I Wanna be With You. - Segunda Temporada.
29 Capítulo 28 - I'm back!
Notas iniciais
Charlie tamborilava as pontas dos dedos no lençol de sua cama, um ato de nervosismo herdado de Rachel. Que ela não era sociável todo mundo sabia, mas Emily implorar de joelhos para ir numa festa era de mais!
– Char, você não precisa beber. Eu já te disse isso umas vinte vezes. – A garota morena revirou os olhos, vez ou outra olhando para fora da janela, onde já se podia ver um pequeno grupo formando-se na quadra de basquete, onde seria a festa. –
– Sim, mas ... Você sabe que eu não curto álcool cara, é trauma. Minhas mães me fizeram-
– Quando tinham dezesseis anos porque estavam bêbadas, eu sei, eu sei. – Ela terminou, escutando aquela história pela milésima vez no dia. – Olha, a Chloe e as Bellas vão. Você vai mesmo deixar sua namorada sozinha com um monte de caras idiotas? –
– ... Não .. ? –
– Eu não escutei! – Ela gritou, incentivando a loira. –
– Não!! – Charlie gritou de volta, parecendo um tanto determinada e convicta. –
– Então vai lá cuidar da sua garota! – Apontou para o lado de fora da janela. – Vai lá! –
– Sim, eu vou! –
E então ela abriu a janela, pulando pela mesma e correndo em direção as arquibancadas que ficavam logo atrás do dormitório.
– ... Tem uma porta aqui, mas ok. – Emily franziu o cenho, mas deu de ombros e saiu pela janela. –
Os caras da fraternidade Zeta Omega Mu estavam lá junto de algumas garotas, uma delas, particularmente, chamou a atenção de Emily. Ela era baixinha, morena e tinha a pele um tanto pálida, se não fosse bonita seria assustadora.
– Hey, o que acha daquela ali? – Indagou, cutucando Charlie com o cotovelo, apontando com o queixo para a garota um tanto distante das outras. –
– ... Carmilla Karnstein? Tenta a sorte. Ela é tipo, bem na dela e parece odiar os outros. –
– E como você sabe disso? –
– Ela senta do meu lado todo dia, você nunca parou pra reparar? Enfim, quando você não enche o saco eu converso com ela, e sei disso tudo porque é o que temos em comum. -
– Credo ... –
A loira revirou os olhos, porém logo sorriu para a figura ruiva que correu em sua direção, abraçando-a tão fortemente que quase caíram no chão.
– Eu pensei que você não viria! – Disse uma Chloe sorridente, beijando a ponta do nariz de Charlie. –
Eu também. – É, mas ... Eu vim, ta-da! – Respondeu a loira com um semblante brincalhão, beijando a testa da ruiva. –
– Não vai ficar ruim para você? Quero dizer, amanhã cedo você tem que estar na estação de trem, certo? – Indagou a ruiva, ficando na ponta dos pés para alcançar uma altura boa para conversar com Charlie. –
– Yep. Mas eu não podia te deixar aqui. – Ela sorriu, e Chloe assentiu. –
Emily estalou o pescoço, pegou um copo de uma bebida estranha que ela provavelmente nem iria tomar e saiu em direção a garota sentada abaixo de uma árvore um pouco distante de todos que festejavam ali, o único indicio de que estivera na festa era o copo quase intocado ao seu lado. A morena aproximou-se e sorriu para a garota quieta.
– O-olá. Eu ... Posso me sentar aqui? –
– Três meses de aulas e ainda nem sabia da minha existência, Anne J? – A voz rouca chegou aos ouvidos de Emily, e a garota estremeceu ao escutar seu nome saindo da boca de Carmilla. –
– Eu sei que seu nome é Carmilla Karnstein. – Ela sorriu, e uma sobrancelha foi arqueada no rosto pálido. –
– E sabe que eu namoro, certo? –
Emily pareceu pensar, finalmente dando uma bicada no copo a sua mão, quase cuspindo fora se não fosse a garota a sua frente.
– Bromance? – Ofereceu um sorriso para a garota sentada abaixo da árvore, e ela franziu o cenho. –
– Eu nem te conheço. –
Ela sentou-se em frente a garota, cruzando as pernas em posição de índio, e um sorrisinho de lado surgiu nos lábios de Carmilla.
– Então vamos nos conhecer. –
Quando a música aumentou, todos começaram a dançar que nem loucos (menos Charlie, mas ela era exceção) e logo Beca aproximou-se da amiga loira com um copo de refrigerante na mão. Mais uma dos poucos que odiavam o álcool.
