I Solemnly Swear
12 Lily
– Não acredito que o professor Slughorn fez isso! – Marlene exclamava furiosa, enquanto saímos da prova.
Um peso tomou conta da minha consciência, me senti culpada por não ter alertado a elas, sobre o exame, no exato momento que descobri que haveria uma prova surpresa no dia seguinte, mas como avisa-las sem dizer quem era a minha fonte? Charlie não queria que mais ninguém soube-se do seu dom de visão.
– Ele poderia ter nos avisado ontem, pelo menos teríamos alguma chance de dar alguma estudada. – falou Alice, com um tom de decepção. Eu tive essa chance, estudei a noite inteira, apesar de lembrar tudo de cabeça. Soltei um suspiro longo, abaixando minha cabeça.
– Lily aconteceu algo? – a loira perguntou.
– Não. Só fiquei nervosa por conta da prova. – levei meus olhos aos de Marlene que sorria calmamente, a culpa me acertou em dobro, principalmente agora que tinha acabado de mentir.
– Ah, por favor, você estuda todo santo dia, deve ter ido ótima. – disse Alice me confortando.
Seguimos em direção ao campo de quadribol, sem tocar mais neste assunto. Não era nem um pouco fã do esporte, mas era obrigada a ir, se não meus amigos me arrastariam pelo castelo inteiro. Quando chegamos na arquibancada da Grifinória olhamos em volta, procurando algum rosto familiar, avistamos, após alguns segundos, Remus e Charlie, que tinham guardando lugares para nós.
–Obrigada. – abri um sorriso para Remus que estava ao meu lado, enquanto a partida acabara de começar.
Não entendia como alguém arriscava a própria vida só para jogar quadribol. A cada momento que o balanço passava sobre a cabeça de algum dos jogadores meu coração parava, minhas mãos iam para meu rosto, tampando meus olhos.
–Odeio esse jogo, sério. – meus amigos riram de mim, menos Charlie.
Olhei para os lados, procurando-a, encontrando-a do lado de Sirius numa parte mais afastada da arquibancada, pareciam que estavam se resolvendo, após algumas semanas sem se falar, e pelo jeito se acertaram mesmo, pois Sirius Black deixou isto bem claro quando começou a gritar para todos que a amava. Abri um sorriso, voltando a minha atenção ao jogo. Foi neste momento que vi o apanhador da grifinória, Potter, apanhando o pomo de ouro, ganhando o jogo. Não pude evitar de dar um grito de euforia em conjunto com os meus colegas de casa, finalmente o jogo acabara.
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O céu estava escuro, só com alguns pontos brilhantes das estrelas e da lua, lembrava um retrato de veludo preto com diamantes grudados nele . Ao longo da floresta proibida era possível ver algumas nuvens densas reunidas, e um vento frio que varria as terras, levando cada folha. Fechei os olhos, respirando profundamente, me inclinando sobre a moldura da janela. O frio, a escuridão, as estrelas, a mancha da luz do luar sobre o lago, tudo estava maravilhoso. Estavam entre as coisas mais belas que podia imaginar.
–Lily, você está acordada? – veio a voz de Marlene, que saia da sua própria cama. Me virei, olhando-a através da cortina. Ela estava mais dormindo do que acordada. – É a quarta noite seguida.
Era a terceira, mas preferi não discutir a questão. – Volte a dormir.
–Lily...- mas a loira já tinha me obedecido, fechando as cortinas e desmaiando em seu travesseiro. Abri um sorriso fraco.
A terceira noite consecutiva sem sono, uma noite linda, mas cansativa.
Há apenas duas semanas, tinha visto outubro terminar a partir da mesma janela que estava agora, a do dormitório feminino. Com toda certeza iria ver novembro desaparecer como o tinha visto chegando, ali, naquela janela. Se continua-se sem sono. Suspirei, apoiando meu queixo nas mãos e fechando meus olhos, torcendo para conseguir dormir, pelo menos cinco ou seis horas...
