I Stay True
8 Capítulo 8
Acordo com o despertador tocando e estico o meu braço pra fora das cobertas e bato com força pra ele desligar. Eu até pensei em ficar mais um pouquinho na cama, mas esse “pouquinho” sempre vira algumas horas, e não é sempre que minha mãe me acorda. Eu me destapo pra ver se arranjo vontade pra me levantar, mas nada. Tento abrir os olhos e olhar pra fora da janela, mas fico cega. Fico piscando para tentar me acostumar com a luz, e quando isso acontece eu me levanto. Eu vou em direção à janela, abro as cortinas e percebo que a luz que tinha me deixado cega antes não era nada comparada a luz ao abrir as cortinas. O céu estava sem nenhuma nuvem e o sol brilhava como nunca. Depois de me recuperar da cegueira abro meu armário e procuro alguma coisa pra vestir. Acho uma blusinha mais leve e um short e me visto. Boto meu tênis de sempre e vou me olhar no espelho. Ok, se eu sair com esses cabelos posso assustar criancinhas. Mal penteei meu cabelo ontem, estava puro nó hoje. Dou uma ajeitada e boto um rabicó no pulso, já peguei o costume de fazer isso, pois sempre fica mais quente depois, dai assim fico prevenida. Desço as escadas pra ir tomar um café da manha, e quando chego à sala encontro Sam lendo o jornal com a cabeça apoiada nas mãos e umas olheiras enormes.
- O que aconteceu essa noite que eu não fiquei sabendo? – falei meio rindo
- Nada de mais, só não to me sentido muito bem. Vê se cuida da sua vida tá pirralha? – adoro o humor matinal dela.
- Ok. Cadê a mãe?
- Lá na cozinha preparando café.
Vou indo pra cozinha e logo vejo minha mãe. Pelo menos ela tava cantarolando alguma coisa e parecia mais animada.
- Bom dia mãe.
- Bom dia filha querida. Café?
- Claro.
Sento-me na bancada que tem ali na cozinha e puxo um banco pra eu me sentar. Que escola será que o Niall estuda? Será que ele estuda no turno da manhã ou da tarde? Será que ta tudo bem com ele?
- Alô Brenda? Você não vai comer nada?
Acho que eu fiquei pensando no que não devia. Minha mãe já tinha largado a xícara de café na minha frente e eu ainda tava olhando pro nada, pensando no Niall.
- Ah desculpa, me desliguei. Vou comer sim.
- Desligada como sempre. Quer que eu faça um sanduiche pra você?
- Pode ser...
Enquanto minha mãe faz meu sanduiche com seu bom humor, eu ataco uma maça que achei ali na fruteira. Logo ela traz meu sanduiche pronto e eu largo a maçã de lado.
- Obrigado mãe. Consegue me levar pra escola hoje?
- Sinto muito, mas hoje não vai dar. Eu vou sair mais tarde. A Sam não ta se sentindo muito bem então essa manhã eu não vou trabalhar e vou levar ela ao médico.
- Ah, ok então. – Droga, vou ter que ir a pé.
Termino logo com meu sanduíche e subo pro meu quarto pra terminar de me arrumar. Escovo os dentes e dou uma última olhada no espelho. Pego meus matérias e vou atirando-os dentro da minha mochila enquanto desço as escadas.
- Tchau gente.
- Tchau... – minha mãe me responde de longe.
Coloco a mochila nas costas e saio pelo portão. Escuto alguém caminhando atrás de mim então vou mais rápido. Acho que tem alguém me seguindo, e continuo apressando o passo. Até que sinto uma mão quente me puxando pelo braço e me virando.
- Calma pequena, não precisa fugir de mim! – ufa, era o Niall.
- Ai que susto, é você. Desculpa, pensei que alguém estava me seguindo, hehe.
- Pra que lado você esta indo?
- Vou pra aquele lado de lá. – falei apontando pra direção da minha escola. – e você ?
- Vou pra lá também, posso ir junto com você?
- Claro.
Ele ficou bem quieto por algumas quadras, e mal olhava pra mim. Podia ter acontecido alguma coisa, ele estava me preocupando.
- Aconteceu alguma coisa Niall?
- Não.
- Tem certeza?
- Não. – ele respondeu com a mesma frieza do primeiro “não”, e quase nem piscava. Como se ele tivesse realmente atraído pela calçada.
