I Need You
10 Capítulo 10
Notas iniciais
POV Tobias Eaton
Depois de terminar de me arrumar, peguei meu carro e fiquei esperando Marlene lá mesmo. Hoje ela insistiu que eu a acompanhasse em uma boate, pois nosso pai não queria que ela fosse sozinha.
Alguns minutos e ela apareceu toda contente; eu realmente não quero ir à essa boate, mas só de ver minha irmãzinha feliz eu já até me animo um pouco.
Deixei Marlene se divertindo na pista de dança e fiquei em uma mesa mais afastada tomando algumas doses e mexendo no celular. Posso parecer meio careta, mas nunca fui muito fã de lugares como esses.
Decidi ir ao bar pegar uma saideira, já se passava da meia noite e depois dessa já ia chamar Marlene para irmos embora.
Fiquei tomando minha bebida escorado em uma pilastra enorme perto da pista de dança enquanto olhava as outras pessoas dançar.
Decidi me sentar de novo e enquanto eu mexia no celular uma garota se sentou na mesma mesa que eu, mas parecia nem se importar com minha presença pois a mesma não havia me visto ali.
Ela parecia estar passando mal, cobria seu rosto por completo com seus longos cabelos e com suas mãos.
Me levantei e fiquei de frente pra ela, coloquei a mão sobre seu ombro e como reflexo de toque ela levantou a cabeça na mesma hora e me olhou.
Mesmo na escuridão da boate e com as luzes piscando toda hora enxerguei uma gota de lágrima escorrer em sua bochecha. Seus olhos estavam borrados de maquiagem; ela tinha lindos olhos, olhos os quais eu já havia visto antes. Olhos que me encantaram desde o dia que vi pela primeira vez.
Fiquei paralisado ao vê-la e então a garota se levantou me olhando no fundo dos olhos.
– Beatrice é você? — pergunto olhando ela de cima a baixo.
– Tobias... — ela me abraça apertado e eu sinto todo seu corpo colar no meu. Sinto como se o mundo tivesse parado pra gente; seu abraço, seu cheiro e sua aparência fragilizada mexem comigo, nunca havia visto ela desse jeito.
– Ei, não chora — digo limpando suas lagrimas quando ela se afasta e me encara. Seus olhos parecem firmes e longes ao mesmo tempo, ela não está em sã consciência.
– Eu quero... — ela respira fundo e chora ainda mais — Mas eu não consigo! — abraço ela para conter seu desespero.
– Ei maninho, vamos?... O que é isso? — Marlene pergunta encarando Beatrice de cima a baixo de boca aberta enquanto ela permanece escorada em mim — Ela está bem? - cochicha.
– Marlene, preciso da sua colaboração. Vou pedir um táxi pra você, tenho que deixar ela em casa, não está bem.
– É... tudo bem. Essa é a Beatrice?
– Sim — ela sorri e faz cara de malícia.
– Esperto você em.
– Agora não é hora Mar.
– Tudo bem, vai lá deixar a bela adormecida em casa que eu me viro aqui. Vou pedir carona pra Lynn. Beijo irmãozinho. Nos vemos em casa, ou não– ela se despede e sai.
Pego a bolsa de Beatrice e coloco no braço, logo pego ela no colo e a carrego até o carro, a colocando sentada no banco da frente ao meu lado.
Ela parece mais tranquila, mas ainda está com o olhar longe.
– Tobias... — diz dengosa — Você vai me levar pra onde? Você vai me levar pros meus pais? Eles vão me matar! — diz sorrindo.
– Você está chapada — digo ligando o carro e dando partida — Eu vou te levar pra casa, tá bom? — digo olhando pra ela que me encara como uma criança olha um doce.
– Tobias eu tenho que te contar uma coisa — ela sorri — A gente vai ter um... um, como que fala? — ela começa a sorrir novamente — Ai eu esqueci!
