I Still Remember The Day I Meet You
3 Segundo Capitulo
Notas iniciais
hey galerinha
Violetta’s POV.
Enquanto Maxi recitava suas falas, eu tamborilava meus dedos na mesa de madeira, um gesto claro de impaciência. O tempo parecia não passar. Faziam horas ou apenas minutos que estávamos confinados naquele camarim? Eu não fazia a mínima ideia. – Dá pra você parar com isso? — pediu, imobilizando meus dedos com uma das mãos. – Desculpa. – Por que você tá tão impaciente? – Por nada. — menti, olhando para outra direção. – Ah tá! Você não me engana! Anda, me fala, o que aconteceu? — Ele me lançou um olhar de curiosidade mórbida, o que me deu vontade de rir. Mas não o fiz, estava nervosa demais para isso. Eu não poderia contar nada pra Maxi, até porque não tinha o que contar. Leon e eu sairíamos apenas como amigos, nada mais do que isso.Mas se era apenas isso e nada mais, por que eu estava tão nervosa? Por que suava frio e olhava para o relógio a cada instante? Isso era bastante estranho, ou talvez, nem tanto assim. – Não é nada, Maxi. Vamos voltar a ensaiar. — disse-lhe, decidida a pegar meu roteiro e me concentrar. – Nesse estado você não vai poder ensaiar nada. Não me mata de curiosidade, por favor. – Ai Maximiliano, você parece aquelas garotinhas do colegial! — Franzi o cenho, bastante irritada por sua insistência. – Está assim pelo Leon, né? E aliás, vocês vão sair para onde? Nem adianta negar porque ouvi você falando isso para ele no camarim.Gelei com sua frase. Droga. Eu não deveria ter falado aquilo na frente de Maxi. Ele sempre tirava as conclusões erradas. Provavelmente me encheria por meses só por conta de uma simples afirmação. Apenas bufei e passei os olhos pelo roteiro, decidida à ignorá-lo. Porém, estava ciente de que ele não desistiria fácil. Maxi é impossível. – Conta, conta, conta! — Ele passou a balançar meus ombros freneticamente, me deixando tonta.– Ai, para com isso! – Se eu parar, você me conta? — Ele sorriu de orelha a orelha. – Eu até te contaria, mas você é pior que uma velhinha fofoqueira. — Suspirei. – Eu? Minha boca é um túmulo! – Te conheço, Maximiliano. – Vilu, me conta! Eu vou te perturbar até você dizer. Dei um sorrisinho desafiador e voltei à atenção para a folha de papel em minhas mãos.Não poderia contar nada para ele. Afinal, o que eu tinha para contar? Leon e eu sairíamos juntos. Todos os amigos normais faziam isso, então não tinha nada de estranho ou suspeito. Ou pelo menos, eu tentava me convencer disto. Como eu já sabia que aconteceria, Maxi cutucou meu braço incessantemente, sussurrando: “Por favor” à cada minuto. Me dei conta de que ele não desistiria mesmo, então achei melhor contar de uma vez por todas. Além do mais, o que haveria de mal ou estranho naquilo? – Ok, eu te conto! — exclamei, extremamente irritada. – Aê! — Ele comemorou como uma criança de 10 anos que acaba de ganhar o brinquedo que pediu há séculos, o que deixou a situação bem cômica. – Leon e eu sairemos para almoçar, só isso. Satisfeito? — falei tudo tão rapidamente que até me perguntei se ele teria entendido tudo com dicção. Ele ficou boquiaberto, o que me deixou ainda mais impaciente. Céus, o que tinha de tão extraordinário? – Mas Vilu… O Leon não tem namorada? — perguntou. – Vamos sair como amigos, Maxi! — Dei uma enorme entonação na palavra ‘amigos’, já fervendo de raiva. Não entendia porque o fato de ele tirar conclusões erradas me irritava tanto. Talvez eu estivesse tentando tanto convencer a mim mesma de que éramos apenas amigos, que o fato de os outros pensarem o contrário me deixava com raiva. – Amigos é? — Ele parecia duvidar. – Sim, amigos! Me levantei do sofá no mesmo instante e dirigi-me até o outro lado do camarim. Por que esse interrogatório? Éramos amigos! Eu sentia apenas amizade por ele. Tinha que sentir apenas isso. Senti uma presença atrás de mim poucos segundos depois.– Calma, foi só uma pergunta. — disse-me tranquilamente.– Pergunta? Foi uma insinuação. – Ah Vilu, por que está com tanta raiva? Relaxa. – Não gosto que brinque com essas coisas. — falei seriamente, me virando para ele. – Não acredito que você levou tão a sério. — Ele revirou os olhos. – Não é que eu levei a sério, apenas não gosto. O Leon tem namorada, a situação com ele já está complicada e esse tipo de brincadeira só pode piorar as coisas-Ele me abraçou no mesmo instante, de forma reconfortante. Embora meu estado fosse bastante estressante, era exatamente disso que eu precisava. Estava nervosa demais e sentia que poderia desmaiar a qualquer momento. – Você gosta do Leon, né? — perguntou, enquanto ainda estávamos abraçados.– Não. — respondi e minha voz saiu abafada. – Vilu, você sabe que pra mim não precisa mentir. Somos amigos. – Eu sei, é só que é… Complicado. — Desvencilhei-me de seus braços e choraminguei. – Você gosta dele. — constatou, dando um sorriso triunfante. – Maxi! — Dei um tapa no braço dele. — Isso é sério. Esse sentimento é… Errado. – Não existem sentimentos errados. – Claro que existem! Ele tem namorada e não dá bola para mim. Nem somos amigos direito. Então por que diabos esse sentimento seria certo? Me odeio!