–Lily! – gritou uma voz, vinha de longe. Comecei a abrir meus olhos, acordando levemente. – São oito e meia!
Merda.
Meus olhos se abriram de imediato, era Charlie que estava de pé perto de mim, suas mãos estavam nos quadris perfeitamente magros, enquanto uma sobrancelha estava levantada. – Você dormiu no peitoral da janela novamente, Lily. – me levantei, a tropeçando em meus próprios pés, o que a fez rir.
–Maldição. Oito e meia você disse? – Charlie assentiu.
–Onde está todo mundo?
–Já desceram para o café, cerca de 45 minutos atrás. Eles me pediram para acordá-la as oito, mas eu demorei para levantar e ...
–Tudo bem.
Olhei ao redor do dormitório, procurando minhas roupas escolares. Charlie, com um leve sorriso, apontou para o meu baú. – Obrigada. – disse, enquanto pegava minhas roupas e me dirigia para a pequena penteadeira que havia no quarto. Começando a me maquiar.
–Sabe..- começou Charlie, sentando-se em sua cama. – Eu teria cuidado, se fosse você.
–O que você quer dizer? – perguntei, enquanto passava o rímel.
–Bem, eu li um livro uma vez..- minhas sobrancelhas se levantaram desconfiada, desde quando Charlie estava lendo? – antes que você me pergunte, faz muito tempo, e eu fui obrigada. – abri um sorriso. — Enfim, ele falava que se você está perdendo o sono sem motivo, é porque seu espírito sabe que algo está prestes a acontecer.
Olhei para ela, através do reflexo do vidro. – Alguma coisa ruim?
– Provavelmente. – disse a loira. – Alguma coisa grande, isso é certeza.
–Ah. Bem, isso provavelmente não tem nada a ver com isso...quero dizer, a escola tem sido ..um tanto....normal..- somente ali, dentro de Hogwarts, pois fora dela o numero de casos de famílias desaparecidas e mortes estranhas só aumentavam.
–Certo. – Charlie balançou a cabeça, passando a mão pelo cabelo. – Tenho certeza que não é nada grave. – ela ficou em silêncio.
Mordi meus lábios. – E você, Charlie? Tem perdido o sono?
–Ah, não, estou bem.- mas a voz dela parecia um tom mais alto do que o habitual. – Nada de grave, considerando..você sabe..minhas visões.
Me lembrando que estava atrasada, terminei de me maquiar. Se não me apressa-se, algo de ruim iria acontecer, e não tem nenhum mistério nisto.
As aulas da manhã percorreram tranquilamente, tirando o fato de a minha barriga estar fazendo barulhos extremamente constrangedores por causa da minha fome. Não tinha tomado café da manhã, para não me atrasar, mas me arrependi disto no momento em que via a cara dos meus colegas e professores, toda vez que meu estomago se pronunciava. Aquilo estava me constrangendo de uma forma que minhas bochechas ficavam da mesma tonalidade que os meus cabelos.
Quando chegou a hora do almoço, fui uma das primeiras alunas a correr para o grande hall, já havia alguns alunos ali, me sentei em minha mesa esperando minhas amigas, enquanto tomava um suco e comia alguns aperitivos. Não tardou muito para Alice, Marlene e Charlie aparecerem.
Percebi que Charlie não estava com uma feição empolgada, na verdade parecia um tanto triste. – Qual é o problema, Charlie? Tem alguma coisa errada com a escola?
–Não, não...é que...- ela parecia tentar achar alguma desculpa. – Estúpidos problemas, garotos, você sabe.
– Dificuldade com garotos? Você? Charlie? – questionou Alice.
– Quem é o querido rapaz da vez? – Marlene perguntou, com um sorriso travesso nos lábios, atitude que Charlie pareceu não aprovar.
Ela disfarçou com um leve sorriso. – Eu passei alguns dias com esse cara, da lufa-lufa. – começou ela, tentando parecer empolgada. – Ele é ...doce e fantástico, mas ..eu não sou o tipo dele.
