I See Dead People

4 Capítulo III - In the Clear


Notas iniciais
Gente, era para eu postar de 22 horas e só estou postando agora porque aqui simples bugou tudo, parece que os deuses não queriam que eu postasse :v Enfim, boa leitura.

Procurava sinal de alguém no jardim, vi um casal conversando um pouco adiante. Segui até uma macieira bem grande, sentei no pé da arvore, olhei em volta... Nada. Tentei pensar na voz rouca que eu havia ouvido antes, tentei ouvir de novo, olhei em volta. Nada. Suspirei, porém algo começou a acontecer, uma sombra foi se materializando ao meu lado, era uma sensação estranha, mas procurei pensar somente nessa sombra. Finalmente pude ver o homem da voz, senti um calafrio, era um senhor com seus prováveis quarenta anos, era bonito e tinha uma ar imponente, como se fosse uma pessoa muito importante. Vestia roupas vitorianas saídas de algum filme antigo.

– Finalmente. – Ele mexeu a mão em sinal de descaso. – Achei que não iria conseguir, seria um desperdício de talento...

– Quem é você? – Interrompi ele.

– E isso realmente importa? A grande questão aqui é: Quem é você?

Levantei do chão limpando minha calça pronta para sair de perto daquele ser. Cinco maçãs cairiam da árvore ao mesmo tempo, uma delas quase bateu em mim. O homem começou a ficar roxo como se estivesse perdendo o ar e sua boca ficou tão branca e ressecada que me assustei pela rapidez com que aquilo aconteceu.

– Acho bom você me ouvir, mocinha. Não é porque você é poderosa que pode me tratar de qualquer jeito. – Sua voz era severa.

Recuei por um momento.

– Quem. É. Você? – Falei pausadamente para que não saísse tremulo.

– Okay... – Ele revirou os olhos, voltando a uma aparecia normal, mas ainda com suas roupas estranhas. – Sou Stive Levine, construí essa casa no passado.

– E eu com isso? – Tentei soar arrogante para mostrar quem manda.

– Se você mora aqui, o minimo que tem que fazer é me ajudar, tenho que...

– Você está falando sozinha? – Uma garota falou atras de mim e me virei para encara-la. – Como você é estranha.

A garota possuía cabelos ruivos ferrugem e olhos verdes grandes, digna de um filme clichê, tão artificial que chegava a parecer que ela não existia, será que era outro espirito? Eu acreditava que não, pois não conseguia seguir a mesma energia no ar.

Virei de volta sem responder, mas Stive Levine não estava mais lá. Bufei.

– Isso não é da sua conta não é? Porque estava me bisbilhotando? – Voltei a olha-la sem paciência.

A garota abriu a boca, mas não emitiu nenhum som da mesma, se recompôs logo em seguida, mandando um sorriso irônico.

– Só vim dar boas vindas a novata tão famosa, mas vejo que perdi meu tempo, você é bem sem graça. Logo, logo as pessoas param de falar de você porque bom... – Ela me olhou de cima baixo. – Não tem muito o que ser comentado.

Me segura para eu não voar na cara dela. Foi meu primeiro pensamento, mas sou uma pessoa paciente, só murmurei um ''u-hum''.

– Já vou indo, até mais, Hayley. – Ela começou a se distanciar.

– É Hayden. – Corrigi, não tendo certeza que ela escutou.

Isso foi tão clichê quando a cara de boneca Barbie dela, revirei os olhos sozinha percebendo que a garota só apareceu para me atrapalhar, pois eu não via mais nenhum sinal do fantasma.

***

Já de volta no meu quarto, eu até estava me sentindo sozinha, Diana havia sumido. Estava perdida nos meus pensamentos, quando Tiffany entrou no quarto como um furacão.

– Hey. – Ela veio em direção a mim, se sentando em minha cama. – Mal chegou aqui e já ganhou um inimigo?

– Aquela garota ruiva? Não acho que seja importante.

– Ruiva? – Ela riu. – Taylor não é ruiva, é só uma ilusão.

– O quê?

– É o poder dela, mas ela não é muito boa nisso, então o máximo que ela consegue é essa simples ilusão de ótica, se transformando em uma ruiva gostosona. Mas se você tirar uma foto dela, consegue ver a real aparência.

Eu ri, pensando que poderia usar isso contra ela se ela me incomodasse novamente.

– Eu não estava falando dela. – Continuou Tiff. – É sobre o Robert.

– Serio? Eu mal falei com ele!

– Sei... Bom, eu sei que é errado, não me julgue, okay? Eu estava querendo fazer uma pegadinha com Diana, e sem querer acabei ouvindo a conversa dela com o Robert na sala da televisão. Ele disse algo sobre sua mãe e vingança, eu não entendi bem. – Ela gesticulava enquanto falava, fazendo com que seus cachos balançassem.

– Minha mãe...? – Eu levei um momento para processar, até começar a sentir raiva por dentro, não só por Rob, mas por meu pai que havia mentindo. – Pode me levar até a sala de televisão?

