I Need You

1 -Capítulo Único-


Notas iniciais
Bem, essa fic foi inspirada na música I Need You - Lynyrd Skynyrd. Quem se interessar e quiser ouvir, tá aqui o link:
http://www.youtube.com/watch?v=raVMb0xhRsI

Quem quiser ler minha outra fic que está em andamento, está aqui o link:
http://fanfiction.com.br/historia/444510/Give_Me_Love/

SINOPSE: Sakura é um anjo que ganha asas sete dias depois de seu aniversário de dezessete anos. Estava longe de casa, procurando esconder-se de seu pai e de todos. Até que conhece Sasuke, o que acaba que por mudar sua vida. Acaba sabendo de uma possível guerra entre seres Celestes e seres Impuros, e sabe com o passar do tempo que Sasuke sabia demais sobre essa Guerra. O que não sabia, era que sentimentos inesperados apareceriam, tanto nela quanto nele no meio de tanta confusão.

[..] "- Que eu estou estupidamente apaixonado por você, sua idiota! - ele estava literalmente com raiva, pois ouvi algo caindo e se espatifando no chão do outro lado da linha. - Eu não acredito que eu disse isso. - ouvi-o sussurrar." [...]

Bem... é isso. Boa leitura ♥

I Need You

-Capítulo Único-

Por JefCokkie

Num movimento rápido, ele flexionou os fortes joelhos e saltou, com um impulso sobre-humano. Era a primeira vez que ele se sentia daquele jeito, como se ele não corresse contra o tempo, sua vida iria se esvairir — e iria, se não chegasse a tempo. Não se importou quando um forte galho quebrou-se com o impacto de seu ombro, na velocidade que vinha, tudo o que conseguia ver eram os olhos dela piscando para ele em sua mente, dizendo em palavras sem som que ela não queria fazer aquilo, mas era obrigada, pois ele já não se importava mais com ela — na verdade ele nunca havia se importado, era o que ela pensava.

Estava mais do que na hora dela seguir com sua vida, mas ele não entendia o por que de estar se sentindo tão furioso e com medo, depois de tanto tempo.

Medo.

Fazia um bom tempo que ele não provara mais daquele sentimento. Ele havia banido o medo de sua vida, e pretendia nunca mais deixá-lo entrar novamente... Até receber aquela carta. Maldita carta.

Ele pegou o envelope amarrotado que havia amassado na hora da raiva e tirou o papel de dentro, junto com outro papel, cujo era mais duro e macio.

Desdobrou a carta e então sentiu seu coração se apertar, não podia perdê-la.

Parou subtamente de correr e pousou no chão, sem se importar em fazer silêncio. O barulho abafado do impacto de seus pés com a terra seca tornou-se um tanto alto.

Seus olhos negros foram então até a primeira linha, lendo-a novamente, depois de quatro vezes que havia recebido anteriormente. Olhou para as casas vazias do Distrito que um dia fora sua verdadeira casa e então sentou-se encostando-se numa árvore.

Esticou o papel e respirou fundo, tomando coragem para prosseguir e reler aquelas palavras novamente. Seus olhos foram para a folha.

"Ei, eu já disse o quanto você me irrita? Pois é, me irrita profundamente. E eu devo dizer que durante todos esses anos eu guardei cada palavra que você dirigiu à mim, sempre cravadas em minha mente, minha alma. Não foi fácil ver você partir, e eu pensei que pelo menos quando você voltasse, seria fácil deixar tudo o que passamos para trás e então recomeçar uma nova vida. Mas não foi. Eu não consigo me livrar deste sentimento, como nunca consegui olhar para outro homem, do mesmo modo em como olho para você. Palavras se formavam em minha mente, sobre o que eu diria para você quando eu finalmente o encontrasse. Mas elas simplesmente não saíram. Sempre fui a garota fútil, completamente apaixonada, sem me dar conta de que eu deveria parar para cuidar de mim mesma, pelo menos uma vez. Você sempre tomou meus pensamentos, todo santo dia. Era difícil me concentrar em outra coisa que não fosse você, em como você estava, se você estava ferido, se precisava de alguém. Eu sempre quis ser a pessoa que você olharia e tomasse para si, mas não mais. Eu sei, estou sendo covarde escrevendo isso e mandando para você quando eu deveria dizer isso olhando diretamente nos seus olhos... Mas acontece que eu cansei, Sasuke. Eu nunca pensei que teria de seguir com a minha vida sem você, mas é a vida. Você provavelmente deve estar rindo de mim por eu ser tão estúpida a ponto de escrever isso sabendo que você não se importa com a minha existência. Pode rir, eu já não me importo mais. E, só quero que saiba, que por mais que sejamos tão diferentes, você ainda pode contar comigo sempre que quiser.

Sakura" .

Sentia uma imensa vontade de amassar aquele papel e gritar. Gritar como se não houvesse o amanhã. Ele não conseguia encontrar uma resposta concreta e nem superficial para o que ele estava sentindo naquele momento. Aquilo simplesmente doía.

Pegou o papel menor, cujo era mais duro e o olhou. As belas letras elegantes escritas e saltadas em dourado, numa bela mordura desenhada.

"Uzumaki Naruto e Haruno Sakura o convidam para seu casamento. Eles contam com sua presença.".

Sua respiração se acelerou e mais uma vez sentiu falta de ar. Colocou a mão sobre o coração e deu um forte soco ali, numa tentativa vã de se livrar daquela dor maldita que não reconhecia.

Estaria ele tendo um infarto?

Não.

Olhou para o céu, encostando com a cabeça na árvore até que o céu embaçou-se. Arregalou os belos olhos negros subitamente, não entendendo o que estava acontecendo. Ele realmente estaria a ponto de ter um infarto? Mas ele ainda tinha uma vida inteira pela frente, ele não poderia morrer naquela hora. Não mesmo!

