar:
- Tudo bem... Agora sou eu que preciso de piadas, Cath.
Rimos nervosamente e chegamos na sala. Era enorme com uma televisão triplamente maior. Os sofás eram circularem em volta da TV e tudo era incrivelmente lindo. A cozinha ficava bem ao lado e os quartos acima, no primeiro andar. O Harry e o Zayn foram direto para o sofá, enquanto a Mô tirava os sapatos e perguntava:
- Então, alguém quer pizza? Posso fazer algumas agora.
Assentimos e o Niall disse, risonho:
- Então eu ajudo! Vamos!
Demos aquela significativa troca de olhares enquanto eles iam juntos para a cozinha. Estava rolando um clima entre eles. Mas, eu, a Lu e a Cath tentamos não ser muito óbvias e ficamos caladas. Depois perguntei ao Harry onde ficava o banheiro e toalhas, subindo as escadas. A Cath me seguia, como se fosse uma sombra. Quando chegamos ao primeiro andar, segui logo para um quarto próximo. A Cath revistou o guarda-roupa e encontrou dois moletons limpos (e razoavelmente grandes para nós) e peguei um. Seguimos cada uma para um banheiro, e lembre que estamos falando de uma mansão. Humpf, ricos. Tirei a minha roupa e tomei uma ducha rápida, enquanto tentava remover o máximo de maquiagem sem parecer um panda. Peguei a toalha e enxuguei o rosto, tirando o batom em seguida. Saí e já fui vestindo o moletom, sem sutiã mesmo. Nem dava pra perceber e era mais confortável assim. Saí do banheiro e encontrei a Cath enxugando as pernas moreninhas que estavam apoiadas num sofá. Fui até ela e peguei um pente que estava ao lado. Ouvi os gritos que vinham do andar de baixo e ri sozinha. Fiz um rabo de cavalo torto e desci a escada correndo, largando tudo que estava nas minhas mãos. Assim que desço encontro um Harry sendo “sufocado” por um Zayn risonho e um Louis infantil.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Sentei num canto do chão e pus-me a mexer nas minhas redes sociais. Dei like na minha foto e da Cath no Instagram, a que ela havia postado há pouco tempo. Revisei bem as coisas importantes do Facebook, tentando ignorar as 300 solicitações de amizade, fora os comentários na foto em que eu aparecia com as mãos na frente do rosto, ao lado do Liam, que algum fã-clube havia postado. Me chamavam de oferecida, puta, poser e segue a lista... Bom, você já deve ter uma ideia disso. Vi o perfil dos meus amigos e saí. Três garotas do colégio (que, por acaso, eu nem conhecia) me perguntavam no chat o que eu estava fazendo com os bebês dela. Argh. Meu Twitter estava mais lotado do que eu estou acostumada. Havia muitas garotas me xingando de coisas que eu nem prefiro comentar, mas... Havia muitas nos apoiando também. Diziam o quanto fomos sortudas por conhecerem eles e que esperam que o mesmo aconteçam com elas. Na verdade, tudo isso pra mim é um sonho. Um sonho incrivelmente maravilhoso. Não é todo mundo que tem a chance de conhecer cara-a-cara o seu ídolo. Principalmente uma brasileira como eu.
Saí do Twitter depois de ter dito algumas poucas e boas. Falei com algumas retardadas que me xingaram e segui outras que me pareciam bem legais. Joguei o celular de um lado e me uni a roda que estava na minha frente.
- O que vocês estão fazendo? – perguntei, olhando para o centro da mesa. – Verdade ou desafio?
- Sim, estávamos prestes a começar! – Liam disse, entusiasmado. – Quer entrar também?
- Ah, quero sim! – Abri o círculo com as mãos e me enfiei no meio do Louis e da Lu.
Assim que giramos a garrafa para a primeira rodada, a Cath desce correndo da escada. Bom, que comecemos o jogo novamente.
