I Need You - Novas Espécies
4 Perguntas e respostas
Notas iniciais
Francine lavou o rosto na pia do banheiro, sentia o corpo muito mais firme e o tremor de pânico que sentira nos últimos dias havia passado, estava segura. A ONE não iria machucar ela ou a filha. Pensando na filha precisava checá-la. Encheu a mão mais uma vez e a levou cheia de água ao rosto, e espalhou sobre os cabelos desgrenhados. Abriu os olhos, e sentiu sua respiração falhar.
De pé tomando conta de toda a soleira da porta estava um homem. Tão alto que parecia ser da própria altura da porta. Seus ombros largos poderia impedir qualquer coisa que tentasse passar por ali. Sua pele bronzeada contrastava bem com os músculos bem definidos debaixo da camiseta preta. Não pode deixar de notar o tom moreno de sua pele perfeita. Seus cabelos eram escuros como os olhos dele, e estava a altura dos ombros. Definitivamente os traços fortes a sobrancelha fechada demonstrava que ele não era totalmente humano.
_Esteja pronta para falar fêmea! – a voz soou alta e amedrontadora.
_Onde está Justice North? — não seria uma má ideia rever o rosto conhecido do espécie mais popular e dócil que conhecera e já ouvira falar.
_Ele não virá, ninguém virá! E você falara tudo que sabe. E tem apenas um segundo pra começar.
_Eu preciso me sentar.
Ele fez sinal para que ela saísse do banheiro e ela agradeceu por isso.
Apertou a camisola hospitalar no peito, e se sentou encarando a porta fechada do outro lado do quarto. Fugir dele era uma boa ideia. Mas teria que passar por ele e isso já não a agradava muito. Antes que pudesse se sentar ele continuou.
_Poderia se apressar caso queira ver seu filhote.
_Onde está a Melissa? – ela se alarmou – Quero vê-la agora. – exigiu o encarando.
_Você não a verá. Não antes de me contar tudo. E se mentir fêmea, juro que nunca mais a verá.
_Você está me ameaçando? — ela perguntou olhando para o alto, talvez tivesse alguma câmera de segurança e eles pudessem socorrê-la.
Ele emitiu um chiado, e mostrou os dentes, de forma ameaçadora.
_Não adianta olhar para as câmeras. Eu as desliguei. Somos apenas você e eu.
Francine estremeceu e se sentou. Sua voz soou baixa, mas sabia que ele ouviria.
_Eu não sabia que era embrião de Novas Espécies. Aceitei a proposta porque precisava do dinheiro.
_Você aceitou como uma prostituta barata. – ele a fuzilou com os olhos e apertou as mãos em forma de garras expressando sua raiva.
_Você não tem o direito de falar assim comigo! — ela se indignou- Sou uma mãe solteira, e precisava cuidar da minha filha. Do meu futuro.
_E então decide colocar um Nova espécie no mundo.
_Eu não sabia que era um. – ela disse chateada – Pensei que fosse para algum casal estrangeiro com dificuldade de ter filhos. Que essa criança embora que tivesse nascido de mim, não teria o meu sangue. E que ela teria uma boa vida.
_Como descobriu a verdade?
_Algumas horas depois da inseminação me senti muito cansada. E soube que tinha dado certo. E eles ficaram muito rigorosos. Os sintomas de uma gravidez apareceram muito mais fortes que o comum. E eles designaram uma pessoa pra ficar comigo. Um segurança. Desconfiei e tentei rejeitar. Mas onde eu fosse qualquer passo eles estavam vigiando. Passei um mês assim, tentando entender o cerco, tentei escapar um dia, e acordei com aquela coisa no meu ombro. E então peguei uma conversa do cara que me vigiava, dizendo que eu era uma vadia e que será descartada em breve assim que o filhote de felino estivesse pronto para nascer. E soube que ou escaparia ou eu e minha filha estaríamos mortas muito em breve.
_O que aconteceu com o agente que te vigiava?
_Coloquei um antidepressivo forte na bebida dele. E tão logo ele caiu no sono, sai com a Melissa e liguei pra ONE.
_Fomos a sua casa e não encontramos nada.
_Eu não sei o que eles fizeram. Mas foi isso que aconteceu.
Jericho rosnou alto e se aproximou a pegando pelo pescoço com um único golpe, que a fez gritar.
_Onde eles estão? Como consigo encontrá-los?
_Eu não sei. — ela soluçou.
_Como não? Conte agora.
_Eles não me deixaram ver o caminho. Fui sedada logo que deixei Mel na creche, e só acordei no sofá da minha sala.
