I Miss You Daddy

1 Capítulo Único - Letter


Notas iniciais
Essa one foi inspirada nesse vídeo http://www.youtube.com/watch?v=lhJC6Z-6GuE.

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Capítulo Único — Letter


Era noite. Ao contrário do normal, nenhum animal ou inseto podia ser ouvido, nem mesmo os grilos, que desde bebê sonho em ver de perto. Mas isso se torna impossível com minha família por perto e Jacob nunca me deixa chegar perto de insetos. Ele diz que são sujos nojentos. Apesar de eu o amar mais do que tudo Jacob, às vezes é protetor demais comigo, como se qualquer coisa fosse me machucar. Mas não posso reclamar, se não fosse por ele, provavelmente eu não estaria viva. Ninguém estaria vivo.

Como de costume, eu e mamãe nos despedimos de nossa família e voltamos para o chalé, para que eu pudesse dormir e ela, chorar um choro sem lágrimas em seu quarto, acho, pensando que eu não conseguia ouvi-la.

Ninguém de minha família sorriu daquela forma calorosa que só eles sabiam fazer. A única coisa que recebi foi vários “Boa noite” murmurados, com sorrisos pequenos e forçados. Mas da mesma forma que não faço com Jacob, não os culpo ou condeno por isso. Nem eu conseguia sorrir mais de forma verdadeira e não acho que um dia vá voltar a fazê-lo.

O caminho todo, nós ficamos em silêncio. Mamãe segurava minha mão firmemente, mas não ao ponto de me machucar. Andávamos rapidamente, quase correndo, como se alguém estivesse nos seguindo. E sabia que havia uma grande probabilidade disso. Mas ao contrário do esperado, eu não sentia medo. Aquela era minha casa, o lugar onde morei desde que nasci não havia nada para temer. Ou pelo menos era o que eu tentava me convencer todos os dias.

Rapidamente, chegamos a casa. Desde o primeiro momento que vi aquele chalé, fiquei encantada com ele, com suas lindas flores e aquele pequeno lago que de dia, refletia as árvore e as nuvens, e de noite o céu estrelado e a lua brilhante. Mas hoje, nada disso me atraía mais. Tudo era somente mais um monte de pedras, tijolos e mato.

Entramos, cada uma indo para o próprio quarto. Apesar de eu não ligar de mamãe me trocar e escolher minhas roupas, hoje eu queria fazer isso sozinha. Precisava desse pequeno momento de independência, de solidão.

Coloquei meu pijama cor de rosa e soltei a trança, fazendo com que meu cabelo caísse em ondas por minhas costas. Peguei uma escova que estava em cima da minha penteadeira e escovei-os levemente.

Em passos humanos, fui até meu criado mudo. Em cima do móvel, estava uma porta retrato. Nele, estávamos eu e papai, sentados em seu piano, enquanto eu somente o observava tocar uma música calma e tranquilizante, que ele dizia chamar Bella’s Lullaby. A música de ninar de mamãe.

Olhei o porta retrato por uns minutos antes de tomar uma decisão. Era idiota e inútil, mas era a única maneira que eu conseguia imaginar de fazê-lo. Peguei o caderno que sempre deixava na gaveta e uma caneta qualquer. Sentei-me na beirada de minha cama e comecei a escrever.

Já faz um ano, papai. Eu realmente sinto sua falta. De seu cheiro, dos seus sorrisos e dos seus abraços. Nem os do Jacob substituem os seus. Mamãe diz que você está a salvo agora, vivendo em um lindo lugar chamado Paraíso.

Hoje nós fomos caçar. Eu cacei um leão da montanha, pois me disseram que era o seu favorito. E fazendo isso, me senti mais parto de você. Mas Jacob disse que isso é bobagem. Falando nele, sabia que ele ainda acha nojento nós caçarmos? Ele me falou isso há uns meses. O que é meio estranho, já que o nojento é ele comer os animais, e não só beber o sangue. Mas não adiante discutir, ele é muito teimoso.

Você... Consegue me ver?

Eu comecei o jardim de infância esse ano. Mesmo todos achando perigoso, mamãe quis que eu tivesse essa experiência. Porém, terei de mudar de escola esse mês: eles já estão suspeitando do meu crescimento rápido. Não quero ir. Fiz uma amiga lá, seu nome é Amber. Nós sempre almoçamos juntos.

Eu tenho uma lancheira. Ela é azul, com uma foto de um ursinho, não rosa cheia de glitter como a tia Alice queria. E sempre carrego dentro dela uma foto de nós dois.