Foi então que percebeu o que estava acontecendo. Como se nunca tivesse passado por isso, ele levou dois dedos a um de seus olhos e tocou num canto úmido. Aquilo era... Lágrimas?

Olhou estático para a ponta de seus dedos molhados enquanto seu peito subia e descia tão rápido quanto ele podia imaginar ser possível.

Sim, Uchiha Sasuke estava chorando.

~I NEED YOU~

Os olhos azuis do loiro brilhavam de modo malicioso e divertido. Havia ansiedade em seu olhar também, cujo ele não estava conseguindo esconder nem um pouco. Ele nunca fora bom em esconder nada, e não seria naquela hora que conseguiria. Ele estava com seu cabelo loiro bagunçado, o dando um ar charmoso. Depois de anos de tanto treino, já era hora de tornar-se mais atraente. Seus olhos ainda eram os mesmos, mostravam sempre a simplicidade e a força de vontade que ele tinha dentro de si. Ele ainda era Uzumaki Naruto, e nunca o deixaria de ser.

- Será que isso vai dar certo? — Ino perguntou prendendo os belos cabelos num coque no alto da cabeça, devido ao calor que fazia naquela tarde.

- Mas é claro que vai — Naruto respondeu deitando-se no sofá de couro marrom da Yamanaka, colocando as duas mãos em baixo da cabeça.

Ino arqueou uma sobrancelha e bufou.

- Estou dando minha cara a tapa por isso, Naruto, e se algo der errado tenha plena consciência de que eu vou atrás de você até no inferno — A Yamanaka vociferou.

Naruto revirou seus belos olhos azuis.

- Calma, estressadinha. Vai dar tudo certo. — e abriu seu costumeiro sorriso, só dessa vez cheio de divertimento e malícia.

- Mas e se alguém desconfiar? — Ino puxou uma cadeira que estava encostada à mesa e sentou-se na mesma, cruzando as belas pernas torneadas.

- Ninguém vai desconfiar, Ino — replicou o loiro, bufando.

Ino mordeu o lábio inferior, demonstrando sua insegurança.

- É bom que dê certo — ela disse com um tom ameaçador.

Naruto ignorou.

- A Sakura-chan vai chegar essa noite da missão — o loiro disse olhando para o teto de modo pensativo.

Ino arregalou os olhos.

- Hoje?! — ela levantou-se de imediato.

Naruto virou a cabeça e a fitou.

- Sim, algum problema?

- Eu pensei que ela viria amanhã! — ela colocou as duas mãos na cabeça e sentou-se novamente na cadeira, apoiando seus cotovelos em seus joelhos.

- Eu falei que ela viria hoje, loira — Naruto voltou a olhar para o teto.

- Não me chame de loira! — ela vociferou, irritada.

- Qual é o problema? Você é loira — ele murmurou.

- Você também é! — grunhiu.

Naruto virou a cabeça e a encarou com incredulidade.

- Ino, estou ficando realmente preocupado com você. Tem certeza de que não quer ir ao psicólogo? Acho que você tem desvio de personalidade.

Ino tirou o simples chinelo de dedo que estava usando e o arremessou contra o loiro.

- Ittai! — ele mostrou-lhe a língua.

- Tira os pés do meu sofá, seu loiro! — ela vociferou.

Naruto revirou os olhos.

~I NEED YOU~

Um suspiro involuntário escapou de seus lábios rosados ao parar no portão da Vila. Por que se sentia tão triste naquele momento? Não era para ela estar feliz ao chegar finalmente em casa depois de duas longas semanas em Suna, colhendo ervas medicinais para cuidar de Temari, que fora ferida por um criminoso procurado? Ela finalmente poderia chegar em casa, tirar as sandálias que estavam tanto lhe machucando e finalmente tomar um banho demorado com seu shampoo de cereja preferido e usar apenas sua camiseta amarrotada que lhe caía como vestido para dormir.

Ela deveria se sentir feliz àquela altura. Fora prestigiada no festival de Verão em Suna pelo próprio Gaara, como a melhor médica de Konoha após cuidar de Temari. Estava finalmente sendo reconhecida por seus esforços.

Respirou fundo e então entrou na Vila, passando pelo enorme portão. Como de costume, o ninja que ficava de sentinela no portão a cumprimentou, como o que ficava do outro lado do portão também. Apenas fez um breve aceno com a cabeça e forçou um sorriso.

Sorrir naquele estado a irritava profundamente, mas era melhor do que ter que lidar com pessoas e mais pessoas lhe perguntando o que tinham. E ela sabia que muitas das pessoas apenas perguntavam se ela estava bem apenas para saber sobre sua vida, não porque realmente se importava.

Atravessou a Vila, sendo sempre cumprimentada, e toda vez forçava um sorriso para parecer que estava bem, apenas estava cansada.

Desculpas e mais desculpas.

Chegou em casa mais rápido do que previra, e isso a alegrou de certa forma. Agora ela poderia retirar aquela maldita máscara e demonstrar como realmente ela estava. Entrou em casa o mais rápido possível e trancou a porta. Por um momento, deixou sua mão parada do jeito que estava na chave e então encostou a testa na fria madeira da porta, sentindo um leve refresco por estar calor daquela forma.

Largou a mochila no chão e retirou as sandálias ninjas, suspirando de alívio ao sentir seus pés livres. Tirou o colete que era obrigatório, já que agora não era mais uma Chunnin. Jogou o colete verde no chão e começou a desabotoar a camisa branca que usava como médica, a jogando na escada quando começou a subir. Retirou a malha ninja também e jogou em mais um dos degraus. Apenas um sutiã preto de renda cobria seus seios, os comprimindo de modo tímido. Dobrou o pequeno corredor e seguiu para o único banheiro que havia ali. Retirou a calça ninja negra após retirar a faixa que sempre ficava enrolada em sua perna direita e a jogou em frente ao banheiro, para logo depois tirar o curto short preto que usava por baixo.

