Notas iniciais
Dentro desse início, só tenho que dizer "bem-vindo" a galerinha que ama SwanQueen tanto quanto eu e para quem está conhecendo o universo agora (que honra, aliás KPAKPASKP).
Esse capítulo é o menorzinho, porque é o prólogo. Qualquer dúvida só deixar nos comentários que eu responderei com o maior prazer. Os próximos capítulos serão maiores.
É minha primeira fanfiction de SwanQueen e espero que não seja a última rs. Preparam-se para altos dramas e reviravoltas, e se apaixonem pela história tanto quanto eu também!
Tenham uma boa leitura!

O frio percorria o seu corpo de forma perturbadora. Ela tremia violentamente, derrubando litros de sangue pela boca. Embora não conseguisse se mover como gostaria, tentou se levantar do chão com toda força que restava. Vacilou duas ou três vezes, mas se manteve erguida. As pontas dos dedos estavam feridas e a unha fincava na própria carne, causando outra dor descontrolada, graças às suas tentativas inúteis de abrir um buraco pela parede de onde outrora tinha sido jogada.

Chorou descontroladamente por alguns minutos quando percebeu que estava presa ali, mas não podia desistir tão cedo. Agachou no chão e tentou se aquecer, armazenando o restante de suas forças. Precisava pensar em um plano antes de sair despejando suas energias.

Primeiro precisava focalizar a última visão do outro lado e entender como tinha ido parar naquele lugar escuro e úmido. O coração palpitava alto e ela quase não conseguia ouvir os próprios pensamentos. Era como uma bateria incessante dentro dela, pedindo com clamor para saltar de suas costelas e manchar o chão com o seu pulsar.

As mãos estavam trêmulas. Ela as enfiou sob o corpo para fazê-las se aquietar, mas a atitude também era em vão. O que tinha acontecido? Por que ela quase não se lembrava do que a tinha prendido naquele lugar? Sentia-se incrivelmente perdida em um ambiente sem estrutura suficientemente sólidas para suportá-la em cima.

Ouvia o choro do seu filhinho dentro de sua mente, martelando. Henry parecia pedir para ela ficar em casa naquela manhã, quase pressentindo algum mal se aproximando. Bateu na própria cabeça, querendo o ter ouvido. Seria muito mais fácil para todos.

— Henry – choramingou alto, deixando as lágrimas despencarem de seus olhos claros. – Henry! – chamou de novo em um grito de socorro, mas não ouviu sequer um suspiro de resposta.

Ela estava sozinha, longe da família. Ninguém poderia ouvi-la, ninguém poderia vê-la… Ninguém poderia resgatá-la. Seja qual fosse aquele lugar, agora era o seu lar e ela teria de aceitar a derrota, mesmo que fosse tão cedo. Ela não tinha forças para continuar andando.

Emma.

A voz de sua esposa veio dentro dela. Era como se fosse um pensamento, mas ela sabia que não tinha plantado nenhuma palavra dentro da própria cabeça. Ela respirou com dificuldade, sem conseguir cessar o choro sofrido. Ergueu um pouco a cabeça e esperou a voz retornar, porém esta parecia ter sido extinta. Fechou os olhos e tentou se concentrar. Se conseguisse se comunicar por telepatia, talvez pudesse pedir ajuda e dizer que estava bem – ou próximo disso.

Mas nada veio novamente. Ela abriu os olhos e socou o chão duro e muito real. Ela estava presa dentro de um pesadelo, e o culpado por essa desgraça sofreria assim que ela conseguisse sair dali.

— Regina! – gritou o nome da esposa, o soluço escapando de seus lábios. – E-Eu estou aqui. Estou aqui, meu amor.

Ela falava sozinha, mas não se importava. Embora se sentisse totalmente perdida dentro daquilo, podia contar com a consciência. Com ela, podia achar uma forma de voltar à família. Ela tinha certeza que, do outro lado, os pais, a esposa e os amigos estavam juntando tudo o que conseguiam para tirá-la daquele pesadelo. Precisava ter paciência e calma, senão perderia a cabeça com facilidade.

Suspirou fundo outra vez, a cabeça abaixada a fim de circular com mais facilidade o sangue pelo corpo. Sentia-se fraca, mas não podia desmaiar naquela altura do campeonato. Ainda precisava se erguer e achar comida e água se quisesse se manter em pé e saudável.