Mônica’s POV
A cozinha estava, hum, quente. Quer dizer, eu e o Niall estávamos fazendo pizzas, coisa que ele era ótimo em fazer. Ele já tinha pré-cozido a massa e eu estava recheando as duas pizzas gigantes. Minhas mãos estavam melecadas de queijo e cada movimento meu era vigiado por um par de lindos olhos azuis. Eu tremia por causa da tensão em que aqueles olhos me colocavam. Suspirei baixinho e despejei todo o queijo sobre a massa. Soltei um gritinho histérico quando senti uma mão quente tocando o meu braço. O Niall sorriu para mim e disse, com uma voz firme e calma:
- Ainda temos que esticar essa massa, não queremos que nossa pizza tamanho família encolha no forno, certo? – E apontou para um armário branco no lado oposto de onde eu estava. – Pode pegar o rolo ali? Eu pego alguns materiais para fazer um bolo também.
Fui até o armário e tirei o rolo, voltando para a ilha da cozinha. Fiquei parada olhando para a parede oposta, pensando em que mais eu poderia recolher, até que o Niall veio para minha frente, quase como um abraço, e pegou a colher de pau que estava pendurada acima da minha cabeça. Apenas 2 centímetros de vácuo dividiam meu rosto do dele, e comecei a me avermelhar. Ele se esticou um pouco mais e pegou uma panela funda, que quase bateu na minha cabeça. Senti o calor do aquecedor atingir o meu rosto assim que ele saiu da minha frente. Tentei me recompor e voltar a fazer a pizza, esticando a massa com cuidado. Tentei me concentrar em fazer isso certo, mas não consegui e falei baixinho:
- Niall, você poderia colocar alguma música? É que a balada continua no meu subconsciente.
Ele riu alto e pegou o iPhone. Conectou no amplificador de som e ligou. O som se propagou por toda a cozinha, quase como um sussurro. Justin Bieber cantava Boyfriend, com uma voz que quase nos induzia a beijar alguém. Ele voltou, cantarolando, e foi para o fogão preparar o molho. Obviamente, a temperatura subiu. Quer dizer, eu tive essa impressão. Tentei ficar distante dele, algo que era impossível. Montamos 3 belas pizzas juntos e colocamos no forno enorme. Me encostei na ilha da cozinha e suspirei.
- Fizemos um bom trabalho, não? – Niall disse, sorrindo. – Com certeza essas pizzas devem estar maravilhosas.
- É, meu estômago mal pode esperar por elas. – Eu disse, acanhada. Você, por acaso, tentou conversar casualmente com o seu ídolo? Então, não pode reclamar das minhas atitudes.
Meu corpo estava esfriando cada vez mais, mesmo que o aquecedor estivesse bem a minha frente. O nervosismo de estar na presença de Niall Horan simplesmente me drogava, me fazia sentir fraca. Ele me admirou poir alguns longos minutos e disse, com a voz rouca.
- Abraços aquecem. – E veio em minha direção, e abraçou. Não vou negar, o calor chegou na horinha. É isso que dá ser uma brasileira calorenta. Senti o meu rosto corar de leve e o Niall riu mansinho. O cheiro delicioso da pizza se manifestava por toda a cozinha. Continuamos abraçados por longos minutos, e vi o rosto dele se aproximar. Apenas milímetros de ar separavam nossos lábios rosados. Ofeguei e me deixei levar. Fechei os olhos e escutei o ruído de alguém entrando na cozinha. Abri os olhos e senti o Niall tremer um pouco, surpreso. Era a Lu.
- Então... As pizzas estão prontas? – Ela olha pra mim como se quisesse dizer “me conte tudo depois”. – Estamos no meio de um jogo da garrafa e a fome não ajuda na concentração.
- Estão prontas sim, vou tirá-las do forno agora. – Niall disse, saindo do nosso abraço acalorado. – Vamos comer na sala mesmo?
- É o melhor. Entrem no jogo também! – Lu pegou um pedaço de pizza recém tirada do forno e saiu.
Niall e eu nos encaramos um pouco e rimos. Rimos com muita vontade. Tínhamos passado por aquele momento totalmente vergonhoso, e não era nada de se orgulhar. Olhei para o relógio da geladeira, eram 11 da noite. Não acredito que saímos tão cedo da boate. O Niall colocou três pedaços de pizza num prato e fomos pra sala, encontrando 8 pessoas sentadas em volta de uma garrafa. Nos acomodamos no meio e entramos no meio do jogo.
