I Need You - Novas Espécies
26 Pai Incontestavelmente Pai
Notas iniciais
Pai Incontestavelmente Pai
Trisha saiu da sala de operação completamente irritada, e encontrou uma recepção que esperava por notícias. Slade tinha uma cara cansada, e estava machucado, Forest estava abraçado a ele, mas não dormia. Já Salvation estava adormecido no colo do pai. Jericho tinha uma expressão sombria e a encarou. Sua presença alta e forte a intimidaria se fosse outros tempos, antes que ela pudesse dizer algo como um raio Slade deixou Forest e empurrou Jericho em um gesto protetor com sua fêmea.
_Se afaste. — Slade rosnou.
_Ela não reage. Está viva, mas os medicamentos não surtem efeitos, ela perdeu muito sangue, bem próximo ao limite. Tentamos todas as formas de estabiliza-la, mas não funcionou. A bala passou muito próxima ao coração e atingiu o pulmão. Os aparelhos estão ajudando, mas se houver qualquer infecção pode ser fatal. E no estado dela isso é muito provável. – ela disse devagar.
_Oh Droga! – Jericho se afastou e esfregou o rosto e socou a parede com força.
Assustando todos, era possível que tivesse quebrado algum osso.
Trisha estava à beira das lágrimas.
_Mamãe, passa aquela pomadinha nela. Ela ajudou a sarar meu joelho quando eu caí da grade da varanda. – Forest disse apreensivo.
_Não é tão simples assim filho. –Slade disse se abaixando e abraçando o pequeno.
_Ou talvez seja. E se usarmos as nossas drogas. Elas curam rápido. Pode ajudar a recuperação. – Justice disse.
_Ela é uma criança. O que eu fiz foi um creme, para emergência com as crianças. E ela é completamente humana não sabemos se pode dar certo. – Trisha começou a andar de um lado para o outro empolgada.
_Há alguma chance?- Jericho perguntou esperançoso.
_Se decidirmos correr o risco, se administrarmos vagarosamente e ir observando as reações, acho que podemos lidar com possíveis efeitos colaterais. – ela disse e voltou para a porta que tinha saído como um raio.
_Meu filho! Você é um gênio! — Slade abraçou o menino.
_Ainda bem que puxou a mãe! — Justice resmungou.
_Ei cara, precisa de ajuda com sua mão? – Valliant perguntou a Jericho e o telefone de Justice tocou. Todos fizeram silêncio enquanto ele atendia.
_Tem certeza? Absoluta? Moon isso é muito importante. Tudo bem. Vou reportar a todos, e não marque nenhuma coletiva, não vou atender ninguém além do presidente enquanto essas duas estiverem em perigo. Não há boas notícias ainda. Logo que tivermos avisaremos a força tarefa. Jericho esta suportando bem. Até logo.
_E então? – Slade perguntou.
_Localizaram o prédio, e conseguiram invadir. Estava vazio, mas haviam documentos, animais e experimentos típicos de um laboratório. Não localizaram celas. E em uma sala lacrada havia mais ou menos dez corpos, de cientistas, provavelmente mortos com gás tóxico.
_Um suicídio em massa ou queima de arquivo?- Fury perguntou- Desgraçados! Sabiam que não poderíamos pegar eles vivos.
_Logo um dos nossos encontrou uma bomba programada. Tiger conseguiu retirar pequeno felino antes de sair, e Moon um notebook, caído ao chão. Ninguém ferido, mas o prédio e os corpos reduzidos a cinzas.
_Isso é uma merda muito grande.
_Moon me garantiu que não havia outros de nós lá. Prefiro acreditar que Francine foi a primeira e última tentativa depois de anos. – Justice finalizou.
_Vou entrar naquela sala agora e ver a minha fêmea. – Jericho resmungou saindo.
_Não vai ser preciso. – Breeze o parou na porta, o Dr. Gusman está vindo falar com vocês. Esta apenas se lavando primeiro.
Minutos depois o médico entrou na sala onde estavam todos reunidos.
_Conseguimos enfim.
_Ela está fora de perigo? –Jericho perguntou apreensivo.
_Aparentemente sim. Lembram quando disse que o corpo dela rejeitaria o feto? Que o sangue deles eram incompatíveis? Eles se misturaram, a Francine tem sangue NE no organismo. Por isso as convulsões e as dificuldades de coagulação. O organismo dela teve um choque anafilático. Preocupamos-nos tanto com o risco do corpo dela expulsar o feto, que deixamos passar isso. Na eritroblastose fetal o sangue da mãe e do feto é diferente e se o sangue do bebê, por algum motivo, sair da placenta e entrar em contato com o organismo da mãe, ela passa a produzir anticorpos que destroem os glóbulos vermelhos do filho, podendo provocar sua morte. E essa mistura ocorreu durante o parto, porém o sangue NE atacou o sangue completamente humano. E não sabemos as reações desse fato.
_Como assim não sabemos? – Jericho quis saber- O que vai acontecer com a minha companheira.