– Ele é gay? – Marlene perguntou, não pude segurar o riso.
–Não.
–Então você é o tipo dele, Charlie.
– Então o que eu deveria fazer?
–Se você gosta dele, e se você acha que ele poderia gostar de você, por que não? — questionei, enquanto Marlene se levantava, indo atrás de Sirius, ambos estavam em um “relacionamento”, se é que posso chamar assim.
– Obrigada, Lily. – Charlie não parecia muito agradecida, na verdade estava olhando para Sirius e Marlene que estavam na ponta da mesa.
– Sabe, Lily, você é uma boa conselheira. – comentou Alice. – Queria sua opinião sobre Frank, é que não posso falar disso com Lilá. – era uma amiga dela. — Ela simplesmente não entende como alguém possa gostar de um cara que não seja James Potter.
– Essa obsessão ainda não morreu? – Suspirei, todo mundo de Hogwarts sabia que Lilá era apaixonada por Potter.
– Vejo você depois, Lily. – Charlie se levantou indo embora.
– Até mais. – definitivamente ela estava esquisita.
– Então...- Continuou Alice, no momento em que o horário de almoço acabara.
–Temos que ir para aula, não podemos perder transfigurações, se não a professora Mcgonagall nos mata.
– Certo. – disse Alice em um tom de tristeza em sua voz.
– Depois da aula você me conta. – passei minha mão em seu ombro, tentando conforta-la.
Quando chegamos na classe todos os alunos estavam reunidos em pequenos grupos conversando alegremente, olhei ao redor, aquilo estava um tumulto. – O que está acontecendo? Onde está a professora? – ela nunca se atrasará antes.
– Senhorita Evans e Fortescue! – me virei, era a professora Minerva.
Ela estava com um olhar de preocupação, como se algo sério tivesse acontecido. Mcgonagall olhou para Alice que estava ao meu lado, que estava com a feição do rosto igual a minha, de questionamento. – Vocês duas precisam ir a enfermaria, a amiga de vocês. – meu coração apertou. – Charlie sofreu um acidente.
Troquei olhares nervosos com Alice, tanto eu como ela estavamos preocupadas.
– Obrigada professora. – agradeci. Saímos correndo em direção a enfermaria, vimos que Marlene, Sirius, já estavam lá. Do lado de fora.
– O que aconteceu? – Perguntei, olhando para os dois. Ambos se entreolharam, mas foi Marlene que se aproximou e contou o que tinha acontecido.
– Ela caiu da escada? – Arregalei os olhos.
– Sim, acho que ela se assustou..- suas bochechas coraram. – com a cena.
– Obviamente, ninguém espera ver os amigos...nús. — Marlene pareceu ficar ainda mais vermelha.
– Que aconteceu? – Potter que acabara de chegar, junto com Remus e Frank, seguido com Peter atrás de si.
– Ela caiu das escadas. – disse.
– Como? Por que? – olhei para Marlene, ela fez um “não” com a cabeça.
– Ainda não sabemos, estamos esperando para entrar. – menti, novamente estava contando calunias. Soltei um suspiro, me virando para porta sem querer encara-lo, odeio mentir, mesmo que fosse para o Potter.
Dumbledore abriu a porta da enfermaria. – Entrem primeiro os vocês três -disse olhando para Remus, James e Sirius. — e Lily, e daqui a cinco minutos vocês. – referindo-se a Marlene, Alice, Peter e Frank, que pareceram decepcionados.
Olhei para o diretor um tanto confusa em vê-lo ali, normalmente ele ficava em sua sala, alias fazia meses que não o via, parecia que estava tentando escapar de minhas perguntas sobre a arte das trevas, mas decidi resolver este assunto pendente depois, queria ver minha amiga antes.
– Charlie. – fui em direção a ela, pegando sua mão.
– Como você caiu? – Potter perguntou, olhei com faíscas em meus olhos.
– Como você está? – perguntei, mostrando a ele como deveria ser a primeira pergunta.