E então estava nua. Completamente nua.

Puxou a porta do box de vidro fosco, deslizando-o para abrir a passangem para poder entrar para debaixo do chuveiro. Ajustou o aparelho no gelado e girou a válvula, e logo a água começou a jorrar. O contato da água fria com sua pele quente a fez estremecer, mas logo seu corpo se acostumou. A água lhe grudavam alguns fios róseos na testa clara da mesma. Ele ergueu a cabeça com os olhos fechados, deixando a águar cair em seu rosto e descer por seu corpo quente.

Sakura já não era mais uma garotinha, agora ela era uma mulher, por mais que ela não pensasse assim. Desde que havia superado sua mestra e conseguido a formar a mesma pedra pequena verde em sua testa, seu corpo havia mudado. Seus seios cresceram mais do que deviam, em sua opinião. Não eram apenas mediados, eram fartos e completamente redondos. Sua cintura afinara mais e seu quadril se alargara. Suas pernas ficaram mais torneadas do que já eram e seu rosto amadurecera também. Os traços infantis haviam sumido completamente, dando espaço apenas para seu rosto mais maduro e mais belo do que nunca.

Sakura havia tornado-se uma visão para os homens. Não era mais enxergada como discípula da Hokage, e sim como Haruno Sakura, a melhor médica ninja de Konoha. Ela estava mais do que satisfeita com isso.

Mas ainda sim, ela se perguntava por que é que uma dor tão estranha tomava conta de seu peito.

~I NEED YOU~

Socou mais uma vez a árvore e então forçou o chakra necessário para realizar o Chidori. Ela estilhaçou-se, as farpas voando pelo ar lentamente, enquanto a parte de cima da árvore caía fazendo um estrondo barulhento no chão do campo de treinamento. Haviam quatro horas que ele estava ali, socando árvores e mais árvores, como se elas tivessem culpa do modo que estava se sentindo.

Apoiou as mãos nos joelhos flexionados e procurou acalmar sua respiração. Baixou a cabeça e então olhou para o chão, sentindo seus olhos úmidos.

- Não! De novo não! — bradou com raiva enquanto enxugava seus olhos com força desnecessária.

Desde que derramara a primeira lágrima quando releu aquela carta, parecia que uma fonte de lágrimas havia brotado, pois quando ele menos percebia sentia seu rosto molhado numa trilha desdenhosa de uma pequena lágrima.

- Até quando você vai continuar desse jeito, Sasuke? — uma voz masculina que lhe era familiar soou atrás de si.

O Uchiha fiscou fortemente, mandando as lágrimas que ainda não haviam saltado para fora de seus olhos para dentro novamente. Pelo menos dessa vez teve sucesso.

Virou-se abruptamente, deparando-se com seu antigos Sensei sentado no chão com seu costumeiro livro em mãos.

- Do que está falando, Hatake? — Sasuke assumiu uma posição dura, seus ombros tensos.

Kakashi suspirou de modo sarcástico.

- Você é um estúpido, sabia? — o Hatake disse e então levantou-se modo vagarozo, como se estivesse saturado.

Sasuke apertou os olhos, o olhando de forma irritada.

- Veio aqui apenas para me atormentar? Por que é que você não vai ler seu livro de hentai em outro lugar? Estou ocupado — ele virou-se e começou a andar em direção a uma grossa árvore.

A risada de Kakashi soou desafiadora, mas isso não fez com que o moreno parasse de andar.

- Sabe o que é engraçado, apesar de tudo? — Kakashi olhou para o moreno que ainda andava e então começou a andar, o seguindo.

- Não e nem quero saber — bradou o Uchiha.

- Você nunca falou uma frase tão grande num fôlego só em todo o tempo que o conheço, não desse jeito irritado — Kakashi murmurou e riu.

Sasuke não respondeu, apenas parou em frente a arvore que começaria a socar e pegou a faixa que estava enrolada em sua coxa direita, enrolando-as em suas mãos.

- Você é um péssimo perdedor — Kakashi o provocou, com seu sorriso de canto divertido escondido atrás da máscara escura.

Sasuke virou-se e encarou-o.

- Do que está falando, Hatake? — sua voz soara tão cortante quanto uma adaga afiada.

- Você sempre faz a sua birrinha quando não ganha — Kakashi murmurou pegando seu livro novamente.

- Ainda não entendi — o moreno olhou o ex-Sensei mais atentamente.

Kakashi riu, mas não o olhou.

- Presumo que você precisa dizer algumas palavrinhas com uma certa irritante.

As mãos de Sasuke fecharam-se em punhos e ele virou rapidamente, desferindo um forte soco no tronco duro da árvore.

- Uh, parece que acertei — era inconfundível o humor que havia na voz do Hatake, o que irritou mais o Uchiha, fazendo-o desferir outro golpe na pobre árvore.

- Por que é que você simplesmente não vai embora?! — ele praticamente gritou quando então girou com a perna para cima, logo acertando a árvore novamente.

Kakashi elevou seus olhos para o Uchiha e suspirou.

- Você está sendo covarde, como sempre foi. Você foi embora, você a deixou. Ela tem todo o direito de seguir com a vida dela, enquanto você agora vai agir de modo mais hipócrita ainda, mesmo não tendo nada haver com a vida dela — Kakashi despejou, vendo o moreno parar de desferir golpes na árvore.

- Por que está me dizendo isso? — Sasuke não se virou.

- Eu vi você chorando — Kakashi escondeu o humor em sua voz, só Kami-sama sabia o quanto fora épico ver o Uchiha chorando.

