I See Dead People
9 Capítulo VIII - When We Stand Together
Notas iniciais
Pegamos duas pares com Rosaly e avisamos o que iriamos fazer, ela preferiu não vir com a gente para não ver os restos mortais de seu pai. Adam e Robert cavavam no suposto local, o clima entre eles estavam meio estranho, parecia que estavam competindo, mas ignorei isso.
Eu esperava meio entediada, até que Adam finalmente disse que acharam algo. Pulei no buraco, tinha quase minha altura não fazia ideia de como sair dali.
– Está aqui. – Robert apontou para um tecido meio rasgado.
Lembrei que o corpo de Steve havia sido enrolado em um tipo de manta. Desenrolei o tecido e um cheiro meio desagradável se espalhou no local, entendei não me incomodar com isso, lá estavam ossos e umas roupas antigas, reconheci de imediato a roupa que Steve usava.
Procurei nos bolsos da roupa e logo achei uma corrente com um pingente vermelho vivo triangular. Era essa, eu podia sentir.
Pedi para Adam, que estava bem perto de mim, colocar em mim, e ele fez isso.
Olhei para os ossos, queria agradecer a Steve, queria dizer que sinto muito pelo modo como ele morreu e que ele tem uma grande filha. Levantei a cabeça planejando como sairia dali, mas antes de fazer isso algo frio e duro segurou meu tornozelo. Soltei um grito agudo, fazendo com que Adam caísse por cima de Robert, que desequilibrou, mas não caiu.
Se fosse outra situação, eu riria dos dois, mas eu estava com medo, principalmente de saber o que tinha puxando meu tornozelo, olhei para baixo o que estava me segurando, ossos de uma mão. Ossos se rastejavam em minha direção.
Não consegui falar nada, olhei para Adam em busca de alguma ajuda.
– Droga! Você pensou em Steve depois que colocou o colar?
Não consegui responder, muita coisa se passava na minha cabeça, Robert viu meu desespero e correu para meu lado, chutando os ossos para longe de mim.
– Vamos sair daqui. – Rob falou e só então percebi o seu estado, ele estava pálido e assustado.
– Não! Não podemos deixar Steve em seus restos mortais. Hayden, você o invocou para o corpo, agora tem que fazer o processo inverso, okay? É basicamente como expulsar um espirito, e isso você já sabe.
Os ossos voltaram a rastejar para perto de mim. Eu não conseguia fazer nada.
– E-eu não consigo.
– Você não o invocou para o corpo? Que eu sabia você pode criar um exercito de mortos, pode comanda-los. – Robert contou o que sabia.
– Ela tem que ter poder e treinamento para isso. – Adam disse.
Os ossos estavam quase alcançando meus pés, deu um passo para trás.
– Pare! – Minha voz soou mais firme que eu imaginava e os ossos pararm de se mover.
– Ele ainda está aprisionado ai. – Adam avisou.
Eu podia sentir a energia de Steve. Fechei os olhos e mentalmente imaginei o espirito de Steve saindo dali. Sendo puxado lentamente.
Adam sorriu.
– Você... Conseguiu.
– Siiim. – Eu me sentia aliviada, a tensão do ar não existia mais. – Vamos sair logo daqui antes que eu faça merda de novo.
– Chega de mortos por hoje! – Robert disse sorrindo.
– Tem certeza, lamp boy? – Eu falei.
Robert deu de ombros.
– Acho que não.
Adam semicerrou os olhos, provavelmente tentando entender.
Os dois subiram a cova e me puxaram em conjunto para fora dela. Era um alivio respirar o ar normal em vez do ar húmido do buraco.
***
Eu estava indo para meu quarto depois de jantar quando encontrei Rosaly em um corredor.
– Rosa! – Chamei e ela voltou a atenção para mim. – Eu queria pedir a autorização de sair daqui o final semana.
– Por que?
– Quero encontrar minha mãe.
– Isso tecnicamente não é comigo, eu não posso autorizar você sair quando seu pai me disse para não deixar. Desculpa, mas não posso deixar.
– Meu pai não quer que eu saia?
– Justamente porque ele sabe que você quer encontrar sua mãe, eu sei que para você pode parecer ruim, mas ele só quer seu bem.
Bufei.
– Tá.