Ódio: Era isso o que eu sentia por mim mesma. Me odiava por permitir que sentisse algo por ele. Não era certo, não era saudável. Só me traria problemas. – Como você sabe que ele não te dá bola? — Ele arqueou a sobrancelha, esgueirando-se para meu lado novamente.– Está óbvio. Maxi, eu tenho apenas 15 anos (N/A: Na fic ela ainda não fez 17, ok?) e ele tem 21. Isso não daria certo mesmo que ele retribuísse esse sentimento. – Não existe idade para o amor.– Que amor? — contestei. — Não tem amor. – Tem sim, pelo menos da sua parte.– Não é amor! Cruzei os braços. Senti que meus olhos começaram a ficar debilmente marejados. Droga, eu não queria chorar. Eu era realmente uma tola, uma criança tola. Leon jamais gostaria de mim. Maxi percebeu meu ataque repentino de tristeza e afagou levemente meu braço. Não disse uma palavra. Provavelmente, não tinha o que dizer. Depois de alguns minutos de silêncio completo, ele decidiu rompê-lo. – Olha, tudo vai se resolver, sei que vai. — Ele tentava me tranquilizar.– Quero muito acreditar nisso. — Minha voz saiu entrecortada. – Vai dar tudo certo! — Ele passou o braço sobre meus ombros. — Agora vamos, as gravações vão começar.– Já? — questionei e olhei no relógio da parede. — Meu Deus, não posso aparecer para gravar com essa cara. – Lava o rosto. Anda, temos que gravar! Maxi quase correu para fora do camarim. Ele era bastante organizado durante as gravações e não gostava de se atrasar. Fiz o que ele me sugeriu: Lavei o rosto e tratei de colocar um sorriso tranquilo no rosto. Tinha que manter a calma e agir com naturalidade. Enquanto o almoço não chegava, não podia me deixar abalar por meus sentimentos tolos. ***Enfim fizemos uma pausa para o horário de almoço. Agora, eu escovava meus cabelos de forma mais metódica possível, enquanto Ludmila tagarelava sobre alguma coisa insignificante. Durante as gravações, Leon disse que me chamaria quando estivesse pronto para irmos almoçar. Eu tentava ao máximo não ter um surto de ansiedade e acabar enlouquecendo. Cantarolava alguma música leve, na tentativa de me acalmar. – Ô Violetta, você tá ouvindo o que eu tô dizendo? — Ela perguntou com um semblante impaciente. – Ahn? O que? — perguntei, desorientada, ainda com os olhos fixos no espelho. – Já faz meia hora que eu to falando do Tomás. Chacoalhei a cabeça, tentando me concentrar. Abri um sorriso amarelo, sem graça por não ter dado importância à o que ela dizia. Eu estava sendo uma péssima amiga hoje. – O que aconteceu, hein? Tá muito dispersa hoje. — observou. – Não é nada. — menti, colocando a escova em cima do móvel e passando um perfume leve. – Até parece.– Por que todos estão duvidando de mim hoje? — resmunguei, lembrando -me nitidamente da insistência de Maxi mais cedo.– Porque você tá estranha. — respondeu, fitando as unhas. Dei de ombros. Eu não estava estranha, apenas nervosa e ansiosa. Não deveria me sentir assim, mas cansei de conter ou barrar minhas emoções, isto só trás resultados piores. Escutei três batidas fracas na porta e quase corri para abri-la, deixando Ludmila ainda mais desconfiada. E então, lá estava ele, com seu sorriso habitual de sempre. O mesmo sorriso que se fixava em minha mente à cada instante, arrancando-me suspiros vez ou outra. Credo, o que eu estou pensando? Concentre-se, Violetta! – O-oi. — Dei um meio sorriso. – Oi. Vamos? – Sim, claro. — respondi de pronto, pegando minha bolsa. – Hey, para onde vocês vão? — Ludmila perguntou, com um olhar sugestivo e desconfiado. – Almoçar. — Minha voz saiu fria. – Hm, sei. — Ela riu e pegou uma revista qualquer.Soltei um suspiro e olhei para meus próprios sapatos, constrangida com a desconfiança de minha amiga. Leon L parecia igualmente sem graça, pois olhava em todas as direções, menos a minha. – Então… Vamos? — Quebrei o silêncio desagradável.– Claro, vamos. Caminhamos em silêncio até as portas do estúdio. Eu gostaria muito de acabar com todo esse clima tenso, mas simplesmente não tinha coragem para falar. Decidimos ir à um restaurante ali perto, para poupar viagem e mais tempo. Sentamos em uma mesa discreta, pedimos nossos respectivos almoços e mais uma vez, o silêncio pairou no ar. – Deveríamos fazer isso mais vezes. — Ele comentou. – O que? — perguntei prontamente, feliz por ele enfim ter falado algo. – Sairmos juntos… Como amigos. – É, amigos. — repeti a palavra com um desprezo sutil. — Mas ainda assim, não estamos agindo como amigos. – Como não? — indagou. – Não deveria ter esse clima tenso sempre que estamos juntos. — Despejei as palavras rapidamente.Ele abriu a boca, mas fechou-a logo em seguida. Sabia que, apesar de tudo, eu tinha razão. Amigos não agiam assim. Amigos sentiam-se a vontade na presença do outro e sempre tinham algum assunto — por mais que bobo ou ridículo — para falar. Parecíamos duas pessoas desconhecidas colocadas juntas por mero acaso.