Luísa’s POV
Tudo bem, eu cortei o clima deles na cozinha. E não me perdoo por isso. Eles pareciam um casal tremendamente feliz, e eu me senti um lixo por ter estragado um dos sonhos da Mô. Tomara que ela me perdoe. Na verdade, ela parecia ter ficado feliz e magoada ao mesmo tempo, pelo o que eu havia percebido. Mas eles estavam mais próximos. O Niall estava dando ótimas investidas, mesmo que agora seja um pouco tarde.
- LU! – Ouço o Harry gritar. – Está me ouvindo?
- Ahn? Ah, você me pergunta. Vai em frente. – falei, ansiosa.
- Hum... Qual é o nome do último cara de que você ficou, namorou, casou... Enfim. Quem?
Depois disso eu tenho que aplaudir a safadeza dele. Na verdade, eu acho que ele queria dizer “qual foi o último cara com quem você transou”, assim, na cara dura. Eu assumo, nenhuma de nós é virgem. Perdemos esse privilégio há algum tempo atrás. Enfim, eu dei uma de inocente, mas a expressão da Mands dizia tudo: o Harry gosta das mais altas putarias. Fingi não saber de nada e disse, inocentemente:
- Hum, acho que foi... Rafael? Algo assim. Faz um tempo.
- Na verdade, não faz não Lu. – Mands disse, rindo. – Você pegou esse na última festa que fomos, antes da viagem. É bem recente.
Senti o Zayn se remexer ao meu lado e sorri pelo canto da boca. Sério, o sr. Malik sentindo ciúmes de mim? Ah, que maravilha. Dei um riso inocente pra Mands e girei a garrafa, que parou no Liam. Eu queria muito entrar num assunto mais descontraído e perguntei uma coisa que eu queria muito saber, na verdade. Eu nunca deixei de ser fã, sabe como é.
- Liam querido. Quer nos dar um mini show ao vivo para nós, fãs alucinadas, de Live While We’re Young? Sei que todas as meninas querem muito isso.
O Liam pensou um pouco e riu.
- Reunião masculina, caras. – Os meninos fizeram uma roda em volta do Liam e conversaram rapidamente em um inglês complicado. – Decidido.
- Decidido o quê, Liam? – Cath perguntou. – Estou curiosíssima.
- Vamos fazer um teste com vocês todas. – Zayn disse.
- Vocês vão cantar para nós, uma música nossa que vocês mais gostem. – Niall disse.
- Aí nós julgaremos a voz e afinação de vocês... – Louis disse.
- Vemos se vocês merecem uma prévia ao vivo... – Harry disse.
- E cantamos. – Liam finalizou. – Topam?
- TOPADÍSSIMO! – Eu disse, animada. Cantar para o Zaza? Tudo o que eu quero! – Meninas, qual vai ser a música?
- Fazemos assim, — Ju começou – cantamos More Than This, já que todos tem um solo na música. E depois cada uma de nós canta sua música preferida! Que tal?
- Perfeito! – Mands falou. – Se tem uma coisa que fazemos bem, é cantar. Vamos mostrar aos nossos ídolos quem somos! Woooooooooooooooooow!
- Calma. – Cath falou. – Vocês acham mesmo que eu sei cantar? Eu fico muito nervosa na frente do Lou e... Ah, parem de me olhar assim, macacas!
- Cath, sua voz é maravilhosa. – Mô falou, sorrindo. – Você é perfeita pra todos os solos do Lou. Agora, vamos. Eles não entendem porra nenhuma de que a gente está falando.
Nos separamos e ficamos em pé. A Mands e a Cath abaixaram os moletons, já que não havia nada por baixo. Fiz um rabo de cavalo torto na cabeça e aqueci minha voz. Os meninos se alinharam em nossa frente, parecia até o X-Factor. Emocionante. A Mô pegou um violão no canto da sala e colocou nos ombros, começando a tocar More Than This. O ritmo contagiante me agarrou de jeito. A Ju começou a cantar, como uma criança feliz e apaixonada.
I'm broken, do you hear me?
I'm blinded, 'cause you are everything I see
I'm dancing, alone
I'm praying, that your heart will just turn around
And as I walk up to your door
My head turns to face the floor
'Cause I can't look you in the eyes and say
A Mands se preparou e soltou a voz, fazendo gestos com a mão.
