I Should Have Kissed You
20 Secrets and Songs - Part 1
Notas iniciais
Narrador POV
A noite estava silenciosa, e levemente fria em Camber Sands. Um Audi preto dirigido em alta velocidade invadiu a areia, surpreendentemente sem fazer quase nenhum barulho. Parou ao lado de um bangalô feito inteiramente de madeira, de tamanho médio, bastante simples.
-Tem certeza de que quer ficar sozinha com ele aí? – Perguntou o primeiro sujeito, abrindo a porta do lado do motorista, sua voz resoando na noite silenciosa.
- Tenho sim. – Disse uma voz de mulher, abrindo outra porta, dessa vez a direita da parte traseira. Essa por sua vez, apoiava um corpo, aparentemente desacordado, para que não caísse no chão.
- Não sei não...Mas se é o que você quer. – Disse uma voz razoavelmente mais grossa que as anteriores, vinda de outro homem saído da porta do lado do passageiro. Ele e o outro rapidamente adiantaram-se para ajudar a garota a carregar o corpo.
- Obrigada gente. Por tudo. Vocês são anjos que caíram na minha vida. Os três, e todos que estão no AP. – A garota anunciou, assim que o pequeno grupo chegou à porta do bangalô. – Podem voltar pra lá. Nós vamos ficar bem. Eles já devem estar preocupados.
-Tudo bem. Estamos indo, boa sorte. – Disse o motorista do Audi, a dando um abraço.
- Fiquem bem, se cuidem. – Disse o outro homem, fazendo o mesmo que o anterior, e logo os dois se adiantaram para o carro, deixando a garota com o corpo a porta do bangalô.
Ela se abaixou no nível do homem desacordado, que estava agora sentado no topo dos três degraus de entrada da casa, gemendo uma coisa ou outra de vez em quando.
-Só você e eu ein. – Disse a garota, mexendo de leve nos cabelos lisos acastanhados do homem. Ele esboçou um sorriso involuntário mesmo desacordado, que fez a garota rir pelo nariz. – Mesmo desmaiado você me faz rir. Vamos. – Disse ela pegando o homem por debaixo dos braços, e levando-o até o sofá mais próximo, largando o homem, e logo depois a si mesma lá. Parecia cansada demais para procurar um quarto.
Assim que o silêncio reinou novamente (exceto pelos grunhidos ocasionais do homem) a garota não se demorou a perceber duas vozes abafadas, vindas de algum lugar dentro da casa. “Ladrões?” foi o primeiro pensamento que passou pela cabeça da garota. A opção de fugir seria a mais correta no caso, mas a de ir adiante e olhar, é claro, era mais tentadora. Cautelosamente, a garota levantou-se, e começou a andar pela casa, com cuidado redobrado para não fazer nenhum barulho.
Identificando que as vozes vinham de um dos quartos da casa, a garota se adiantou pelo corredor, até chegar perto da porta. Segurou sua respiração para que nada a atrapalhasse de ouvir. Levou algum tempo até que captasse as vozes e o assunto.
“...Mas porque a Lilith não pode saber sobre mim?” Disse uma voz feminina. “Bruna?” A garota atrás da porta interpretou o nome com os lábios, porém sem emitir som. Uma expressão de súbita compreensão tomou o seu rosto.“Porque...Bom, ela é meio que obsecada por mim. Ela achava que dormindo comigo eu ia me apaixonar por ela, mas quando eu disse que não gostava dela, ela ficou meio...Meio doida. Ela sempre foi meio doida na verdade. Daí ela ficou grávida, e por causa dessa coisa de eu não gostar dela, ela tá fazendo minha vida virar um inferno. Mas eu amo você. E não tem nada que eu possa fazer pra mudar isso.” Disse uma voz masculina dentro do quarto, fazendo a expressão da garota virar de compreensão para confusão. A perna da garota começou a ficar dormente, devido a posição. Ao tentar mudar de posição, ela esbarrou em um vaso em cima de uma mesa próxima, fazendo um estardalhaço, e quebrando o silêncio que antes reinava. Desesperada, ela deitou-se no chão, e posicionou as mãos sobre a perna, e pouco depois o garoto e a garota que estavam no quarto saíram assustados. O garoto estava em calças de moletom, sem camisa, e a garota vestia uma camisa masculina que era o dobro de seu tamanho. Espantaram-se ao ver a outra garota caída no chão do corredor.
-Natty? O que você tá fazendo aqui? – Disse a mulher recém-saída do quarto para a outra, ajudando-a a se levantar, assim como o garoto.