Você é o melhor pai do mundo.

Sabia que agora eu consigo me balançar no balanço de casa sozinha agora? Mesmo eu sentindo falta de ter você me empurrando, de te ouvir falando que eu iria tão alto quanto o céu.

Eu sinto falta de como você fazia cosquinhas em mim, para me animar, quando eu estava triste ou emburrada. De como você ria junto comigo e não parava até que eu parasse também. Mas sempre ficava com um sorriso torto. Você nunca ficava sério perto de mim.

Eu tento não chorar. Mamãe diz que está tudo bem. Mas eu sei que você não gosta de quando eu choro. Você nunca quis que eu ficasse triste. Eu tento papai, mas dói.

É verdade que você não vai voltar para casa?

Talvez, algum dia, eu possa te visitar no céu, ok? E assim nós poderemos brincar o dia inteiro e até caçar alguns leões da montanha.

É hora de ir para cama agora. Mamãe logo virá perguntar o porquê que eu ainda estou acordada. Eu durmo com a luz acesa, caso você volte para casa. E me dê um beijo de boa noite.

Eu te amo muito. Eu sinto sua falta, papai.

Soltei a caneta, dobrei o papel em dois e coloquei-o embaixo do travesseiro. Lágrimas caiam de meus olhinhos. Não as enxuguei.

Calmamente, fui até o quarto de meus pais, porém não entrei de imediato, fiquei parada, apoiada no batente da porta, somente observando ela.

Mamãe estava sentada na ponta da cama, chorando um choro sem lágrimas, enquanto abraçava uma blusa branca. Pelo cheiro, aquele cheiro tão bom e único soube na hora de quem era a roupa. Eu mesma costumava fazer isso de vez em quando, só para poder sentir sua presença somente mais uma vez. E normalmente, as roupas acabavam molhadas de lágrimas.

Sem falar nada, entrei no cômodo e me sentei ao lado de mamãe. Ela olhou para mim com um olhar interrogativo, mas continuei calada. Somente a abracei, abraçando a camiseta junto. E chorei. Chorei como nunca havia chorado em toda a minha curta vida. Deixei aquela dor correr por toda a minha alma e tentei de todas as formas fazê-la sair por minhas lágrimas. Acho que mamãe tentou fazer a mesma coisa.

Ficamos abraçadas a noite inteira, ou pelo menos até eu pegar num sono. Acordei no dia seguinte, com dor de cabeça e olhos inchados. E abraçada à mamãe.

Hoje, sete anos depois, ainda tenho aquele bilhete. Ninguém nunca leu pelo menos eu espero que quase ninguém tenha lido. De alguma forma, com o passar dos anos, consegui me convencer que papai realmente leu aquilo, lá do céu.

– Está pronta Nessie? – perguntou vovô Charlie, com um sorriso cheio de pés de galinha. Assenti, sorrindo levemente.

Começamos a andar lentamente, por entre aquela multidão de pessoas. Não conseguia identificar nenhum rosto, estava nervosa demais para notar qualquer coisa que não fosse o rosto de meu noivo.

– Você cresceu tão rápido, menina – sussurrou Charlie, completando com uma risada baixa – Mais rápido do que qualquer um – ri também, tentando afastar o nervosismo – Seu pai ficaria muito orgulhoso de você, agora.

Não falei nada.

Finalmente, depois do que pareceram vários minutos, mas não deviam ter se passado mais do que 40 segundos, chegamos ao altar. Jacob sorria, aquele sorriso cheio de calor que só ele sabia dar. Sorri de volta, sentindo todo o nervoso sumir. Despedi-me de vovô com um beijo na bochecha e me juntei ao meu noivo.

– Caros amigos – começou o padre – estamos aqui reunidos...

– Não vai fugir não é? – perguntou Jacob sorrindo de forma marota – Porque pela sua cara, parece que está prestes a sair correndo.

– Se quisesse fugir, não estaria nem aqui, meu amor. Eu te amo e nós pertencemos um ao outro.

– Para sempre? – perguntou Jacob, beijando minha cabeça.

– Para sempre – concordei em um sussurro, apertando mais o papel que estava em minhas mãos.


Notas finais
Bom, eu sei que é muita crueldade matar o Edward, mas eu precisava fazer isso, se não a fic não existiria @.@
Espero que tenham gostado e comentem ok?
Beijos, XOXO
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!