When he opens his arms and holds you close tonight
It just won't feel right
'Cause I can love you more than this
Yeah
When he lays you down, I might just die inside
It just don't feel right
'Cause I can love you more than this
Can love you more than this
A Mô começa a cantar, olhando nervosamente para o sorriso do Niall. Fofos.
If I'm louder, would you see me?
Would you lay down, in my arms and rescue me?
'Cause we are the same
You save me, when you leave it's gone again
A Cath gaguejou baixinho e começou a cantar, evitando olhar o Louis nos olhos. Ele parecia bem surpreso com a voz dela.
T-Then I see you on the street
In his arms, I get weak
My body fails, I'm on my knees
Prayin'
A Mands começa com o seu solo de novo, cantando um refrão muito mais confiante que o primeiro. Vacilei um pouco e comecei a cantar, olhando o Zayn bem nos olhos.
I've never had the words to say
But now I'm asking you to stay
For a little while inside my arms
And as you close your eyes tonight
I pray that you will see the light
That's shining from the stars above
Cantamos o ultimo refrão, todas juntas e a Mô parou de tocar. Olhamos com expectativa para o Liam, que sorria apaixonadamente para a Ju, que sorria de orelha a orelha. Os meninos conversaram mais um pouco e eu os interrompi, falando um pouco mais alto.
- Vocês conversam depois. Ainda não acabamos o nosso show, fofinhos.
A Mô começou a tocar o ritmo de I Want e a Cath cantou o refrão muito bem. Depois ela mudou para Everything About You e eu cantei. Mudou para What Makes You Beautiful e ela mesma cantou. Mudou para Na Na Na e a Ju cantou o refrão. Finalmente, mudou para Same Mistakes e a Mands cantou. Paramos e respiramos, nos curvando depois. Simplesmente arrasamos. Só vi os meninos boquiabertos e nos encarando. Fiquei profundamente feliz com a expressão do Zayn. Nos sentamos na frente deles e esperamos alguma reação.
- Sim. – Lou falou, imediatamente.
- Sim. – Niall disse, mirando a Mô e o violão.
- Sim. – Harry disse, sorrindo para a Mands.
- Sim. – O Zaza disse, olhando para mim. Fiquei com calor imediatamente.
- Não sou louco de dizer não. – O Liam disse, sorrindo.
Eu e as meninas deitamos no chão, de alívio. Conversamos alguns segundos sobre o nosso show particular e o celular do Liam tocou. Ele pegou o celular e atendeu, rapidamente. Falou com o empresário dele sobre um photoshoot que eles fariam amanhã. Espera... PHOTOSHOOT? AMANHÃ? AAAAAAAAAAAAAAAAAAH! Não acredito que estou vendo o Liam resolver coisas sobre a banda! Não consigo acreditar! Ele desligou o telefone e avisou aos meninos sobre o compromisso deles amanhã. Os meninos assentiram e ele olhou para a Ju.
Hey girl I'm waiting on you
I'm waiting on you
C'mon and let me sneak you out
And have a celebration, a celebration
The music up the windows down
Zayn sorriu para mim e começou a cantar.
Yeah, we'll be doing what we do
Just pretending that we're cool
And we know it too
Yeah, we'll keep doing what we do
Just pretending that we're cool, so tonight
Depois, todos cantaram juntos, dando um fim do curto show que tivemos.
Let's go crazy crazy crazy till we see the sun
I know we only met but let's pretend it's love
And never never never stop for anyone
Tonight let's get some
And live while we're young
Oh oh oh oh oh oh oh
Mesmo sendo curto, foi lindo. Tudo bem que já tínhamos escutado a música antes... Mas não era você que estava escutando o seu ídolo ao vivo. Era simplesmente cativante, emocionante. Nunca, na vida, íamos ter essa oportunidade de estar perto dos nossos amados, como estamos agora. Isso, pra mim, é tudo um sonho. O Lou ter beijado a Cath, o Niall e a Mô ter um romance secreto, o Liam e a Ju cada vez mais apegados, o Harry espiando a Mand, eu e o Zaza lado a lado... Nunca que eu imaginaria que isso pudesse acontecer. E agora estamos aqui, conversando com os nossos bebês!