_Ela está viva, sinais vitais estão ótimos. Creio que se recuperara bem. Portanto é algo para o qual não estávamos preparados.
_Ela terá alguma sequela. É isso? – Justice perguntou.
_Não posso afirmar. Vamos esperar algumas horas e ver como o organismo dela responde.
Nesse momento Trisha voltou correndo com um sorriso enorme.
_Está funcionando. Começamos com doses mínimas, os sinais dela estão melhorando.
_Graças a Deus! – Slade disse e abraçou a companheira.
_O que foi? Porque estão todos em silêncio. É uma boa noticia! Ela vai se recuperar. Oh Meu Deus! Francine? Eu deveria ter ajudado a cuidar dela eu...
_Calma, ela está viva Trisha, você é minha super heroína, mas não poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo. – Slade a consolou — É melhor ir com o Dr. Gusman, você pode vê-la e entender exatamente o que ele explicou e depois nos explicar novamente com suas palavras, tenho certeza de que fará mais sentido para nós. – Slade disse e ela acompanhou o Dr.
_A Mell vai sarar? – Forest perguntou acuado perto do pai.
_Sim, e quer saber. Vamos lá conhecer o irmãozinho dela, assim quando acordar poderá contar para ela como ele é. O que acha?
***
Valliant caminhou lentamente até o parque e encontrou sem dificuldades Jericho sentado sobre o galho de uma arvore baixa.
_Espero que não esteja se escondendo. Te encontrei facilmente.
_Lá dentro está uma loucura. E eu queria ficar sozinho.
_Você tem lhe dado muito bem com isso tudo. Eu não teria a mesma força.
_Eu não tenho forças, eu apenas preciso estar lá. É diferente!
_Não. Não é. – Valliant lhe entregou uma garrafa com água – Você é dócil, consegue lidar com a fêmea e os filhotes.
_Se não estivesse tão preocupado me sentiria ofendido com a palavra dócil usada para se referir a mim.
_Você tem genes primatas, já viu como eles se relacionam bem em grupo? Com os humanos? São violentos sim, ferozes, mas são todos famílias. Se cuidam. E você vem mostrando a junção desses dois lados. Todos estamos orgulhosos de você.
_Não fiz nada para merecer orgulho ou admiração de vocês.
_Queira você ou não ‘’kong’’ você já tem. Vim te buscar, a sua filhote deve acordar em breve. E acho que seria bom que ela te vesse.
***
Seu nariz estava fazendo cócegas e ela tentou levantar a mão para coçar, mas sua mão não saiu do lugar, sentiu-se presa, tentou a outra mão, que chegou até a metade do caminho, mas algo a segurou. choramingou, algo incomodava a suas narinas. Tentou abrir os olhos de uma vez, mas a luz forte a fez fecha-los rapidamente.
_Filhote? Está me ouvindo? Mel? Minha filhote?
Melissa choramingou.
_Papai?
_Oi minha filhote. Estou aqui do seu lado. Está sentindo dor?
_Não, mas isso incomoda meu nariz. O que aconteceu? Onde está minha mãe? Isso é o hospital?
_Sua mãe está sendo cuidada.
_Eu tentei chegar a Tia Trisha, mas... – ela olhou para os lados e tentou se levantar – Ele atirou em mim! Porque ele atirou em mim? — a menina relembrou mais uma vez.
_Você está a salvo. E é isso que importa. Você vai ficar bem.
_Eu quero minha mamãe! – a menina começou a chorar assustada.
_Calma, se você ficar chorando assim, vão querer que você durma de novo.
_Eu quero ver a minha mãe. Ela está doente!
_Vamos levar você até ela filhote, tenha calma.
_Ele a matou? O mesmo homem que atirou em mim? Que disse que era meu pai. Ele matou ela e o meu irmãozinho dentro dela. Ele matou! – a menina se levantou agitada – Ele é meu pai. Ele não estava morto. Agora ele está. Porque ele atirou em mim. Ele machucou meu coração.
_Ele não vai mais te fazer mal! Eu prometo.
_Você é meu papai? De verdade agora?
_Ele nunca foi um pai de verdade para você. Ele a abandonou.
_Você vai me abandonar um dia?
_Não. Sou sua família e você é uma Nova espécie agora! – ele disse docemente e emocionado.
_ Esta bem. Mas agora quero a minha mamãe. Papai Jer quero a mamãe agora!- ela se agitou numa pirraça infantil.
E ele não pode deixar de vê-la como a criança que ela era realmente. Afinal Melissa agia sempre como se fosse mais velha e isso o surpreendia, e aquele momento de infantilidade era esperado, e extremamente comum, porem incomum a maturidade da menina. Também pudera ela havia sido baleada, e ele rosnou a esse pensamento, queria matar mil vezes aquele idiota que a ferira. Sua mente voltou rapidamente a prestar atenção à menina pirraçado em sua frente desligando os monitores que apitaram desesperados, agitada retirou acessos, e tentou se levantar.