_Mentira! Como os encontrou? Como entrou em contato com eles?
_Mandei um email, num site de relacionamentos. Dessas porcarias que qualquer pessoa usa. Eles entraram em contato comigo por um telefone restrito. Eles sempre ligavam. E eu não fui aceita em um primeiro momento por ter uma filha. Agora sei que uma criança seria uma preocupação que eles evitariam. Mas acho que me enviaram a proposta de novo, quando não encontraram mais ninguém.
_Quanto recebeu por isso?
_Cinquenta mil. Mas eu não toquei no dinheiro. Juro. Uma semana depois soube que estava grávida, e o bebê se mexeu dentro de mim. Não pude tocar nesse dinheiro. – ela soluçou com os dedos dele ainda em seu pescoço- Quando descobri que era um nova espécie o amei, e soube que não poderia deixa-lo com eles. Que diabos há com você? Está me machucando. E eu estou falando a verdade. — ela tentou tirar as mãos dele do pescoço dela e percebeu que eram duas vezes maior que a sua.
_Cinquenta mil?
_Já disse que não toquei no maldito dinheiro e não o quero mais. Não vou deixar que essa empresa demoníaca prenda e torture qualquer ser que eu tenha gerado. – ela disse com lágrimas nos olhos.
_Escuta bem. Pois vou dizer só uma vez. Embaixo das salas desse hospital existem algumas salas de interrogatório. Onde nossos prisioneiros são forçados de forma nada gentil a dizerem a verdade. Não queira conhecer esse ambiente. Eu adoraria machucar a sua pele até você dizer a verdade. Gritando e implorando. — ele disse muito próximo ao ouvido dela, e ela sentia o hálito morno.
_Estou dizendo a verdade. — sussurrou por um fio.
_Não. Não está.
Ele a soltou repentinamente. E se aproximou da porta.
_Vá tomar um banho. O cheiro de seu medo é horrível.
A porta bateu a deixando atônita.
Depois de meia hora, os tremores haviam passado embora as ameaças ainda doessem, e a incomodassem. Ela estava sentada na cama, secava seu cabelo. E tentava realmente não chorar. A batida suave na porta a alertou de que não estava mais sozinha. A Dr. Trisha entrou sorridente.
_Como se sente?
_Bem. É a primeira manhã que não tenho enjoos. Depois de muitos dias. – ela disse tentando parecer calma.
_Isso é realmente bom. Se importa se eu checar seus sinais vitais?
_Doutora a senhora viu a minha filha?
_Sim, ela está segura. — a Doutora a examinou rapidamente — Os homens de Homeland estão em polvoroso querendo respostas. Mas vou exigir que seja alimentada primeiro.
_Não tenho fome. Quero falar logo tudo que sei.
_Tem certeza?
_Por favor!
_Vou mandar alguns deles entrarem, lembre-se de que são sujeitões mal encarados e durões. Principalmente se você nunca viu os homens novas espécies. Mas não vão de fazer mal. Pode ter certeza. — Trisha brincou indo para a porta.
Francine sorriu. Não tinha tanta certeza disso.
E realmente ficou chocada com as diferenças semelhanças dos homens com animais. Eles eram grandes e tinham músculos bem definidos. Suas feições lembravam gatos selvagens e cães ferozes. Aquilo não a tranquilizou muito. Mas nenhum tinha os traços daquele que entrara em seu quarto pela manhã. Depois de cumprimentos rápidos Justice fez a primeira pergunta.
_Porque nos procurou?
_Porque eu acho que estou grávida de um bebê espécie.
_Os espécies não podem gerar filhos.
_Não estive na cama com um. Se é isso que querem saber. Eu precisava de grana, queria pagar a faculdade e comprar uma casa.
_Como entrou em contato com eles?
_Um site de relacionamento na internet. Não sou uma prostituta e nunca me vendi. — ela sentiu a necessidade de dizer – Mas a realidade para os negros ao redor do mundo não é tão favorável quanto parece. Eu realmente precisava de ajuda.
_O governo não me amparou quando sai do abrigo aos dezoito, não me concedeu nenhum beneficio quando a Melissa nasceu. Acha mesmo que me ajudaria a entrar na faculdade e a ter minha casa própria. – ela desabafou – Foi um momento de loucura que eu me arrependo amargamente. Achei que se essa criança não levasse meu sangue eu não importaria de vê-la desaparecer sendo levada para outro país.
_Ainda acho que você esteja mentindo senhorita. O semêm se um nova espécie não vivem para fazer uma inseminação invictro. Já comprovamos isso cientificamente.