- Tudo está muito lindo, mas... Eu estou com frio e sono. Será que já podemos dormir? – Cath disse, com o último pedaço de pizza na boca.
- Realmente pessoal. Está meio tarde, e amanhã temos que trabalhar e levar vocês pra casa. – Liam disse.
- E, meninas, ainda temos curso! Então... Cama, todas. – Ju disse, como minha mãe. Na verdade, ela é mais como uma mãe mesmo.
Harry vinha descendo as escadas com lençóis e colchas quentes e pesadas. Íamos dormir todos juntos... Ah, romântico demais. Afastamos os móveis próximos e nos deitamos. Me cobri com uma colcha que o Harry tinha trago e me cobri inteiramente. Vi a Cath encostar a cabeça no sofá e dormir sentada. Hum, não foi uma visão feliz. Ela parecia deprimida com algo... Mas essa não era a hora de perguntar. Senti o Zayn deitar ao meu lado e... Adormeci.
Catharina’s POV
Acordei antes de todos. A brisa fria passava pelas frestas da enorme janela da sala. Todos dormiam no chão, esparramados. Minha coluna doía terrivelmente. Olhei a hora no celular, eram 4 da manhã. Me levantei, devagar para não acordar ninguém, e fui até a cozinha. Encontrei o Louis fazendo waffles. Quer dizer, ele faz waffles a essa hora da manhã? Cheguei, sem falar nada, na geladeira e bebi um pouco de água. Depois eu percebi que não deveria ter feito isso. Senti a garganta queimando e os pelos do corpo se arrepiando. O Lou olhou pra mim e tentou não rir, senti isso. Depois ele pegou uma xícara grande com café e me deu, dizendo:
- Toma, vai melhorar esse frio.
Peguei a xícara e agradeci, gaguejando. Tomei um gole do café e todo o meu corpo se aqueceu. Suspirei e olhei para o meu reflexo e vi uma menina de cabeleiras azuis bem despenteadas, com um moletom azul aparentemente tricotado. Ele era bem quente. Eu era a Azulona. Ri de mim mesma e continuei bebericando o café. O Lou preparava um café da manhã maravilhoso: torradas, café, waffles, bacon, ovos, suco. Repousei a xícara na ilha da cozinha e pus-me a ajuda-lo. Ele me espiou com o canto do olho e se voltou para os waffles. Depois falou, hesitante:
- Hum, me desculpe por ter sido grosso com você ontem. Eu... Eu normalmente não sou assim. Realmente, me desculpe.
- Tudo bem, não precisa de preocupar... – eu sussurrei, rindo. – Eu nunca deixaria de te amar, você é o meu ídolo.
Ele ficou constrangido e riu. Todo aquele clima pesado que tínhamos passado tinha acabado. Agora era tentar levar a vida o mais normal possível. Terminei de preparar as torradas e pus-me a preparar os ovos. O Lou separava o mel e os waffles na ilha, enquanto começava a preparar a jarra de suco. Eu o observei pelo canto do olho e falei, sorridente:
- Tudo bem, pode deixar isso comigo. Vai dormir um pouco, por favor. Estou vendo a hora de você quebrar essa jarra, Lou!
- Não, eu quero fazer alguma coisa. Então, vamos fazer isso juntos, hahahahah! – E ele espirrou um pouco de laranja na minha boca. Peguei uma outra parte de laranja e espirrei na boca dele também. Fizemos isso até o café da manhã estar terminado, e bem preparado. Saímos da cozinha, subimos as escadas e entramos no primeiro quarto desocupado, para podermos conversar.
- Agora que passamos da fase de ódio... Vamos trocar os nossos números! – O Lou disse. – Você tem cara de que sabe jogar boliche.
- Hahahahahahahah! Tudo bem Lou, você me venceu. – Eu disse. – Me dá aqui o seu celular, eu escrevo o meu número.
Digitei o número e coloquei meu nome como “Bluish girl ♥” e devolvi o celular. Ele riu do nome que eu escrevi e me mandou uma mensagem, para que eu pudesse gravar o seu número.