- O que houve meu amor?
Parei de caminhar e ele logo parou também. Ele ficou me olhando nos olhos por algum tempo e depois olhou para o chão novamente e começou ir para o outro lado, por onde agente tinha acabado de passar. Eu vou correndo até ele e o puxo pra se virar pra mim.
- Onde você esta indo Niall?
- Para casa, não sei se estou em condições de ir para a aula... – Ele finalmente começa a mostrar alguma emoção.
- Mas o que aconteceu?
- Meus pais começaram a brigar agora. E é só chegar alguém perto deles pra eles começarem a fingir ser o casal perfeito. Falsos. Não sei por que esconder de alguém sendo que eles já esconderam de mim por tanto tempo.
- Sinto muito...
- É só isso que você sabe fazer né? “Sinto muito Niall” – disse ele me imitando fazendo uma careta de coitado, e aquilo me irritou. – Diz que vai ajudar mas só sabe dizer que sente muito. Todo mundo só sabe dizer que sente por mim, mas ajudar meus pais a não se separarem ninguém se presta. O Greg é outro baita mentiroso e não faz porra nenhuma – ta, antes eu tava irritada e agora eu tava assustada. Como tudo isso podia sair dele, que parecia um anjo? Mas já que ele começou, deixa ele terminar. – To cansado de todo mundo sabia? Só sabem mentir e ficar se fazendo. Ninguém mais pensa no outro, só em si mesmo. Um bando de filha da puta vocês são, to rezando pra vocês se fuderem tudo junto no inferno.
Assustada era pouco pra me definir. Eu nem respirava, pra dizer melhor. Ele ali, gritando comigo, foi horrível. Mas eu bem que não tenho culpa de tudo. Não tem como eu chegar para os pais dele e dizer “ok, agora vocês vão ser felizes e continuar casados pra sempre, por que daí o Niall vai ser feliz”. As coisas não são assim. Mesmo eu ter ficado com um pouco de medo dele, me surpreendi. Mas é bom que ele tenha botado tudo isso pra fora.
- Brenda...
Ele começa a chorar, atira a mochila no chão e sai correndo. Eu me surpreendo cada vez mais com ele. E eu acho que se eu estivesse no lugar dele, teria reagido pior a essa confusão toda. Ajunto a mochila do chão e corro atrás dele. Quando ele disse meu nome antes de sair correndo, foi como um pedido de ajuda, e era minha obrigação ir atrás dele.
- Niall me espera!
Ele continua correndo e nem liga pra mim, que quase perco as duas mochilas tentando correr o mais rápido possível. Ele dobra a esquina e eu ainda não to nem na metade da quadra.
- Niall!
Ele nem me responde de novo. Quando chego à esquina não vejo mais ele correndo. Esse menino sumiu é? Olho para um lado e para o outro e nada. Até que vejo um balanço da praça que tem do outro lado da rua se balançar. Espero estar certa de que é ele lá. Atravesso a rua que nem uma louca com aquelas mochilas penduradas em mim. Sorte minha que não tem ninguém na rua. Chego mais perto e vejo que é ele sim.
- O que faz aqui? – bom recepcionista ele é.
- Bom, se não me quer aqui eu vou pra casa. Já estou atrasada pra aula mesmo...
- Não! Fica! – Ele me puxa e me faz largar as mochilas no chão e me sentar no balanço do lado dele.
Começo a me balançar ali junto com ele, mais ou menos na mesma lentidão. Eu tava com medo de começar a falar primeiro, então eu ficaria naquele silencio até ele falar alguma coisa.
- Desculpa pequena.
- Quê? – eu tinha escutado muito bem, mas queria ouvir de novo.
- Me desculpa pequena.
- Me desculpa pequeno, por não ter te ajudado quando você precisou.
- Você acreditou naquilo? Eu não queria te xingar nem nada, só que eu precisava descontar em alguém e me perdoe por ter sido em você. Afinal, eu sei que você não pode fazer nada pra evitar a separação dos meus pais... E como você é a única que me escuta, desabei tudo em cima de você. Eu estava segurando aquilo faz tempo, mas nada do que eu disse se referia a você. Você me ajuda como pode. Me perdoa?
- Claro que eu te perdoou. Mas com uma condição.
- Diga!
- Quero que você não fuja correndo de mim ok?
- Ok, haha.
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