Notas iniciais
Espero que todas as leitoras/es gostem e que especialmente a minha amiga secreta goste :)

Boa leitura :D

Durante anos a minha vida resumiu-se a esta busca. Durante anos eu procurei por ela, com todas as minhas forças eu tinha mesmo de a encontrar. Finalmente encontrei-a, finalmente eu estou frente a frente com ela. Finalmente vou puder fazer aquilo que durante anos quis com ela. Na minha mão esquerda possuo o órgão vital da outra mulher. O coração daquela mulher pulsava nas minhas mãos, como se implorasse para regressar ao seu lugar. Antes de tomar uma atitude parei por uns momentos e tudo o que vivi nos últimos anos voltou à minha mente.

O anel de esmeraldas enfeitiçado por Rumple funcionava na perfeição. O coração era a última parte que me faltava. Eu já tinha todas as outras, durante 8 anos eu viajei pelo Mundo com a ajuda do meu filho Henry, à procura dos 14 vasos canôpos. O primeiro lugar a que o anel nos conduziu foi ao Pólo Norte e depois de lutar contra uns ursos polares que guardavam o local, encontramos escondido no meio do gelo, o primeiro vaso que continha a cabeça. Nos Estados Unidos descobri o segundo vaso e passei a estar na posse da mão esquerda, no Canadá encontrei o braço esquerdo e no Brasil e na Argentina descobri respectivamente perna e o pé esquerdos. Na Ilha da Islândia estava escondido o vaso que continha o tronco da morena, na Rússia encontramos o outro braço e na grande muralha china a outra mão que nos faltavam. Neste momento eu tinha na minha posse 8 dos 14 vasos que eu tinha de procurar, passaram 5 anos o henry está muito crescido e cada vez mais me pergunta porque estou nesta busca que parece que nunca vai terminar. Prometi que quando esta nossa missão terminasse eu lhe contaria tudo, o porquê de estarmos a fazer esta viagem, o porquê de enfrentarmos tantos perigos e acima de tudo quem era aquela pessoa que tinha sido magicamente torturada, separada e qual a importância que ela tinha para mim. Conforme continuamos a nossa viagem passamos por Portugal e escondido num dos seus muitos castelos estava o vaso de continha a língua. Em Itália encontramos os olhos na Índia a perna direita e na Austrália o pé. Depois de primeiramente termos estado no Ártico, a nossa viagem desta vez será para o outro polo gelado, o Antártico. Depois de termos sido torturados mais uma vez pelas lutas e pelo frio congelante lá conseguimos o vaso que continha os pulmões. Estávamos cada vez mais perto de ter na nossa posse todos os vasos, faltava apenas um, talvez o mais importante de todos, pelo menos de forma simbólica. No último vaso estava guardado o coração daquela mulher, eu não sabia se no fim as coisas iam correr bem e se o meu plano ia resultar mas por tudo em que eu acreditava eu tinha de tentar, pelo menos uma vez.
Viajamos de volta para o Egipto e numa das mais importantes pirâmides, encontrámos o último vaso. Ainda apanhámos um susto enorme quando o Henry desapareceu, pensamos logo que tinha sido atacado por múmias, mas descobrimos que afinal ele estava entretido a descobrir os segredos do enorme mausoléu.


A minha morena estava ali deitada imóvel, sem vida. Todas as partes tinham sido restabelecidas e magicamente Rumple, tinha conectado todo o seu corpo. Faltava colocar o coração no seu devido lugar, mas isso podia ser feito pelo seu amor verdadeiro, eu.

–Henry chega aqui, vou contar-te uma história. Hoje vais ter as respostas a todas as perguntas que me fizeste durante anos, hoje vais ficar a conhecer a minha história e hoje vais conhecer a tua verdadeira família.

Regina é a Rainha de todo este Reino, e apesar de tudo o que nos aconteceu, ela é a única Rainha do meu coração. A nossa história apesar de grande história de amor é uma história repleta de conquistas e lutas.