Ur name’s very funny gurl
Hope we can bowling someday
Louis xx
Arquivei a mensagem e salvei o número. Tudo bem, o Louis Tomlinson me mandou uma mensagem. Tudo bem, Lois Tomlinson tem o meu número de celular. Tudo bem, estou frente a frente. CATHARINA, SEM MOMENTOS DE FANGIRL! Suspirei e continuei a esboçar uma conversa com o Lou, e estávamos rendendo com isso. Rimos muito e conversamos por uma longa hora. Só paramos, na verdade, quando ouvimos o rebuliço na sala de estar, todo mundo acordando com um café da manhã na mesa. Descemos e nos juntamos a eles, com pares de olhos surpresos. Nos encaramos: esquecemos que estávamos brigados antes dele acordarem. Ah, tanto faz.
Tomamos um café divertido e bem barulhento. Tínhamos que nos arrumar para voltar para e casa e curso. E os meninos ainda tinham um photoshoot e entrevistas, sem tempo a perder. Fomos todos no carro do Harry e no do Zayn. Eles nos deixaram em casa, bem cedo, e nos despedimos rapidamente. Eu abracei o Lou bem forte e me despedi. Fiz questão de lembrar para devolver as roupas da Eleanor. Entramos na república e fomos recepcionadas por uma Luise bem animada. Todos tomavam café numa mesa enorme, com uma variedade grande de comidas. Nem tinha percebido, já tínhamos passado uma semana em Londres! Que maravilhoso... Conversamos um pouco com a Luise e subimos para nos arrumar para o primeiro dia no curso. Tomamos um banho fervente e já fomos nos trocar. Eu vesti uma calça preta, moletom listrado, botas, meus óculos para a droga da hipermetropia e a bolsa. A Ju vestiu uma calça branca, uma blusa verde, botas e um blazer marrom. A Mand vestiu um moletom preto com a bandeira da Inglaterra, calças pretas, botas e uma bolsa marrom. A Mô pegou uma calça vermelha, uma blusa larga branca e sapatos. E, depois de tanto procurar, a Lu vestiu uma calça preta, uma blusa social branca, um moletom preto e sapatos beje. Todas nós fizemos uma maquiagem básica e descemos, em busca do carro da Luise. Ela nos levou a aquele já conhecido prédio alto e nos deixou lá, na recepção. Pegamos as informações sobre nossas notas e já seguimos para a sala de curso Avançado, encontrando o Rodrigo no caminho. Eu, literalmente, pulei no colo dele e abracei bem forte. Tudo bem, pode ter parecido um pouco exagerado. Mas não era você que tinha deixado de falar com o melhor amigo por 10 anos.
O Rodrigo parecia muito animado e conversou bastante com a gente. Nos deixou na nossa sala de aula e foi encaminhar um grupo de garotas para o teste de admissão. Eu e as meninas nos acomodamos nas últimas carteiras e pegamos os nossos cadernos. Eu sentei ao lado da Mand, entre a Mô e a Ju. A Lu sentou atrás de um garoto alto e moreno, na nossa frente. Assim que nos acomodamos bem, um professor alto e de aparência jovem entra pela porta. Um pedaço de mal caminho. Ele tinha uma pitada saliente de Johnny Depp no andar e no visual, e isso era muito atraente. Ele depositou sua pasta de trabalho na mesa e escreveu seu nome no quadro-negro. Matt Smith. Ok, o professor Matt é muito mais atraente do que eu pensei.
- Quê que é isso, hein? Acho que vejo o paraíso. – A Mand falou, com um olhar safado. – Quantos anos será que ele tem?
- Não consigo parar de olhar pra aquele lugarzinho desabotoado da camisa. – A Mô disse, com um olhar fixo.
- Meninas, parem de babar o professor...! – Ju sussurrou.
Tivemos uma aula bastante tranquila. Interação de grupo, conversação, anotações, beleza e simpatia do professor... Quando vimos, já havia se passado às quatro horas diárias de aula. Recolhemos o nosso material e colocamos os pesados casacos de volta. Aquecidas e preparadas, saímos da sala. O professor nos cumprimentou na saída e todas suspiramos. Por que ele tinha que ser tão lindo...? Enfim. Me despedi do Rodrigo com mais um abraço apertado e tinha me preparado para sair, quando eu sinto uma luz ofuscando os meus olhos. Flashes. E eles miravam eu e o Rodrigo.
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