Levantou-se devagar, tombando um pouco para o lado. O chão era íngreme e ela precisava tomar cuidado se não quisesse cair de cara. Olhou ao redor e nenhuma luz se fazia visível. Saiu tateando o ar sem enxergar, porque sabia que não podia ficar parada naquele ponto. Algo tamborilava dentro dela.

Caminhou em um corredor de longa extensão, sempre reto, nunca virando para outro lado, tampouco para trás. Sabia que, se virasse, provavelmente retornaria ao ponto antigo no qual parecia estar segura.

Parou ao ouvir o barulho de água corrente. Chorou de alegria e seguiu o som, deparando-se com uma caverna estranhamente melhor iluminada. Inclinou no chão para conseguir encher as mãos com o líquido transparente, bebendo litros e deixando-se ser preenchida pela sensação tranquilizadora. Agora sabia que não morreria de sede, mas era estranho aquilo ter surgido tão fácil e de repente.

Trancou os dentes e sentiu-se aliviada. Tentou chamar Regina mais uma vez por pensamento, mas nenhuma resposta voltava. Então se obrigou a tentar a chamar todo mundo que conhecia: os pais, os amigos. E, como na primeira vez, ninguém respondeu. Ela ficou inquieta e apenas parou quando uma forte dor de cabeça se alastrou.

Ela não sabia o que fazer, tampouco era capaz de pensar em uma saída. Dessa forma, agachou no chão imundo daquela caverna e deixou a cabeça descansar no canto da parede. Adormeceu sem perceber, e, embora quisesse ser inundada por sonhos na tentativa de não se sentir tão sozinha, dormiu lado a lado da escuridão, a mente vazia de pensamentos.

Acordou em desespero um pouco depois, mas não sabia quanto tempo tinha se passado. Naquela altura, o corpo doía menos, mas a cabeça continuava latejando. Pensou em procurar outro lugar para ficar, remexendo-se um pouco naquela posição. Optou por ficar ali mesmo, afinal tinha água potável para saciar sua sede. Ouvia a correnteza levando a líquido transparente para um lado como se nunca fosse acabar, mas ainda tinha medo de perder aquela fonte de vida.

Ela não soube quanto tempo ficou na mesma posição, tampouco sabia dizer quantos horas ou dia tinha passado desde sua horrível chegada. Talvez dois, três dias, mas ela não sabia dizer ao certo. A única coisa que a fazia ter consciência de sua prisão era o corpo moído cada vez mais perdendo peso. Ela precisava encontrar algum alimento ou morreria em breve.

A cabeça alucinava e ela ousava relembrar diversas memórias, aumentando o seu desespero. Lembrava-se perfeitamente como Regina estava deslumbrante naquele vestido de noiva naturalmente esbranquiçado. Ao contrário da esposa, ela tinha pedido para evitar aquela vestimenta típica de noiva, por isso escolheu um smoking condizendo com o momento. Abusou da maquiagem e joias, mesmo que não fosse de seu hábito usá-las. A mãe e o pai a ajudaram nos preparativos da roupa, orgulhosos da filha e daquele momento especial: o cenário perfeito para o amor verdadeiro reinar.

Aguardou a futura esposa atravessar o salão de festa recheado de pétalas vermelhas em todos os cantos, enquanto escondia o seu nervosismo mordendo os lábios e admirando-se com todo o seu amor aquela linda morena se aproximando dela.

Ela não conseguia esconder o sorriso ao perceber que Regina estava preparada para matá-la do coração naqueles trajes. Era a primeira vez que a via vestida assim, e não conseguia esconder o quão feliz estava naquele momento. Antes que a mulher pudesse chegar no altar, precisou dar alguns passos para frente no intuito de acelerar o encontro.

Regina apenas riu, maravilhada, ambos olhos escuros marejados de lágrimas de felicidade. Elas deram as mãos e não conseguiam desviar o olhar uma da outra, quase sem ouvir o que o juiz à frente dizia. Elas disseram “aceito” no mesmo momento como se tivessem ensaiado, rindo da situação em seguida. A pressa de casar era palpável e elas queriam chegar na parte mais interessante da noite: o momento no qual elas ficavam sozinhas na cama, entrelaçadas no caloroso abraço.

