Notas iniciais
Oi pessoas do meu coração ^^
Td bem?
Fiz essa oneshot baseada em fatos reais e alguns eu inventei
Espero que gostem.

P.O.V Ela

E quando o vi foi amor a primeira vista.

Nossos olhos de conectaram e para mim, o mundo parou e apenas nós existíamos.

Ele continuou andando pelo corredor e sentou-se em uma das mesas perto de mim. Meu coração parecia querer sair do peito a qualquer momento.

Naquele dia, descobri que faríamos prova juntos toda semana. Demorei pelo menos duas semanas até descobrir seu nome. O nome do garoto que tirava meu sono.

Uma amiga começou a conversar com ele e acabei entrando na conversa. Alguns meses passaram e viramos amigos, mas eu sabia muito bem que desde o primeiro dia, estava apaixonada pelo garoto de olhos castanhos.

Os meses foram passando e continuamos a nossa amizade. Senti meu mundo cair quando ele disse que estava gostando de uma garota mais velha. Torci para que fosse eu. Mas não era. Ela era de uma série a menos que ele, e eu duas a mais.

Assim que ele me contou o nome da garota, perdi o chão. Tive que disfarçar, pois ele não sabia que eu o amava. Achava que era apenas uma amizade muito especial.

Um ano passou e meu amor por ele só aumentava. Brigávamos muito por causa dessa menina. Ela não era certa para ele e apenas o machucava.

— você não entende que eu só falo isso por que te amo? — disse e fui embora da escola. Na outra semana, continuamos sem nos falar. Gostaria de dizer que ele se apaixonou por mim, mas a realidade foi bem diferente.

Ele apenas me tratava como trouxa. Brigávamos, depois ele falava que sentia minha falta e voltávamos a ser amigos. Isso durou até o começo desse ano.

Há três anos, eu me apaixonei. Há dois anos, meu coração foi quebrado. Há um ano, achava que poderíamos ficar juntos um dia.

Ele cresceu. Virou adolescente, assim como eu, e com isso vieram as mudanças. Esse não é mais o meu amor. Ele não é o mesmo que eu conheci.

Às vezes ele demonstra carinho e eu acabo cedendo aos encantos dele. E apenas depois, eu vejo o estrago que ele fez.

As olheiras estão cada vez mais proeminentes, o cansaço está me consumindo cada dia mais assim como a dor de não poder tê-lo.

Toda vez que o vejo, meu coração dói, mas tenho que sorrir para não preocupá-lo, por que isso já aconteceu uma vez.

Agora estou aqui, escrevendo isso com uma lâmina não mão. Será que vou poder descansar algum dia? Me cortar é a solução? Não sei, só sinto a lâmina percorrer meu pulso e o sangue começar a pingar. Cada vez mais sangue.

A dor que eu sinto no coração não para, pelo contrário, ela piora. Faço mais e mais cortes. Nos braços, nas pernas...

O sangue continua a sair dos machucados profundos que fiz. Sinto-me tonta. Deito na cama e penso nele.

Nos olhos castanhos que me encantaram desde o primeiro dia, no jeito dele de sorrir, nos abraços que ele já me deu. Vejo pontos pretos dançarem diante dos meus olhos. Encosto em meu braço e vejo que estou ficando gelada.

Estendo a coberta sobre mim, pego o celular e coloco em nossa foto. Depois fecho os olhos, mas antes digo:

— eu te amo Ma...- e acabo dormindo, com a lembrança dele no meu cérebro.

P.O.V Ele

Depois que a melhor amiga dela me avisou que mandou milhares de mensagens e ela não respondia, fiquei preocupado.

Saí de casa avisando minha mãe que iria na casa dela.

— não volte tarde querido — assenti e saí. Esqueci de pegar uma blusa de frio. As nuvens de chuva estavam cada vez mais escuras e apressei-me até a casa dela.

Há alguns dias estou com um sentimento estranho relacionado a ela. Toda vez que a vejo sorrir, meu coração parece dar cambalhotas. Apenas hoje quando acordei e fui para a escola, não a encontrando descobri o que sentia: estava apaixonado pela minha melhor amiga.

Cheguei ao portão branco e toquei a campainha. O pai dela abriu o portão e me cumprimentou. Perguntei se ela estava e o mesmo disse que minha amiga estava no quarto desde que chegou da escola. Estranho, ela geralmente vai para a casa da melhor amiga ou para a minha para ficarmos jogando até a noite.

Subi as escadas e falei oi para a mãe dela. Nesse momento senti o coração apertar, como se uma coisa ruim tivesse acontecido ou fosse acontecer. Cumprimentei o irmãozinho dela e fui até seu quarto. A porta estava fechada e nenhum barulho saía de lá.

— hey, você não viu minhas...- encontrei-a deitada, com um cobertor sobre si e com o celular na mão. Nele, aparecia uma foto que tiramos há algum tempo. — está dormindo?

Encostei em seu ombro e vi que ela estava gelada. Virei seu corpo e vi os cortes em seus braços. Meu coração parou

— me ajudem! — eu pedia sem parar, enquanto sentia as lágrimas rolarem por meu rosto e molharem o da minha menina. Ela não pode ter me deixado. — por favor acorda. Não me deixa

Dei um beijo nela e tentava acordá-la a todo custo. Seus lábios estavam gelados. Cada vez mais gelados. Os pais dela chegaram e perguntaram o que aconteceu. Quando viram o corpo da filha imóvel e cheio de sangue, começaram a chorar.

— minha menininha — a mãe dela chorava como uma criança.

— o que aconteceu? Minha irmã ta bem? — o irmãozinho dela, de apenas 6 anos, perguntou e viu a irmã cheia de sangue. A mãe falou algo para ele e o mesmo começou a chorar, pedindo pela irmã.

— eu não posso te perder. Por favor, volta para mim — eu tentava acordá-la de tudo que é jeito, mas não funcionava — eu te amo, por favor não me deixa. Eu te amo.

Eu repetia e repetia. A ambulância chegou e me afastaram da minha menina. Ela cometeu suicídio.

Alguns dias depois o funeral aconteceu. Todos da nossa escola compareceram. Meus amigos viram o quanto eu estava destruído e tentaram me consolar, mas a dor era alucinante. Ela não parava e ficava cada vez mais forte. As amiga dela estavam completamente arrasadas, assim como seus pais e seu irmão.

O funeral acabou e fui até ela. O vestido preto contrastava com a pele branca, a maquiagem estava fraca, mas ela estava linda. Assim como no dia que a conheci.

Quando cheguei em casa, me tranquei no quarto e chorei. Chorei até não poder mais. Até que pensei em uma solução.

— vou continuar com você amor, nada vai nos separar — achei uma corda em algum canto do quarto e olhei para o ventilador de teto. Peguei a cadeira da escrivaninha e lembrei das vezes que ela estava ali, rindo comigo. Viva.

A posicionei embaixo do ventilador e fiz um nó bem forte na corda, mas antes escrevi em um caderno que usávamos para conversar quando tínhamos que ficar em silencio na escola.

A ultima coisa que ela escreveu era que me amava. Não podia deixar minha menina sozinha.

Não importa o que aconteça, vou estar sempre com você. Eu te amo.

Subi na cadeira e coloquei a corda no pescoço. Lembrei das vezes que ela veio em casa e do quanto nos divertimos juntos. Chutei a cadeira e senti a corda me sufocar. Olhei para um canto do quarto e a vi. Ela sorria e me estendia à mão.

— e-eu t-te a-amo — disse e aceitei sua mão, para logo em seguida, apagar.

Notas finais
Espero que tenham gostado.
Bjos :*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!