– Então vamos conversar! — falou, com uma animação repentina. – Sobre…? — perguntei sem disfarçar meu tom suspeitoso. – Sei lá… Como está a vida? — Ele evidentemente não tinha nenhum assunto bom ou coerente. – Mmm, está boa. E a sua? — Ok, isso era totalmente constrangedor. – Bem também. – Como está o namoro? — perguntei, embora não quisesse de fato ouvir a resposta.– Está bom, só a distância que atrapalha. — Pude sentir a dor em sua voz e isso me fez mal. — E você… Está saindo com alguém?Eu saindo com alguém? Essa pergunta ecoou em minha cabeça.Bem que eu gostaria, senti vontade de responder. Mas não queria parecer desesperada nem algo do gênero, então resolvi dar minha resposta básica de sempre:– Não, não tenho muito tempo. Você sabe bem, também é um protagonista. – Bem, isso não é desculpa. — Ele riu.– Não é uma desculpa, é a verdade. – Opções não lhe faltam. É, mas justo a opção que eu gostaria está indisponível, pensei. – Você que pensa. — Dei uma risadinha fraca, tentando esconder minha angústia.Entretanto, minha tentativa de ocultação foi em vão. Leon sempre tinha percepção de tudo, por mais que não demonstrasse. – Violetta, você está muito triste ultimamente… O que tá acontecendo?Antes que eu pudesse responder, felizmente o garçom apareceu com nossos pedidos, uma boa deixa para parar de falar. Satisfeita, agarrei um garfo e tratei de encher minha boca. Jorge fez o mesmo, embora a contragosto. O único barulho que se escutava era o burburinho dos outros fregueses do restaurante e o tintilar de nossos talheres no prato. Não era agradável, mas era melhor do que falar daquele assunto. Não queria expor meus sentimentos, justo para ele. Não tinha coragem nem era necessário. Ele estava namorando e mesmo que eu contasse toda a verdade, essa situação não mudaria. – Você sabe que me importo com você, não sabe? Quase engasguei com a perguntar que acabara de ouvir e tive que tomar um longo gole do refrigerante. Olhei incrédula para ele, que estava com a expressão mais natural do mundo.– Como é? — Minha voz saiu entrecortada devido ao susto.– Isso mesmo que você ouviu. Você sabe que me importo e me preocupo com você. Fiquei mais vermelha que um pimentão e baixei os olhos.– Jura? – Claro. Somos amigos, não somos? Amigos se importam. Ah claro, com esse papo de amizade novamente. Nem sei porque eu me surpreendia. Já deveria estar mais do que conformada com tudo isso. Talvez devesse seguir em frente e esquecer tudo isso, por mais difícil que fosse.– Eu sei. — falei. – O que houve?– Nada. — Dei um sorriso seco e dei outro longo gole no meu refrigerante.– Você ficou fria de repente. – Impressão sua. — retruquei.– Não é impressão minha. — insistiu.– É sim. – Não é! Parecíamos duas crianças de cinco anos discutindo por um assunto completamente ridículo e desnecessário. – Eu não tenho nada, Leon, estou normal. — falei, respirando fundo. Não queria me irritar justo com ele. – Não minta para mim, Violetta, me conta o que aconteceu. Eu estava pronta para desconversar novamente, mas ele apoiou os cotovelos na mesa e aproximou seu rosto do meu. Olhei para frente e dei de cara com seus belos olhos claros completamente preocupados.As palavras me fugiram e fechei a boca no mesmo instante. Naquele estado, acabaria fazendo besteira. – Vai me contar ou não? — Seu hálito quente me trouxe arrepios. – N-não é nada. — gaguejei, tentando ao máximo me afastar. Mas era impossível, alguma força gravitacional me unia a ele e eu não conseguia me mover um centímetro.
– Por favor, Vilu. — suplicou. Eu queria muito falar toda a verdade para ele. Contar como eu me sentia, o efeito que ele tinha sob mim. Mas eu temia sua reação. Eu temia nossa convivência nos próximos dias se eu falasse. Temia ter problemas com sua namorada. Antes que eu pudesse propagar qualquer som, uma voz extremamente conhecida gritou meu nome. – VIOLETTA! — A voz era autoritária.
Notas finais
gostaram? comentem por favor :3
-Lêmush
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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