Para Kakashi, era como uma casca. Uma casca que era quebrada apenas por uma pessoa que ele conhecia bem, e que tinha um nome de flor tão lindo quanto a mesma. Sasuke sempre mantera a pose de durão insensível, e vê-lo tão vulnerável e ainda por cima derramando lágrimas que ele nunca imaginou estar vivo para ver... Fora realmente surpreendente.

- Eu não estava chorando — a voz do Uchiha soara fria, mais do que o normal.

Kakashi soltou uma risada alta dessa vez.

- Sasuke, chega de desculpas — dessa vez, a voz de Kakashi soou fria e tão cortante quanto a do Uchiha — Você não é mais uma criança, então pare de agir como uma. Sabe que ela sempre foi completamente apaixonada por você, você teve milhares de chances que Naruto sonhava receber. Você não o direito de agir desse jeito, como se isso importasse a você mais do que qualquer outra coisa. Pelo menos ela fez uma escolha certa na vida amoroza dela: ela finalmente escolheu dar uma chance a um homem de verdade, e não a um moleque.

O moreno sentiu verdadeiramente o impacto daquelas palavras — mais do que deveria até. Sabia muito bem que Kakashi estava certo, mas erão tão difícil de admitir... Abriu a boca para falar, mas quando virou-se ele não estava mais ali.

~I NEED YOU~

O loiro olhou para as roupas da rosada jogadas pelo caminho com uma sobrancelha arqueada.

- Estou descendo — ouviu ela gritar de um comôdo do andar de cima.

Ele apenas esperou, encostando-se à parede perto da escada. Logo a rosada apareceu no topo da escada, vestida apenas com uma toalha enrolada debaixo dos braços. Ela não se importava que Naruto a visse daquele jeito, afinal, os dois eram simplesmente íntimos.

- Santo Kami, Sakura-chan! Você ainda não se trocou? O festival vai começar daqui a pouco!

- Desculpe, eu vou demorar um pouco, vou ter que ver a roupa, arrumar o cabelo e...

- Certo! — ele suspirou — Coisas de mulher! Argh!

- Uhum — e ela riu, depois saindo da visão do loiro.

Naruto olhou para as roupas espalhadas pelo caminho novamente e riu.

- Você é uma bagunceira — ele disse alto para que ela ouvisse de onde estivesse.

- Não me culpe! Está um calor dos infernos! — ela falou alto também, a voz ecoando nos cômodos.

Naruto subiu metade da escada e pegou a camisa branca de botões que ela havia deixado. Pegou o colete, as sandálias e deixou sobre a pequena mesa que ficava perto da porta e subiu para pegar o resto. Foi inevitável não corar quando pegou o sutiã de renda preto que estava jogado no chão em frente ao banheiro. Ergueu-o, o segurando pela alça, com uma sobrancelha arqueada.

A campainha melosiosa soou um suave ding-dong.

- Naruto, pode atender para mim? — Sakura perguntou do quarto que estava com a porta fechada.

- Pode deixar — ele disse e então desceu as escadas. Chegou perto da porta e espiou pelo olho mágico.

Não pode deixar de ficar completamente surpreso. Do outro lado da porta estava Sasuke, de costas para a porta, com as mãos enfiadas nos bolsos dianteiros da calça negra que trajava.

Os lábios do loiro se desgrudaram, formando um O perfeito. Foi então que lhe ocorreu uma ideia.

Ele abriu quase todos os botões de sua camisa, bagunçou seus cabelos, deixando-os completamente desgrenhados e sugou seu próprio lábio inferior, o deixando levemente inchado e vermelho. Sorriu e olhou para o sutiã negro em suas mãos.

Respirou fundo e depois respirou com mais rapidez, enquanto abria a porta. Sasuke virou-se no mesmo instante em que ouvira a porta se abrindo.

Aquilo não podia ser pior para o moreno.

Os olhos negros do moreno varreram o loiro de cima a baixo, temendo ter acontecido o que estava passando em sua cabeça — que no momento estava muito perturbada. Incomodou-se com o peitoral de Naruto à mostra, os botões abertos, imaginou se fora a rosada cujo os abriram. Tremeu só em pensar naquilo. Então os olhos negros de Sasuke desceram para a mão esquerda do loiro, deparando-se com o sutiã negro de renda. O corpo de Sasuke simplesmente ficou tenso, realmente não sabia o que estava acontecendo consigo.

Naruto sorriu, parecendo estar constrangido e jogou o sutiã para dentro da casa.

- Oi, Teme — Naruto o cumprimentou.

Sasuke percebeu o leve inchaço no lábio inferior do loiro e sentiu uma pontada de raiva. Será que fora mesmo a rosada que fizera aquilo no loiro? Por que aquilo estava lhe incomodando tanto? Sasuke não olhou mais para o loiro, simplesmente não conseguia.

- Eu... — Sasuke pigarreou, limpando a garganta para prosseguir — Eu só vim para perguntar a data do casamento.

Naruto piscou, quase tossindo. O loiro segurava a imensa vontade de rir de seu amigo. Naruto podia ser simpático e muitas vezes ingênuo, mas sabia quando Sasuke mentia e reconhecia ciúme muito bem quando estava bem à sua frente.

- Está no convite, Teme — Naruto cruzou os braços e se encostou no batente da porta.

Sasuke tentou não demonstrar o quanto estava se sentindo um completa idiota naquele momento.

- Ah — ele pigarrerou novamente — Então eu já vou indo. Mande lembranças à Sakura.

E dizendo isso saiu em passos largos e rápidos, duros e um tanto rudes.

Naruto finalmente riu. Sasuke usara a desculpa mais esfarrapada que ouviu em toda a sua vida. Ninguém mandava um convite de casamento sem data, era óbvio.