– Claro! – Ela me puxou para fora do quarto, na escada descemos rapidamente, passamos pela cozinha e no final do corredor, havia uma sala de porta fechada. – É aqui. Bom, vou deixar você falar com ele sozinha, mas se precisar de mim, vou estar no quarto. – Ela sorriu e saiu dali.

Sussurrei um ''Obrigada'' antes que ela fosse embora. Respirei fundo e entrei na sala. Só Robert estava lá, nem sinal de Diana. Ele estava sentando em um sofá, olhando para Televisão que estava fora de ar, a luz da sala piscava como se estivesse prestes a queimar. Entrei em passos lentos, mas bati o pé no sofá assim que estava perto, a dor de bater meu dedo mindinho nem me fez perceber que Robert estava me encarando com raiva.

– Saia daqui. – Ele disse seco. Acho que nunca vou ouvir a voz dele em um dom normal.

– Não! O que você sabe sobre minha mãe?

Sentia desespero, queria saber sobre ela, e o porquê de ele estar com raiva, não que eu me importasse muito, pelo que conheci dele, não é muito simpático.

Ele simplesmente gargalhou. Eu fiquei com cara de ''qual é o seu problema?'', e ele voltou a ficar serio.

– Não acho que você tem direito nenhum de me perguntar isso. Eu, definitivamente, não quero falar da minha vida para você. – Era a primeira vez que ele falava mais de três palavras na minha frente, mas elas eram tão ásperas quanto as outras.

– Eu não tenho direito de saber? Você estava falando de minha mãe! Se falassem de algum de seus pais você ia querer saber qual é o problema.

Ele sorriu amargamente.

– Oh, claro, como se eu tivesse meus pais. Graças a sua mãe, que, pelo que eu saiba, te abandonou. O premio de mãe do ano vai para... – Ele fez suspense como se estivesse na cerimonia do Grammy.

Senti vontade de soca-lo.

– Ah, é? Minha mãe simplesmente matou seus pais sem sentido nenhum? Me poupe, se esse é seu problema comigo, tenho um concelho: Supere isso.

Ele me olhou como se eu tivesse uma anomalia na cara, como se eu fosse um monstro, talvez eu tenha sido dura demais, o cara perdeu os pais e mesmo que eu não tenha culpa, deveria dizer algo como ''sinto muito'', eu estava meio estressada com a situação, não que isso justificasse, só que parece que ele queria arrancar o pior de mim.

– Na verdade, ela matou só o meu pai... Você é bem parecida com ela, é como se o mundo girasse ao seu redor.

Oi? Desde quando me conhece? Nunca nem troquei mais de duas palavras e já está apontando o dedo para mim?

Ergui uma sobrancelha, e me virei para sair daquela sala, bem no momento em que a sala ficou extremamente clara por causa da lampada e da televisão, que pareciam ter recebido uma carga a mais de energia. Continuei meu caminho até a porta um pouco desconfiada.

– Espera ai, você vai me ouvir. – Robert correu até mim e puxando meu braço.

Senti uma dor enorme e meu braço ficou imóvel por um tempo. Ele acabou de... Me dar um choque? Parece que sim, olhei para ele com um pouco de medo, eu não queria estar que nem uma menininha assustada, porém não consegui evitar, seus olhos estavam cinza e sua pele ficou pálida.

Arregalei meus olhos, eu queria correr dali, sentia que aquele cara poderia me matar com um simples toque. Um clarão maior tomou conta do ambiente e depois tudo ficou escuro, do nada.

– Desculpe, eu... – A luz da sala se acendeu, mas não como antes, parecia mais normal, fazendo com que eu olhasse novamente para Robert, que estava com um olhar triste. – Serio, desculpa, não queria te machucar.

– Está tudo okay. – Não estava, meu braço ainda estava com aquela sensação pós choque, talvez se fosse por mais tempo, eu teria perdido a consciência. Tentei parecer o mais dura possível, abandonando a pose de retardada com medo.

– Não, não está, eu sei. Eu não controlo muito bem isso, é de acordo com minhas emoções. – Ele fechou os olhos e suspirou.

– Okay, só... Não fale mais de mim como se me conhecesse.

Sai da sala, a sensação de alivio percorreu meu corpo, meu braço estava latejando, mas melhoraria com o tempo. Mexi minha mão, tudo okay. Não admitiria, mas fiquei com medo, provavelmente vou acrescentar na minha lista de coisas para evitar por aqui.

1 — Evitar a palavra poderes, pois ninguém aqui é super herói.

2 — Tentar falar o minimo possível com Robert.

Estava anotado na minha lista mental, e esse era só o meu primeiro dia aqui.

Notas finais
Hey, se tiver algum erro me perdoem, meu notebook ficou realmente bugado do nada hoje... Espero que tenham gostado, me digam o que acharam. As tretas só começaram u.u Até o próximo.