O meu destino sempre foi casar com o herdeiro de Rumpelstiltskin .
Eu nunca gostei da ideia de casar com uma pessoa que eu não conhecia e sempre quis fugir, mas eu estava tão protegida e vigiada que eu nunca teria a mínima hipótese de escapar.
No dia em que completei 17 anos, os meus pais obrigaram-me a ir de viagem para conhecer o meu futuro marido. Quando o encontrei pela primeira vez achei-o muito bonito e cavalheiro, mas o olhar dele era vazio e frio. Não consegui sentir nenhum tipo de ligação com aquele homem, ele não despertava em mim nenhum sentimento para além do desprezo. Mal eu sabia que naquele mesmo castelo ia encontrar o grande amor da minha vida. Eu nem quis acreditar quando ela desceu as escadas. Morena de olhos castanhos, um sorriso electrizante e contagiante. Ela era linda, muito senhora, bem-educada, alegre e os seus olhos transmitiam-me imensa paz e tranquilidade.

Eu passei o dia inteiro com aquela morena linda, eu não sabia o que estava a sentir e não sabia o porquê de me estar a sentir assim, mas havia alguma coisa na Regina que me fazia querer passar todos os meus dias com ela, passar os dias a ouvir a sua voz que me hipnotizava, a ouvir as suas gargalhadas que me aqueciam o coração e olhar aqueles olhos castanhos intensos que me fascinavam.

Durante meses a minha amizade com Regina foi crescendo. Mas para mim aquilo era mais que uma simples amizade e eu tinha a esperança de que ela sentia o mesmo que eu. O meu coração palpitava quando eu estava perto dela e a minha respiração ficava descompassada ao sentir o seu toque e todo o meu corpo se arrepia. Houve uma altura em que achei que estava a ficar louca, eu passava uma grande parte dos meus dias com ela, seria possível estar a apaixonar-me por uma mulher e ainda por cima a mulher que dentro de semanas seria a minha cunhada. Tentei afastar-me dela, passar menos tempo com ela, falar menos com ela e sobre ela e acima de tudo tentei evitar pensar nela. Apesar do meu esforço não consegui, eu pensava nela 24 horas por dia e senti tantas saudades e um aperto tão grande no peito como nunca tinha sentido.

Uns dias antes do casamento a Regina apareceu nos meus aposentos. Correu para me abraçar, pegou as minhas mãos e perguntou-me nervosa.

– O casamento é daqui a três dias, tu queres mesmo casar com o idiota do meu irmão?

–Não Regina é claro que eu não quero, não é a ele que eu amo. Eu amo outra pessoa, mas é totalmente impossível, não tenho outra opção, vou ter mesmo de me casar com o Neal. – Respondi-lhe com toda a tristeza que me assombrava e esse sentimento embargou a minha voz.

– E se a pessoa que amas estivesse disposta a lutar por ti, a lutar pelo teu amor, a lutar contra este casamento ridículo e casar-se ela contigo e fazer-te a pessoa mais feliz de todo o Mundo?

–Regina porquê estas perguntas agora? Eu já estou mentalizada de que me vou casar com o teu irmão e que o meu verdadeiro amor nunca será desvendado.

–Mas …

–Regina chega desta conversa, não há nada que se possa fazer. Daqui a três dias vou estar casada com o teu irmão e ser leal só a ele. A pessoa que amo vai ter de sair do meu pensamento e do meu coração de uma vez por todas. Agora chega de perguntas e acaba aqui a conversa, por favor…

Sem dizer mais nada, com as duas mãos delicadas e macias, agarrou o meu rosto e beijou os meus lábios. Eu não sei explicar o que senti naquele momento. Foi um beijo suave e macio. Um beijo cheio de paixão, amor, amizade, compreensão e ternura. Quando os nossos lábios se separaram, ela encostou a sua testa na minha e disse-me num sussurro, como se me contasse um segredo.

–Eu sei como te sentes em relação a mim, eu sinto o mesmo minha Emma. Eu Amo-te!