Sasuke era realmente difícil de entender.

~I NEED YOU~

Ino arrastava Hinata de um lado para o outro, procurando pelo loiro e pela rosada, mas nada deles chegarem.

- Procure por aquele lado que eu procuro por este, Hina — a Yamanaka disse e a bela garota dona dos olhos perolados assentiu.

Ino seguiu para o lado das barraquinhas que estavam montadas, inclinando-se e pulando, tentando enxergar Naruto ou Sakura, mas nada de encontrá-los.

- Ela está na barraca de rámen — a voz do loiro foi ouvida atrás de si. A Yamanaka deu um pulo, se sobressaltando.

- Ai, que susto, menino! — ela colocou uma mão sobre o peito.

- E agora vamos para a parte B do plano — ele ergueu uma mão e a Yamanaka sorriu, batendo na mão do mesmo.

- O que eu tenho que fazer agora? — perguntou a loira, veemente animada.

- Apenas à leve até a arvore de cerejeira — Naruto disse e a loira assentiu — Como hoje é o festival de Verão em Konoha, há muitas pessoas perto da ponte, espere pelo meu sinal e então você tem de agir.

Ino piscou, assentindo.

- Qual é o sinal mesmo?

Naruto revirou os olhos.

- Vou mandar um clone meu para lhe avisar de longe, enquanto faço o restante do plano.

A loira assentiu.

- Vamos lá — Naruto disse e então saiu na direção oposta em que a loira se virou e começou a andar.

Naruto seguiu até quase o final do festival, onde a entrada estava aberta e mais pessoas entravam. Não via o moreno, mas sabia que ele estava ali. Andou até que então enxergou a garota dona dos olhos perolados que tanto amava. Um sorriso bobo formou-se em seus belos lábios que agora eram sedutores e aproximou-se da bela garota, que trajava um vestido simples que lhe moldava a bela cintura e lhe ressaltava os seios fartos. O pano cinza arroxeado do vestido era leve, um pouco justo na cintura e completamente solto no resto. As alças um tanto grossas se destacavam em sua pele clara, num constraste realmente belo de se apreciar.

Hinata estava simplesmente linda.

Parou atrás da garota, que parecia procurar algo e inclinou-se, levando seus lábios bem perto de seu ouvido.

- Você está linda, Hina — a voz de Naruto soou simplesmente sedutora, o qual nunca poderia imaginar ser.

A garota sobressaltou-se, sentindo um arrepio correr-lhe desde a cabeça à ponta dos dedos dos pés. Ela virou-se, e o encarou, sua face veemente ruborizada.

- N-Naruto-kun — gaguejou a mesma.

Naruto não podia negar que amava a maneira como ela gaguejava quando ficava constrangida. Era tão fascinante o modo como ela conseguia fazê-lo apreciar cada parte de si, como nunca fizera antes com ninguém.

- Estava procurando alguém? — o loiro perguntou, ainda com o sorriso de canto repuxado em seus lábios.

- Sim, v-você — ela disse baixando o olhar envergonhado — Ino pediu para lhe procurar.

- Já me resolvi com ela, mas agora preciso que me ajuda a encontrar Sasuke — ele disse coçando a nuca.

Hinata ergueu o olhar para o mesmo.

- Eu o vi perto da barraca de tiro ao alvo — Hinata comentou e o sorriso de Naruto se alargou.

- Obrigado, Hina! Já volto! — o loiro de inclinou e beijou-lhe a face.

Hinata nunca corou tanto como havia corado naquele momento. Seu rosto angelical estava repuxado numa face de surpresa.

O loiro lhe sorriu e foi passou pela multidão de pessoas com agilidade, procurando não esbarrar em ninguém. Não havia se acostumado com as garotas que agora o insinuavam para um leve conhecimento recípocro numa cama. Depois de tanto treinar para tornar-se forte, ele se tornara o tipo de homem que as mulheres agora desejavam. Agora que ele era visto como o herói de Konoha, o que não lhe faltava eram mulheres, e mesmo que houvesse muitas, só tinha olhos para uma.

Sorriu ao lembrar-se do rosto corado da garota ao dar-lhe um beijo na bochecha alva e vê-la tomar uma tonalidade avermelhada. Mas ele queria muito mais do que um simples beijo na bochecha.

Olhou para o aglomerado de mulheres e garotas que se formavam numa das barracas de tiro ao alvo e então avistou o amigo, com uma kunai na mão e a lançando estrategicamente sem esforço para o alvo que ficava pendurado dentro da barraca. O grito agudo das mulheres tornaram-se um uníssono quando então o Uchiha acertou o alvo e o vendedor lhe disse para escolher o prêmio.

Naruto se aproximou mais rápido.

- Teme! — Naruto o chamou e os olhos escuros do Uchiha varreram, até ver que o loiro se aproximava do mesmo.

Sasuke desviou os olhos do loiro, sentindo um nó na garganta se formar e uma súbita vontade de socá-lo por saber que tocara na rosada.

- Teme, estou falando com você, Dattebay'o! — o loiro agora estava ao se lado, empurrando as mulheres sem muita delicadeza para longe.

As mulheres se afastaram, bufando irritadas.

- O que quer? — sua voz saíra ríspida e o loiro percebeu o quanto ele estava lutando para esconder sua imensa vontade de socá-lo.

- Pode me bater se quiser — o loiro murmurou olhando para o chão.

Sasuke virou a cabeça e o encarou.

- Por que eu faria isso?

Os olhos azuis do loiro se ergueram e encontrar os negros e frios de Sasuke.

- Se vai fazer você se sentir melhor me batendo, vá em frente. Não me importo, mas saiba que só estará perdendo tempo — os olhos de Naruto de repente tornaram-se duros ao dizer isso.