_Ele mencionou no telefone um projeto chamado AH123.
_Esse foi o projeto inicial que deu origem aos novas espécies. – Justice disse surpreso- Eles estão mesmo tentando criar novos de nós.
_Diga exatamente o que ouviu. — Slade pediu.
_Bom, eu comecei a fingir que dormia para escutar as conversas dele no telefone, tentei acessar o computador, mas não consegui. Ele dizia que estava satisfeito, pois desde 1976, não conseguiram realizar a junção dos DNa humanos com animais. Que a empresa estava falida, e que aquilo renderia milhares de dólares.
_Desgraçados! — muitos dos novas espécies na sala resmungaram palavrões.
_O que foi? – ela perguntou incerta com a reação deles.
_Se eles estão tentando recriar aqueles arquivos de pesquisas e fizer novos experimentos, há uma chance grande de errarem novamente. E nascer pessoas com o lado animal mais aflorado. – Um dos homens disse.
_Isso quer dizer o que? Meu bebê vai ser um tipo deformado? Oh meu Deus!
_Não é isso. Podemos fazer uma verificação, não sabemos muito sobre a gestação de um espécie, mas vamos cuidar de você. Continue nos contando sobre o que ouviu isso é muito importante. Cada detalhe! – Trisha a acalmou -
_Eu comecei a desconfiar. Até que ele disse que precisavam recrutar mais mães de alugueis. E que eu era uma vadia descartável. E que dariam fim em mim tão logo estivesse o animal nas mãos. – ela disse com um soluço – Eu vou cuidar dele. Mesmo que ele tenha alguma deformidade. Simplesmente o quero. Ele é meu filho e ponto final.
_Você não o queria antes. O que mudou?
_Mudou? Mudou que eu fui criada sozinha e não vou deixar um filho meu passar por isso. – ela quase gritou inconformada.
_Ele provavelmente não terá seu sangue ou seus genes. – alguém disse.
_Mas é no meu ventre que ele está. Não é? Eu só pedi ajuda porque não tinha a quem recorrer. Mas se não querem me ajudar apenas me deixem ir. Vou tentar fugir e...
_Você e sua filha seriam assassinadas assim que colocasse os pés para fora das terras da ONE. – Justice disse sério.
_Eu não toquei naquele maldito dinheiro. Vocês podem vasculhar a minha vida. A minha conta, a minha casa, meus documentos. Eu não mentiria, eu só quero que meus filhos sobrevivam a isso. Não me importo se o que tiver dentro de mim for uma ninhada de gatinhos domésticos ou selvagens. — ela explodiu com lágrimas nos olhos.
_Vamos. Ela precisa se alimentar. Quero fazer exames dela mais tarde. Tragam a filha dela. — Trisha ordenou, e todos aqueles tipões começaram a sair devagar.
_Acha mesmo que meu bebê vai ser deformado? Que ele terá mais traços animais do que humano?
_Não. Mas vamos fazer exames que nos deixara mais tranquilos em relação a isso. — Trisha sorriu a fazendo deitar.
_Posso ver a minha menina agora?
_Sim, Jericho ficou de trazê-la em poucos minutos. Ele a levou para tomar café.
_Tudo bem.
Ela disse suavemente, e a porta se abriu.
_Mamãe! – Mellanie gritou ao vê-la.
Francine olhou para a porta animada, mas sua feição foi do amor incondicional pela filha, ao ódio punjente ao ver nos braços de quem ela estava.
A menina parecia ainda menor. Com o corpo agarrado na cintura dele, e uma maça nas mãos.
_Me dê a minha filha!- ela exigiu seria. – Coloque ela no chão! – Francine gritou se levantando.
_Ela não pode ficar de pé. – ele disse com os olhos fixos na fêmea.
Devagar ele caminhou até a cama, depositando Melissa sentada. Só então Francine viu a faixa no pé direito da menina.
_O que você fez com ela? Você a machucou! Desgraçado! Você a machucou! – Francine literamente voou até ele e seus pulsos bateram no peito forte, que pouco se abalou.
_Calma! Francine! – a Dr. Trisha resolveu interferir, ela era uma mulher pequena e estava grávida, mas decididamente ela era corajosa, e enfrentava Jericho de unhas e dentes tentando lhe infligir algum dano.
Mas ele permaneceu parado inabalável, sua expressão fria.
_Jericho! Saia. Por favor! Francine pare com isso! – ela segurou Francine tentando afasta-la.
Jericho relanceou um olhar para Melissa que estava assustada sobre a cama e deu um passo atrás.
_Nunca mais se aproxime dela entendeu? Nunca mais!
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