I Wanna be With You. - Segunda Temporada.

32 Capítulo 30 - The Worst of Berry.


Notas iniciais
Atenção; Esse capítulo é contra indicado em caso de suspeita de AVC. Por favor, se você se assusta fácil, segura o coração aí. Leia a bula.

Ligação ON.

– Oi Chlo! Como vai? – Indagou sorridente a loira, enquanto prensava o celular entre o ombro direito e a orelha, deixando as mãos livres para usar o joystick. –

– Bem ... E você? – Respondeu, um tanto diferente do normal. Chloe era animada, uma pilha que nunca esgotava, porém agora parecia sem graça, sem vida. A loira estranhou. –

– Ótima. Eu já disse que os gêmeos são duas pestes? – Perguntou, em uma tentativa falha de animar sua namorada. –

– Somente todo dia desde que eu te conheço. – Disse, seguindo com um risinho falso e sem graça. –

– ... Aconteceu alguma coisa? –

– Bem, Emily quase explodiu seu quarto em uma ‘experiência’. –

– Pelo amor de Deus, não me fala que ela ainda tá com aquela ideia de largar fotografia para estudar química! – Ela revirou os olhos. Desde o segundo ano colegial as duas estavam se preparando para estudar fotografia, e de repente Emily vira e diz “Acho que vou estudar química” no meio do primeiro mês de aula. –

– Diz ela que já desistiu da ideia, mas ainda assim é legal fazer ‘experiências’, só que houve um ‘erro de cálculo’ e o quarto quase explodiu. – Um riso foi escutado, porém logo cessou, como se algo não deixasse a ruiva se divertir. –

– Ela é idiota por natureza, se acostume. Mas, você entendeu o que eu quis dizer com “aconteceu alguam coisa?”. Sério Chlo, o que era aquilo de “seu problema também é meu”? –

Do outro lado, a ruiva pareceu respirar fundo, como se estivesse pensando, talvez escolhendo as palavras certas para explicar um assunto tão delicado.

– Nós transamos antes de você ir, e ...- Deu uma pausa, respirando fundo. — Não desceu. –

Charlie ficou em silêncio por alguns segundos, processando as informações. O olhar vago preso na televisão onde o jogo foi completamente esquecido, ela abriu e fechou a boca, tentando formar uma frase, mas o que quer que fosse sair de lá, morria em sua garganta.

– ... Charlie? –

– C-como assim não desceu? – A respiração ofegante, o pulso forte e uma incrível vontade de voltar no tempo e estapear a si mesma de três dias atrás. Foi assim que sua mãe se sentiu quando sua outra mãe disse que ela estava a caminho? –

– Não desceu! Está atrasada, e nunca atrasa! Era para ter vindo ontem! –

A loira levou a mão na testa, levantando a cabeça e encarando o teto; É mal de Berry ter filhos cedo!?

– O-o que ... Você vai fazer, exatamente? –

– Comprar um teste e ... Bem, se eu estiver mesmo eu quero tê-lo, é só uma vida inocente. Mas, você sabe que ... Eu posso fazer isso sozinha, não precisa ficar comigo se não quis-

– É claro que eu vou ficar com você se estiver, não seja idiota! ... E-eu só ... Não temos certeza, mas isso é bem pessoal ... –

– É por causa das suas mães, não é? – Indagou em um fio de voz, e a loira assentiu, mesmo estando ciente de que Chloe não veria aquela ação. –

– Dezoito anos atrás eu estraguei a adolescência de duas pessoas só por existir. Me sinto muito responsável por isso. – Ela apertou os olhos, sentindo um peso sair de seus ombros; Precisava confessar isso para alguém. –

Mesmo não tendo pedido para nascer e muito menos sendo planejada, ela acabou estragando a adolescência de suas mães, e se culpava por isso. Enquanto a maioria dos jovens de dezenove anos saiam com amigos e não se preocupavam com o horário de aparecer em casa novamente, suas mães ficavam em casa criando uma criança de três anos de idade. Quinn nunca teve maturidade nem para cuidar dos gêmeos depois da idade considerada boa para ter filhos e ainda teve uma filha com só dezesseis anos. Mesmo não sendo culpa dela, lá no fundo Charlie culpava-se em silêncio.

– Chlo ... Faça o seguinte; Descanse e eu volto amanhã cedo. Nós veremos isso melhor, ok? Eu te amo. –

– Também te amo. –

Ligação OFF.

Ainda perdida em pensamentos, a loira mal notou quando Quinn sentou-se no sofá atrás dela, uma vez que a garota estava sentada no chão sabe-se lá o motivo.

