I See Dead People
3 Capítulo II - For a Pessimist, I'm Pretty Optimistic
Notas iniciais
Diana me olhou procurando em minha expressão algo que indicasse que eu estou brincando, até que pareceu entender que é serio.
– Isso explica o porquê de ter visto a sombra. – Ela pareceu pensar. – Esse dom é incrível.
– Talvez, eu ainda não parei para pensar se é uma coisa ruim ou boa.
A maioria das pessoas diria que é horrível, afinal é assustador. Mas eu? Sempre gostei de filmes de terror, e quando menor eu sonhava em viver uma historia assombrada, pode soar estranho, mas era assim que eu era, sempre fui muito curiosa com esses tipos de coisa.
– Já imaginou em quanta coisa pode fazer com isso? Mandar esses espíritos vigiar alguém, assustar pessoas, colar na prova de matemática. – Diana falou com os olhos brilhando.
– Sou boa em matemática. – Falei rindo. – Alias, nós também estudamos normalmente aqui?
– Sim, no período da manhã, mas de tarde vamos treinar nossos dons com pessoas que tem dons parecidos. Cada um tem meio que uma ''área''. – Ela fez aspas com as mãos.
– Alguém mais vê essas coisas como eu? – Perguntei feliz por me sentir um pouco mais normal.
– Conheço somente duas pessoas com dom da necromancia, Adam e sua mãe, Lana. Mas nunca falei com nenhum deles.
Duas pessoas que me ajudariam nisso. Okay, como? Vamos a sua primeira aula, primeiro capitulo — conversando com fantasmas. Existe um nome para isso tudo?
– Necro o quê? – Lembrei de ter ouvido Diana falar.
– Necromancia, eu não entendo de nada disso. Eles vão te explicar. – Ela se levantou da cama. – Vamos comer algo, estou morta de fome. Espero que o almoço seja servido do horário normal, no domingo eles geralmente atrasam.
Saímos do quarto, umas duas meninas olharam para gente quando passamos pelo corredor, provavelmente por nunca terem me visto.
– Existem muitas pessoas aqui?
– Sim, umas vinte e pouco, e nem conheço todos.
– E por que estão me olhando estranho? – Assim que disse isso, ela parou no meio do corredor me encarando. – O quê?
– Droga, já entendi.
– Hã? – Quase gritei.
– As noticias aqui correm rápido, sabe? Alguns tem super audição e coisas do tipo. E você é carne nova.
Ótimo, todos falando sobre mim como se eu entrasse em uma escola nova no meio do ano letivo. Suspirei, fazendo com que Diana me olhasse de forma piedosa.
– Só ignora, vou estar com você.
– Obrigada. – Sorri para ela.
Voltamos a andar, descemos uma escada, passamos para um outro corredor, e eu estava notando que a casa era muito grande, fazendo um mapa mental. Chegamos em uma sala onde havia uma mesa gigante em formato oval, com varias cadeiras, umas duas meninas cochichavam em pé, três pessoas já estavam sentadas na mesa comendo. A mesa estava repleta de comidas variadas, desde salada até vários tipos de carne. Pus meu prato junto com Diana. Coloquei bastante batata frita.
– As pessoas aqui geralmente almoçam todos juntos por causa dos horários, mas domingo é nosso dia livre, por isso estão todos dispersos. – Diana explicou.
Ela me puxou para sentar na ponta da mesa, cujo um menino, que eu não havia notado antes, estava comendo pacificamente. Seus cabelos castanhos estavam molhados e bagunçados, como se tivesse tomando um banho a pouco tempo. Diana sentou na cadeira ao lado dele, e eu sentei ao lado dela.
– Hey, Rob. – Ela o cumprimentou e só então ele levantou os olhos para a gente. No mesmo estante ele me olhou como se eu fosse de outro planeta. – Essa é a Hayden. – Ela continuou, logo sem seguida olhou para mim. – E esse é o Robert.
Ele apenas acenou com a cabeça.
– Oi. – Cumprimentei ele, me sentindo estranha com o olhar dele, seus olhos eram castanhos claros como o seu cabelo.
Ele não respondeu, apenas voltou a comer. O clima ficou extremamente estranho, e Diana percebeu isso.
– Aconteceu algo? – Ela perguntou para Robert.
Ele me encarou novamente. Não entendi o motivo, mas vi ódio naquele olhar.
