I See Dead People
10 Capítulo IX - I'd Come For You
Notas iniciais
Estava sozinho no pé da escada quando Hayden parece, quase faço barulho pelo susto que tive. Ela estava com um pijama e um casaco grande por cima, o cabelo todo bagunçado, ela ficava linda assim. Ela sorriu para mim, estava escuro, mas consegui ver. Rapidamente fomos para a casa menor onde ela invoca os espíritos. Assim que chegamos, eu acendi as luzes.
– Uau, isso que você treinou, Lamp Boy? – Hayden brincou.
Dei de ombros.
– Pelo menos sirvo para acender umas luzes. – Falei meio ressentindo, indo sentar no sofá.
– Hey... – Ela se sentou ao meu lado. – Você é o cara mais útil que já conheci, serve para muita coisa, tenha certeza. Afinal, quem seria meu ajudante de invocação oficial?
Ela sorriu, de uma certa forma isso me confortou.
– Adam podia ser seu ajudante de invocação.
Ela riu.
– Não foi ele que saiu chutando os ossos para me ajudar.
Realmente, eu estava morrendo de medo de tudo aqui, o que fiz foi por puro impulso de proteger Hay, se o tal Steve estava mesmo naquele corpo, com certeza acabei machucando ele com meus chutes.
– Bom, já que você tocou no assunto de você ser útil, queria te pedir algumas coisas. – Ela começou.
Depois ela contou um plano doido que ela deve com as meninas, isso incluía minha irmã. Elas iam fugir para procurar a mãe de Hayden.
– Eu vou com você, e se quiser eu ajudo você invocar meu pai para perguntar onde provavelmente sua mãe está.
– Você sabe que não estou te obrigando a nada, você já me ajudou em muita coisa. – Ela falou.
– Sei, mas esse é o nosso acordo, você me ajuda com a minha mãe e eu te ajudo com a sua.
– Okay, então vamos fazer a parte da sua mãe agora. Trouxe algo dela?
Tirei do bolso do casaco algumas fotos e uma pulseira que era dela.
– Isso é tudo que tenho...
Ela deu uma olhada para as coisas. Passou um tempo de olhos fechados, tudo estava silencioso e eu estava muito ansioso.
– Ela está aqui... – Hayden murmurou.
– Onde? Está falando algo?
– Vou tentar algo, não se assuste. – Ela disse e fechou os olhos novamente.
Fiquei esperando algo acontecer, quando o corpo de Hayden amoleceu e ela ficou semi-deitada no sofá.
– Hay? – Chamei.
Nenhuma resposta. Ela desmaiou? Fiquei sem reação, não sabia o que fazer. Olhei em volta. Droga. Eu estava cogitando chamar ajuda quando o corpo dela se ergue novamente e seus olhos abrem repentinamente.
– Ainda bem, eu estava preocupado!
Ela me olhou um ternura, um olhar que nunca vi nela, como se ela não me visse a tempos, seus olhos encheram de lagrimas. Senti um cheiro deferente, não era mais o cheiro de Hayden.
– Filho... – A voz que saiu de sua boca não era a de Hayden, e mesmo sem nunca ter ouvido a voz antes, eu sabia que era da minha mãe.
– Mãe? – Perguntei meio na duvida. Ela sorriu e eu a abracei, mesmo sendo no corpo de Hayden, eu sentia que era minha mãe.
Hayden havia incorporado minha mãe, só para eu ter um tempo com ela, senti uma vontade imensa de agradecer por isso, mas isso eu faria depois.
– Eu tenho pouco tempo, Hayden vai sendo puxada para o corpo aos poucos. Primeiro, avise para ela não fazer isso novamente, pode ser perigoso quando espíritos maus intencionados entram no corpo dela. Ah filho,
– Okay, vou avisar para ela...
– Filho, eu tenho que te contar coisas ruins, eu gostaria de só te abraçar e dizer o quanto você é um garoto incrível, porque eu sempre te observo, eu queria ter estado presente na sua vida, queria te acompanhar de perto queria te mostrar que estava vendo tudo.