– Você não estragou nossas vidas, se quer saber. – Disse a mãe loira, e Charlie sobressaltou-se. – Você não foi planejada, mas saiba que eu sempre te amei muito, mesmo por cima do medo. Eu e sua mãe te amamos muito, aliás. Quando Kitty e Kurt me disseram que ela estava grávida, eu achei que meu mundo estava acabado, mas sinceramente? Não foi por sua causa, foi pela sua mãe. Eu estraguei a adolescência dela, não você.

E se você acha que nós só iniciamos um relacionamento por sua causa, está muito errada. Nós nos conhecemos desde os onze anos de idade, mas fomos começar a namorar com dezesseis, e por irresponsabilidade ela engravidou de você. Realmente éramos muito jovens, mas conseguimos te criar e criar uma família com o tempo, então, mesmo se você não tivesse nascido naquela época, as coisas não seriam diferentes hoje ... Bem, só a sua idade, mas acho que você está feliz, afinal se fossemos esperar, você seria mais nova que suas melhores amigas e sua namorada, certo? –

Suas mãos apertaram o tapete felpudo com força, e em um movimento involuntário, ela correu em direção a mãe loira, apertando-a em um abraço forte, como nas vezes em que se assustava com um trovão ou quando se machucava na infância.

– Eu te amo, mãe. – Ela sussurrou, escondendo seu rosto na curva do pescoço alvo, onde lágrimas quentes escorreram para o ombro de Quinn. –

– Eu também te amo, Char. – Respondeu no mesmo tom, acariciando os cabelos loiros. –

Após alguns segundos naquela posição, as duas soltaram-se, e limpando o rosto da filha com a ponta do dedo indicador, a loira mais velha suspirou e meneou levemente a cabeça.

– Mas eu também escutei a conversa. Ela está-

– Não temos certeza! – A garota cortou a mãe, logo coçando levemente a cabeça. – Ela vai fazer o teste ... Ou já está esperando o resultado, não sei ... –

– O que você vai fazer sobre isso? –

– Vou ter o bebê com ela, oras! E você é meu exemplo. Qualquer um teria fugido no seu lugar, vocês só tinham dezesseis anos. – Respondeu, convicta. Se era sua resposabilidade, iria com aquilo até o final. –

A mais velha riu e assentiu levemente, a imagem dela mesma dezoito anos mais nova veio em mente ao encarar a filha dividida em tremer de medo e se sentir responsável.

– Eu não deixaria sua você e sua mãe ou seus irmãos, são as melhores coisas da minha vida. Depois do console, óbvio. – A mais nova assentiu, e ambas riram. -

– Como é que é, Lucy Quinn!? – Rachel gritou enquanto descia as escadas, e a loira engoliu em seco. –

– Era ... Brincadeira, amor! – Respondeu, piscando um olho esverdeado para Charlie, e novamente riram. -

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Segunda de manhã a loira voltou para Barden. Atravessando o campus com passos lentos, mentindo mentalmente para si mesma de que estava tudo bem, quando na verdade parecia que poderia morrer a qualquer segundo, ou vômitar. A primeira opção seria um tanto mais higiênico e talvez melhor, mas que pessoa morta se importaria com isso?

Perdida em pensamentos de o que teria que vender para criar uma criança, a loira mal notou quando uma Emily feliz da vida veio em sua direção como se tivesse visto a coisa mais linda do universo. Ou o trailer de ‘Guerra Civil’.

– Loira! É bom te ter de volta! Cara, adivinha! – Ela pediu, segurando a garota pelos ombros, porém quando foi olhar nos profundos olhos castanhos, apenas encontrou um vazio incomum para Charlie. –

– Chloe está grávida. – Murmurrou em resposta, uma vez que imaginou que a amiga havia ido lhe dar a notícia. –

– O-o que!? – Em um momento de fraqueza e refletindo sobre o que a loira a informou, quase deixou-a cair na grama. – Está!? –

Com um olhar assustado a loira apenas abraçou a morena e apertou a cabeça em seu ombro, desmontando-se ali mesmo sem se importar se alguém veria seu momento de fraqueza ou não.

– Olha, Char ... Eu não sei se é 100% de certeza, pelo que parece, mas acho que está tudo bem. Seja sempre otimista! – Ela afagou as costas da amiga, oferecendo-a um riso amigável, porém por trás estava tão nervosa quanto a própria Charlie. Em um bromance, uma sente a dor da outra. –

– Eu me odeio! –

– Calma, calma, calma ... Não se odeie ... Ehn, pensa; O Luke odiou o Darth Vader por abandoná-lo, mas na verdade o coitado foi informardo que os gêmeos morreram com a Padmé. –

Assim que a loira encarou-a confusa, a morena tentou arrumar um jeito melhor de explicar o raciocínio.

– ... Hm, olha, você não pode se odiar sem nem ter certeza. É, é isso! –

Charlie soltou-se de Emily e respirou fundo; Bem, Emy tinha razão, não é? Chloe não tinha certeza, e bem, só estava atrasada por um dia. Respirando fundo, recompôs-se e limpou os olhos marejados.