– Não. Até depois. – Ele sorriu forçado para Diana e saiu da mesa, sem me olhar ou dirigir a palavra para mim.
Ela o acompanhou saindo da sala com o olhar. E só então voltou a comer.
– Certeza que aconteceu algo, relaxa, ele não é sempre assim, pelo contrario, Rob é uma das únicas pessoas que falo aqui.
– Aposto que ele deve ser legal. – Tentei soar otimista, mas pelo o jeito com que ele me encarou, eu não botava muita fé nisso.
Comemos rápido, voltei para o quarto sozinha, pois Diana encontraria com alguém para treinar seus dons.
Eu percebi que eles não gostam de usar a palavra ''poderes'', então estou evitando. Não sou a pessoas mais sociável do mundo, mas tento ser agradável, se não gostam de ser tratados como super heróis, não farei isso. Eu também não gostaria, até porque minha habilidade não tem nada de heroica, ninguém salva o dia conversando com mortos.
Puxei meu celular para pesquisar sobre a palavrinha que estava martelando na minha cabeça. Respondi as mensagens do meu melhor amigo, Jimmy, no Whatsapp. Nada muito explicativo, ele perguntou se eu estava em casa e eu disse que não. Não estava a fim de lidar com outras pessoas sobre esse assunto. Abri o Google, digitei ''necromancia''. Muitos resultados, o primeiro site é a Wikipédia, com a seguinte definição ''É a suposta arte de adivinhar o futuro por meio da evocação dos mortos ou dos espíritos, até pelo controle dos restos mortais que pertenceram a outras pessoas, podendo referir-se a feitiçaria ou magia negra''.
Magia negra? Isso não soou bem.
Coloquei no Google imagens para ver as imagens relacionadas a pesquisa. Alguns símbolos, imagens de caveiras, desenhos. Fechei a pagina e apertei play em uma musica aleatória de Evanescence. De qualquer forma eu não estava prestando atenção na musica. Minha mente vagava por varias coisas. Se eu tenho mesmo esse poder, posso fazer tanta coisa. Como isso poderia ser ruim? Nos filmes, vejo sobre mocinhas começarem a ver fantasmas e querer se livrar disso tudo. Se pensarmos bem, isso é uma coisa boa, certo? Um dom, como os outros. Para uma pessimista, eu estava bem otimista.
Comecei a prestar atenção na musica e cantarola baixo tentando imitar a voz da Amy Lee (o que é meio impossível). Então escuto uma outra voz, dessa vez, masculina, tenho certeza de que não era a segunda voz de alguém da banda, pois foi como um sussurro. ''Você também?'' ouvi de algum canto do quarto. Me arrepiei.
Tirei os fones de ouvido. Silencio.
Serio? Será que é um tipo de aparição rápida? Eu realmente queria encontrar algum espirito, mesmo não estando totalmente preparada, só queria treinar isso de conversar com mortos, não lembro de ter tido coragem de fazer isso.
Eu estava ansiosa, meu coração estava acelerado, mas foi se normalizando quando percebi que não havia ninguém no quarto.
– Alguém? – Realmente idiota da minha parte perguntar isso, mas eu precisava saber se não estava sozinha, mesmo sentindo a presença de alguém, não via nada.
– Aqui. – Um homem sussurrou. Quase pulei ao ouvi sua voz rouca.
– Apareça! – Falei alto, eu não sabia onde ele estava, e isso me deixava com medo.
Esse era o meu medo, o desconhecido, a incerteza. Sempre gostei de saber exatamente onde estou pisando.
Uma silhueta se formou em minha frente mais desapareceu com a mesma rapidez que apareceu.
– Eu... Não consigo. – O homem disse mais alto do que das outras vezes. – Tente pensar somente na minha voz.
Fiz isso, olhando para frente novamente. Minha cabeça não conseguia se concentrar.
– Desculpa. Eu não sou boa nisso.
– Me encontre no jardim, perto do portão principal. – A voz estava um pouco distante do que antes.
– O quê?
Sem respostas, eu não sentia mais mesma presença. Acho que eu estava sozinha. Vou no jardim sozinha ver uma pessoa que nem conheço e que provavelmente está morta? Uma pessoa normal ficaria no quarto e colocaria outra musica. Mas quem disse que sou normal?
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