Jericho ficou parado, sabia bem o que a pequena sentia, era tomada pelo mesmo pânico que ele sentia. Ele mesmo queria se levantar e se desligar de tudo, dar vazão a sua dor.
Trisha, Slade e muitos outros entraram rapidamente no quarto.
_Mel? – Salvation chamou assustado com as vozes alteradas.
_Sal? Ele matou a mamãe!
_Não matou, ele foi para o médico ter o filhote!- ele disse, e como foi o único capaz de chamar atenção da menina agitada, os adultos abriram caminho.
E o pequeno se aproximou, não precisou da ajuda de um adulto para subir na cama, e abraçou a amiga.
_Não chora. Você não pode ficar mais doente. Estamos esperando você acordar para ver o filhotinho da sua mãe. Eu e o Forest.
_Forest.- ela fungou.
E seus olhos se encontraram com os olhos do garoto um pouco maior.
_Sim, nos vamos cuidar de você o Sal e eu! – ele disse seriamente.
***
Melissa estava sentada na cama, seus cabelos úmidos do banho. Uma enfermeira terminava de trocar as ataduras e reativava alguns acessos, que seriam necessários para hidratação e manutenção de medicamentos. Mas as drogas NE realmente haviam surtido efeitos e a menina estava reagindo rapidamente, e por enquanto sem nenhum efeito colateral drástico uma pequena elevação em sua pressão arterial e sua glicose que foi facilmente controlada.
_Cadê o papai Jericho? Quero ele! — a menina reclamou quando a fizeram deitar novamente – O Salvation disse que eu iria conhecer meu irmãozinho. E você não me deixa levantar.
_Calma, pequenina você não tem noção do quão mal esteve. É uma vitória tão grande te ouvir reclamado que nem vou ficar brava. – a enfermeira brincou.
_Minha mamãe morreu? E ninguém quer me contar.
—Ela não morreu. Estão demorando, porque o pediatra que cuida
do seu irmãozinho não queria permitir que ele saísse de sua ala. Mas seu papai Jericho quis dar neles uns petelecos. E logo eles estarão aqui!- ela disse e a menina sorriu.
_Meu irmãozinho também está doente? Nossa ainda bem que meu papai é forte. Imagina se ele tivesse doente também? Vamos ter que chamar alguém pra ajudar a cuidar da bagunça lá de casa.
_Sim, vão mesmo e seu irmãozinho é um chorão. Ele só para de chorar no colo do Jericho!
_Sério? Mas eu também vou querer o colo do papai Jericho um pouquinho e da minha mamãe. Se esse neném chorar muito... Muito vou dar ele um pirulito. Ai ele fica chupando e para de chorar. – a menina sorriu sapeca, mas ainda podia se notar sua palidez.
_Você não pode dar nada para ele comer isso será função dos adultos.
_Mas e se ele ficar com o bocão aberto? Vou ter que dar um jeito, sou a irmã mais velha. Ele vai ter que me obedecer.
Antes que a menina concluísse seu pensamento a porta se abriu e Jericho entrou seguido por Forest e Salvation.
_Quem tem que te obedecer? – ele sorriu.
_Meu irmãozinho! Meu irmãozinho! Quero ver ele!
_Calma! — Jericho se sentou desajeitadamente na beirada da cama, e ajeitou o pequeno embrulho em seus braços.
Logo tinha três crianças empoleiradas sobre ele. Olhando atentamente o pequenino que estava em seu braço.
Em seu auxilio a enfermeira, abriu o manto expondo as roupinhas do menino.
_O que ele é tio? –Sal perguntou.
_Um NE! – respondeu Forest sabiamente – ele parece com o tio Tiger ou o Valliant. Acho que ele é um felino!
_Sim! Ele é. E estou orgulhosa.
_Ele vai uivar quando eu estiver dormindo? – Mel se preocupou.
_Todos nós uivamos. Papai sempre uiva quando ele e mamãe estão trancados no quarto. – Forest observou.
_Epa! Cheguei bem na hora!- Slade disse entrando – Eu uivo por qualquer motivo, principalmente se s orelhinhas aguçadas do meu filhote estiverem ouvindo o que não deve! – ele se aproximou e Jericho segurava o riso fortemente.
_Ei do que estão falando? – Trisha chegou de banho tomado.
_Só me lembre de ter uma conversa de macho para filhote com nossa cria mais tarde ok?
_Está vendo? Por isso vou querer uma fêmea para mim, para ter meus filhotes e me trancar com ela no quarto e uivar algumas vezes. – Salvation completou o raciocínio do amigo.
_Porque uivam trancados no quarto?- Mel perguntou inocentemente.
_Ainda não sei, bem mas...
_Que tal acordamos o pequeno felino? Ou não querem ver os olhinhos dele? – ela disse com as fases vermelhas desviando o assunto.
E logo as três crianças admiravam os olhos rasos que as encaravam, e disputavam por pegá-lo um pouco.
***
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