– Ok ... Mas, por que estava tão animada antes? – Indagou arqueando uma sobrancelha. A morena murmurrou um “Ah, é” enquanto bateu de leve em sua própria testa, sem esperar mais retirou o celular do bolso traseiro da jeans preta, e correndo o dedo pelo aparelho parou em uma foto. –

– Alice. – Disse, enquanto virou o celular e mostrou a foto de uma garota estranhamente fofinha de mais para o gosto de Charlie. –

– É ... Alice White ... – Respondeu enquanto assentia levemente, sem saber onde a amiga queria chegar. –

– Eu. Tô. Pegando! –

A loira arqueou uma sobrancelha e franziu o cenho; Emily ‘pegando’ a gênio que era tão inteligente quanto Charlie em si? Essa ela pagaria para ver.

– Bem, me prove algum dia ... Mas, eu tenho uma coisa pra fazer. – Despediu-se com um soquinho no ombro da mais alta, logo atravessando o campus até o dormitório de Chloe; Se vai ser, tudo bem. Se não, melhor ainda. –

Sem bater na porta, ela adentrou o quarto, onde sua ruiva estava abraçada a Aubrey, que murmurrava coisas amigáveis para a garota derrotada em seus braços. Amigas desde antes de antes do grupinho se conhecer, ambas compartilhavam uma amizade estilo Emily, Charlie e Beca, ou Quinn com Marley, Santana e Blaine. As duas loiras se entreolharam e Aubrey levantou-se, logo inesperadamente abraçando Charlie forte e deixando o quarto, dando privacidade ao casal.

A mais alta aproximou-se de Chloe e beijou-a; Não um beijo com segundas intenções, e sim algo que não conseguiria transparecer nas palavras, um sentimento de amor que tinha a intenção de confortá-la.

– Alguma coisa? – Indagou após alguns minutos de silêncio. A tensão estava matando-a aos poucos. –

– Ainda não está pronto. Faltam ... – Pegou o celular e viu o cronômetro, onde marcavam apenas segundos para atingirem o zero. – Trinta segundos. –

Os trinta segundos mais demorados de suas vidas. Quando os números alcançaram o zero, Charlie simplesmente sentiu-se perto de um AVC ou uma parada cardíaca, mesmo ainda sendo bem jovem para sofrer algo tão sério assim espontanêamente.

A ruiva afastou-se receiosamente dos braços reconfortantes da namorada e adentrou o banheiro, onde ficou por apenas poucos segundos, que para Charlie foram uma eternidade. A loira tamborilava os dedos no colchão, tentava lembrar-se do refrão de alguma música ou até mesmo pensar em algo idiota, mas nada predia sua atenção ou desacelerava seu pulso.

Chloe saiu do banheiro com o palitinho de plástico em mãos, algo que mudaria para sempre o futuro das duas com apenas um pouco menos de sorte. Respirando fundo, seus olhos encontraram os de Charlie, e ela limitou-se a menear a cabeça.

– ... Negativo. – Suspirou aliviada, e a loira só foi perceber que havia mordido o lábio inferior quando o gosto amargo do próprio sangue expalhou-se por sua boca. –

Um fantasma de um sorriso surgiu em seu rosto; Ao menos não era tão azarada como Quinn. Cá entre nós, sua mãe só se fodia na vida, e isso era um fato.

– Nunca mais me assuste assim, por Deus mulher! – Ela abraçou o tronco da ruiva que estava em pé ao lado da cama, ambas sentindo as respirações mais leves e o medo se esvaindo aos poucos. –

– Foi você que quase me engravidou, ok? – Respondeu em um tom brincalhão, e a loira se limitou a rir. –

– Não vamos ser mais tão idiotas a ponto de levar um susto desses outra vez não, ok? Quando for pra ser, vamos ao menos tentar planejar ... –

– Sim, sim ... Eu te amo, apesar de você ter quase me engravidado! –

– Eu te amo, apesar de você quase ter engravidado! –

As duas selaram seus lábios, e logo Charlie saiu correndo em direção ao banheiro com as mãos na boca, e o barulho de algo sendo despejado na privada não pode deixar de incomodar a ruiva. Ela caminhou até o banheiro, parando no batente da porta.

– Char, eu não posso te engravidar. – Disse, enquanto encarava a loira com um sorrisinho bobo no rosto. -

– Eu fiquei nervosa, acho que a doença da Aubrey passou pra mim ... Me traz um remédio, eu vou morrer! – Gritou em desespero, e a ruiva massageou as têmporas com as sobrancelhas alaranjadas arqueadas. -

– Você não vai morrer, idiota. -

Notas finais
Passou raspando, hein? Pelo menos a Char tem mais sorte do que a Quinn :v