I Need Your Love

5 Capítulo 4 - O Fim e o Começo


Notas iniciais
Boa leitura a todos!

— Bom dia, Bela Adormecida! — Minha mãe me cumprimentou, quando eu entrei na cozinha.

Ela estava sentada em uma das cadeiras da mesa da cozinha e cortava, agilmente, algumas verduras. Olhei para o grande relógio de parede a minha frente e me assustei ao perceber o horário. Era quase uma da tarde.

O motivo de acordar tão tarde assim fora o fato de não conseguir dormir após a minha confusa conversa com Finn ao telefone. Caminhei até o banheiro e após realizar minha higiene matinal, voltei para a cozinha e sentei perto da minha mãe.

Suspirei fundo. Eu não consegui disfarçar que estava chateada, por isso – e também porque ela sempre sabia quando tinha algo de errado – ela acabou por notar.

— Pode falar. Estou ouvindo. — Era incrível como ela sabia quando eu queria desabafar, ou quando queria um conselho, ou coisa parecida.

— Eu não sei por onde começar, mãe.

— Eu acho que pelo começo, seria uma boa. — Ela falou e eu ri.

— Eu reencontrei o Finn. — Falei rápido para que não corresse o risco de desistir de contar.

Minha mãe levantou a cabeça para me olhar. Depois, voltou a concentrar-se no que estava fazendo.

— O que foi, mãe?

— O que ele te disse, Rach? — Ela ignorou minha pergunta e me lançou outra. Seu tom era firme e meio preocupado.

— Ele disse que gosta de mim. Disse que eu fui o primeiro amor dele.

Ela levantou-se e foi até a pia. Colocou as verduras em uma panela que estava ao fogo e lavou suas mãos. Voltou para sentar.

— Olha, Rach, você sabe que as pessoas mudam, não sabe? — Eu concordei. Seu tom passara a ser mais terno. Meio condescendente. — Então, eu já ouvi falar que o Finn tornou-se um garoto diferente. — Ela parecia escolher as palavras.

— O que você quer dizer, mãe?

— Que você não deve acreditar nele. Ouça sua mãe. Os meninos, às vezes, lançam mão de algum recurso certeiro para poder conseguir o que querem. — Ela fez uma pausa. Ainda escolhia as palavras e aumentara o nível de preocupação em sua voz. — Possa ser que ele esteja usando o passado que vocês viveram juntos apenas para mexer com você.

— Eu também penso nisso, sabe? — Suspirei. — Mas enfim, eu disse para ele que tinha namorado e que não poderia continuar a conversar com ele daquela forma. Ele preferiu cortar o contato.

— Quem sabe não foi melhor assim? Melhor você esquecer essa história e deixar isso pra lá.

— Verdade, mãe.

Eu dei um sorriso fraco. Melhor seguir o conselho de minha mãe e esquecer o Finn. Ela também sorriu para mim, mas não pareceu muito convencida.

[...]

O final de semana passou correndo e já fazia três dias que eu não tinha notícias do Finn, nem do Jesse. Eu tinha ligado algumas vezes para ele, mas não obtive resposta. Se alguém me perguntasse agora, eu não saberia dizer se ainda tenho ou não um namorado. E bom, eu não estava muito preocupada com isso.

Na segunda-feira acordei bem cedo, mais cedo do que o habitual até. Não queria me atrasar para o estágio, mas não sei se esse foi mesmo o motivo, ou se eu queria logo arrumar algo pra me fazer esquecer certo fantasma do passado. Enfim, eu era assistente em um escritório de contabilidade desde o começo do ano, quando fui selecionada na escola.

Eu gostava de lá. As pessoas eram bastante gentis e na maioria das vezes, minha chefe era agradável. Eu digo a maioria, pois em alguns dias a Sra. Bryan chegava soltando os cachorros no escritório.

Após tomar café, ajeitei minha bolsa e saí de casa. Minha mãe ainda dormia. Olhei para o ponto do ônibus e ele estava lotado. Sempre acontecia isso no início da semana. Era, especialmente, nessas horas que eu odiava ser pobre.

Juntei-me a dezena de pessoas que esperavam a minúscula lotação. Ainda demoraram uns quinze minutos para que ela chegasse já abarrotada de gente. Subimos todos e o desconforto era geral, mas não tínhamos o que fazer.

A viagem demorava cerca de vinte minutos. O que me distraía durante esse tempo, era a música que tocava em meus fones de ouvido brancos. Eu me concentrava nela enquanto cantarolava demasiadamente baixo, sua letra.

Depois de desembarcar do ônibus lotado, ainda teria que andar um pouco para chegar ao escritório. Entrei na residência faltando dez para as oito. Eu sempre era a primeira a chegar. Acendi as luzes e organizei alguns papéis que estavam sobre minha mesa.