– Que animação hein? – Indagou divertida, e Charlie arqueou uma sobrancelha. –
– Não sou muito fã de festas. – A garota sentada nas arquibancadas da quadra de basquete deu de ombros. –
– Justo. – Respondeu a aspirante a DJ, sentando-se ao lado da loira. –
Não muito longe delas, Chloe começou a pular e cantar, Charlie arqueou uma sobrancelha e Beca apenas riu.
– Onde sua namorada acha que estamos, Glee? – A morena bicou o copo em suas mãos. –
– O que é Glee? –
Uma Chloe mais animada que o normal correu em direção a elas, puxando Charlie pelas mãos e deixando seus lábios a milímetros de distância em um ‘semi-beijo’.
– Sabe, acho que você deveria ficar lá comigo. Por favor? – Ela fez o biquinho. Aquele biquinho super fofo que derreteria até o coração do Batman. –
– Claro. – Charlie sussurrou, juntando suas testas e iniciando um beijo. Um ‘Ew!’ pode ser escutado de Beca. –
As duas riram entre o beijo, logo saindo de mãos dadas em direção aos universitários que dançavam e bebiam no meio da quadra.
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Após acordar no quarto de Chloe a manhã seguinte, uma vez que Emily acabou levando uma garota para o quarto que dividia com a amiga, Charlie se despediu da ruiva com promessas que ligaria todo dia e que domingo anoite voltaria para New Haven, já que ela passaria o fim de semana em New York.
A garota loira saiu do trem e logo encontrou Quinn sentada em um banco um pouco longe, mexendo distraidamente em seu celular. Ela riu e retirou o fone esquerdo da orelha, logo indo em direção a mãe.
– Char! Nossa, eu senti sua falta! – Disse uma Quinn sorridente, assim que notou a filha mais velha parada a sua frente. –
Ela levantou-se e apertou a garota em um abraço apertado, que foi correspondido depois de alguns segundos. Charlie olhou em volta, a procura dos irmãos mais novos ou da mãe baixinha, porém, nada.
– Onde está o resto? – Indagou, ainda em um abraço com a mãe loira. –
– Você conhece a sua mãe, ela ficou com a Kitty e a Britt arrumando as coisas pra você, e seus irmãos ficaram jogando com as outras crianças. –
Charlie revirou os olhos com um sorriso bobo no rosto; Rachel seria sempre perfeccionista, não importa onde ou quando.
As duas iniciaram uma conversa sobre a vida de universitária da garota, sempre com Charlie contando para Quinn sobre os acontecimentos em Barden. Elas tinham conversado sobre isso por mensagens, ligações e raramente por Skype, mas nada superaria uma conversa pessoal, principalmente entre elas, que sempre foram muito ligadas mesmo quando Charlie ainda tinha apenas segundos de vida.
Quando chegaram na casa das Berry-Fabray, Quinn avisou para Charlie se preparar para abraços demorados vindo de Rachel e talvez um choro exagerado, mas a garota loira apenas riu e assentiu.
Assim que adentraram a casa, os gêmeos correram em direção as duas, jogando-se em cima de Charlie, que caiu no chão e teve um ataque de risos junto dos irmãos mais novos.
– Você faz falta! Eu senti sua falta. – Damian abraçou o corpo esguio pela direita e Harmony pela esquerda. –
– Você vai ficar por muito tempo? – A garota morena indagou, fazendo contato visual com a irmã mais velha. –
– O fim de semana inteiro. – Ela assentiu e sorriu, e em um riso tímido a garota apertou-se mais contra suas costelas. –
A loira levantou-se desajeitadamente, logo batendo um high-five com cada uma das crianças ali presentes. Vindas do quintal, Marley e Santana apertaram Charlie em um abraço em conjunto, a loira escutou seus ossos estalarem.
– O-olá ... – Charlie gemeu quando Marley levantou-a do chão em um abraço apertado. –
– Você faz falta! – A morena sorriu, e a loira assentiu. –
– M-me disseram ... –
– Acho que você cresceu nesses três meses. – Disse Santana, olhando a garota de cima a baixo assim que Marley colocou-a no chão. –
– Talvez. – Ela deu de ombros, usando a mão para comparar seu tamanho com o da latina. –
Com as mãos nos bolsos da jaqueta do Capitão América, a garota caminhou descontraidamente até a cozinha, onde Rachel cortava algo enquanto conversava com Brittany e Kitty que arrumavam outras coisas para o almoço, as três de costas para a porta. Charlie andou sorrateiramente até Rachel, tapando seus olhos com as mãos.
– Quinn, eu poderia ter me cortado. – Disse, a voz saindo em um tom brincalhão. –
– Errou. – Respondeu a loira com um sorriso de lado nos lábios. –
Assim que Rachel se virou, não pode conter as lágrimas que Quinn avisara mais cedo. A judia baixinha simplesmente largou seja lá o que estava fazendo e apertou Charlie o mais forte que pode contra si, tentando sustentar uma frase que sempre era interrompida por soluços. A garota acenou sem graça para Brittany e Kitty, que sorriram e acenaram de volta.
