I Remember

1 And you know.


Notas iniciais
:(

"Todas as nossas memórias que costumavam me fazer sentir no inferno, eu não sei porquê, mas elas ainda estão presas em minha mente"

– I Remember; BangYongGuk.

Eu me lembro do dia em que nos conhecemos, foi em 12 de Julho de 2009, na escola. Um fato um tanto estranho se formos considerar que eramos da mesma sala desde a 5ª série, um ano antes. Lembro-me que este foi o primeiro dia que você me cumprimentou, era a última aula, aula de história, uma quinta feira insuportavelmente quente; foi apenas um aperto de mãos, mas aquilo me preencheu de tal forma que chega a ser doentio e, logo depois, um amigo seu, lhe disse para me cumprimentar direito e, assim, você beijou-me o rosto, deixando-me completamente rubra e sem reação, mas você nem sequer percebeu. E meu coração se partiu no dia seguinte, na sexta-feira que se tornou completamente fria e vazia ao descobrir que você estava namorando aquela que eu acreditava ser minha melhor amiga. Fiz de tudo para te evitar naquele dia, não queria sofrer por uma paixão, eu era racional de mais para isso, eu era amiga de mais para isso.

Mas então, na segunda-feira, dia 15, na terceira aula, aula vaga, você veio falar comigo e eu, eu fui fraca de mais e me permiti usufruir de sua presença; sua voz era calma e baixa, e num tom rouco ludibriante me perguntou o porquê de eu estar sozinha, não me lembro o que respondi, só me lembro do silêncio ensurdecedor que se sucedeu depois e para quebrar esse som insuportável falamos sobre música, você me apresentou várias bandas internacionais e uma ou duas nacionais, todas de rock, todas contagiantes, assim como você. Uma semana depois, um convite invadiu meu Facebook, eu aceitei, eu sempre vou aceitar. Entramos de férias e a primeira vez que você conversou comigo, pela internet, me mandou uma música, sim, aquela... ela estava legendada e eu me apaixonei pela letra e pela melodia e tive a falsa esperança de que aquilo significasse alguma coisa. Não significou, não pra você.

Na volta às aulas, lembro-me de que você não mais falou comigo, e eu apenas te observava de longe, tentei evitar, fiz de tudo para não conhecer esse tal de 'amor' que tantos falavam, mas era tarde de mais para mim.

Lembro-me que no final do ano seguinte, mesmo você tendo apenas 14 anos, você apareceu alcoolizado na "festa" da escola. Acho que, você não poderia ter noção do quanto eu estava preocupada contigo naquele dia, 10 de dezembro. Não queria deixar você, nem sequer. chegar perto dos energéticos que os meninos da sala haviam levado (escondido); tentei conversar com você, te convencer a ficar quieto, entender o porquê. Mas foi tudo em vão. Você não me ouviu. Por que ouviria, afinal? O que eu era pra você? Sabe, te ver naquele estado me massacrou, não consegui aproveitar nada e o pior de tudo é que sua namorada nem sequer ligou. Eu falei com ela, pedi para que te ajudasse, mas ela nada fez; disse que era problema de família o que você tinha e que não poderia te ajudar e eu, bem, eu estava lá, esperando, esperando que pedisse por ajuda, que olhasse, que dissesse algo, qualquer coisa. Você não o fez.

Em 2011, você já havia terminado seu namoro e estava com a "melhor amiga" da sua ex, uma garota pela qual eu nunca simpatizei e acabamos caindo em salas diferentes, só nos falávamos no intervalo, isso quando nos falávamos e, de repente, todos da nossa antiga turma pararam de conversar comigo, por conta de uma briga entre a 'minha amiga' e a sua namorada, mas o que eu nunca entendi é por que, por que eu fui colocada no meio dessa história? Eu não tinha nada a ver com isso tudo. E, então, você foi se afastando, cada dia mais e eu pude perceber minha depressão me dominando novamente, doença essa que eu fui diagnosticada em 2008, mas eu segui em frente, como sempre.

Lembro-me que no final de 2012, quando eu finalmente tinha me "estabilizado", nós fomos ao Museu da Linguá Portuguesa, em um passeio da escola. Na última parte deste passeio, havia uma sala escura na qual deveríamos entrar e nos sentar em uma das "arquibancadas" para que pudéssemos ouvir os poemas e contos. Fiz o que mandaram, sentei-me, de forma desleixada, eu admito. Você apareceu e sem dizer uma palavras, deitou sua cabeça em meu peito e lá ficou, 'assistindo' as palavras em neon que passeavam pela sala e ouvindo as histórias saídas dos auto-falantes. Em algum momento eu me movimentei e você virou seu rosto para mim e apenas perguntou "Eu estou te machucando?" Eu queria gritar que sim, que você estava despedaçando minha alma, desmembrando meu coração e matando o pouco de auto-estima que me restava, mas eu fiz que não com a cabeça, apenas para poder aproveitar um pouco mais do seu calor, poder sentir você e, nem que fosse apenas por um instante, te ter. Quando as luzes voltaram e você se levantou, sem dizer nada, mais uma vez, foi como se você estivesse levando um pedaço de mim e deixando apenas o vazio, frio e gélido vazio.

E agora, novamente você fez isso, apareceu sabe-se lá de onde e destruiu minha base, me desequilibrou e me atirou ao chão. Acabou com a minha sanidade com essa sua voz rouca, com suas órbes ônix de um tom hipnotizante, a ponto de eu ter que me apoiar em qualquer coisa que estivesse ao meu alcance, de eu tremer só de ouvir falar palavras que eu não conseguia entender. E quando eu finalmente achei que algo podia dar certo, que poderia falar contigo, depois daquela quinta-feira, 22 de Agosto, aquela em que nós conversamos, só nós dois, aquela em que eu estava só e mais uma vez você apareceu para falar comigo, aquela que nossos rostos estavam tão próximos que o mais leve dos movimentos desencadeariam o beijo — que nunca chegou a acontecer –, quando eu finalmente criei coragem para falar tudo o que estava aqui, preso em minha garganta, por ironia do destino, fomos separados, eu tive que me mudar, sem chance de despedida, sem um único adeus.

E agora, bem, agora você nunca vai saber.

Notas finais
:)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!