-Depois eu te explico, me ajuda, a minha perna tá doendo muito – Nataly disse em uma ótima atuação, fingindo não ter ouvido nada.
Os dois ajudaram-na a ir até a sala, aonde encontraram o outro homem, que havia acabado de acordar, mas parecia bem desorientado.
-Louis? Mas o que... – Disse o casal.
-Calma! Tenho uma explicação decente pra isso tudo, mas agora eu to muito cansada, poderíamos explicar amanhã?
-Quem são vocês? Que lugar é esse? Festaaa?? – Disse o homem, com a voz quase incompreensível.
-É, mas to até com medo dessa explicação... – Disse o cara do quarto. – Ham...Eu sei que é meio indelicado de perguntar isso, mas porque você tava caída lá, e o que aconteceu com a sua perna?
-Ham...Bom, eu cheguei aqui, e não sabia que vocês tavam aqui, então achei estranho umas vozes, aí eu tava indo até o quarto, mas quando cheguei perto esbarrei naquele vaso lá, e ele caiu em cima de mim... – Ela disse, escondendo o fato de ter ficado escutando a conversa.
-Ah, certo. – O cara disse, meio que decidindo se ficava desconfiado ou aliviado.
-Bom, ham, o Lou não parece bem, nem você... Acho melhor vocês, aliás, a gente, ir descansar né? Eu e Niall preparamos a cama pra vocês. – Disse ela, fazendo um sinal com a cabeça para Niall acompanhá-la até o quarto.
-Ah, deixa que eu faço, não precisa... – Disse Nataly, fazendo uma careta de dor involuntária ao levantar do sofá.
-É...Acho que precisa sim – Disse Bruna, rindo.
-É...-Concordou Nataly, rindo da própria situação — Muito obrigada.
-Que isso, não é nada.
O casal foi para o outro quarto, e deixou Nataly pensando em tudo que tinha ouvido. Tentava processar e entender as informações, mas tudo parecia rodar e fugir de seu controle em sua cabeça, e pensar lhe requeria um esforço imenso. Seus olhos doíam para ficar abertos, e seu estado geral era quase deplorável. Resumindo: precisava urgentemente de uma noite de sono. Visto que era inútil tentar somar dois mais dois no momento, decidiu focar-se em não esquecer nada do que ouviu, e pensar sobre aquilo depois. Passou e repassou tudo que ouviu muitas vezes, cada detalhe que se lembrava, até Bruna anunciar que o quarto estava pronto. Dirigiam-se todos à seus quartos com desejos de boa noite. Nataly tinha que guiar o homem pelo corredor, para que não esbarrasse em qualquer coisa “esbarrável” que tinha pelo caminho.
Chegando ao quarto, o homem jogou-se na cama, seus olhos praticamente fechando sozinhos de exaustão. Nataly puxou o cobertor por cima dele, deitando-se ao seu lado, e o homem abraçou-a, deitando a cabeça mais ou menos no lugar aonde estava o coração, meio que inconsciente do que fazia. A garota riu da cena, e passou um de seus braços por cima do dele, e a outra mão mexendo em seus cabelos. Ele parecia uma criança grande demais.
-Eu não consigo dormir – Ele falou, com voz de “birra”
-O que? – Respondeu Nataly.
-Eu não consigo dormir sem que cantem pra mim – Ele falou
-Ah, tá brincando né – Ela respondeu em negação.
-Cantaaaaaa, cantaaa, cantaaaaa – Ele falou, demonstrando que não se acalmaria até que ela cantasse algo.
-Ta bem, tá bem. – Ela respondeu – Deu muito trabalho te encontrar hoje. Eu faço qualquer coisa agora.
Ela tomou um pouco de fôlego,e cantou a primeira música que lhe veio a cabeça, em um ritmo bem mais lento e demorado, em um sussurro bem baixinho, como uma mãe cantaria uma canção de ninar:
I always needed time on my own
I never thought I'd need you there when I cry
And the days feel like years when I'm alone
And the bed where you lie
Is made up on your side
When you walk away I count the steps that you take
Do you see how much I need you right now?
Ela parou de cantar, e respirou fundo – Você vê o quanto eu preciso de você? – Ela repetiu o último verso que tinha cantado da música, mas dessa vez como uma frase. Após alguns segundos, ela percebeu que ele havia dormido. Deu-lhe um beijo na cabeça, e sussurrou “Durma bem, babe” com um pequeno sorriso, encostou a cabeça no travesseiro, e dormiu instantaneamente, finalmente desocupando a cabeça de tudo que a atormentava.
Fale com o autor