I Quit

1 Capítulo 2


- Que mal educada! Elogiei seus peitos no lobby e você foi incapaz de agradecer.

- O que você quer, Gregory? — pergunta Cuddy, fingindo formalidade.

- Eu me demito.

- Como?- estarrecida.

- Eu me demito- diz House, com a mesma fria segurança de um diagnóstico médico- Mas você pode ir lá em casa... ou, melhor dizendo... na casa do Wilson, se estiver procurando por sexo gostoso.

- Ok, House. Tem pacientes saindo pela janela. Será que você pode começar a fazer o que você veio aqui pra fazer e parar com as piadinhas sexuais.

- Eu não estou brincando, Cuddy. Eu vim me demitir, eu preciso.

- Mas você é o que você faz, House! E esse hospital...

- Eu sei, Cuddy! — Ele responde, subindo o tom.- Eu sei, e é justamente por isso. — Diz, em tom mais calmo.- Eu sempre fui o que meu trabalho aqui me fez, e foi justamente por isso que eu enlouqueci. O meu trabalho aqui é uma parte da minha vida de antes da recuperação, é muito arriscado eu voltar.

Cuddy quase responde alguma coisa, mas hesita, e apenas olha para ele ali, parado em sua frente, com o olhar de quem espera uma resposta. Ela respira fundo, de olhos fechados... e responde:

- Tudo bem, eu vou providenciar a papelada.

House sai da sala, em seu passo manco, e chegando à porta diz:

- A propósito, este hospital não precisa mais de mim do que você. Desculpe por te frustrar, mas eu também virei celibatário, então... talvez você deva tentar o herói do câncer ou o narigudo... porque o australiano além de casado é gay e o negão namora a bi, que até podia ser uma opçãpo pra você também.

Ela finge ter ficado irritada, mas no fundo, pensava, animada, que o bom filho à casa tornava. Mas em questão de segundos, o sorriso que portava pelo retorno do pródigo dá lugar a uma expressão de hesitação, estranhamento... e finalmente, raiva. Ela se levanta e caminha em passos firmes até o setor de oncologia, se dirigindo ao escritório do chefe do departamento.

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- Wilson, precisamos conversar.

-Já sei, ele pediu demissão. Eu já sabia, mas prometi que...

- Foi, mas isso eu achei até uma decisão sensata.- ela interrompe.

- O quê? Você não vai fazer nada pra que ele volte?

- Não, ele me deu as razões dele, parecia bem e acima de tudo, certo do que era melhor pra ele.

- E o que é melhor para o hospital, Cuddy?

- Não importa, James. A saúde dele vem antes. Mas a demissão é o de menos.

- Entãoque parte da visita de House te trouxe aqui?

- Você contou a ele sobre nós, Wilson?

- O que eu teria pra contar?

- Você sabe, não banque o cínico comigo, não agora.

- Não, Lisa, eu não disse nada. Até porque não houve nada, houve?

- Exato. Eu só queria que nós dois tivéssemos isso bem claro. Foi logo que ele foi internado, você estava arrasado, eu estava arrasada... foi coisa de carência, sexo por sexo. Você estava perdendo seu melhor amigo, eu estava vulnerável...

- Por que, Cuddy? Quem você estava perdendo?

-... ... ... um grande... funcionário.

- Aham, estou vendo.

- Pense o que você quiser, eu só não quero alimentar as piadinhas dele. Hoje, no meu escritório, ele fez duas daquelas clássicas. E você estava nas duas. Só queria ter certeza do que o que aconteceu vai ficar só entre sós.

- Você é quem manda... Literalmente.

Cuddy sorri ironicamente e deixa a sala, enquanto Wilson se dá conta, frustrado, de que qualquer esperança de que a tal noite fosse mais do que \"sexo solidário\" tinha ido por água abaixo ali... a chance de ter Cuddy de novo, a chance de que House fosse apenas \"um grande funcionário\" para ela. Ele respira e diz, para si mesmo:

- Você sabia, James, você sempre soube.

- Falando sozinho, Jimmie?- Diz House, batendo a bengala na porta.

- AHn? Ah, não. Estava pensando alto sobre um paciente. O louco aqui é você, lembra?

-Huummm. Morar comigo está te fazendo bem, começo a ver uma influência no seu senso de humor.

- Como foi com a Cuddy?

- Deixa de ser sonso, eu vi quando ela saiu daqui... o que ela queria? Choramingar minha saida?

-Hummm, é... basicamente... isso.

- Ham. E por que você tá tão estranho me respondendo isso?

- Estranho? House, não comece com as suas paranóias. O próximo passo é você começar a me espionar e nós todos já sabemos como a história continua. Estou te dizendo: não há nada. Ela veio aqui pra tentar me convencer a pedir pra você voltar, e eu disse que não. Nós discutimos, eu mantive minha decisão, ela ficou puta e foi isso.

