Notas iniciais
Espero que gostem! Essa aí é uma criação inteiramente minha

- ACORDA! – gritou Janice, provavelmente pela décima vez. Ela estava me sacudindo furiosamente, o que não era muito agradável, levando em conta o fato de que eu estava com uma dor de cabeça horríve

- Me deixa em paz! – murmurei contra um travesseiro, enquanto batia nela com outro. Depois disso, ouvi um som abafado, um baque e o barulho de várias coisas caindo. Ah, isso sim me acordou.

Acho que eu bati com força demais na minha irmã. Afinal, ela estava no chão. Com todo o conteúdo de cima da minha cômoda em cima dela. Á TRÊS METROS DE MINHA CAMA. Meu Deus, quando eu fiquei tão forte?

- Angie! – ela exclamou com a voz esganiçada. Será que eu a machuquei? – Olha o que você fez! Caiu tanto perfume em mim, que eu vou ter que tomar quinze banhos até sair o cheiro.

Ah, então era isso. Bem típico de Janice. Ela nem se importava com o fato de que ela acabou de se chocar com a minha cômoda e poderia ter se machucado sério. Talvez nem notou que, com a pancada de um travesseiro, eu a fiz voar três metros. Ela só está preocupada com o jeito que as pessoas vão vê-la se estiver cheirosa demais. Veja bem, a minha irmã é aquele tipo de garota perfeitinha, que tira as melhores notas e que só socializa com as pessoas tão inteligentes quanto ela. É tão paranoica, que se cai uma sujeirinha de nada nas suas roupas, ela as troca. Eu defino o seu tipo como Nerd Esnobe.

- Sua retardada! Agora não tem como eu ir pra a escola hoje! Não cheirando desse jeito...

- Ah, meu Deus! Eu esqueci completamente que tinha escola hoje! – exclamei revirando o meu armário pra achar algo pra vestir. Ela deu uma risada de desdenho.

- É óbvio. Eu sabia que era uma péssima ideia ir nessa festa. Você deve ter bebido horrores lá. Mas, claro, não é do seu feitio perder uma festa. Agora, você está de ressaca e tem dez minutos pra se arrumar, ou vai se atrasar. E você lembra da regra daqui de casa: Você pode sair á noite, desde que não falte ou se atrase pra aula. Bom, eu não preciso dessa regra, já que eu aproveito o meu tempo de uma forma muito mais prudente que a sua. Enquanto você está “curtindo por aí” com a sua turminha, eu estou estudando para obter boas notas nos SATs.

- Mas você ainda está no primeiro ano do colegial. Quem é que estuda para os SATs no primeiro ano do colegial? – perguntei escovando os dentes enquanto vestia uma blusa qualquer.

- Eu estudo. Afinal, eu prefiro ficar absorvendo todo conhecimento possível ao invés de ficar vadiando por todo lado. – ela respondeu analisando o meu quarto com o nariz enrugado. Enquanto o quarto de Janice é perfeitamente impecável, o meu é uma zona total. Pelo menos, eu sei onde está cada coisa minha mesmo na bagunça.

- Será que você poderia me dar licença pra eu terminar de me arrumar? Eu te encontro lá em baixo em dois minutos.

Ela bufou e deu meia volta. Eu corri para a penteadeira. Graças á Deus que eu nasci com o dom do cabelo liso que desarruma dificilmente. Eu posso enfiar a cabeça na máquina de lavar com meia tonelada de sabão em pó lá dentro, mas o meu cabelo continuaria bonito. Bom, talvez não bonito, mas vai estar do mesmo jeito que estava antes.

Vesti uma saia, calcei os sapatos, peguei a mochila e corri escada abaixo. Janice estava sentada no sofá lendo O Morro dos Ventos Uivantes. Ela me olhou por cima do livro e exclamou um palavrão em alguma língua estranha.

- Eu nunca vou entender como você consegue estar de ressaca, se arrumar em quatro minutos e ainda ficar bonita! Como é possível?

Olhei pra mim mesma no reflexo do espelho da sala. Ela estava certa, eu estava bonita. Mesmo no piloto-automático, eu montei a combinação perfeita de roupas: Uma blusa branca um pouco decotada, uma saia de cintura alta preta e sandálias de salto.

Será que era inteligente da minha parte usar salto alto, de ressaca? Provavelmente não. Mas eu amo usar salto alto. Não é que eu seja baixinha, tenho quase 1,70m. Mas eu acho sapatos de salto muito mais confortáveis que qualquer sapatilha ou tênis. E já me disseram que eu fico muito bem de salto. Os meus amigos me elogiam bastante.

- Ei, anda logo! A gente vai se atrasar se você demorar mais. Eu não me importo se você ficar de castigo, mas até que eu complete dezesseis anos, tenho que pegar carona com você, então se apresse.

- Tá bom, rabugenta. – resmunguei e fomos para o carro. Tenho que admitir: eu sinto um orgulho gigante do meu Mustang vermelho. Trabalhei um monte pra conseguir pagar, mas valeu muito á pena. Janice vive reclamando, dizendo que eu poderia comprar um carro muito mais seguro, mas eu não estou nem aí.

Dirigi um pouco até chegar na escola, e consegui atravessar as portas antes do sinal tocar. Ufa, nada de atrasos! Caminhei alegre até o meu armário, mesmo estando completamente zonza.

- Ei! Aí está você! – ouvi uma voz bem familiar falando atrás de mim. Me virei, e dei de cara com o meu círculo de amigos. E, assim como eu, todos estavam de óculos escuros, por causa das olheiras.

