I Miss The Time When You Missed Me

18 Capítulo 16 - He is the demon?


— Damon! Pelo amor de Deus, Damon! — ouvi a voz de minha amada ecoar na sala de espera, um pouco antes de receber um abraço apertado da mesma. Ela chorava em meu ombro, em desespero. Eu forçava para não chorar, para dar força a ela. Mas, naquelas condições, não chorar parecia impossível.

Segurei o rosto de Elena, fazendo com que ela olhasse em meus olhos. As bochechas de minha amada estavam repletas de lágrimas, assim como seus olhos. Passei minha mão suavemente pela sua face, enxugando-a, fazendo com que Elena fechasse os olhos e chorasse ainda mais.

— Elena... Acalme-se. Miranda e Greyson são fortes. Sabemos disso. Ficará bem. Tudo ficará bem. — falei, consolando-a e, de algum jeito, consolando a mim.

— Damon... — ela dizia meu nome em súplica. — Eu não consigo pensar! Não consigo agir! Sinto-me fútil. Necessito fazer algo, Damon... Precisamos fazer algo! O que podemos fazer?— ela falava, fazendo com que derramem ainda mais lágrimas sobre suas bochechas. Abracei-a de lado, conduzindo-a até uma cadeira, enquanto seu rosto estava afagado em meu peito. Ela encostou sua cabeça em meu ombro ao sentar, enxugando seu choro na manga de minha camisa.

Ficamos em silêncio por um bom tempo. Não havia mais nada o que dizer. Elena estava concentrada em seus próprios pensamentos. De vez em quando, ela soltava um “ai meu Deus”, afagando seu rosto em meu ombro. Se eu permitisse a mim mesmo a pensar, iria acabar saindo algo como “e se tudo der errado”, e essa era a última coisa que deveria passar pela minha cabeça. Após um tempo, Elena adormeceu, e não demorou muito tempo para que eu fizesse o mesmo.

Elena e eu só acordamos no fim da tarde, quando o médico apareceu. Enquanto ele se aproximava, nossas mãos se encontraram. Não sei dizer como isso veio a acontecer, talvez tenha sido eu, agindo impulsivamente. Porém, quando fiz menção de recuar, Elena apertou minha mão com força. Nossas mãos trocavam um calor incrível. As da Elena suavam nervosas. As minhas estavam geladas e trêmulas.

Reconheci o médico subitamente. O sujeito era o mesmo que cuidou de Elena enquanto ela estava no hospital.

— Doutor! Eles ficarão bem? — disse Elena rapidamente, com uma voz entrecortada.

— Miranda e Greyson sofreram algo que eu não consigo explicar... — começou, deixando-nos tensos. Pude notar que o doutor observou por míseros segundos minha mão e a de Elena entrelaçadas — Mas, trago boas notícias! Surpreendentemente, eles ficarão bem — disse o médico, sorrindo e fazendo Elena, e eu, consequentemente, suspirar de alívio. Eu caçoei um pouco do demônio em minha mente, devo admitir. Satanás idiotinha, seja lá quem você for, eu acho que não funcionou dessa vez. Ele não cansará... Elena e eu devemos ficar de olho em Miranda e Greyson de agora em diante. Não sabemos qual será o próximo passo do demônio. Não sabemos quem ele é, ou como ele se parece para pelo menos nos prevenir. Espere...

— Você nunca me disse seu nome, doutor. — falei, olhando para ele suspeito.

— Dr. Saltzman. Pode me chamar de Alaric. Senhor...? — apresentou-se o médico. Eu poderia jurar por Deus e pelo demônio que no momento em que Dr. Saltzman disse “Alaric”, passou um vulto vermelho em seus olhos. Devo dizer que não via nenhuma luz no hospital que poderia ter feito aquilo.

— Damon. Mas prefiro Sr. Saltzman para você. — falei, encarando-o. Ele continuava com aquele sorriso cínico. Ele fez menção em apertar minha mão, porém logo desistiu, já que percebeu que eu não o faria. Seria ele? Ele é o demônio? Mas é claro, Damon burro. Estava óbvio isso tudo desde o começo. Médico de Elena, observando tudo de perto. Médico de Miranda e Greyson, nos passando a notícia de que tudo ficará bem. E sempre repetindo a frase incompetente de “sofreram algo que ninguém sabe explicar”.

— Ah, devo adicionar, Miranda e Greyson já estão prontos para visita. Se os senhores quiserem... Quarto 224, segundo andar. — ele disse, deixando Elena cintilante. Provavelmente, ela estava desatenta quando se passou aquele vermelho nos olhos do doutor. Não a culpo.

Elena me puxou imediatamente para o elevador do hospital e quando entramos, ela me abraçou, fazendo com que eu cambaleasse um pouco para trás pelo ato inesperado. Logo correspondi o abraço. Porém, ela não disse uma palavra, nem mesmo eu. Podia sentir o sorriso de Elena sobre meu ombro, o que me contagiou, fez com que eu sorrisse junto a ela. Não tinha certeza se era um bom momento para dar-lhe um beijo. Talvez fosse, mas não tinha certeza completa se ela havia me perdoado por essa madrugada. Contentei-me em dar-lhe um beijo no ombro, mas logo que nossos corpos se afastaram, Elena acariciou meu rosto e me beijou, dando-me a certeza de que tudo ficaria bem, como eu esperava. Foi um beijo rápido, porém, disse tudo que eu queria ouvir. Ao separarmos nossos lábios, Elena sorriu com aquele seu sorriso de criança sapeca. Eu, desnorteado, também sorri um pouco antes da porta do elevador se abrir e Elena correr para o quarto 224.

Eu andava pelo corredor do segundo andar confuso e feliz pelo que havia acontecido. Resolvi deixar Elena sozinha com os pais dela antes de visitá-los. Não parava de sorrir, e acho que meus joelhos estavam tremendo, me impedindo de caminhar como gente normal. Percebi que precisava tomar uma água, acalmar-me dos eventos ocorridos recentemente. Só que não tinha sinal de bebedouro algum no corredor. Andei por ele por completo, até que cheguei ao seu final, e vi uma sala pequena, de uns 5m². Aproximei-me com a ideia de que possa ser uma pequena salinha de espera do próprio segundo andar. Devia ter água por lá.

As paredes da sala eram de vidro, dando uma perfeita visão do que estava acontecendo dentro dela. Não cheguei a entrar nela, porque bastou minha aproximação para ver ele. O demônio. Acompanhado de uma mulher, que eu não conseguia identificar de imediato, já que ela estava de costas. Ele parecia zangado com algo. Reclamava furioso para a mulher. Eu tremia mais do que já estava tremendo. E decidi sair do local. Porém, antes que eu pudesse o fazer, o demônio beijou a mulher. Agora, conseguia identificá-la, já que ela ficou de lado, me dando visão de seu perfil. A mulher era a mulher. Minha médica. Fell, seu nome?

Coloquei rapidamente minha mão na boca, por impulso. Foi quando o demônio se virou e me viu, mostrando-me seus olhos vermelhos, seus verdadeiros olhos. E então, corri. Corri apressadamente para o quarto 224. E ao chegar, ofegando, três olhos viraram para mim, assustados.

— Miranda, Greyson, Elena! Precisamos sair daqui. E precisamos sair daqui agora.

Notas finais
O próximo capítulo será o último! Ah :(
Espero que tenham gostado desse... Porque, o próximo... MUITAS emoções ein.