Fui para meu quarto frustrada, mandei muitas mensagens para meu pai, que respondeu apenas com um “Não acho que você deva ir tão depressa, depois conversamos sobre isso”.
Eu me sentia perdida.
A porta se abre e por ela entra Diana, Clary e Triz conversando sobre algo que nem prestei atenção. Elas me cumprimentam e eu só balanço a cabeça.
– Eu nem preciso de magia para saber que aconteceu alguma coisa com você. – Clary se sentou ao meu lado e as meninas se sentaram na cama ao lado da minha. – Você pode contar com a gente.
– Não é nada...
– Pode ir falando. – Triz insistiu.
– Okay... Meu pai me proibiu de sair daqui porque ele não quer que eu procure minha mãe.
– Sua mãe? O que aconteceu com ela? – Triz perguntou.
Expliquei toda a historia, desde as mentiras do meu pai até a parte em que Steve me deu a tal corrente que me ajudará a lidar com minha mãe.
– Eu já li sobre essa corrente, ela ajuda a controlar os poderes e intensifica-los, Ficando imune a algumas coisas, como as pessoas entrarem na sua mente. – Clary explicou.
– Você tem sorte de ter algo que te ajude a controlar as coisas. – Diana comentou. – A gente vai te ajudar.
– Vão? Não tem como. – Eu estava triste, mas não queria desistir.
– Bom, podemos arrumar uma forma de distrair Rosaly, e te ajudar a fugir. – Triz me deu uma opção.
– Eu fugiria com você, contando que a gente volte. – Clary deu de ombros.
– Não tenho nem ideia de por onde começar a procurar minha mãe.
– Mas eu tenho. – Clary sorriu maligna. – Meu pai! Você sabe que ele já morreu, e Rob me contou que ele conheceu sua mãe.
Parei por um instante. Poderia dar certo, foi inevitável não sorrir, parecia que as coisas estavam melhorando.
– Okay, antes de pensar nisso, temos que pensar em como fugiremos. – Falei.
– Gente eu tive uma ideia meio maluca. – Diana se pronunciou. – Domingo é aniversario de Rosaly. Taylor veio falar que queria organizar uma festa surpresa, se apoiarmos ela, podemos conseguir que isso aconteça, seria uma perfeita forma de distração, porque bom... Podemos fazer com que alguém brigue e Rosaly tenha que intervir, ela vai ficar ocupada com isso.
– Isso é genial! – Triz deu pulinhos.
– Isso vai dar muito trabalho, mas vamos lá, vai ser legal – Clary parecia pensativa. – O único problema desse plano todo é a Taylor.
– Taylor é aquela garota que controla a própria aparência? – Lembrei que Tiff havia me falado dela e de quando ela me atrapalhou enquanto eu falava com Steve.
– Exatamente. – Triz revirou os olhos.
– Podemos fazer isso, não é ela que vai nos atrapalhar. – Diana foi otimista.
– Okay, com calma, provavelmente vamos driblar facilmente essa ruiva falsa. – Clary falou.
– É, só eu que estou empolgada com tudo isso? Tantas coisas para uma semana só, e amanhã vai ter educação física. – Triz fez uma dancinha comemorando.
– Nem me fale da educação física! – Clary resmungou.
– Meninas, vou tomar banho. – Falei. – Vocês são demais, serio. Obrigada por tudo.
Elas fizeram um coro de “own” e depois rimos. Sai do quarto em direção ao banheiro, quando do nada alguém me puxa para outro corredor.
– Eu ouvi tudo. – Um garoto com olhos extremamente verdes falou baixo perto de mim. Estava tão perto que me deu um pouco de medo.
– Quê? Quem você é?
– Sou Matt. Meu dom é ter uma audição e um olfato bom. Só não enxergo tão bem. Mas isso não vem ao caso. O que interessa é que eu tenho ouvido você ultimamente. Sei sobre a sua mãe e quero ajudar. – Ele se afastou mais.
– E por quê? Você nem me conhece!
Matt deu de ombros.
– Eu sempre quis sair por ai, usar meus poderes para algo importante, como em uma missão. – Matt disse sonhador. – E eu posso ser muito útil.
– Eu vou pensar, okay? – Eu o olhei desconfiada. – Você não...
– Não, não vou contar para ninguém, relaxa.
– Obrigada...
Sai dali meio assustada. Algo me dizia que essa semana seria longa e estranha.
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