Eu não sei como ela teve forças, nem onde arranjou tanta coragem, mas a Regina impediu o meu casamento com o estrupício do Neal. Por mim e pelo nosso amor ela enfrentou a família, o reino e o Mundo.
Juntas contrariamos as regras e lutamos pela felicidade, mesmo destruindo algumas crenças, tradições e até acumulamos alguns ódios.

Depois de ter impedido o meu casamento, a Regina quis casar-se comigo naquele mesmo dia e o Neal deixou de ser o primeiro na linhagem de sucessão ao trono de Rumple.
Tudo correu como era suposto e todas as tradições se cumpriram. O Rumple abdicou do trono a favor de Regina e naquele mesmo dia ela tornou-se Rainha. Quando o dia chegou ao fim e as celebrações terminaram nós fomos para os nossos aposentos.

– Meu amor, nunca vou conseguir expressar por palavras o quanto me fazes feliz, o quanto eu te amo e o quanto quero passar o resto dos meus dias contigo.

–Emma, este foi o melhor dia da minha vida, finalmente eu tive a coragem de me impor e mostrar a todos que te amo e que faço tudo por ti.

A nossa noite foi mágica, durante horas trocamos juras de amor, durante horas amamo-nos e nessa mesma noite, puramente mágica, geramos um bebé.

A nossa felicidade não durou muito tempo, porque apesar de não pensarmos nisso, nós tínhamos criado um monstro cheio de ódio, no dia em que nos casamos.

Três meses depois do nosso casamento, a Regina fazia anos e como tal organizamos uma grande festa. E como todas as comemorações houve um momento de magia e para executar o seu truque o mágico pediu a colaboração da Rainha que prontamente se levantou e foi até ao palco, onde entrou numa caixa de madeira, que o mágico fez desaparecer com uma magia que nem o próprio Rumple conhecia. Neste momento o Neal levantou-se e caminhou para a frente do palco.

–Isto não foi um simples truque de magia, a caixa onde a minha querida irmã entrou está neste momento perdida algures no Egipto e nunca será possível recuperá-la!


Eu não podia acreditar, a Rainha tinha sido raptada à frente de todos e ninguém pôde fazer nada.
Mais tarde, depois de todo o choro, decidi falar com o Rumple e perguntar se havia alguma coisa que pudesse ser feita. Ele disse-me que iria encantar o anel de esmeraldas de Regina, mas que não tinha a certeza de que iria resultar.

Por incrível que pareça, o encantamento funcionou e durante meses eu procurei por ela, mas houve uma altura em que eu não conseguia mais, a minha barriga estava enorme e dentro de alguns dias o meu menino ia nascer. Voltei para o Castelo e dois dias depois, nasceu o meu maior tesouro, o fruto do meu amor com uma mulher maravilhosa. Decidi chama-lo de Henry, havia qualquer coisa no meu coração que me dizia que este era o nome certo e que a Regina ia gostar.
Durante dois anos eu fiquei no Castelo para a segurança de Henry, mas quando achei que ele estava crescido o suficiente partimos outra vez em à procura de Regina. Nós não íamos sozinhos, connosco iam 2 amas que ajudariam nos cuidados com o pequeno Henry e uns 15 soldados que me ajudariam nas batalhas que poderíamos enfrentar. Depois de termos atravessado o deserto, a luz do anel brilhava de forma mais intensa, nunca tinha visto o anel brilhar daquela forma, isso só podia querer dizer uma coisa, estávamos perto cada vez mais perto.
Andámos mais uns minutos à beira rio e escondido no meio de uns galhos velhos de uma árvore caída, estava a caixa de madeira que continha a razão do meu viver.

Corri de encontro à caixa e com a ajuda de dois guardas conseguimos retirá-la da àgua, eu nem queria acreditar quando a abrimos, ali estava Regina, num sono profundo. A minha única esperança era o beijo do amor verdadeiro, para mim antigamente isso não passava de um mito, mas neste momento eu acredito que seja verdade, tem de ser verdade! Com todo o cuidado aproximei o meu corpo da caixa e com toda a delicadeza encostei os meus lábios nos dela e sussurrei : “ Enquanto o meu coração bater eu vou amar-te só a ti, por favor volta para mim.”

