I Love You. Ok?
5 Último capítulo: Eu amo você. Ok?
Notas iniciais
“Depois de todo este tempo
Eu nunca pensei que nós estaríamos aqui
Nunca pensei que nós estaríamos aqui
Quando meu amor por você era cego
Mas eu não conseguia fazer você ver isto
eu não conseguia fazer você ver...”
Thalia:
Depois de um tempo de voo, chegamos a Paris. Para completar clima romântico, estava nevando. O céu estava limpo, o Sol fraco no alto, mas a neve cobria as folhas das árvores e todo o chão. Era uma das coisas mais lindas que já vi, depois do Nico e de mim.
Fomos direto pro hotel. Eu queria observar mais tudo, mas estava frio. Iríamos jantar em algum lugar. Quando chegamos, tomei banho primeiro e enquanto me arrumava, Nico desceu. Coloquei uma blusa preta, calça e uma touca. Maquiagem um pouco forte e cabelos soltos. Tô gata!
Liguei pra meu marido e avisei que estava pronta e desci. Fui ai seu encontro sem ele (look 7) me ver.
— Bu! — Ele se assustou e eu, claro, ri. Mas depois dei um selinho nele — Oi.
— Oi. Você está linda, Sra. Di Angelo.
— Digo o mesmo do senhor. — e ri — Vamos?
— Vamos — me deu o braço e fomos.
A noite foi ótima — sério, o restaurante era muito bom, o Nico é muito maravilhoso, a cidade é perfeita. Meloso.
Depois que terminamos de comer, eu decidi que queria passear. A conta foi paga e nós rumamos de táxi à um dos lugares mais visitados de Paris: a Torre Eiffel. A neve começou a despencar do céu escuro, linda, misteriosa, como se guardasse segredos de todas as pessoas pelas quais passou.
Quando minha mãe era viva, ela ensinou a mim e a Jason, uma tradução vinda da parte de sua família: sempre que nevava, eles escreviam um segredo em um papel e enterravam fundo na terra do nosso quintal — uma casa que a família dela sempre morou —, para outras gerações acharem. Eu adorava fazer isso, até que ela morreu, Zeus nos levou embora e a casa ficou abandonada.
Balancei minha cabeça e percebi que Nico me olhava.
— Você estava viajando, Thals.
— Ainda estou. Vim pra Paris. — eu ri e ele me acompanhou. — Nico.
— Oi. — ele me olhou e seguramos as mãos.
— Preciso de caneta e papel.
Ele franziu as sobrancelhas, como quem perguntasse o que eu iria fazer com caneta e papel em Paris.
— Ok, Thalia. Tudo é normal pra quem bateu a cara milhões de vezes no mesmo Pinheiro.
— Meu passado me condena.
Rimos. Ele voltou pouco depois, com as coisas que pedi, dizendo que prometeu devolver à caneta ao garçom do restaurante. Eu dei uma risadinha, sem acreditar que ele pediu em um restaurante.
— Restaurante?
— Tudo por você. — ele disse e eu o beijei.
— Confio em você e vou te contar uma coisa de família. — ele assentiu e eu comecei a contar sobre a tradição.
— Então escrevemos um dos nossos segredos e enterramos na neve?
— Um dos?
— É.
— Cara de pau.
Eu dividi a folha que parecia de um bloco de anotações, pois era pequena, ao meio e dei um pedaço à ele, que começou à escrever. Eu tentei ver.
Terceira Pessoa:
— Nem pense, Thals. — disse Nico, Thalia fez bico. — Enterramos segredos, se você ver não vai ser mais segredo.
Ela revirou os olhos bufou, cruzando os braços. Os dois estavam sentados em um banco embaixo de uma árvore, com as toucas na cabeça para se proteger da neve, na cidade mais romântica do mundo e ela ficou emburrada?
— Tudo bem, mas é algo que eu não sei? — ela o olhou desconfiada.
— Todos sabem.
— Então como vai ser segredo? — ela perguntou confusa.
— Você sabe, mas não faz ideia do que escrevo, por tanto é um segredo.
— Nossa, quando ficou tão filosófico? — ela perguntou com um sorriso de lado.
— Escreve logo, cara de pinheiro. — ele a entregou a caneta.
— Caveirinha. — eles se beijaram mais uma vez e Thalia começou a rabiscar o papel. Nico disse que era melhor devolver logo a caneta, então ficou com o próprio papel assim como Thalia ficou com o dela. Quando ele voltou, os dois dobraram os papeis e enterraram ao pé da árvore.
Mal sabia Nico que Thalia havia resumido em poucas palavras, uma coisa muito importante para ela: você que está lendo, saiba que eu já bati minha cara mil vezes no mesmo pinheiro, mas não consigo me irritar quando alguém me lembra disso, porque isso me lembra a pessoa que eu mais amo. Meloso, mas verdadeiro. Enquanto Nico havia escrito: não sei muito bem o que pôr aqui, mas seja o que for que está no outro papel, saiba — seja quem for que está lendo — que foi pela menina daquelas palavras pela qual eu me apaixonei e isso não é um segredo, mas eu quero que você saiba.
Os dois enterraram os papeis e cobriram novamente com terra e neve, se levantaram, limparam os joelhos, seguraram as mãos e se beijaram, as folhas quebrando debaixo de seus pés. A neve tocando no seu cabelo e se desfazendo, um vento forte passando, enquanto pessoas pagavam o preço simbólico para visitar a Torre Eiffel. Tudo pacífico o bastante para não ser humano, e ao mesmo tempo o mundo sofria um caos interno que era esquisitamente familiar e aconchegante. E enquanto o mundo se desfazia desse jeito, Nico e Thalia só viam um ao outro.
— Thalia.
— O quê? — falou, irritada por ele parar de a beijar.
— Paciência, querida. — ele disse — Eu quero saber, e se aqueles papeis rasgarem, sumirem ou coisa do tipo?
Ela sorriu.
— O propósito era só escrever. Talvez o papel resista e alguém veja, mas minha mãe disse que, algumas vezes, é melhor que se desfaça.
— Por quê?
— Porque se o papel se desfazer, o segredo vai junto. Mas no meu caso, acho melhor que ele resista, porque eu quero que saibam. Senão mato ele! — ela gritou essa última parte, fazendo pessoas que passavam à olharem, franceses não era, escandalosos.
Nico riu e disse:
— Eu te amo. Ok?
Ela sorriu.
— Ok. — e eles seguiram até a Torre Eiffel, a neve caindo e levando os (alguns nem tão) segredos de gerações.
“...Que eu amava você mais do que você jamais saberá”
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