– Fica calma Beatrice, a gente já está chegando- Ela continua olhando pra mim enquanto dirijo. Sempre que posso retribuo o olhar, ela é tão linda que é impossível não ficar admirando.
– Você tem filho? — pergunta
– Não, porque? — começo a sorrir do jeito dela.
– Você quer ter um filho? — antes que eu possa responder ela continua- Ah esquece, ninguém quer ter um filho. Dá muito trabalho.
O que quer que ela tenha tomado, não fez bem. Está muito chapada e fora de si, não tem ideia do que está falando. Ver uma garota como ela neste estado é meio deprimente; ainda sim continuo encantado porque até doidona ela continua charmosa, cheia de vida e com um sorriso encantador.
Cheguei em sua casa e pedi que o porteiro abrisse o portão, ele não negou pois eu já tinha vindo aqui antes e também estava com a Beatrice no carro.
Levei ela no colo pois estava cambaleante, quase caindo no chão.
– Meu Deus! — diz a senhora que estava no hospital outro dia. Sua expressão é das piores, ela fica paralisada — Beatrice! O que você fez com ela? — coloco ela deitada no sofá.
– Eu? Trouxe pra cá antes que alguém fizesse algum mal á ela.
– Quero ir pro meu quarto — ela diz levantando do sofá bem tonta e eu corro para ajudá-la
– Não precisa meu filho, pode ir pra sua casa. Eu cuido dessa sem juízo agora.
– Não, o Tobias... Ele vai me ajudar. Vai dormir Drea — começo a levar ela pra cima, mas acabo optando por levá-la no colo novamente.
Abro a porta do quarto com o pé e coloco ela sentada na cama.
Logo ela deita e começa a chorar sem fazer nenhum tipo de barulho. Tiro seus sapatos e me sento ao seu lado.
– Porque você está assim? Nunca imaginei voce desse jeito — acaricio seu rosto com o dedo. Ela segura minha mão e deita de lado me olhando.
– Minha vida é uma droga. Eu to chapada porque eu não tenho o que fazer com minha vida, eu não tenho ninguém — ela chora e limpo suas lagrimas.
– Eu estou aqui, você não está sozinha — ela se senta na cama e me encara. Seus olhos se fixam nos meus e um calor invade meu corpo.
– Você me dá uns calafrios estranhos pra caramba — diz chorando e sorrindo ao mesmo tempo, e eu acabo sorrindo também. Passo a mão em seu rosto e limpo com a ponta do polegar seus olhos manchados de preto.
– Porque você não vai tomar um banho, pra vê se isso passa.
– Tá bom — diz olhando pra cima com os olhos encharcados.
– E não chora não. É muito ruim te ver assim, mesmo que não pareça isso me doí. Vou sair do quarto pra você ficar a vontade, depois eu volto se você quiser- Ela sorri.
Saio do quarto e desço as escadas.
– Como ela está? — pergunta a senhorinha.
– Está voltando ao normal, mas as emoções estão a flor da pele. Acho bom a gente dá algum remédio pra ela sabe.
– Eu não sei se é correto dar remédio pra ela nesse período de grav... — ela para de falar e me encara — Acho que um pra dor de cabeça não faz mal — ela sorri disfarçando e então a acompanho até a cozinha para pegar o remédio.
Espero passar dez minutos e então bato a porta que quando se abre revela uma linda garota de camisola azul escura com cabelos molhados e bagunçados, ela parece estar mais gordinha. Ela me olha e sorri.
– Está melhor? Trouxe esse remédio pra você.
– Obrigada — ela toma e depois deixa o copo em cima de uma mesinha.
– Pode me explicar agora o porque de tudo aquilo? — Ela se senta na cama e eu me sento ao seu lado.
– Você já se sentiu sozinho no mundo? Como se tudo que você tivesse fossem coisas materiais, coisas fúteis?- Ela começa a chorar de novo — Desculpa. Eu odeio chorar na frente das pessoas, você deve estar me achando uma idiota.
– Não, claro que não. Não te acho uma idiota, te admiro muito.