Sasuke o encarou por um longo segundo.

- Escolha o prêmio, senhor — o homem repetiu, apontando para o monte de pacotes que estava empilhado nas prateleiras.

Sasuke varreu os olhos pelos prêmios, até que algo chamou sua atenção. Uma flor de cerejeira de vidro colorido.

- A flor de vidro — Sasuke disse numa voz tão cortante que o homem resolveu não comentar. Apenas pegou a flor e entregou para o Uchiha.

Naruto olhou a flor atentamente, sabia que ele não escolhera por acaso aquela flor, havia um motivo e ele sabia qual era.

Esse era o motivo. Foi então que Naruto percebeu que tudo lembrava a rosada para Sasuke. Para onde quer que o Uchiha olhasse, ele só conseguia pensar nela.

Naruto reprimiu a vontade que teve de sorrir. Manteu a seriedade em seu rosto e então cruzou os fortes braços.

- Pare de ser covarde — Naruto disse e no mesmo instante o Uchiha ergueu os olhos negros para o loiro.

- Sabe de uma coisa? Eu estou cansado de tudo e todos me dizendo que sou covarde — Sasuke deu às costas ao loiro.

- Eu não disse que você é covarde, Teme. Eu disse que você está sendo. Tem uma grande diferença entre ser e estar, se não percebe.

Sasuke suspirou pesadamente.

- E por que está me dizendo isso? — o moreno perguntou sem se virar.

- Por que não responde a si mesmo? Você sabe muito bem do que eu estou falando. E se eu fosse você, iria para a árvore de cerejeira descansar a cabeça. Lá é bem calmo — o loiro disse e o moreno não percebeu segundas intenções vindas do amigo.

- Tanto faz — o moreno resmungou.

Naruto conteu um sorriso de vitória ao ver que o amigo seguia para a árvore de cerejeira, que ficava perto do lago, onde seria o lugar em que tudo iria se acertar. Naruto então posicionou os dedos indicadores e do meio em sinal de cruz e um clone logo apareceu.

- Vá para a árvore de cerejeira antes de Sasuke chegue lá e acene para Ino. Ela saberá o que fazer — Naruto disse e seuclone assentiu, saltando pelas pessoas e pelas barracas, passando facilmente do Uchiha que andava sem pressa entre as pessoas, com os pensamentos à mil.

~I NEED YOU~

Sakura bufou.

- Ino, você está me irritando! — resmungou a rosada.

A Yamanaka revirou os olhos.

- Você também, testuda. Apenas se sente ali embaixo da árvore — Ino apontou para a árvore de cerejeira.

Sakura seguiu com o olhar para onde Ino estava apontando.

- Para quê, porca? — Sakura não estava entendendo absolutamente nada.

Foi então que Ino viu o loiro acenando freneticamente escondido atrás de uma árvore. Ino assentiu e logo o clone desapareceu em fumaça branca.

- Fique aqui, vou comprar rámen para comermos -a loira disse e saiu antes que Sakura sequer pudesse protestar.

Ino correu e então se misturou no meio da multidão. Agora já havia feito a sua parte, estava tudo nas mãos de apenas uma pessoa para concluir o plano.

A rosada bufou, vendo a amiga sumir no meio de pessoas. Virou-se e encarou a árvore, olhando para cima e contemplando seus galhos cheios de flores rosas, do mesmo tom de seu cabelo. Com um suspiro um tanto incomodado, andou até a magnífica árvore e sentou-se, rescostando suas costas na madeira viva. Um cheiro delicioso de madeira úmida invadiu suas narinas, de um modo mais agradável do que podia pensar. Fechou os olhos e aspirou mais daquele aroma natural.

Um aroma diferente se infiltrou em suas narinas, um aroma doce mas ao mesmo tempo um tanto forte. Um perfume.

Abriu os olhos, deparando-se com pernas longas. E quando olhou para cima, seu corpo estremeceu ao encontrar os olhos negros que sempre lhe fizeram perder o chão.

Engoliu em seco.

Seus olhos estavam indecifráveis, como sempre, mas havia algo que ele estava deixando escapar em seu olhar, que pela primeira vez ela notou sem ter de fazer tanto esforço: angústia.

- S-Sasuke — ela proferiu o nome do rapaz, sentindo sua boca de repente ficar seca.

Ele nada disse, apenas continuou a encarando, olhando minunciosamente cada detalhe do belo rosto da rosada.

- O que está fazendo aqui? — ela decidiu perguntar, mesmo com sua mente gritando para apenas sair dali.

Ela não conseguia ficar no mesmo ambiente em que ele estava, pois seu corpo nunca respondia aos comandos de sua mente, e havia vezes que chegava a ser constrangedor.

Sasuke separou os lábios, pronto para dizer algo, mas tudo o que saiu deles foi um longo suspiro.

Sakura não conseguia desviar seus olhos dos dele, estava sendo simplesmente impossível.

- O que estava pensando quando decidiu me mandar aquilo? — finalmente a voz dele soara, mas não de modo cortante, como ele havia planejado.

Sakura absorveu aquela pergunta por um momento, tentando recordar-se de algo.

Nada. Não se lembrava de nada.

- Mandar aquilo? Do que está falando, Sasuke? — a rosada perguntou, a confunsão presente em sua melodiosa voz enquanto franzia o cenho.

Sasuke deu um meio suspiro sarcástico, o que particularmente deixou a rosada um tanto atônita.

- Ora, não se faça de desentendida, Sakura — dessa vez a voz do Uchiha soara com certa pontada de mágoa e raiva — Você simplesmente me diz tudo aquilo, achando que eu não me importaria? Desculpe quebrar suas expectativas, mas acontece, ao contrário do que você pensa, eu me importo, sim!