– Eu sei que você estava aqui algumas vezes. – Falei. – Algumas vezes eu sentia como se algo estivesse comigo me protegendo e eu gostava de imaginar que era você.
Ela sorriu.
– Você é tão lindo, filho. – Ela começou a chorar. – Desculpa, eu não tenho tempo. Okay, lá vai. A mãe de Hayden não é ruim, ela não tem culpa das coisas, seu pai e ela têm um passado juntos... Ele era obcecado por ela, ocorreram algumas acidentes e seu pai morreu, mas acredite, foi inteiramente por culpa dele...
Tentei processar as informações.
– Não deixe Hayden invocar ele, ele pode querer tirar toda energia dela para mata-la por vingança. – Ela continuou. – Eu posso encontrar a mãe dela e passar o endereço para ela.
– Okay, nos sairemos daqui no domingo.
– Ela vai voltar para o corpo... Provavelmente vai ficar desacordada por um tempo, ela é muito nova para fazer esse tipo de coisa – Ela repreendeu. – E você também é um teimoso, tente ter paciência quando estiver treinando seus poderes... Tchau, filho. Eu te amo muito mesmo, nunca pense que está sozinho.
– Eu também te amo, mãe.
Ela deu seu ultimo olhar materno antes de fechar os olhos. O corpo de Hayden se escorou em mim, eu não sentia mais minha mãe ali. Ajeitei o corpo de Hay para que ela deitasse confortavelmente em meus braços.
Passamos muito tempo assim, eu estava quieto processando tudo, esperando que ela acordasse. Tentei parar de pensar em tudo e comecei a observar o rosto de Hayden. Era tão pacifico quando estava dormindo, mas quando ela estava acordada parecia que é totalmente ao contrario, porque eu nunca sei o que vai fazer, e gosto de ela ser imprevisível. Eu gostava da personalidade dela, até do fato de ela ser curiosa e impulsiva.
Seus olhos estavam se abrindo lentamente, ela me encarou confusa.
– Nossa, tô muito cansada. – Ela sussurrou.
Eu ri.
– Minha mãe disse que você não deve fazer isso de novo, é perigoso.
Ela só balançou a cabeça.
– Acho que vou dormir aqui mesmo. Amanhã você me conta como foi a conversa com sua mãe.
– Obrigado, Sr. dos Mortos. – Eu já estava com os braços entorno dela, então só apertei um pouco em um abraço. – Isso significou muito para mim.
– Pode contar comigo, Super Choque. – Ela sorriu fraco. – Mas agora não, preciso dormir.
Ri dela.
– Vou te levar para o quarto.
Levantei do sofá, passei um braço pelas pernas dela e outro pelas coisas. Hay deitou a cabeça em meu peitoral, e colocou um dos braços em meu pescoço.
– Não fica mal acostumada, viu?
– Sabia que você era um cavalheiro. – Sai da casa e fui passando pelo jardim. – Nunca fiquei de ressaca, mas acho que deve ser essa a sensação de ressaca.
Eu ri.
– Está tão ruim assim?
Ela balançou a cabeça. Tentei fazer o mínimo de barulho possível, Hayden não era tão pesada então não tive dificuldade. Ela estava de olhos fechados, mas sabia que ele ainda não estava dormindo. Abri o quarto dela e fiz um pouco de barulho, sorte que ninguém acordou. Coloquei ela na única cama vazia de lá.
Ela abriu os olhos e ficou me encarando, não tenho ideia do porquê mas passamos um tempo nos olhando, até que ela desviou o olhar. Dei um beijo na testa dela.
– Que lindinho, ganhei um beijo de boa noite. – Ela sussurrou.
– Até hoje. – murmurei e escutei um “até” de resposta.
Sai dali, indo para meu quarto dormir algumas horas que me restavam. Afinal, amanhã seria um dia longo.
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