I Thought It Was A Dream.
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Fui até a sala e Lets foi atrás de mim. Sentei no sofá e suspirei.
-To tão ansiosa.
-Eu to nervosa isso sim. -Lets sorria de preocupação.
-Porque nervosa?
-Na verdade eu to com medo, do voo. Sei lá, e se acontecer alguma coisa?
-Não vai acontecer nada, fica calma. -levantei do sofá e a abracei.
Letícia bocejou.
-Sono, né?
Ela confirmou com a cabeça.
-Vamos dormir?
-To com fome.
-Então vamos fazer algo pra comer e depois dormimos.
Abri o armário da cozinha e peguei 4 pacotinhos de miojo. Lets já tinha colocado a panela com água no fogão e eu apenas abri os pacotes e joguei tudo na panela, tirando é claro o saquinho de tempero.
É claro que o miojo demorou uns 10 minutos pra ficar pronto. Enquanto isso fiquei vendo tv e Letícia no banho.
-Hey, o miojo já está pronto! -bati na porta no banheiro.
-Já vou.
-Tá. Vem logo pra não ficar frio e eu também quero tomar banho.
-Pronto. -ela abriu a porta já arrumada.
Comemos rápido e fui tomar banho, agora quem estava nervosa era eu.
Não sabia muito bem o porque, já que eu não tinha medo de avião.
Estava nervosa, só sei disso. Meu coração bateu mais forte e me arrepiei toda.
Terminei de banho e coloquei meu pijama sem me enxugar direito.
Deitei na cama e me cobri com um lençol, o ar condicionado não estava muito forte então deixei o cobertor de lado.
Lets já estava dormindo. Peguei meu celular com o fone e coloquei na minha playlist de sempre. O modo aleatório estava ativado e terminei a última música que estava pausada desde ontem de manhã.
Lágrimas Perdidas, RBD. Logo depois começou Moments, comecei a chorar.
-Bora parar com isso Joyce! -eu disse baixo e desliguei o celular. Virei para o outro lado e dormi.
-MENINAS, ACORDEM! -Tia Cris dizia calmamente com um sorriso estampado no rosto (not) e com um balde de água na mão pronta pra jogar em nós.
-NÃAAAAAAO FAZ ISSO! -Pulei da cama puxando meu fone que estava conectado ao celular. Fiquei ao lado dela e olhei pra Letícia vendo se não estava com seu celular ou algo que se molhasse prejudicaria. Bem, não estava! Peguei então muito feliz e meio tonta com um pouco de sono ainda e joguei a água em Lets.
Ela acordou assustada e me xingou.
-To tão ofendida... -comecei a rir pegando minha toalha e indo a caminho do banheiro.
Tia Cris ria sem parar.
Fechei a porta e olhei para o espelho. Dei um sorriso.
-A gente dormiu muito, puta que pariu! -ri sozinha e entrei no banho.
Deve ter demorado uns 15 minutos e sai do banheiro com a toalha enrolada no corpo.
-Joyce, tá com fome? -tia Cris dizia da cozinha.
-Claro!
-Ok, vou preparar algo.
-Tudo bem. Tia, que horas são?
-Quatro da manhã.
-Que ótimo! -fechei porta e peguei a primeira roupa que apareceu na minha frente.
Me arrumei pensando já em estar entrando no avião, nosso voo eram às 06:00. E contei que às 17:00 chegariamos mais ou menos lá. Se é que minha conta foi certa.
Escutei a porta bater e era Lets. Abri a porta e ela entrou no quarto com toda "fúria".
-Que foi?
-Nada. -ela começou a rir abrindo o armário onde já estava separada sua roupa.
Ela se arrumou rápido e saimos do quarto. Nossas malas estavam na sala, eram mais ou menos 4 malas. Era pouco. 2 malas para mim e 2 para Lets. Só que uma delas eram tipo mochilas que voltou ao meu raciocínio de pouca coisa. Mas levamos bastante dinheiro pra comprarmos lá.