Sakura se levantou subitamente, tomando cuidado de não chegar perto demais do Uchiha.

Céus, como ele cheirava bem! , estava difícil dela raciocinar algo coerente para rebater aquilo.

- Sasuke, você bebeu? — ela franziu o cenho, procurando sinais de que ele não estaria em sua plena consciência.

A risada amargurada e irônica de Sasuke soou.

- Bem que eu queria estar bêbado, mas estou completamente sóbrio — ele passou a mão por seus cabelos negros de modo nervoso — Quer saber de uma coisa? Eu cansei, Sakura. Cansei! Cansei de ter que ficar me sentindo desse jeito, como se quando você subir naquele altar vestida de branco minha vida perderá o rumo. Eu estou cansado de ter que imaginar você me olhando e então decidindo finalmente me dar as costas e tocar a sua vida. Não quero ter de ficar imaginando você com outro homem. Sabe por quê? Porque isso me dá raiva! — ele deu um mínimo passo a frente — Eu não quero ter de me olhar no espelho e ver o covarde que eu estou sendo por guardar tanto dentro de mim quando na verdade eu gostaria de voltar a ser tão oco como eu era. Mas o problema é que você preencheu essa vazio sem nem eu perceber. O problema é que você tem sido mais irritante do que eu poderia imaginar ser possível!

Ele deu mais um passo, fazendo o coração confuso da rosada disparar. Sakura recuou um passo, acabando que por encostar na árvore — estava sem saída.

- Sasuke, acho que você está doente — ela murmurou com a voz entrecortada.

Por que é que ele estava dizendo aquelas palavras sem sentido para ela? O que estava acontecendo que ela não sabia?

- Talvez — os olhos dele brilharam de modo que ela nunca vira — Mas se essa doença é realmente verdadeira, não quero ser curado. Porque por mais angustiado que eu esteja ao saber que você pretende se casar com outro, eu me sinto vivo novamente. Sinto que estou realmente vivo, como nunca antes. Não me sinto tão solitário, porque o seu sorriso supera isso. Eu... — ele deu um passo, praticamente colando os corpos — Eu não posso deixar que se case com outro, Sakura, quando na verdade é eu quem quero ser naquele altar. Eu preciso que você entenda que durante todos esses anos eu simplesmente fugi porque me era conveniente, assim eu não teria fraquezas, mas eu sempre soube que a minha fraqueza era você. Você faz com que eu me irrite por saber que você me faz tão bem. Não dá mais, Sakura. Realmente não dá para viver mais sem o seu sorriso irritante que faz com que esse meu coração velho dispare. Eu só... Só quero ter você. Quero você todos os dias, todas as noites, todas as tardes de verão, outono, irverno e primavera. Toda hora, todo segundo e todo avo de segundo. Você está sendo o meu ar para respirar, então por favor, não me negue isso. Você pode até se casar com outro, mas sei que ainda no fundo, o sentimento que sempre esteve presente ainda está aí. Você me ama, Haruno Sakura.

Se o coração de Sakura estava disparado, agora parecia que iria explodir. Não conseguia raciocinar mais nada. Não conseguia pensar com ele tão perto como ele estava dela naquele momento.

- Você é muito convencido, Uchiha — sua voz saíra num sussurro entrecortado.

Um sorriso de canto surgiu nos belos lábios sedutores do Uchiha.

- Preciso ser, se não, como vou ser corajoso o bastante para fazer isso?

E não dando tempo sequer dela pensar, ele avançou para a mesma, tomando-lhe os lábios de modo feroz. Todo o desejo e sentimento que ele havia contido durante todo aquele tempo finalmente se explodiu quando ela aceitou seus lábios um tanto confusa. Ele precisava sentí-la.

Suas mãos fortes se agarraram à cintura fina da rosada, puxando-a contra seu abdômem e logo após circundando seus braços fortes ao redor do corpo esbelto.

Céus, como precisava daquilo!

Os braços da Haruno abraçaram o pescoço do Uchiha de modo tímido, com medo de que ele rejeitasse, mas uma sensação de segurança correu por todo o seu corpo quando ele a apertou em resposta.

Uma mão do Uchiha subiu pelas costas de Sakura até a nuca da mesma, entrelaçando seus dedos nos macios e sedozos cabelos róseos soltos que agora lhe batiam na cintura, enquanto a outra ainda estava em sua cintura, segurando-a possessivamente.

O beijo tornou-se ávido. Os lábios do Uchiha desejavam mais e mais os dela, as línguas dançavam uma dança frenética e viciosa, fazendo com que o doce gosto da boca da rosada se misturasse com o dele.

Os ombros de Sasuke estremeceram quando sentiu os delicados dedos dela subindo em sua nuca e puxando-lhe os cabelos negros. Sakura deslizou a mão pelo ombro do moreno, depois pelo colo e então a clavíncula, para enfim pousar no rosto anguloso do mesmo.

O beijo foi tornando-se mais lento, até que então os lábios se desgrudaram, as testas coladas uma na outra enquanto a respiração de ambos estava completamente alterada.

- Sasuke, eu não vou me casar com ninguém — Sakura sussurrou ainda de olhos fechados e sua testa colada à dele.

- É muito bom ouvir isso — ele murmurou com um sorriso bobo brincando em seus lábios.

- Não, Sasuke, é sério. Eu não sei de onde você tirou essa história de casamento. Eu vou casar e sou a última a saber?

Os olhos de Sasuke se abriram de repente, fitando os esmeraldinos dela.

- Como assim não sabia?

- Sasuke, eu não sabia que eu iria casar. Só se for com meu amigo imaginário, porque eu estou mais solteira do que Ino de TPM.

Sasuke franziu o cenho e enfiou uma mão no bolso traseiro da calça negra que usava.