- Hum. Ou você está mentindo ou ela não vai me deixar em paz.

Silêncio no escritório.

- Mas eu não posso voltar, Wilson, você sabe.

- Eu sei.- Wilson responde olhando House nos olhos.

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Foreman esperava na sala de Cuddy. Entrando na sala, ela diz:

- Não, Foreman, você não vai dirigir o departamento de diagnósticos.

-Mas eu nem disse nada!

- Mas eu sei que é o que você quer. Porque é um excelente cargo, porque você é capaz, e principalmente... pra mostrar pro House que você pode.

- Não tem nada...

- Tem, Foreman.- ela interrompe.- Tem sim. E enquanto eu der ordens por aqui, nenhum departamento vai ser dirigido para resolver as questões de ego de ninguém.

Foreman vira-se para sair, aborrecido, e pergunta, antes de chegar à porta:

- Quem fica na direção então?

- Você vai saber. Por agora, fique só sabendo que não é por falta de competência que a cadeira do chefe não é sua. Seja você mesmo, Foreman. Esquece isso de mostrar...

Ele sai antes que ela terminasse a frase, o que não a impede de terminá-la.

-...que você pode ser tão bom quanto alguém. Você é bom por si próprio... idiota.- Cuddy suspira.

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Na casa de Wilson, onde estava morando por ondens médicas, House pensava, esparramado no sofá, numa maneira de ocupar seu tempo e sua cabeça, para que nenhum dos dois o levasse ao primeiro Vicodin.

- Querida, cheguei!- diz Wilson, trancando a porta.

House permanece mudo.

- Pensei que estávamos de bom humor hoje.

- Minha perna dói.

-O que seu terapeuta disse?

- Que eu preciso achar algo que eu goste de fazer, pra manter a minha cabeça longe da dor.

- Então, faça isso. Se você quiser, nós podemos...

- Cuddy? Você dormiu com a Cuddy?

- O que? House! O que você está... de onde você tirou isso?

House dá play em um pequeno gravador, reproduzindo a conversa de Cuddy e Wilson...

...\"foi coisa de carência, sexo por sexo. Você estava perdendo seu melhor amigo, eu estava...\"

- House! Como você pôde?

- Eu descobri que meu hobby preferido é espionar. E quis testar a reação de Cuddy sobre a minha demissão quando ela fosse- porque eu sabia que ela iria- reclamar com você. Acabou que minhas investigações revelaram muito mais do que eu podia imaginar... garanhão!

-Não é nada disso, House. É que... aconteceu. Você não está puto, está?

-Puto? Por que eu ficaria puto? O único tipo de relação que eu tinha com a miss blusa justa acabou hoje. Eu só espero que ela não grude nas suas bolas... Sabe como é... a Cuddy não pega ninguém, apesar das roupas de prostituta... Então o primeiro que traçar...

- Para, House, chega! Chega das suas piadinhas agressivas! Aja como adulto, uma vez na sua vida! Eu e Cuddy fizemos sexo, e daí? Não foi nada, NADA! Se você não aprendeu a crescer depois de tudo que passou, então eu realmente duvido que um dia você consiga!

Wilson entra para seu quarto, batendo a porta.House permanece na sala, intrigado.

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Cuddy abre a porta de casa, de robe e camisola.

-House? O que você quer?

O médico permanece parado na porta.

- Entra, mas seja breve. Eu sabia que você ia se arrenpender. Quer saber? Você tem que parar de achar que um dia eu não vou levar esse seu egocentirmo à tona, você não pode fazer o que te der vontade e...

Antes que ela completasse, House a segura pelos braços e a beija, quase que violentamente. Ela tenta reagir, mas antes que conseguisse fingir para si mesma que não queria aquele beijo, se entrega.

Robe, bengala, camisola, calça, camisa, calças... todas as peças de roupa, uma por uma, foram ficando pelo chão, ao mesmo tempo em que o corpo manco de House se fundia ao de Cuddy ali mesmo, no carpete... sem pudor, sem palavras, sem explicações, num ritmo que faria qualquer um duvidar de que ele dependesse da bengala para ir de um lado para o outro.

Sem falar nada, eles adormecem, abraçados. Eles não, Cuddy. House a segurava nos braços enquanto sentia um misto de medo e uma enorme satisfação. \'Ou Cuddy era uma piranha ou realmente não significou nada com o Wilson\', pensava. \'E se ela não for uma piranha, pode ser que isso aqui seja algo a mais... A questão é... eu quero esse algo a mais?\'

Antes que pensasse demais sobre o assunto, dormiu também.

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É manhã. Cuddy acorda sozinha.

Notas finais
[continua...]
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.