-Cade minha mãe? -olhei pra tia Cris.
-Tá tirando o carro da garagem.
-Ah sim. -sorri dando um beijo na bochecha dela e sentei na mesa, sim, na mesa mesmo.
Olhei para Letícia que estava comendo dois sanduiches com um copo de suco ao seu lado.
-Suco de...? -perguntei balançando minhas pernas.
-Sei lá, ainda não bebi. -ela falou e nem sequer olhou para mim.
Bebi o suco como se tivesse saido do deserto. Coloquei o copo onde estava e educadamente arrotei.
-PORQUE?
-O suco era de manga com abacaxi, delicioso! Porque sim. -sorri.
-Olha pro lado. -ela me disse séria.
Era meu sanduiche com o mesmo suco.
-Ah tá, desculpa. -peguei o meu suco e dei pra ela. Devorei os sanduiches e fui escovar os dentes.
Minha mãe entrou no quarto.
-Bom dia minha linda. Ansiosa? -ela deu um beijo em minha testa e logo depois me abraçou.
-Sim mãe, bastante. Vou sentir sua falta, sua e do papai. -abracei de novo.
-Não sinta. Quero que você se divirta! E nada de ficar chorando de saudades, escutou? Nem você e nem a Lê. Algumas vezes nós vamos ligar pra vocês mas vai ser bem pouco, só pra ver se está tudo certinho, tá?
-Uhum, te amo muito.
-Eu também meu anjo.
Lets entrou no quarto.
-Ops, desculpa atrapalhar.
-Que atrapalhar! -minha mãe abraçou Lets e eu comecei a rir.
-Ai, tia... QUE MICO! -ela disse imitando uma patricinha.- BRINKS! Sua linda. -Lets a abraçou e me puxou. Ficamos ali abraçadas e tia Cris entrou no quarto e a abraçamos também. Sabe aqueles filmes que todos se abraçam e ficam felizes para sempre? Então, eram nós.
Nossos pais estavam como sempre conversando sobre assuntos nada a ver com oque estava se passando, tentando ser fortes o bastante pra não demonstrar que iriam sentir saudades, mas choravam todas as noites pelo fato de quase nunca estarem presentes.
Mas enfim, entramos no carro e vimos que já era 05:20.
A sorte é que o transito estava super calmo, tinha muito pouco carro nas ruas e chegamos rápido ao aeroporto. Ficamos esperando até a hora do voo.
-Não se esqueçam de Pablo. Ele vai estar lá esperando por vocês. -tia Cris disse se sentando na cadeira ao meu lado.
-Esperando desde agora? Corajoso. -Lets disse olhando para nós.
-CARALHO, MUITO LERDA! O imbecil, ele vai ver a hora mais ou menos que o nosso voo vai chegar e vai pro aeroporto esperar por nós. -pisquei o olho.
Todos olharam para mim depois do palavrão, nem liguei e continuei a conversar normalmente.
Bem, estava na hora de se despedir.
E é claro, sempre tem alguém que chora. Nesse caso foi todos, até nossos pais.
Depois de uns 5 minutinhos abraçados nós fomos a caminho do avião.
-Londres, ai vamos nós! -Lets disse pra depois beijar sua pulseira da sorte.
-Amiga, pé direito. -olhei para ela e entrei no avião olhei pra trás e ela estava chorando andando calmamente.
-Não chora, por favor. -puxei a pelo braço e fui procurar nossos assentos. -Sua sortuda! Você fica na janela.
Nós sorrimos e curtimos o voo. Estavamos cansadas de tanto esperar, vimos filme e nada de chegar, escutamos música e nada, contamos piadas e nada, zoamos os outros passageiros e nada, dormimos, comemos, cochilamos e nada. Depois de tudo isso, finalmente chegamos. Bem, já estava tarde.
Fale com o autor