- Isso! Pode ir me pagando vinte dólares, Vandore. – disse Brant Jordane para Mike Vandore. Dois dos meus melhores amigos na terra.

- Não vá se vangloriando! Eu posso recuperar esses vinte dólares depois do jogo de hoje á noite! – resmungou Mike remexendo o bolso dos jeans.

- Mas que aposta maluca foi essa? – perguntei girando a combinação.

- Mike apostou vinte dólares, que você não apareceria hoje com essa ressaca tão grande. Brant afirmou o contrário. – respondeu Kayla Montgomery, outra grande amiga. Ergui uma sobrancelha, por cima do ombro.

- Eu? Faltar na aula por causa de uma ressaca de nada? Alguma vez eu já fiz isso?

- Foi esse o meu argumento! – exclamou Brant.

- É, mas a gente bebeu muito na festa do Craig! – disse Mike, de cara feia.

- Eu que o diga! Vocês cinco quase acabaram com um dos barris de cerveja! Sorte que eu tinha mais um. Credo, vocês beberam que nem desesperados! – repreendeu Craig Woodsen, segurando a mão da namorada, Gina Reeds.

- Ah, cara, dá um crédito! Foi o fim das provas trimestrais! Eu nem tive tempo livre entre os treinos e os estudos. Foi um sacrifício horroroso! – Brant substituiu o sorriso vitorioso, por uma expressão teimosa.

Uma coisa que eu me esqueci de mencionar: eu e meus amigos somos meio populares. Tá bom, não somos meio; Somos muito. A gente é veterano aqui na escola, estudamos aqui desde sempre, e conhecemos praticamente todos os alunos. Mas não somos aquele tipo de popular que esnoba todo mundo, por que não estão á altura. Quem faz isso é a minha irmã. Nós somos melhores amigos, isso é fato; E também é verdade que não fugimos completamente do estilo de populares das outras escolas: Brant é zagueiro no time de futebol, Mike é capitão do time de basquete e Craig faz parte do time de luta-livre. Já Gina é líder de torcida, Kayla é a melhor atriz da escola e eu sou capitão do time de vôlei. Mas não é por isso que nós maltratamos os outros alunos. Somos amigáveis com todo mundo, não ficamos fofocando sobre eles. Somos bem respeitáveis, mas também respeitamos.

- Tá gente, não importa o quanto a gente bebeu. Importa mesmo é o que a gente fez depois disso! Eu me lembro vagamente de dar uns amassos lá na festa, mas eu não sei com quem. – falei, com medo da resposta. Mike sorriu maliciosamente, e me envolveu com um braço.

- Não se preocupe, gata. Eu fui bem bonzinho com você.

- Você? Eu fiquei com você noite passada? – meus olhos se arregalaram.

- Não, é brincadeira. Mas, eu não posso dizer o mesmo sobre a sua amiga ali. – ele apontou para Kayla, que ficou vermelha.

- Então com quem foi? – perguntei mais pra mim mesma do que pra eles. Como já tinha pegado tudo o que precisava, fechei o armário, e comecei á andar em direção á salas de aula. Meus amigos se puseram do meu lado, e caminhamos todos de óculos escuros pra esconder os olhos cansados, quase caindo de tanta ressaca.

- Oi, gente. Bela festa ontem, Craig! – cumprimentou Edwin Richards, um garoto do clube de xadrez. Nós seis sorrimos e acenamos com a cabeça. Não falei? Nós somos legais com todos.

No caminho para a sala da professora de inglês, nós nos encontramos com a minha irmã, e seu grupinho de Nerds Esnobes. Ela me dirigiu um olhar frio, e os seus amigos fizeram o mesmo.

- Tá me olhando assim porque, Janice? – perguntei me preparando pra discutir.

- Porque, se você não tivesse me empurrado, eu não teria me encharcado de perfume. Agora, por sua causa, eu tive que me trocar aqui na escola, só que eu não tinha roupas no meu armário, então tive que pegar as roupas do clube de teatro. E, pra melhorar a minha sorte, só tinha isso disponível.

Olhei para suas roupas, e não consegui conter uma risada. Ela estava usando preto da cabeça aos pés, como se fosse gótica.

- Nossa! Tentando um novo estilo, Janice?

- Não, Angelina. Era isso, ou o figurino de Hamlet. – ela respondeu carrancuda. Eu e Kayla contemos uma risada; Nós duas sabíamos que a equipe de teatro tinha muito mais que aquelas opções de roupas guardadas, mas escolheram essas especialmente para Janice, por ser tão cruel.

- Pelo menos ela não se veste como uma vagabunda! – disse a amiga da minha irmã, Pamela Callun, numa tentativa desesperada de parecer intimidadora.

- Muita moral a sua, estereótipo de freira! – respondeu Gina em minha defesa. Ela estava certa em chamar Pamela assim, já que a garota é o ser vivo mais puritano da face da terra. Nunca veste saias acima do joelho, não usa nenhum miligrama de maquiagem e nunca demonstra nenhum tipo de afeto com qualquer pessoa do sexo oposto. Freira da cabeça aos pés.

- Olha, eu não estou afim de discutir agora. Tchau pra você, Janice. – disse, e com isso, eu e os meus amigos fomos para a primeira aula do dia. Pude sentir Janice me fuzilar com os olhos, mas nem liguei. Uma pirralha não me põe medo.

Ai, ai. Esse seria um longo dia...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.