Mas toda a precipitação se devia ao fato das duas estarem imensamente felizes com o casamento, tendo-o preparado por dias sem parar, alegres demais para cansar de repensar tantas vezes os mesmos detalhes. Elas se queriam, se amavam e nada podia destruir aquilo.

No entanto, ela estava sozinha agora. Perdida dentro daquela caverna, sem comida e lidando com a companhia de seu próprio sofrimento. Dentro dela ainda existia uma chama acesa de esperança de reencontrar a família, mas temia que ela sumisse a cada minuto que se passava.

Queria abraçar os pais, beijar a esposa e segurar o filho bebê no colo. O pensamento a mantinha em pé, mas era o mesmo que a derrubava em momento de fraqueza. Aquecia-se com ele, dormia com ele, porém também derrubava inúmeras lágrimas.

Ela não sabia quais eram os seus limites dentro da caverna, mas algo pedia para ela explorar. Então se levantou um pouco receosa, bebeu mais um pouco de água e saiu atordoada daquela posição. O escuro a invadiu outra vez, mas ela se manteve erguida, os braços à frente do corpo a fim de não trombar com alguma superfície sólida.

Encontrou um ponto brilhante e azulado pairando sobre o teto a alguns metros de distância. Embora não estivesse enxergando nada, conseguia ver a volta daquele brilho estranho. A parede era de concreto puro, e água escura escorria pela extensão. Ela ficou afoita e aproximou-se com ansiedade, caindo sobre uma poça de água que chegava até os joelhos.

Molhou-se sem perceber, pulando em disparada em direção ao teto para alcançar a luz sobre sua cabeça, embora não estivesse sequer perto de conseguir segurá-la. Ela queria pegá-la e descobrir o que aquilo estava fazendo ali, mas não chegava próxima o suficiente para conseguir tê-la em mãos.

Respirou fundo e caminhou devagar naquela poça escurecida de água, tentando escalar a parede e dar impulso para cima na tentativa única de capturar a luz. Antes que conseguisse chegar a parede, porém, escorregou em algo sob a água e caiu de costas naquela nojeira.

Afundou e imediatamente começou a ser sugada para o fundo. Debateu-se tentando retomar à superfície, pois estava começando a ficar sem ar. Os pulmões clamavam por oxigênio e ela apenas afundava. Tampouco sabia que a pequena poça conseguia ser tão funda.

O corpo ficou leve, escorregando nas partículas de H20 cada vez mais para suas entranhas. Ela sabia que não conseguiria voltar a tempo de permanecer com fôlego, por isso fechou os olhos e deixou o último oxigênio extinguir de seu corpo.

Pensou na família pela última vez, sendo carregada pelos braços de sua mãe e entregue à morte. A imagem de Regina e o filho vinha em seguida, aquecendo-a apesar de estar sob a água gélida enrugando as pontas de seus dedos. Colidiu contra uma parede áspera e sentiu algo a tocando. Ela estava sufocada, os olhos quase saltando das próprias órbitas.

Houve uma explosão. Ela conseguiu ser atirada para longe novamente. Abriu os olhos e percebeu que não estava mais na caverna, tampouco naquele lugar estranhamente escuro. A água escorria para longe, molhando o chão repleto de verde: ela tinha acabado de sair de dentro de um tronco de árvore.

Olhou para todos os lados, ainda agachada no chão, o corpo ferido por conta da pancada forte contra o solo. Era uma floresta e nenhuma árvore parecia tão danificada quanto aquela que ela tinha acabado de sair, parecendo que tinha acontecido uma briga feia exatamente naquele mesmo ponto.

A felicidade a dominou; finalmente tinha saído daquele lugar escuro, mas ainda não sabia aonde se encontrava. O lugar era familiar e ela sentia que esteve ali alguma vez na sua vida, mas não conseguia se lembrar com detalhes. Algumas coisas tinham mudado.

Permaneceu no mesmo ponto no qual tinha caído. Ela estava fraca demais. Fechou os olhos e sentiu a escuridão a dominando de novo.

Ela desmaiou, sozinha e literalmente morrendo de frio.

Notas finais
O que acharam? Quero ouvir a opinião de vocês. Vale a pena continuar? Teorias me aquecem também KKKK
Bom, fico por aqui, mas espero que tenham gostado. O próximo capítulo será postado em breve, considerando que eu tenho outra história em desenvolvimento e preciso de tempo para escrever as duas.
Obrigada desde agora.