I Need You
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Pov Beatrice Prior
Abro os olhos assustada gritando e suando. Percebo que foi só um pesadelo, foi só um pesadelo.
– Ei, calma! — diz Christina ao meu lado preocupada.
– Foi um pesadelo... — digo ofegante — Foi só um pesadelo! — olho para minha barriga e ela está como na do sonho, o desespero me atinge novamente
– Cadê meu filho Christina!? — grito desesperada mas ela não fala nada, só contrai os lábios — Cadê ele Christina? Eu quero meu filho! — ela me abraça para conter meu desespero e então paro de me mexer e acabo aos prantos envolvida em seus braços, sinto muita dor pelo corpo todo.
– Eu vou atrás dele! Me solta Chris! — tento tirar as mãos dela de mim para descer da cama mas estou muito fraca. Ela não fala nada, apenas gotas de lágrimas passeiam em suas bochechas — Fala alguma coisa Christina! Que droga cadê ele? Deixa eu ira atrás dele, por favor — digo parando de tentar lutar.
– Amiga... — ela me olha nos olhos — Você escorregou na escada, bateu com a cabeça e desmaiou. Quando você chegou aqui no hospital, começou a sangrar muito, sua pressão caiu e tiveram que fazer um parto forçado... Ele não resistiu aos ferimentos, os médicos fizeram o possível mas... Eu sinto muito.
Minha visão fica totalmente embaçada. Sinto as lágrimas escorrerem a todo momento pela minha bochecha. Agarro Christina e abraço ela com a força que me resta.
– Segundo os médicos, Era uma menininha Tris... — ela cochicha no meu ouvido e eu penso em todos os nomes de menina que eu poderia estar escolhendo agora pra colocar nela, na minha bebê que por minha culpa não está mais aqui.
–A culpa é minha... — digo soluçando — Meu bebezinho morreu e a culpa é minha Christina!
– Não é não! Para de besteira. Você rolou escada à baixo Tris, bebês são muito frágeis, você não teve culpa de ter caído na escada!
– Eu ia ficar com ela Chris... Eu ia cuidar dela; eu só falei aquilo porque... porque eu sou uma idiota e gosto de causar discórdia!
– Eu sei que você ia cuidar dela Tris, eu vi isso nos teus olhos ontem de noite. Mas aconteceu um acidente, ninguém teve culpa. Agora se acalma por favor, não gosto de te ver assim.
Christina ficou me consolando até eu tentar me acalmar o que não ocorreu com facilidade, as enfermeiras tiveram que me dar remédio para que eu me acalmasse.
Quando já estava mais normal e mais calma, pedi que ela não deixasse ninguém entrar, muito menos meus pais; só o Tobias se ele quisesse e é claro que ele quis.
– Beatrice... — diz entrando no quarto enquanto eu estou de pé olhando pela janela a paisagem de fora, eu não estou mais tão fraca. Me viro pra ele que parece cansado e triste.
– Desculpa — digo baixo — Eu não ia entregar ela Tobias, eu não ia... — ele se aproxima de mim e segura meu rosto com suas mãos. Seus olhos castanhos e tristes se afundam nos meus.
– Eu sei que você não iria fazer isso, você deixou isso bem claro hoje de manhã. Foi um acidente, ninguém teve culpa de nada. Eu também estou muito mal por não ter conhecido nossa filha — ele diz com tanta delicadeza que até me conforto um pouco.
– Eu quero ir embora daqui Tobias. Não consigo ficar nesse lugar e ficar lembrando dela, do sonho que eu tive e que eu tenho culpa disso tudo... — ele me abraça forte.
– Nunca mais repita isso. E você só vai poder ir embora depois de amanhã. Mas eu fico com você — diz enquanto estou agarrada em seus braços fortes.
– Não precisa, pode voltar pra sua casa, pra sua namorada, pra sua vida... Você não tem mais que perder seu tempo comigo — digo com os olhos fechados para impedir que as lagrimas caiam, não quero chorar na frente dele.
– Eu não perco tempo quando estou com você — ele consegue me roubar as palavras e então eu fico sem saber o que dizer quando me afasto dele e olho para outro lado onde ele não pode encontrar meus olhos.
– A Drea está aqui?
– Sim, ela está lá fora.
– Pede pra ela vir aqui, por favor- continuo sem olhar pra ele até que sinto minhas lágrimas controladas.
– Tá bom. Fica bem tá? — ele me dá um beijo na testa e eu acompanho com o olhar ele ir embora.
Drea logo entrou no quarto quando Tobias saiu. Fiquei conversando com ela que me ajudou a tomar banho e a colocar outra roupa antes de dormir. Drea tem sido minha mãe.
Dois dias depois tive alta como Tobias tinha dito, minha pressão já estava normal e meu corpo não tinha nenhuma sequela a não ser as as leves dores no corpo e o cansaço, o que era normal. Pelo visto quem pagou todo o pato e sofreu todas as consequências foi o meu pobre bebezinho, ou pobre bebezinha.
Meus pais me levaram pra casa e todos tentaram ficar me agradando o tempo todo, o que eu detestei.
Quando cheguei em casa fui pro meu quarto descansar, eu só precisava pensar em tudo o que estava acontecendo e me estabilizar novamente, não podia ficar assim tão fragilizada, não combina comigo.
☆☆☆
– Vai sair? — diz Christina parada na porta de seu quarto quando passo por ela.
– Não. Na verdade sim eu vou. Vou só dar uma caminhada aqui pelo condomínio sabe, respirar um pouco.
– Ei Tris. Você não teve culpa, tá? E não estou dizendo isso pra te deixar menos culpada, estou dizendo isso porque você realmente não teve culpa.
– Obrigada — dou um sorriso e desço as escadas.
O tempo lá fora está bem frio, pego meu casaco pendurado perto da porta e abro ela.
– Filha? Onde vai?
– Você se importa? — pergunto pra ela mas continuo de costas.
– É claro que me importo! Você é minha filha, porque não me preocuparia? Além do mais, faz quinze dias de sofreu um acidente, bateu com a cabeça muito forte, deu a luz...
– Eu já estou bem, volto rápido — antes de fechar a porta volto e olho pra ela. Vejo Drea na ponta da escada e ela nos encara — Não precisa fingir que se importa, tá? Você nunca se preocupou comigo e tenho certeza que não é agora que você vai se preocupar — ela me olha triste com o pescoço deitado. Seus olhos de culpa me encaram mas não me comovem. Não gosto de tratar mal a minha mãe, mas as vezes tem coisas que não dá pra deixar de falar.
Olho para Drea que arqueia uma sobrancelha e me olha com reprovação balançando a cabeça.
– Mesmo que você ache que não, eu te amo muito. Você é minha filha, filha do homem que eu amo; Não tem porque eu não te amar!
– Não ou mais uma criança e não acredito nas suas mentiras. Boa noite mãe.
Por fim fecho a porta e saio logo de casa, não suporto isso.
Fico na calçada andando devagar mesmo, não tenho pressa. Encaro minhas botas pisando sobre folhas secas e o barulho que fazem me lembra a minha infância, minha doce e fútil infância.
Subo o rosto para olhar o céu e vejo um carro parado em cima da calçada da casa de Lauwren.
Desço na rua pra desviar do veículo e passo do lado dele, quando chego na ponta bem perto do capô, do outro lado vejo Tobias acariciar minha vizinha. Reviro os olhos.
Não dou tanta importância e continuo andando. Será que agora vou ter que me acostumar a ver esses dois se pegando? Aff que merda.
– Ei Tris! — ela grita.
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