– Você não precisa ficar aqui, eu não mereço sua companhia, não mereço mesmo– diz limpando os olhos. E então acabo com a distância entre a gente abraçando ela sem falar nada, acho que não tenho o que falar nesse momento.
Beatrice ainda está um pouco fora de si, mas tudo o que diz é verdade, posso sentir isso quando olho seus olhos cheios de sofrimentos.
– Bem... Eu acho que você já está bem melhor. Eu não quero te atrapalhar então eu já estou indo- digo sem jeito afastando cuidadosamente o cabelo dela de seus olhos.
– Não! Fica comigo, não me deixa sozinha- diz com os olhos mais cheio ainda e então me abraça. Me sinto na obrigação de atender o seu pedido, não que seja ruim, muito pelo contrário é quase um sonho que eu realizo.
Tiro meu sapato e minha blusa, me deito em sua cama e ela se deita com a cabeça no meu peito. Passo o braço pelo seu pescoço e encosto meu rosto eu sua cabeça.
– Obrigada Tobias– É a última coisa que diz antes de apagar.
☆☆☆
Acordo de manhã e não a vejo na cama, levanto assustado achando que já deve ter fugido mais uma vez e me deparo com a porta do banheiro aberta e a luz ligada.
Começo a me aproximar de vagar até que ouço um barulho de alguém vomitando e corro para dentro do banheiro.
– Beatrice! — vejo ela ajoelhada em frente ao vazo vomitando; sem pensar duas vezes me abaixo e seguro seu cabelo enquanto ela coloca tudo pra fora — Meu Deus o que foi que te deram!? — Pergunto muito preocupado.
Ela passa a mão na boca e se levanta com minha ajuda.
– Meu Deus! Beatrice eu vou ligar para o doutor! — diz Drea aparecendo no quarto — Segunda vez que você fica no banheiro vomitando! — ela limpa a boca e as mãos na pia.
– Você levantou antes pra vomitar? Porque não me acordou?
– Não se preocupa não Tobias. E você não vai ligar pra doutor algum! — ordena.
– Eu vou sim! E mesmo que depois você me demita eu vou ligar. Beatrice olha sua situação, não pode sair por aí bebendo qualquer coisa não. Se não fizer por você, faça por ele! — ela sai do quarto e fico confuso.
– Ele quem? — pergunto e ela fica vermelha.
– Meu pai. Ele não gosta que eu beba. Tobias você precisa ir embora- Ela diz preocupada.
– Te deixar aqui nesse estado? Não mesmo.
– Por favor Tobias! Você não pode ficar aqui, você não tem porque ficar. Eu não mereço sua preocupação.
– Tenho sim — coloco minhas mãos em seu rosto e olho em seus olhos — Beatrice será que você ainda não percebeu que eu quero você? — ela tira cautelosamente minhas mãos de seu rosto e seus olhos enchem.
– A gente não pode ficar junto Tobias. Você merece alguém melhor, bem melhor que eu.
– Eu não quero ninguém melhor que você. Eu quero você!
– Não Tobias. Será que você não entende? — ela chora e fala desesperada — Não perca seu tempo comigo, vá embora por favor. Eu não posso te fazer feliz. Sou um caso sem solução, uma pessoa sem sentimentos.
Fico olhando pra ela. Minhas esperanças se acabam mas ainda ficam pequenas coisas dentro do meu peito me pedindo pra continuar. Decido ir embora, já que ela quer assim eu não posso obriga-la a nada.
– Tobias! — ela diz antes que eu saia do quarto e então me viro. Ela se aproxima — Obrigada por tudo e me desculpa — dou um sorriso fraco.
– Tudo bem. Não vou mais voltar a te incomodar.
– Você... Não... — ela trava na fala mas acaba virando de costas e então vou embora com meu sapato e com minha blusa nas mãos.
Não acredito que depois de tudo, ela me diz que não tem sentimento.
Que bela desilusão amorosa eu arranjei.
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