A papelada tratava-se da aquisição de uma fazenda em uma cidade próxima a minha. Li o pequeno bilhete que a Sra. Bryan me deixara:

Querida Rachel,

Sabendo da sua competência e qualificação para tal, estou deixando em suas mãos um caso novo. É bastante simples, mas em contrapartida, bastante burocrático. Eu não poderei estar aí hoje pela manhã, então, quando o cliente chegar, às 9:00, espero que você consiga resolver as questões dele.

Atenciosamente,

Nataly Bryan

—Maravilha.— Eu falei com ironia ao ler o bilhete.

Eu sabia o que fazer na teoria, mas nunca tratei de um caso desses, sozinha. Na verdade, eu nunca tratei de caso algum, sozinha. Eu sempre era orientada e supervisionada pela Nataly. Tentei manter a calma e lembrar tudo o que era necessário para realizar a compra, mas a minha concentração fora pelos ares, quando eu li o nome do cliente que me visitaria.

Christopher Hudson, o pai de Finn.

[...]

O encontro com o Senhor Hudson tinha sido tranquilo. Ele não me reconheceu e eu não fiz questão de lembrá-lo quem era. Não tive dificuldades em relação ao processo, pra falar a verdade eu me saí muito bem para uma estagiária. Ele mencionou o nome do filho algumas vezes. Coisas do tipo "Ele será um ótimo advogado" ou "Eu tenho muito orgulho dele".

Cheguei a casa realmente muito cansada. Após sair do escritório, fui para a escola e lá tinha sido um saco. Tomei um banho demorado e vesti um pijama. Jantei com a minha mãe e após assistir alguns programas de televisão e a novela, fui para o meu quarto.

Acendi a tela do celular. Uma nova mensagem, o visor informou. Eu nem fiquei animada, pois certamente seria uma mensagem da operadora do meu celular com alguma promoção "exclusiva".

Mesmo assim fui até o ícone de ler e a mensagem se abriu. Não era nenhum torpedo da minha operadora. Era uma SMS do Jesse. Li rapidamente, pois já fazia algum tempo que não nos falávamos.

Ei, não dá mais. Nós acabamos, Rach.

Um nó se formou em minha garganta e eu quis escrever várias coisas o xingando e dizendo que aquela tinha sido a atitude mais covarde da vida dele. Como pode terminar um namoro de dois anos e meio com uma simples SMS?

Me senti uma estúpida por ter me preocupado com ele e com nossa relação. Eu deveria ter jogado tudo para o alto quando meu coração pediu. Deveria ter aceitado as palavras de Finn. Finn. Meu pensamento foi levado em uma viagem de fatos e acontecimentos. Me arrependi de tê-lo chutado daquela forma. De tê-lo negado um simples encontro.

Fora esses pensamentos e a remota possibilidade de que ainda podíamos ter alguma coisa, que controlou meus instintos raivosos de discutir com o idiota do meu namorado. Ex-namorado, eu digo.

Apenas digitei uma palavra. Sendo totalmente fria como ele.

Ok.

Rapidamente ele inundou a minha caixa de entrada com várias SMS perguntando o motivo da minha frieza. SMS essas, que eu fiz questão de ignorar. Vai entender, não é? Ele é frio comigo e quando eu sou de volta, ele surta. Graças a Deus então, por ter me livrado disso. Tratei de bloquear seu número, para ver se obtinha um pouco de paz.

[...]

Uma e quinze da manhã e meu celular se esgoelando ao som de "Edge of Glory" da Lady Gaga. Minha mão vagou por toda a cama, buscando o maldito aparelhinho. O peguei e atendi sem olhar o visor. Não me preocupei em esconder a irritação em minha voz.

— Alô!

— Eu realmente estava com saudades de você. — Ouvir a voz rouca de Finn no outro lado da linha me provocou arrepios.

Eu acendi meu celular para checar se era ele mesmo ou se eu estava confundindo. Mas antes mesmo de ver seu nome gravado na tela, já tinha absoluta certeza. Tentei acalmar meu coração e colocar um pouco de confiança em minha voz.

— Aconteceu alguma coisa? — Minha tentativa foi falha e minha voz saiu trêmula.

— Sim. Aconteceu que eu sou um idiota e não consegui não ligar pra você. Eu estava com saudades de ouvir sua voz, mas me desculpe, Rach. Eu sei que você tem namorado e eu não deveria, mas... —

— Ele terminou comigo. — O interrompi. Minha voz saindo falhada e rouca.

— Como é? Por quê?

— Não sei. Não fiz questão de perguntar. — Fui ganhando confiança e me sentei na cama.

— Eu sinto muito. — Ele fez uma pausa e voltou a falar. — Mentira. Eu não sinto nada. — Ele disse rindo e eu sorri. Idiota.

— Finn, preciso dormir.

— Tá, amanhã eu te ligo?

— Pode ser.

— Boa noite, Rach.

— Boa noite, Finn.

Notas finais
Deixem o comentário de vocês, please. Preciso saber o que estão achando. Cheirinho!