Charlie deu uma breve risada com a situação, depois seus olhos se encontraram com de Sirius, ambos pareciam um tanto envergonhados e sem jeito, por conta do episodio mais cedo. Por fim, ela contou que teve uma visão enquanto estava acordada, e como estava perto das escadas, isso a fez cair. Agora havia entendido porque entramos antes que os outros, eles não sabiam desse dom da vidência de Charlie, e a mesma não queria que soubessem.
– Eu falei para você ler os livros que eu li. – resmuguei.
– Até parece que a Charlie vai ler, Evans. – me virei para Potter.
– É, mas se ela tivesse lido ou se consultado com a professora talvez ela não estivesse aqui. – cruzei os braços.
– Não falem como se eu não estivesse aqui! – reclamou Charlie.
– Desculpe. – me sentei em um banco que havia perto da cana em que ela estava.
Passado cinco minutos Marlene, Alice, Frank e Peter entraram, tão preocupados como eu estava antes. Ficamos ali, todos juntos, conversando tranquilamente. Em alguns momentos de conversava consegui reparar que Charlie, Marlene e Sirius agiam estranhos, deixando um clima um tanto bizarro no ar. Após vinte minutos madame Pomfrey apareceu, nos expulsando da ala da enfermaria, dizendo que Charlie precisava descansar e estávamos a sufocando, isto fez minha amiga resmungar, ela queria que ficássemos mais um tempo ali.
– Ainda bem que ela não está brava comigo. – sussurrou Marlene, censurei a com o meu olhar.
– Mas sua atitude não foi a mais digna. – ela ficou com as bochechas coradas.
Ela se separou de mim e de Alice, indo conversar com Sirius. Dei ombros. – Já que perdemos a aula, me acompanha? – a morena me olhou confusa. – Vou colocar o horário da próxima reunião dos monitores no quadro de avisos da sala da comunal.
–Ok, vamos. – comentou Alice, dando uma desculpa para Frank não nos acompanhar.
No caminho ela me contou sobre o que estava querendo me contar na hora do almoço, era sobre como ela e Frank se davam bem, e amanhã fariam um ano de namoro. Sorri feliz pela minha amiga, afinal ambos foram tão apaixonados um pelo o outro, que era mais do que digno acabar juntos. Imaginava os dois casando. Alice queria fazer um pequeno jantar, estilo piquenique, no jardins perto do lago, e queria minha ajuda.
– Claro! – respondi empolgada.
– Ótimo, então depois das aulas? – afirmei com a cabeça.
Quando subimos a ultima escada para o quadro da mulher gorda reparamos que a passagem estava atolada de alunos, amontoados e cochichando. Aquilo não era normal. – Com licença, eu sou a monitora- chefe! – gritei para as pessoas me deixarem passarem.
–Lily...ali. – Apontou Alice, consegui ver, através de muitas cabeças na minha frente que tinha algo escrito em vermelho no quadro de avisos da sala comunal.
– Com licença!!
“O LORDE DAS TREVAS SE FORTALE-SE”, era isto que estava escrito, havia vários destes pequenos papeis, repetidos, perante ao quadro. Arregalei os olhos, meu coração pulou uma batida.
Tentei me acalmar, respirando fundo. Olhei para o que estava a minha frente, comecei a tirar todos os papeis, rasgando alguns, e com a ajuda de Alice, aos poucos tiramos todos, em questões de segundos. Me virei para o restantes de alunos que continuavam ali, e disse friamente. – Se algum de vocês virem qualquer um destes, me avisem ou relatem na hora a algum professor, está entendido?
Todo mundo ficou em silêncio. Por fim, um dos monitores, do quinto ano, Bertram Aubrey se pronunciou. – Lily, você está brincando.
– O que você quer dizer?
–Você não viu..?
–Não vi o que? – perguntei, impaciente.
–Os sinais. – ele apontou para o corredor, fora da sala comunal. Sai pelo quadro da mulher gorda, e toda a parede estava coberta do chão ao teto com papeis. “O Lorde das Trevas Ressurge.”
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