Eu tinha os olhos fechados e tentava controlar as lágrimas que cresciam nos meus olhos. Quando de repente oiço uma respiração pesada, seguida de um suspiro “Emma”. Eu não conseguia acreditar, funcionou e de novo a minha morena está nos meus braços.
Combinamos que a manteríamos num sitio seguro, até ela recuperar as forças para lutar contra o irmão e reaver o controlo do reino e da sua vida.
Estávamos a caminho do lugar secreto, quando fomos apanhados numa emboscada e os meus homens fomos atacados pelo exercito do Neal, corri rapidamente para proteger o Henry e cometi o enorme erro de deixar a Regina mais para trás, dada a sua condição ela foi apanhada e ameaçada pelo próprio Neal, que apontava uma adaga ao pescoço da Rainha.

–Desta vez foi fácil encontra-la, vamos ver se consegues repetir tal proeza!

Quando acabou de proferir tais palavras, ele e a Regina desapareceram numa névoa escura.

–Não outra vez não! – Caí de joelhos no chão completamente entregue ao desespero.

–Tenha calma Emma, nós vamos encontrá-la de novo. Partiremos ainda hoje. – Respondeu um dos guardas, enquanto colocava a mão no meu ombro, como forma de consolo.

–Enquanto o sol nascer todos os dias, eu vou procurar por ti e lutar para te ter de novo nos meus braços! – Sussurrei ao vento, na esperança que talvez, onde quer que ela estivesse me conseguisse ouvir.


–Foi assim que nós chegámos aqui meu filho, ela é o amor da minha vida, ela é a minha melhor amiga e ela deu-me o melhor presente que eu algum dia poderia receber, tu!

–Mãe, acho que está na altura de lhe devolver o coração e trazê-la de novo para nós. Eu quero muito conhecê-la.

–Henry eu não sei se vai funcionar, tenho muito medo de não a poder abraçar pelo menos mais uma vez.

–Vai funcionar! Já conseguiste recuperá-la uma vez, enfrentas-te tantos perigos para a encontrar e agora é que estás com medo? Acho que tens medo que ela acorde e te ache muito velha.

–Henry!

–Pronto, pronto já não brinco mais com o assunto. Agora vai lá de uma vez por todas, tenho a certeza que vai correr tudo bem!

Depois de ouvir as palavras do Henry e até a sua piada mal contada eu percebi que ele tinha toda a razão. Eu estava a ser cobarde, agora não era altura para ter medo. Agora era sim a altura de chegar ao pé da minha mulher, devolver-lhe o seu coração e beijá-la da forma mais carinhosa e calorosa que conheço, para depois vê-la despertar para mim. Foi isso que fiz, com todo o cuidado, amor e dedicação coloquei o órgão pulsante no seu lugar e beijei-a com todo o amor que enchia o meu coração e todo o carinho que me corria nas veias.
Ela acordou do transe, levantou-se e abraçou-me. Logo o Henry correu para nós e sussurrou “Eu sabia que ia dar certo”. A minha família finalmente estava completa e toda a felicidade restabelecida nos nossos corações e nas nossas almas.

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Quando regressámos para casa, a Regina lutou contra o irmão e com a ajuda do pai e dos guardas ele foi capturado e condenado a passar o resto dos seus dias nos calabouços, condenado a uma vida de escuridão, solidão e sofrimento.


Os anos que se seguiram foram de pura felicidade, juntas vimos o nosso reino ficar em paz, e o nosso filho crescer. A Regina foi uma Rainha exemplar e amada por todos, especialmente por mim.
Agora que estamos mais velhas, quem governa é o Henry, mas isso é uma história para ele contar.


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Fim :)

Notas finais
E a minha amiga secreta é a Joice Sant'Anna :D
Espero mesmo do fundo do coração que tenha gostado :)
Isto foi tudo o que o meu lindo cérebro conseguiu imaginar e desenvolver.
Confesso que não conhecia nada sobre o tema e que no inicio foi um bocadinho difícil de ultrapassar. Mas no fundo foi um ótimo desafio :)

Evil Kisses * ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!