- Então o que significa isso? — ele ergueu nas mãos o papel da carta que supostamente teria sido Sakura quem escrevera e o convite do casamento.

Sakura olhou com uma sobrancelha arqueada para aqueles papéis e os pegou da mão do Uchiha. Abriu a carta e então seus olhos saltaram para as palavras. A boca de Sakura se abriu.

- Sasuke, eu não escrevi isso — ela disse ainda com os olhos varrendo pelas palavras.

- Se não foi você, quem foi? — Sasuke cruzou os fortes braços.

- Não sei, mas não foi eu! — ela então olhou para o convite e arqueou as duas sobrancelhas róseas em completa surpresa — Santo Kami-sama! Eu vou casar com o baka do Naruto e nem sei?!

Sasuke nada disse, ele estava confuso demais para proferir algo coerente.

Antes que Sakura pudesse dizer algo, Ino apareceu, com uma sacola nas mãos. Ino tentava esconder o sorriso malicioso e cúmplice.

- Érh..! Eu trouxe o rámen — Ino disse o deixando no chão — Eu vou indo.

- Espera — Sakura disse e mostrou o convite — Que diabos é isso?

Ino engoliu em seco quando viu o convite.

- Sei lá, testuda. O que é isso? — fez-se de desentendida.

- É o que eu queria saber — ela cruzou os braços — Como assim Uzumaki Naruto e Haruno Sakura irão se casar? Como posso ser a última a saber do casório?

Ino deu de ombros do modo mais convincente que conseguiu.

- Bem... — a Yamanaka suspirou, procurando não olhar para Sasuke — Eu adoraria ficar e ajudar a desvendar esse mistério, mas tenho de ir. Quero curtir o festival.

Sakura abriu a boca para protestar mas a Yamanaka saiu saltitando, sem se importar em ficar.

Sakura bufou, irritada e sentou-se, puxando a sacola com o rámen que Ino trouxera para mais perto.

- O que você está fazendo? — Sasuke sentou-se também, olhando para ela de forma curiosa.

- Estou faminta — ela admitiu — Cheguei de missão hoje e não comi nada desde que cheguei.

Ela tirou a tigela de porcelana branca um tanto grande, com uma tampa de plástico presa e um papel preso com uma fita azul claro em volta da tigela.

- O que é isso? — Sasuke perguntou apontando para o papel preso.

Sakura não respondeu, apenas pegou o papel e o abriu, seus olhos saltando ansiosamente para a primeira linha, escrita com uma letra que ela conhecia bem até demais.

"Por favor, não me matem, Dattebay'o! Eu não estava mais suportando ver a situação de vocês. Vocês estavam agindo como se não se conhecessem. Eu já tinha conhecimento do sentindo de vocês dois, então não pude deixar de agir. Bolei um plano idiota, mas que tinha como objetivo de finalmente conseguir juntar vocês dois. Eu sabia que se Sasuke soubesse que você, Sakura-chan, se casasse com um homem que não fosse ele, ele ficaria bastante magoado, irritado, com raiva, ciúmes e até inveja. Mesmo ele sendo durão do jeito que ele é, ele cairia em angústia. Eu não gostei de ter causado isso quando mandei o convite do nosso casamento de mentira, mas foi a única maneira de fazer ele perceber que ele te perderia por não ter agido durante todo esse tempo. Eu precisava que ele visse o quão estúpido ele estava sendo não tomando nenhuma decisão em relação à você quando na verdade você sempre fora apaixonada por ele. Eu não te contei nada sobre esse plano porque eu sabia que você não concordaria — e também porque me bateria depois -, mas eu sei que eu pelo menos tentei, que Ino tentou e que Kakashi também tentou — sim, eles foram meus cúmplices. Ino escreveu aquela carta, tentando imitar a sua letra, por mais que tenha saído um desastre. Kakashi atazanou o teme, para que ele finalmente decidice tomar uma atitude de homem. E eu...Eu peço desculpas por ter tomado tanta liberdade de fazer isso, mas isso foi feito apenas porque eu precisava ver os dois felizes e juntos. Espero que entendam — e que não me matem.

Naruto"

Sakura não pôde evitar que sua boca se abrisse em completa surpresa. Sua mente estava a mil.

Naruto só podia ter ficado louco!

Sasuke pegou o papel das mãos da rosada sem nada dizer e então começou a ler. Sasuke teve quase a mesma reação que a da rosada: ficou um tanto boquiaberto.

O moreno amassou o papel com uma força desnecessária e massageou as têmporas.

Sakura o olhou temeroza de que ele hesitasse, de que ele desistisse de tudo o que ele havia lhe dito após saber do plano de Naruto. A sensação de insegurança lhe invadiu.

- O que vai fazer? — Sakura perguntou quando viu ele se levantar, seu coração se apertava ao ver que ele não a olhava.

Sasuke demorou para responder.

- Agradecer à Naruto — ele virou-se e estendeu a mão à rosada, sorrindo de um jeito tão aberto que a mesma nunca havia pensado em ver.

De repente a alegria tomou conta do corpo dela, contagiando o Uchiha, que a puxou rapidamente para ficar de pé e a apertou contra o corpo antes de beijá-la.

- Eu acho que amo você — ele sussurrou entre beijos.

Ela riu, logo depois abrindo o sorriso que fazia o coração do Uchiha disparar, fazendo-o se sentir vivo.

- Eu também acho — ela disse e então passou seus braços pelo pescoço do Uchiha, sentindo-se tão feliz quanto podia suportar.

Agora sim, tudo estava completo na vida do Uchiha. O vazio finalmente fora preenchido, dando lugar a uma alegria que nunca pensou que teria novamente. Sim, Uchiha Sasuke estava feliz.

Notas finais
Ja ne! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!