– Eu te amo ... – Foi a única coisa que Rachel conseguiu falar por minutos, os braços enrolados nas costas da filha mais velha. –
– Eu também senti sua falta, mãe. – Ela sussurrou, apoiando o queixo no topo da cabeça da mais velha. –
Rachel afastou-se para observar Charlie, apertando levemente as bochechas da filha como quando fazia quando a garota loira ainda era menor que ela e tinha seus três anos de idade. A judia sorriu, realmente era muito melhor ver Charlie pessoalmente do que virtualmente por uma câmera.
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Rachel estava sentada no colo de Quinn, a loira beijava-a enquanto as mãos exploravam o corpo coberto pelo antigo uniforme de Cheerio que Rachel ainda mantinha. Levando em consideração que elas não puderam aproveitar muito aquela fase por conta da gravidez precoce de Rachel, não era uma má ideia realizar as fantasias envolvendo a Rachel líder de torcida que Quinn sempre teve em mente, certo?
O clima quente e toda a tensão envolvendo o quarto se quebrou assim que um barulho alto foi escutado no andar de baixo. As duas se entreolharam com os olhos arregalados; Rachel tinha medo de várias coisas, já Quinn tinha medo até da própria sombra.
– O que foi isso? – Indagou Rachel em um sussurro. –
– Eu ... Eu vou ver. -
A loira com cuidado retirou Rachel de cima de si, logo caminhando lentamente até um dos três lightsabers que ficavam (por muita insistência de Quinn) presos na parede por um suporte, retirando-o e ligando-o, a luz verde iluminando o quarto de iluminação baixa por conta da situação em que o casal se encontrava poucos minutos antes.
Com muito cuidado, o pulso forte e um certo receio, as mãos pálidas alcançaram a maçaneta gélida, girando-a para abrir a porta, logo retirando-se do quarto e deixando a porta encostada. Visualizou o corredor inteiro, e vendo que estava tudo bem no andar de cima, caminhou lentamente até a escada, isso sem não antes ter uma parada cardíaca ao se assustar com seu próprio reflexo no espelho que sabe-se lá o motivo de estar ali. O cabelo loiro amarrado em um rabo de cavalo frouxo quase dava-lhe um charme rebelde, e por um instante levou em consideração de tingí-lo de rosa novamente.
Um pé após o outro nos degraus, foi descendo cuidadosamente as escadas até o andar de baixo, a sala estava iluminada pelas poucas luzes da noite que invadiam a casa pelas janelas, sua espinha gelou ao ouvir passos.
Ela correu e jogou-se atrás de um dos sofás, o lightsaber sempre em mãos. Quando viu que a figura estava de costas para ela, de frente para TV, correu de uma vez e acertou a espada de Star Wars na cabeça da ‘coisa’, mas assim que um grito de dor foi escutado, a loira correu para o interruptor ao lado da escada, acendendo as luzes e consequentemente, tendo a visão de uma Charlie esparramada no chão, as mãos na cabeça enquanto os óculos escorregaram de seu rosto na queda.
– Oh meu Deus, Char! – Ela abaixou-se ao lado da filha mais velha, que gemia de dor. –
– Oh meu Deus digo eu, o que foi isso? – Indagou enquanto sentava-se no chão gélido com a ajuda da mãe. –
– Eu ... Os gêmeos não acordam durante a madrugada quando estão bem, acho que desacostumei com a sua presença aqui. – Respondeu uma Quinn um tanto corada. –
– Então vocês estavam ... Oh meu Deus, ótimo jeito de voltar. – Ela balançou a cabeça, tentando desfazer-se da imagem que infelizmente armazenou na sua mente desde os quatorze anos. –
– C-certo ... Unh, estava vindo comer, beber alguma coisa? – Indagou Quinn, tentando, por Deus, mudar de assunto. –
– Estava jogado Far Cry, mas vim comer e fui atacada com um ... Lightsaber? Sério, acho que se fosse um ladrão ele riria da sua cara. –
– Olha como fala comigo, eu sou sua mãe. – Ela deu um peteleco na testa da garota, rindo da expressão que a mais nova fez. –
– Outch ... Tá bem ... Volte a fazer coisas nojentas com a mamãe, está tudo bem. Sério. –
A loira mais velha assentiu e beijou o topo da cabeça da filha, poucos minutos depois de voltar a casa foi preenchida por gemidos.
– Essas duas ainda vão traumatizar aquelas crianças ... – Murmurou consigo mesma, enquanto espalhava manteiga pela fatia de pão. -
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